quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Kátia Abreu: “O MST não é o contraponto da CNA, mas da Constituição”


A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, Concedeu uma entrevista a Raul Juste Lores e Catia Seabra, da Folha. Leiam trechos.

IBGE aparelhado
Podemos discutir por que os assentamentos são tão pouco produtivos. O menor não é o melhor. Você precisa ter renda alta, você não transfere renda só com patrimônio. Fizemos um estudo com a FGV que demonstra que 70% do valor bruto da produção no país está em 4,5% das propriedades rurais. Só que o Censo Agropecuário de 2006 demorou quatro anos para ser divulgado e, como o IBGE foi aparelhado, querem fazer crer que é a pequena propriedade a mais produtiva. A grande massa das propriedades rurais, 1,5 milhão delas no país, não tem renda nenhuma.

“Pobre, se produzir comida de rico, lucra”
Uma propriedade grande vai vender uma caixa de laranjas a US$ 3 porque teve acesso aos melhores defensivos, adubos, técnicas; a propriedade menor, no mesmo espaço, só vai conseguir vender essa caixa a US$ 5. (…) Se você produz soja em 50 hectares, não tem lucro. Comida de pobre tem que ser produzida por quem tem muita terra; o pobre, se produzir comida de rico, lucra.

CPMF
Não tenho dificuldade em estar ao lado de Dilma numa votação que faça um arrocho fiscal saudável, assim como não terei dificuldade para votar contra a CPMF.

BNDES
Não é crédito para grandes conglomerados de carnes que deixará a economia mais competitiva [o banco injetou recursos em frigoríficos como Marfrig e JBS para financiar aquisições]. É investimento em pesquisa, tecnologia, que dá mais produtividade. Sempre há preferidos e excluídos na concessão do crédito.
(…)
Oposição firme
O político tem o risco de ganhar e perder. Adoro ser política, e a oposição precisa agüentar firme, fazer o seu papel. (…). O DEM precisa ter candidato próprio em 2014.

CNA e MST
A CNA não é contraponto ao MST [Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra]. O contraponto ao MST é a Constituição que nos guia. Não debato crime, que é a invasão.
(…)
Rural vs. urbano
Não pode persistir um direito à prioridade urbana, mas um não-direito à propriedade rural. O direito à propriedade é um só, está na Constituição e tem de ser respeitado. Há concentração no setor de supermercados, de bancos, mas parece que só a grande propriedade rural é vilã.

Por Reinaldo Azevedo

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