domingo, 31 de janeiro de 2010

Manipulação Grosseira na Pesquisa Vox Populi - Cade a oposição??


Foram pegos em flagrante. A pesquisa ficará à disposição do PSDB até o dia 19 de fevereiro. A pesquisa fajuta. A pesquisa montada. A pesquisa manipulada pela Vox Populi. Nãohá como manioular. Está publicada aqui. As provas voam por toda a blogosfera. Qual será a posição da BAND? Aceitará ser cúmplice desta falcatrua? E qual será a disposição da Oposição? Os trabalhos do Congresso reiniciam no próximo dia 2, às 11 horas. O Blog conta com vocês para entupir a caixa postal dos senadores e deputados do PSDB.
Leia os posts abaixo onde é feita a denúncia completa da manipulação absurda dos cartões em pesquisa para eleições presidenciais, feita pela Vox Populi e BAND, a partir de documentos depositados no Tribunal Superior Eleitoral. Não há invenção. É fotografia de uma fraude. Nao dá mais pra segurar. Vai explodir.



Coronel



Na primeira pergunta, a nome está apenas "acavalado", permitindo que a um leve mover de mãos o nome de José Serra fique simplesmente um borrão ilegível. Atenção! Leiam a pergunta! Os nomes não são citados, são mostrados e o entrevistado deve ler e escolher. Sacaram?




O segundo círculo, que mostra o confronto sem Ciro Gomes, tem o nome de Serra colocado de trás para frente. Impossível ler. De novo, o entrevistador lê a pergunta e mostra o cartão. Mais do que isso, só desenhando. Aliás, está desenhado aí em cima. É irrefutável que houve má fé, no mínimo, por parte da BAND e da Vox Populi. E irresponsabilidade por parte do Tribunal Superior Eleitoral, que deixou esta imoralidade sair para a rua.
SEMPRE CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR O CRIME!




Após a Denúncia, Site do TSE entra em manutenção






A única coisa que podemos concluir, se o Tribunal Superior Eleitoral tirar o arquivo do ar(Protocolo 1057/2010), é que estava informado a respeito. Até agora o TSE pode ser acusado, apenas, de ser relapso e incompetente, pois autorizou uma pesquisa com este tipo de golpe. Se tirar do ar, aí sim, vai estar comprovando um outro tipo de postura, lamentável, no mínimo. É hora da oposição ir com tudo para cima do TSE e exigir, do mesmo, que assuma o controle da campanha eleitoral. Chega de crimes cometidos diariamente. Chega de impunidade. O povo brasileiro não merece isso. Para entender, leia o post abaixo.


Coronel

Denúncia na manipulação das pesquisas



A denúncia de ontem é completada por mais uma evidência da safadeza que foi esta pesquisa Vox Populi. Nos cartões que são mostrados para os entrevistados escolherem o candidato, o nome de José Serra(PSDB) está nitidamente embaralhado e desfocado. Ou escrito de traz para frente! Coisa de profissional. Coisa de malandro. Coisa de 171. Eles serão capazes de tudo para desempacar a bichinha palanqueira. Clique na figuras para ampliar. Para comprovar, clique aqui no site do TSE e vá até a última palavra: "arquivo". Lá estão os originais que foram publicados acima.



Coronel

O PT sucateou o país


Em sete anos de governo, o Partido dos Trabalhadores sucateou país por incompetência, descaso e, com a cumplicidade da presidência da República, por uma corrupção jamais vista.

A nação está num estado precário seja na educação, na saúde, na segurança, na manutenção de estradas e, sobretudo na saúde.

O ministro José Gomes Temporão (foto), disse ter-se assustado com o mal estar do presidente Lula, todavia passadas 24 horas o mesmo ministro afirmou em entrevista que o Orçamento para 2010 sancionado na quarta-feira não atende às necessidades da pasta.

“O orçamento do ministério é corrigido pela lei atual da seguinte maneira: a soma da inflação com a soma do crescimento econômico, que é a correção nominal do PIB (Produto Interno Bruto)”, disse Temporão. “E nós sabemos que no ano passado nós tivemos um crescimento econômico (que), se não der um crescimento zero, vai dar um crescimento ligeiramente negativo.”.

