quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que vem depois da resolução contra o Irã?


A quarta rodada de sanções será aprovada daqui a pouco pelo Conselho de Segurança da ONU. Devo ir para as Nações Unidas acompanhar a votação e, claro, atualizarei o post, se houver novidade. Segundo a expectativa de diplomatas, serão 12 votos a favor, incluindo os dos cinco membros permanentes do conselho. Apenas Brasil, Turquia e Líbano não apoiarão a resolução. Não está claro apenas se estes países serão contra ou optarão por se abster.

É clima de final de Copa, de última dia de aula. E, uma vez aprovadas as sanções, fica a pergunta – e agora? O que vem depois? Será que o regime iraniano cairá? Bom, ainda que isso aconteça, não muda muito. Afinal, quando o presidente era Mohammad Khatami, um moderado para os padrões iranianos, o programa nuclear estava a toda. Os atuais líderes da oposição tampouco se posicionaram contra esta questão.

Na verdade, todos sabem que o Irã pretende desenvolver a bomba. O enriquecimento de urânio serve apenas para duas coisas. Pode ser para fabricar uma bomba ou usar para a produção de energia. No segundo caso, é necessário possuir uma usina. O Irã tem, mas elas funcionam apenas com combustível nuclear russo. E continuará assim, segundo acordo entre os dois países. Caso contrário, Moscou retirará a assistência técnica e os iranianos não terão como operar.

Tampouco há usinas totalmente iranianas em construção. E, como sabemos por Angra, não é de um dia para o outro que elas ficam prontas. O reator médico de pesquisas é estranho. Afinal, ele é oito vezes maior do que qualquer outro existente no mundo.

Logo, o regime de Teerã está disposto a produzir armas atômicas. Não há dúvida sobre esta questão. Pela lógica realista, que eu sigo, é natural o Irã querer ter uma bomba. Os Estados Unidos invadiram e destruíram o Iraque, na sua fronteira ocidental, e o Afeganistão, na oriental. Como impedir os americanos de fazerem o mesmo com os iranianos? Basta seguir o exemplo da Coréia do Norte e do Paquistão. Construa a bomba que, automaticamente, haverá uma forma de dissuadir o seu adversário.

A comunidade internacional tenta pela quarta vez intensificar as pressões. Também já buscaram retirar o Irã do isolamento com ofertas até para entrar na Organização Mundial do Comercio. Nada funcionou. Existe ainda a possibilidade de uma ação militar, mas esta é arriscada. Muitos já dizem que os países membros aceitam um Irã nuclear. Já ouvi de especialistas sérios que as resoluções seriam apenas para, acreditem, Teerã ganhar tempo e conseguir a sua bomba antes de Israel optar por uma ação unilateral. Isto é, as sanções seriam para acalmar os israelenses, que se sentem ameaçados pelos possíveis armamentos nucleares iranianos no futuro.


Estadão

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