segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De novo o inesperado


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Para o PT o segundo turno tem um travo de derrota, por dois motivos: primeiro porque a vitória no primeiro começou a ser cantada antes mesmo de a candidata Dilma Rousseff ultrapassar o adversário José Serra nas pesquisas e a realidade não foi tão generosa.

Além disso, é a quinta eleição que Luiz Inácio da Silva não consegue ganhar no primeiro turno. Duas ele ganhou no segundo, duas perdeu no primeiro e o desempate será visto em 31 de outubro.

Apesar do baque, não convém imaginar que o PT se deixará abater. Ao contrário. Em 2006 houve também o inesperado - o segundo turno entre Lula e Alckmin - e o partido já no primeiro dia foi à luta com entusiasmo redobrado, a campanha rapidamente reformulada e adaptada à emergência.

O PSDB agora não quer repetir o erro da época e anuncia que a campanha recomeça hoje e totalmente mudada.

E Serra vai aceitar?

"Ele não está mais em condição de querer nada: precisa aceitar o que precisa ser feito e ponto", dizia Aécio Neves na noite de quinta-feira no intervalo do debate da TV Globo.

Qual a mudança crucial?

"É preciso abrir a campanha, as decisões não podem ser solitárias", acrescentava o agora senador eleito que dois dias antes havia dado entrevista falando longamente sobre a necessidade de um "freio de arrumação" na seara oposicionista para enfrentar um segundo turno.

Mesmo assim, é raríssimo o tucano que manifesta esperança de vitória na etapa final. Entre eles a unanimidade são as críticas ao marqueteiro Luiz Gonzalez, mas todos concordam que tentar mudar agora seria pior.

Já o PT por motivos óbvios não quer mudança alguma. Nos bastidores os petistas tratavam o segundo turno como uma possibilidade muito mais real do que diziam em público.

"Espero estar exausto de tanto comemorar", respondia José Eduardo Martins Cardozo no estúdio da TV Globo a quem lhe perguntava onde estaria na segunda-feira (hoje). E se não der para ganhar de primeira?

"Paciência, vamos tocar exatamente como fizemos até agora, está tudo perfeito e funcionando bem", respondia.

Mais resistente a pensar alto sobre o segundo turno, o PV oficialmente prefere assistir de camarote por alguns dias. "Só há uma decisão tomada: não tomaremos uma decisão de imediato", dizia Alfredo Sirkis.

A aposta geral, no entanto, é que Marina Silva optará pela neutralidade e o PV apoie Serra. A questão é para onde irá o eleitorado que deu a ela um resultado surpreendentemente positivo.

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