Lula serviu-se dos privilégios de sua posição para, numa crise hipertensão, escolher o Hospital Sírio Libanês em São Paulo, a fim de fazer um check-up, depois que a pressão bateu em 18 x 12.

Ele ao invés de ficar fazendo suas inaugurações festivas e eleitoreiras, deveria ir ver como essa falta de verba, maltrata os 30 milhões de brasileiros que sofrem de pressão alta e são obrigados a enfrentar as filas do SUS (Sistema Único de Saúde).

Mas Lula, como o personagem de Chico Anísio, Justo Veríssimo quer que “O povo que se exploda”. Não tem dinheiro para a saúde, mas em 2010 a Presidência da República vai gastar R$ 50,4 mil em ração para animais, nas residências do Torto e do Palácio Alvorada. Importância que levará 10 anos para ganhar, um trabalhador que depende do SUS.


Prosa e Política

Tarja vermelha


CALA A BOCA
Estudante protesta pelo fechamento do canal RCTV, em Caracas: num país onde, cada vez mais, é proibido dissentir, a lógica autoritária exige que não reste nem fiapo de oposição



A máquina de maldades de Hugo Chávez fecha as últimas vozes
remanescentes de oposição; o caudilho só não consegue fazer
chover e venezuelanos ficam no escuro


Duda Teixeira


A destruição da Venezuela é um projeto que tem consumido todas as energias de Hugo Chávez e seu plano de poder nacional-populista. Reconheça-se que, infelizmente, ele tem sido bem-sucedido. A economia foi à lona com nacionalizações e congelamento de preços. O Judiciário foi completamente engolido. Persistentemente minados, todos os organismos de estado seguiram o mesmo rumo. A liberdade de imprensa já é item em extinção. Em 2007, Chávez retirou arbitrariamente do ar o canal mais popular do país, a RCTV, pelo crime de não adesão. A RCTV migrou para a televisão por assinatura para manter uma pequena fresta na couraça do autoritarismo. Mas sua morte estava anunciada e, na semana passada, Chávez calou, por fim, a voz incômoda. Outros cinco canais semelhantes tiveram o mesmo castigo (e três, depois, cederam), sob o patético pretexto de não transmitirem os discursos incansavelmente proferidos por ele, El Supremo. Para quem ignora os mecanismos da lógica totalitária, perseguir canais a cabo, de alcance limitado, soa como capricho tolo, que só serve para esgarçar os fiapos de democracia que ainda pairam em torno do chavismo e provocar inevitáveis protestos – desta vez, houve duas mortes de estudantes universitários, um antichavista e outro pró. Chávez, ao contrário, conhece muito bem como funcionam as coisas no universo dos caudilhos: tem de mostrar que manda em tudo, o tempo todo, que faz brilhar o sol e faz chover.Embora, ultimamente, o assunto chuva seja delicado.

Se a atual estiagem continuar, o setor elétrico da Venezuela caminhará para o colapso total. Os venezuelanos já sofrem com apagões constantes e podem literalmente mergulhar nas trevas. Preocupado em ajudar países camaradas como Bolívia, Cuba e Nicarágua, o governo Chávez não investiu em novas usinas hidrelétricas e termelétricas. Além disso, todas as companhias de eletricidade que caíram sob a praga da gestão chavista tiveram queda na produção por falta de manutenção, corrupção e aumento escandaloso do número de funcionários. As falhas internas do setor elétrico eclodiram com a repetição do fenômeno climático El Niño, que secou as represas. Se não chover até maio, a hidrelétrica de Guri, que responde por 60% da geração nacional, precisará desligar as turbinas. No pior cenário, o país poderá ter eletricidade dia sim, dia não. Tripudiando sobre as dificuldades da população, Chávez propôs o "banho socialista" de três minutos e prometeu contratar cientistas cubanos para bombardear as nuvens e fazer chover nos lagos das hidrelétricas. "Vou lá de avião e, se uma nuvem me atravessar o caminho, eu lanço um raio nela!", bradou com o habitual histrionismo. Até agora, não produziu nem garoa.

