sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um novo Navio a Gaza e mais afronta a Israel


A nobel da Paz Mairead Corrigan-Maguire está entre os ativistas a bordo


As tensões voltaram a se elevar no Oriente Médio nesta sexta-feira, 4, com a aproximação de mais um barco com ajuda humanitária da zona de exclusão marítima estabelecida por Israel no mar mediterrâneo. De acordo com os organizadores da viagem, o navio de bandeira irlandesa Rachel Corrie está a cerca de 240 quilômetros da costa da Faixa de Gaza, e deve chegar ao território palestino na manhã deste sábado, 5. Israel, entretanto, promete impedir que os ativistas rompam o bloqueio marítimo imposto contra o grupo palestino Hamas, que controla o território.


Entre os ativistas a bordo do Rachel Corrie está a irlandesa ganhadora do Nobel da Paz Mairead Corrigan-Maguire. Em entrevista a Associated Press, ela disse que a orientação é a de pressionar, mas sem oferecer resistência às forças israelense caso o barco seja abordado.

"Nós nos sentaremos", disse ela, por telefone. "Provavelmente seremos presos, mas não haverá resistência."

Segundo uma porta-voz do movimento Free Gaza citado pela rede britânica BBC, o Rachel Corrie diminuiu nesta sexta-feira sua velocidade para evitar chegar à noite à zona de exclusão marítima determinada por Israel. Segundo Greta Berlin, a tripulação quer evitar que o encontro com militares israelenses em alto-mar ocorra à noite, como aconteceu com a frota atacada pelo Exército israelense na segunda-feira.

O Rachel Corrie fazia parte da flotilha humanitária envolvida num incidente marítimo com tropas israelenses na última segunda-feira, e se afastou dos outros barcos por problemas técnicos.

Em reunião com seu gabinete de ministros na noite de quinta-feira, 3, o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel não permitirá que o navio entre nas águas territoriais de Gaza. A informação foi reforçada nesta sexta-feira pelo ministério de Relações Exteriores de Israel, que afirmou que a política do Estado judeu para o bloquei não mudou.

"Temos um bloquei marítimo em Gaza", disse em entrevista coletiva o diretor do ministério Yossi Gal. Mais tarde, o representante israelense divulgou uma nota em que mostra o esforço de Israel em passar uma imagem de moderação. "Não temos o desejo da confrontação. Não temos o desejo de abordar o barco. Se o navio decidir navegar para o porto de Ashdod, então iremos garantir sua chegada segura", disse Gal. E inclui uma oferta: "após uma inspeção para assegurar que não inclui material bélico, nos comprometemos a levar a mercadoria a Gaza. Representantes do navio e das ONGs seriam bem-vindos para acompanhar a transferência da carregamento".

País de onde partiram os barcos atacados na segunda-feira pelas forças israelenses, a Turquia acusou nesta sexta-feira Israel de desrespeitar os mandamentos bíblicos contra o assassinato. Em pronunciamento na TV turca, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan também prometeu diminuir as relações com Israel a um mínimo possível.

"Falarei com eles (Israel) na sua própria língua. O sexto mandamento diz 'não mataras'", disse Erdogan em seu mais assertivo pronunciamento contra Israel. A Turquia é o principal interlocutor israelense entre os países de maioria islâmica. "Vocês não entendem? Então falarei na sua própria língua. Falarei em Hebrew: 'Lo Tirtzakh'."

Repercussão negativa

A nova tentativa para romper o bloqueio irá testar a resposta israelense após as críticas internacionais pelo ataque à "flotilha da paz", na segunda-feira. As Forças de Defesa de Israel atacaram no episódio os outros seis navios com ajuda humanitária e matou nove ativistas turcos (um deles com dupla nacionalidade turco-americana) que viajavam em uma das embarcações, a "Mavi Marmara".

Na abordagem, em águas internacionais, ainda ficaram feridos dezenas de ativistas, na maioria cidadãos turcos.

A sangrenta abordagem militar da segunda-feira representou o maior massacre de ativistas internacionais cometido pelo Estado de Israel em mais de seis décadas de existência e as autoridades israelenses o justificaram com o argumento de que alguns integrantes do comboio humanitário têm conexões com redes terroristas.

Além de levar ajuda a Gaza, a frota tinha a intenção política de romper o bloqueio de Israel sobre a faixa que desde há três anos é controlada pelo movimento islamita Hamas.

Desde então, 1,5 milhão de pessoas que vivem em Gaza sofrem uma grave situação humanitária devido ao bloqueio de Israel.

O "Rachel Corrie", que se distanciou das demais embarcações com ajuda humanitária por problemas técnicos, tem o nome carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando, segundo testemunhos da imprensa, exercia papel de "escudo humano".



Um único comentário meu: Vou apenas repetir a frase de um Parlamentar Israelense:

"Não poderia ter sido pior o desfecho! Qualquer outra saída teria sido melhor. Até aportar o barco em Gaza, teria sido melhor."

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