segunda-feira, 31 de maio de 2010

Candidato de Uribe é o mais votado, mas disputará o segundo turno


Contrariando todas as pesquisas, o candidato governista Juan Manuel Santos obteve uma ampla vitória no primeiro turno das eleições presidenciais colombianas, mas não conseguiu evitar um segundo turno.

Apuradas 99,71% das urnas, Santos ficou com 46,56% dos votos e o segundo colocado, o opositor Antanas Mockus, do Partido Verde, com apenas 21,5%. Segundo as últimas pesquisas, divulgadas há duas semanas, ambos estavam tecnicamente empatados. Santos tinha 35% e Mockus, 34% segundo o instituto Datexco e outros levantamentos apontavam diferenças de no máximo 3 pontos porcentuais entre os dois. Além disso, de acordo com as mesmas pesquisas, o opositor venceria no segundo turno, previsto para o dia 20.


Com a vantagem obtida por Santos ontem - ele por pouco não alcançou os 50% necessários para vencer logo na primeira etapa da votação - agora é muito difícil que Mockus consiga virar o jogo. "Trabalhemos para conseguir que nosso país não retroceda no caminho percorrido nesses oito anos", disse Santos ontem, em um discurso para seus simpatizantes, no qual convidou os outros candidatos a fazerem parte de sua campanha e eventual futuro governo.

O resultado significa um reconhecimento do legado do presidente colombiano, Álvaro Uribe, na área de segurança. Em seus oito anos de mandato, Uribe (hoje com 74% de aprovação) conseguiu que 20 mil paramilitares se desmobilizassem e acuou a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Como seu ex-ministro da Defesa, Santos recebeu parte dos créditos por esses resultados e é visto como o herdeiro desse legado.

Segundo analistas, um dos fatores que pode ter prejudicado Mockus é que ele não se saiu bem nos vários debates realizados na última semana na TV. Matemático e filósofo de formação, o opositor tem um discurso um pouco vacilante e muito acadêmico. Além disso, ele deu muita ênfase a propostas pouco populares, em especial ao aumento de impostos (os recursos seriam usados para ampliar os gastos do Estado na área social).

Economista e jornalista, Santos foi ministro três vezes (também esteve à frente da pasta da Fazenda no governo de Andrés Pastrana e da pasta de Comércio Exterior durante a gestão de César Gavíria). É representante de uma família tradicional da elite política colombiana, que por décadas foi dona do jornal El Tiempo, o mais importante do país.

A "onda verde" de Mockus foi a grande novidade da corrida eleitoral já que, inicialmente, Santos era favorito. Há três meses Mockus tinha 1% dos votos. "Alcançamos uma meta que há alguns meses achávamos que seria impossível", disse Mockus.

Incidentes. Durante a votação, foram registrados episódios isolados de violência. Nas regiões de Meta, Bolívar e Tolima dois soldados e um guerrilheiro morreram em conflitos entre o Exército e as Farc. Segundo o governo, porém, o número de incidentes foi 50% menor que na eleição de 2006.


Estadão

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