Outra nuvem no horizonte do chavismo é a eleição para a Assembleia Nacional, marcada para setembro. Desde 2005, quando a oposição se absteve das eleições legislativas em protesto pelos abusos, os representantes do povo se limitam a aplaudir as loucuras de Chávez. Agora, no entanto, pesquisas mostram que apenas um em cada três venezuelanos pretende votar em um candidato indicado pelo presidente. A máquina assistencialista vai ter de esquentar. Com a desvalorização da moeda nacional, no início do ano, ela ganhou fôlego. Mas a manobra também deve empurrar a inflação para perto dos 40% e diminuir o poder aquisitivo da população em 12% neste ano. "Antes disso, ainda tínhamos a esperança de que um aumento no preço do petróleo ou uma redução nos gastos do governo pudesse resolver a crise", disse a VEJA o economista Asdrubal Oliveros, diretor da consultoria econômica Ecoanalítica, em Caracas. "Agora, não vemos mais como a economia possa se recuperar."



Revista Veja



sábado, 30 de janeiro de 2010

União para o crime


Gatunos
Parte do material encontrado com os sem-terra: o rifle é de uso exclusivo
das Forças Armadas




Bens da Cutrale encontrados em assentamentos do MST levam
a polícia a indiciar sete integrantes do bando por furto, formação
de quadrilha, porte ilegal de arma e invasão de propriedade


Vinícius Segalla


O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) chocou o país entre setembro e outubro do ano passado ao destruir 12 000 laranjeiras de uma das fazendas da Cutrale, na região de Bauru, no interior paulista. Na semana passada, a polícia do estado começou a punir os sem-terra que vandalizaram a propriedade da líder mundial na produção de suco de laranja e uma das maiores exportadoras brasileiras. A Justiça emitiu vinte ordens de prisão contra os maus elementos que compõem a cabeça do bando local. Ao cumprir os mandados em um assentamento do MST, a polícia encontrou um vídeo estarrecedor na casa do chefão Miguel Serpa. Gravado momentos antes da invasão, ele mostra Serpa incitando seus comparsas. "Viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo", disse ele. Em outro vídeo, a mulher de Serpa, a vereadora petista Rose MST, e o ex-prefeito da cidade de Iaras Edilson Xavier, também do PT, dizem aos militantes sem-terra o que eles devem fazer para devastar as lavouras e danificar equipamentos. Serpa já respondia a uma ação civil pública por desvio de recursos obtidos com a venda de madeira do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Calcula-se que a operação tenha lesado os cofres públicos em 4 milhões de reais. Ele, sua mulher e o ex-prefeito estão entre os presos.
No mesmo assentamento, a polícia paulista deparou com toneladas de adubo, defensivos agrícolas, combustíveis, além de ferramentas, máquinas, motores e mudas de laranjeira – tudo roubado da fazenda da Cutrale. Parte desse material, identificada com números de série, foi facilmente reconhecida por funcionários da empresa. Nas casas dos sem-terra foram recuperados até bens pessoais dos empregados da fazenda, como computadores. "Há evidências de que um dos objetivos da invasão era o furto", relata o responsável pela investigação, o delegado Benedito Valencise, um dos mais experientes do estado de São Paulo. Os sem-terra escondiam ainda dois revólveres, quatro espingardas e munição. Uma das espingardas, uma Winchester calibre 44, é de uso exclusivo das Forças Armadas. O resultado das buscas levou a polícia a indiciar os presos por formação de quadrilha, furto, porte ilegal de arma e invasão de propriedade privada. O delegado Valencise agora procura outros bens que desapareceram da fazenda, como eletrodomésticos, móveis e roupas que pertenciam aos empregados da Cutrale.

Na cadeia
O ex-prefeito de Iaras Edilson Xavier, do PT,
ensinou os sem-terra a vandalizar a fazenda
da Cutrale. Tudo foi registrado num vídeo



Chávez incita atrito entre estudantes


Um dia depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ter instado às polícias regionais para que "assegurem a ordem pública e o direito de todos os venezuelanos de circular em paz", militantes chavistas impediram ontem estudantes da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab) de deixar o câmpus para um protesto em Caracas. Na prática, dizem os opositores, o discurso de Chávez foi uma exortação pela repressão das manifestações da oposição que entraram ontem em seu quinto dia.

