segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fortuna dos Kirchners aumentou 710% desde que chegaram ao poder

Netuno, o aquático brother do manda-chuva dos manda-chuvas, Júpiter – e portanto, integrante do entourage divino do Monte Olimpo – exibe a cornucópia da fortuna para a bela jovem, que representa a cidade de Veneza. O quadro é “Netuno oferece presente a Veneza” de Giovanni Domenico Tiepolo (Veneza 1727-1804). A obra, que exibe-se no Palazzo Ducale, foi pintada entre 1748 e 1750.


Driblando as crises econômicas e a disparada da inflação, a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner prosperaram de forma exponencial desde que chegaram em 2003 à Casa Rosada, o palácio presidencial. Nesse ano, quando Kirchner foi eleito presidente, a fortuna do casal era de US$ 1,74 milhão. De lá para cá – e especialmente depois da posse de Cristina como sucessora em 2007 – a fortuna do casal aumentou aceleradamente.

No ano passado, segundo a declaração de bens oficial do casal, apresentada ao Departamento Anticorrupção e divulgada recentemente, o patrimônio era de US$ 14,16 milhões, o equivalente a um aumento de 20,65% em relação a 2008. No entanto, no total dos sete anos em que estão no poder, a casal Kirchner registrou um aumento de 710,55% de seu patrimônio.

O enriquecimento dos Kirchners, segundo sua declaração de bens, teria sido conseguida por intermédio da compra, venda e aluguéis de imóveis, além de investimentos em hotelaria na Patagônia e aplicações financeiras em dólares em bancos argentinos. Além disso, acrescentam-se os salários da presidente Cristina (US$ 3,9 mil) e a pensão de Kirchner como ex-presidente (US$ 7,6 mil).

Representantes da oposição indicam que é chamativo o aumento da fortuna dos Kirchners, já que teoricamente os afazeres governamentais não permitiriam tempo de sobra para ocupar-se com os investimentos pessoais.

O escritor francês Albert Camus (1913-1960) colocou na boca de seu personagem Calígula (na peça homônima) as palavras: “Governar é roubar, toda a gente sabe. Mas há maneiras e maneiras. Por mim, roubarei francamente”. A frase, cunhada por Camus, já era aplicada por muitos governantes antes da estreia de sua peça, em 1944. E, evidentemente, continuou sendo aplicada por governantes em todo o planeta depois da peça. Integrantes da oposição argentina afirmam que o casal presidencial aplica o teorema de Calígula, pelo menos na primeira parte da frase. O Calígula em questão é o famoso Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus (Caio Julio César Augusto Germânico), nascido em 31 de agosto do ano 12 d.C. e morto no dia 24 de janeiro do ano 41. Na profissão de imperador durou um pouco menos do que muitos presidentes, isto é, três anos e 10 meses. Mas, fez o suficiente para ser lembrado ao longo dos séculos. Acima, busto do polêmico imperador em Carlsberg, Alemanha. Embaixo, sestércio com a efígie de Calígula, cunhado ao redor do ano 38.

IMÓVEIS LUCRATIVOS - A oposição destaca pontos polêmicos da declaração, como o caso do terreno de 20 mil metros quadrados que compraram da prefeitura de El Calafate (o refúgio dos Kirchners nos fins de semana, na província de Santa Cruz, na Patagônia). Os Kirchners adquiriram o terreno por US$ 34 mil em 2006. Mas, três anos depois, em janeiro de 2009, o venderam por US$ 1,65 milhão. O casal teve um lucro de 4.752% com esse investimento imobiliário, recorde em todo o país.

Suas aplicações financeiras também revelam que os Kirchners supostamente conseguiriam taxas de juros 20 vezes superiores à média de mercado.

Nos últimos anos, as três investigações que foram abertas na Justiça sobre o suposto enriquecimento ilícito dos Kirchners foram arquivadas.

Outra cornucópia. Desta vez, em “A abundância”, gravura do italiano Cesare Ripa (1555-1622) que integra sua obra “Iconologia overo Descrittione dell’Imagini universali”, livro de extrema influência em sua época.

FLORESCIMENTO - Em 2003 o casal Kirchner tinha um patrimônio oficial de 6.851.810 pesos (US$ 1.747.910, no câmbio atual). Em 2008, um ano após a posse de Cristina Kirchner, o patrimônio havia florescido para 46.036.711 pesos (US$ 11.744.058). Em 2009, no meio do mandato de Cristina (que termina em 2011), o patrimônio do casal Kirchner driblava a crise econômica mundial e acumulava 55.537.290 pesos (US$ 14.167.676).


Estadão


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