domingo, 6 de junho de 2010

Ao contribuinte, a conta


O IMPOLUTO
Paulinho da Força, um dos organizadores do "encontro": muitos motivos para agradecer ao "paizão" Lula

Era para ser um "encontro de sindicalistas". Mas o que se viu na última terça-feira no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, foi um gigantesco comício político ilegal financiado com dinheiro público. A pretexto de reunirem filiados para aprovar propostas a ser enviadas aos candidatos à Presidência da República, cinco centrais sindicais lotaram um estádio de futebol com o objetivo de propagandear a candidatura da petista Dilma Rousseff. Diante das quase 20 000 pessoas que ocupavam as arquibancadas, sindicalistas e dirigentes do PT se revezaram ao microfone: "O Brasil não pode ter retrocesso", bradava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, referindo-se à possibilidade de o PSDB vencer as eleições. "Nossa maior responsabilidade é não permitir a volta daqueles que implementaram políticas neoliberais nos anos 90", emendava o presidente da CUT, Artur Henrique. Não que os sindicalistas não tenham o direito de escolher e defender o candidato de sua preferência. Têm, sim. Mas não com o dinheiro do contribuinte, como foi o caso do comício organizado por CUT, Força Sindical, CTB, CGTB e Nova Central.

Para alugarem o estádio, pagarem taxas à prefeitura e cuidarem do transporte e alimentação dos militantes, as entidades gastaram 800 000 reais, segundo revelou o presidente da Força Sindical e gigante moral, Paulo Pereira da Silva. Ocorre que até 80% do dinheiro que abastece as centrais vem do imposto sindical – aquele dia de salário que todo trabalhador brasileiro, sindicalizado ou não, é obrigado a tirar do bolso para sustentar entidades de classe diversas e, claro, seus dirigentes. É um rio de dinheiro. Até 2008, ele irrigava apenas os cofres dos sindicatos. Foi graças ao governo Lula que passou a hidratar também o caixa das centrais sindicais. Naquele ano, o governo aprovou uma lei que autorizou as centrais a morder 10% do bolo do imposto sindical – e sem a necessidade de prestar contas do uso do dinheiro. O presentão de Lula ("nosso paizão", como disse um agradecido dirigente sindical na ocasião) foi comemorado pelos sindicalistas com um coquetel no Congresso e muito uísque doze anos. Ele permitiu que, desde então, as centrais sindicais embolsassem mais de 200 milhões de reais. Foi parte desse dinheiro que as entidades usaram para financiar o comício do Pacaembu.

O PSDB e o DEM, que defendem a candidatura de José Serra, informaram que vão entrar com representações no Tribunal Superior Eleitoral para denunciar a lambança. Os sindicalistas, no entanto, não parecem preocupados com as possíveis sanções da Justiça Eleitoral. Sabem que, no máximo, receberão uma multa. E que o dinheiro para pagá-la sairá do mesmo lugar: o bolso do contribuinte.



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