"Se seguirem com a confusão, viremos com as armas", gritavam os chavistas nas proximidades da estação de metrô de Antimano, caminho obrigatório dos estudantes, enquanto um caminhão de som os qualificava de "burgueses fascistas". Um pouco antes, o dirigente do movimento estudantil da Ucab, Nizar el Faki, tinha afirmado a um grupo de jornalistas que lideraria uma marcha até a Praça Brion, de Chacaíto, no leste de Caracas, de onde os estudantes partiriam para algum lugar não revelado e sentariam em uma via pública. Desse local, afirmou Faki, só sairiam após a chegada do ministro do Interior, Tarik al Aisami.

O piquete chavista, porém, impediu que os estudantes deixassem o local. Em seguida, vieram as ameaças de invadir a instalação. A reportagem do Estado constatou a presença, perto da praça em Chacaíto, de motociclistas da União Popular da Venezuela (UPV), o movimento ultrarradical liderado por Lina Ron - presa em agosto, depois de um ataque com bombas caseiras à sede da Globovisión, TV vinculada à oposição, e libertada dois meses depois.

Estudantes da Ucab disseram ao Estado que alguns de seus colegas chegaram a ser agredidos pelos chavistas e outros sofreram ferimentos leves em consequência de fogos de artifício lançados contra a universidade.

Os protestos, que tiveram início na segunda-feira, um dia depois de uma decisão administrativa do governo ter silenciado a emissora por cabo Rádio Caracas Televisão (RCTV), provocaram confrontos em algumas partes do país e causaram a morte de pelo menos duas pessoas em Mérida, no oeste da Venezuela.

Ontem, a emissora Globovisión informou a morte de um engenheiro de 32 anos em Táchira, perto da fronteira com a Colômbia, supostamente por um membro da Guarda Nacional. As circunstâncias do crime, porém, não ficaram suficientemente claras para que a morte fosse relacionada com os protestos políticos que polarizam o país.

Ao mesmo tempo, o governador de Lara, Henry Falcón, protestou contra a insinuação de Chávez de que interviria na polícia estadual, caso ela não reprimisse os protestos.

"Cremos no entendimento, no diálogo e no estado de direito", declarou. "Nós não vamos mudar a forma como temos atuado até agora", disse ele.

Ontem, o Colégio Nacional de Jornalistas da Venezuela pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) que envie uma comissão para averiguar as denúncias de crimes praticados pelo governo Chávez contra a liberdade de expressão.

Por outro lado, o grupo Jornalistas Pela Verdade foi à Embaixada do Canadá em Caracas protestar contra as críticas feitas pelos canadenses contra as políticas de Chávez.


Estadão

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PNDH 3 e o Aborto


Paulo Vannuchi, ex-militante de uma organização assassina e terrorista chamada ALN (Ação libertadora Nacional), é secretário de Direitos Humanos, como vocês sabem. Hoje, ele foi à tal Campus Party, esses gracejos modernosos que servem para demonstrar que até um pterodáctilo ideológico como Vannuchi pode se passar por homem contemporâneo… Mas vamos ao que tem importância.

O valente anunciou que a defesa da legalização do aborto, contida naquele suposto Programa Nacional de Direitos Humanos, vai ser revista. Disse ter sido um erro a incoporação da proposta ao texto: “Vamos levar a discussão à CNBB e ao Congresso para corrigirmos esse item”. É mesmo??? Vannuchi não está convicto de que matar fetos há de ser um direito que assiste os humanos? Que senhor confuso!!!

Ele participou de um debate chamado “Direitos Humanos e Sociedade em Rede”. E fez o que este governo mais gosta de fazer: atacar a imprensa. Referindo-se ao tal programa, choramingou: “Os jornalistas ainda não pararam com o linchamento político, que sobreviveu e vencerá o debate. As comparações com o plano de FHC são ridículas.”

Epa!!! Eu disse que as comparações eram ridículas. Mas elas foram feitas justamente por jornalistas alinhados com o PT. Para Vannuchi, a Comissão da Verdade vai “jogar luzes sobre o período ditatorial”. Boa! Eu estou doido para perguntar a Vannuchi quais itens do manual de terrorismo de Carlos Marighella, seu chefe, ele seguiu: matou soldados? Atacou hospitais? Depredou obras de infra-estrutura? Levou pânico às cidades? Quero luzes na atuação de Vannuchi. Quero saber qual era o seu papel naquela organização humanitária chamada ALN.

Quanto à questão do direito à propriedade no caso de invasões de terra, ele afirmou que a proposta busca impedir conflitos que resultem em morte, “como a de Chico Mendes”. A ignorância de quem ouve isso é doce, e a má-fé de quem fala é azeda, como sempre. A morte de Chico Mendes nada tem a ver com a moderna indústria de invasões de terra. E um programa de direitos humanos há de impedir a morte de invasores e invadidos, não? E de impedir o banditismo que destrói laboratórios, plantações e infra-estrutura das propriedades rurais. E isso se faz com a aplicação da Constituição e das leis, que não podem ser cassadas por um suposto Programa de Direitos Humanos.

De todo modo, vão contando aí:
- Vannuchi e Dilma já foram derrotados na questão militar;
- Vannuhci e Dilma já foram derrotados na questão do aborto;
- falta agora derrotá-los nas questões relativas ao fim da propriedade privada e da censura à imprensa, que resistem no tal programa.

E cada uma dessas derrotas significa a vitória da democracia. É isto: sempre que Vannuchi e Dilma perdem, o Brasil ganha.


Reinaldo Azevedo

MST nas malhas da lei


O Estado de S. Paulo - 29/01/2010

Se o Movimento dos Sem-Terra (MST) viesse sendo considerado pelas autoridades, já há muito tempo, um caso de polícia, dada a sucessão rotineira de crimes praticados em suas operações - que vão desde a depredação de bens e matança de animais em propriedades invadidas, até a destruição de laboratórios de pesquisas necessárias aos avanços da atividade agrícola, sem esquecer o cárcere privado de trabalhadores das fazendas -, com certeza se teria evitado não só a repetição de tais crimes, como a grande insegurança que se instalou entre os produtores do campo, todos sob a permanente ameaça de ver suas propriedades invadidas por bandidos travestidos de militantes de movimentos sociais. De qualquer forma, nunca é tarde para fazer-se cumprir a lei.

Cumprindo 20 mandados de prisão e outros 30 de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Mário Ramos dos Santos, da 1ª Vara Criminal de Lençóis Paulista, a Polícia Civil de São Paulo prendeu, na terça-feira, nove pessoas ligadas ao MST, nos municípios de Iaras e Borebi, no interior do Estado, como parte da Operação Laranja, desencadeada em decorrência das investigações que apuraram e apontaram os responsáveis pela invasão da Fazenda Cutrale, em Borebi, em outubro do ano passado.

A população brasileira pôde assistir, pelos telejornais, à brutalidade da destruição das plantações de laranja daquela fazenda, assim como a destruição vandálica de equipamentos. Comprovou-se, porém, que além da destruição os militantes emessetistas haviam praticado roubo de ferramentas, defensivos agrícolas, fertilizantes, documentos, aparelhos eletrônicos - agindo como as quadrilhas comuns, levando os produtos roubados para suas casas. Entre os detidos estão o ex-prefeito de Iaras Edilson Granjeiro Xavier, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), a vereadora - também petista - Rosemeire Pandarco de Almeida Serpa e seu marido, Miguel Serpa, um dos líderes do MST na região da fazenda da Cutrale.

De acordo com o delegado Roberval Antonio Fabbro, assistente da Delegacia Seccional de Bauru, onde está centralizada a operação, os militantes emessetistas são acusados de formação de quadrilha, furto, dano qualificado e esbulho possessório. Com a mobilização de 150 policiais a Operação Laranja continuará, como informa o delegado. Apesar de todos terem o direito de se defender, parece até cômica a "nota" em que a direção estadual do MST acusa os policiais de "promoverem o terror em algumas comunidades". De quem será a principal paternidade do terror no campo, em praticamente todas as regiões do território brasileiro, sob o pretexto - na verdade já nem mais utilizado - de obter do governo aceleração do programa de reforma agrária?

Na verdade os movimentos agrupados sob a bandeira do MST colocam-se sistematicamente à margem da lei, quando se recusam a assumir personalidade jurídica legal - isentando-se, assim, de fiscalização oficial -, e frontalmente contra a lei, quando praticam crimes e recorrem à violência, em suas operações de invasão sobejamente noticiadas. Mas apesar disso essas entidades continuam recebendo apoio e polpudos subsídios do governo, por meio de repasses de verbas públicas a associações organizadas, geralmente cooperativas a elas ligadas. Todos se lembram da famosa cena em que o presidente Lula, já no início de seu primeiro mandato, colocou na cabeça um boné do MST. De lá para cá - até a prisão de um ex-prefeito e de uma vereadora petista - estreitas têm sido as ligações de integrantes dos movimentos dos sem-terra com setores do governo.

Ninguém mais duvida do íntimo relacionamento entre militantes do MST e o pessoal administrativo (e político) do Incra, para cuja escolha dos superintendentes regionais a influência do MST tem sido decisiva. Apesar disso, os movimentos dos sem-terra só têm deixado de pressionar o governo Lula em épocas eleitorais. E a razão disso é óbvia: embora alardeando que o governo tem sido excessivamente lento na execução do programa de reforma agrária, certamente os líderes emessetistas não desejam colocar em risco seu status de "companheiros".

Estupidez + fanatismo = desastre

O Globo - 29/01/2010

Exijo lealdade absoluta à minha liderança. Porque não sou um indivíduo, sou um povo.” Se fosse no Brasil, chamariam a emergência psiquiátrica, lhe aplicariam um sossega-leão e o recolheriam a lugar seguro. Mas o Señor Pueblo é presidente da Venezuela, nosso sócio no Mercosul, e prende e arrebenta quem ousa discordar dele.

Sim, Chávez é ridículo e grotesco em suas bravatas e teorias conspiratórias, da velha escola fidelista. Os leitores podem até reclamar, lá vem o cara de novo falando desse bufão que ninguém leva a sério. Mas Chávez é um caso sério, um fanfarrão fanático e perigoso, que está destruindo a Venezuela.

Como um Midas latino, tudo que ele toca vira, digamos, barro. Excelente para artesanato indígena.

E foi tão longe exatamente porque não o levaram a sério, quando a oposição venezuelana boicotou as eleições e Chávez elegeu uma maioria de 90% do Congresso. E a usou para aparelhar o Legislativo, o Judiciário e as Forças Armadas — e fazer o que lhe dá na telha. Tudo é referendado “democraticamente” pelo seu Congresso, em plena legalidade, usando a democracia para construir uma ditadura.

O povo venezuelano está pagando caro para que a América Latina, talvez, aprenda as consequências de aventuras caudilhescas que não se inspiram em experiências vitoriosas, mas no comprovado fracasso cubano.

Seu antiamericanismo patológico não consegue esconder a inveja do poder e do progresso dos gringos, que o ignoram.

Por que perder tempo com ele? Porque muitos poderosos da nossa República têm grande admiração por Chávez, a quem chamam de democrata, “porque faz muitos referendos”, com quem compartilham o culto a Fidel e sua revolução decrépita, que aplaudem suas expropriações e sua guerra contra a mídia, e fariam o mesmo no Brasil se pudessem, quando puderem.

A inflação de 30% achata os salários, o PIB está em queda e a dívida em alta, Caracas é a cidade mais violenta das Américas, água e energia estão racionadas e as expropriações geraram desabastecimento. E por mais televisões que ele feche, ninguém vê a sua Telesur.

Só um louco investiria um bolívar furado na Venezuela

E$$e$ trê$ $abem da$ coi$a$


Eleito presidente do PT, o companheiro sergipano José Eduardo Dutra prometeu recrutar os melhores e mais brilhantes do partido para a composição do diretório nacional. O Brasil soube há dias que essa tropa de elite, se depender de Dutra, será liderada pelos craques José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha. Os três veteranos armadores também são titulares absolutos do Bando dos 40, denunciado pelo procurador-geral da República e instalado pelo Supremo Tribunal Federal no banco dos réus reservado aos protagonistas do escândalo do mensalão.

Por que Dutra estendeu acintosamente a mão amiga a três delinquentes juramentados?, quiseram saber os jornalistas. “Primeiro, para mim, não existe esse termo, mensaleiros”, começou o legítimo herdeiro de Ricardo Berzoini. “Depois, é um orgulho fazer parte da chapa ao lado de Dirceu, Genoino e João Paulo”, tentou terminar. Os jornalistas insistiram no assunto, o entrevistado perdeu a paciência: “Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este, em que temos a pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência”.

Na abertura do trecho encimado pelo subtítulo Quadrilha, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Sousa fez um didático resumo da ópera:

O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude. A organização criminosa ora denunciada era estruturada em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação. Pelo que já foi apurado até o momento, o núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno. Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido (um deles é João Paulo Cunha, copiosamente mencionado nas páginas seguintes), estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira. O objetivo desse núcleo principal era negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados”.

A releitura do texto permite enxergar as coisas com penosa nitidez. Enquanto o Brasil que presta faz escolhas baseado em biografias, a companheirada elege chefes pelo tamanho do prontuário. Basta retocar graficamente a última frase de José Eduardo Dutra para entender por que sente vontade de cantar o Hino Nacional quando vê a trinca por perto: “Não tem $entido pre$cindir da experiência de$$e$ companheiro$ num momento tão importante como e$te, em que temo$ a pré-campanha da mini$tra Dilma Rou$$eff à Pre$idência”.

É isso. Os bandidos já ensaiam a continuação da série ultrajante sem que o primeiro dos faroestes sequer tenha chegado ao fim.


Augusto Nunes

O MST criminaliza o MST


As novas revelações sobre o episódio de invasão da fazenda Cutrale pelo MST confirmam a perda de controle do governo sobre o movimento e a insustentabilidade do sistema de repasse de recursos sem prestação de contas, que vigora sob o lema de não se criminalizar movimentos sociais.

O princípio perde sua validade na medida em que é o próprio MST o agente de sua criminalização. Os vídeos liberados pela polícia mostram que a reforma agrária virou justificativa para ações predatórias premeditadas. A fala do líder do movimento que precedeu a invasão da Cutrale é clara: “vamos causar prejuízo a eles”.

“Eles”, não são mais apenas os proprietários de áreas improdutivas (cujo único prejuízo seria a perda da terra), mas o agronegócio, mola propulsora da economia brasileira. Reivindicam os líderes do MST a não criminalização do movimento, mas criminalizam o agronegócio e, ao arrepio da Lei, investem contra projetos produtivos, por serem lucrativos.

A invasão foi financiada pelo Incra, pois ficou provado que aquele grupo se beneficiara de recursos do órgão. Parte desses recursos com a prestação de contas rejeitada. O governo precisa agir para zerar esse jogo em que os invasores viraram massa de manobra de lideranças que agem em benefício pessoal.

Não é responsável imaginar um desfecho positivo para um quadro em que um segmento da população tem o direito de transgredir, sob um pretexto revolucionário, em ambiente democrático consolidado. Com a toleráncia – e, mais que isso, o estímulo -, do órgão gestor da reforma agrária.

O episódio é indefensável e, para ele, o Incra não tem resposta.


Estadão



MST deve evitar invasões próximas às eleições

Segundo coordenador do movimento, objetivo é poupar partidos aliados de críticas da oposição


SALVADOR - O Movimento dos Sem-Terra (MST) deve concentrar sua agenda de ocupações no primeiro semestre de 2010, diminuindo as atividades com a aproximação do calendário eleitoral. A estratégia, admite um coordenador do movimento, tem por objetivo não municiar a oposição com argumentos que possam prejudicar partidos ligados ao movimento.

O integrante da coordenação nacional do MST João Paulo Rodrigues avisa que, para a organização, o primeiro semestre será intenso, com muitas mobilizações e ocupações de terra. "Por ser um ano de eleições, tudo o que a gente faria no ano inteiro vai ter de fazer nos primeiros cinco ou seis meses", informa. "Além disso, é o último ano do governo Lula, que é um governo democrático, mas está deixando para trás um monte de promessas que não foram cumpridas."

Rodrigues, que participou, na manhã desta sexta-feira, 29, da mesa Reforma Agrária, Agricultura familiar e Soberania Alimentar, parte da programação do Fórum Mundial Social Temático Bahia, em Salvador, admite que a concentração dos eventos de mobilização no primeiro semestre vai ser feita para não prejudicar os partidos aliados ("PT, Psol, PSTU, etc", de acordo com ele) nas eleições. "Temos de ter o cuidado de separar as alianças partidárias em um momento como esse, focar nas alianças com movimentos sociais, demarcar bastante a nossa luta em torno da reforma agrária", avalia.

"Vamos também fazer uma campanha grande contra a criminalização dos movimentos sociais, porque nós achamos que vamos ser vítimas de um processo eleitoral e a forma de nos 'vitimizar' vai ser criminalizando nossa luta, como fizeram em Iaras (SP)", diz Rodrigues, referindo-se à operação da polícia civil que, esta semana, prendeu integrantes e pessoas ligadas ao MST por causa da invasão, em outubro, da Fazenda Cutrale, em Borebi (SP). Entre os presos está uma vereadora e um ex-prefeito de Iaras, ambos filiados ao PT.


Estadão

Vizinhos de embaixada em Honduras querem indenização do Brasil


A normalidade começa a voltar ao poucos à vizinhança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ficou abrigado por mais de quatro meses antes de deixar o país, na última quarta-feira.

Após a saída de Zelaya, as barreiras usadas pelos militares para impedir o acesso aos quarteirões próximos à embaixada foram retiradas e os holofotes utilizados pelas forças hondurenhas para jogar luz sobre o prédio foram desinstalados.

Com o acesso às ruas liberado, os vizinhos começam agora a contabilizar os prejuízos causados pelos quatro meses de cerco, e alguns, inclusive, esperam ganhar algum tipo de indenização por parte do Brasil ou do governo hondurenho.

Muitos dos pontos comerciais, escritórios e consultórios médicos nas imediações viram seu movimento cair de maneira drástica depois que Zelaya se abrigou no prédio da representação diplomática, e alguns tiveram que fechar suas portas.

Grande parte dos clientes se afastou devido à exigência de autorização para entrar na área isolada.

Indenização
O consultório da dentista Jacqueline Rittenhouse, por exemplo, viu seu movimento cair cerca de 70% desde o cerco, enquanto o aluguel e as contas de água e luz continuavam chegando.

“Desde que Mel (Manuel) Zelaya chegou à embaixada do Brasil, a clientela caiu cerca de 70%, porque os clientes tinham medo, não por causa dos militares, mas por causa da resistência, porque não podiam deixar os carros aqui perto, havia tumultos violentos”, diz a dentista, cujo consultório ficava ao lado de uma das barreiras montadas pelos militares.

Rittenhouse conta que estava esperando a data da posse do novo presidente hondurenho, Porfirio Lobo, na última quarta-feira, para decidir o futuro de seu consultório. Caso Zelaya não deixasse a embaixada brasileira, ela se mudaria para outro local.

A dentista agora espera receber algum tipo de ressarcimento pelos prejuízos causados pelo cerco.
“Nos afetou muito economicamente, esperamos que talvez, por meio do governo, poderemos entrar com uma ação legal, para conseguir uma indenização por todos os danos que tivemos, mas até agora não foi feito nada”, diz a dentista.

“Os militares fizeram uma pesquisa para saber quais foram os danos que tivemos, para entrar com uma ação legal contra a embaixada do Brasil, por ter abrigado esta pessoa (Zelaya)”.

Brasil
Ainda de acordo com Rittenhouse, a embaixada brasileira não é mais bem-vinda na vizinhança.
“Agora, nós não queremos mais a embaixada do Brasil aqui perto, porque não queremos que tenha outro asilado lá, nos afetou muito”, diz.

Outra que não guarda boas recordações do período de cerco é Sulma Reyes, dona de um salão de cabeleireiros que ficava próximo a uma das barreiras e cujo movimento diminuiu em cerca de 50%.

Ela conta que teve que dispensar algumas funcionárias devido aos prejuízos causados pelo cerco e confirma que os vizinhos buscam uma indenização, seja “da embaixada (brasileira), das Forças Armadas ou do governo”.

“Se eu pudesse, tiraria (a embaixada do Brasil da vizinhança). Nós não somos um país de esquerda, e o Brasil é de esquerda, desde o momento em que o apoiou (Zelaya)”, disse.

“Eles nos prejudicaram bastante, não só ele (Zelaya), mas o Brasil também.”


BBC

Com expurgo da velha-guarda, Chávez busca reafirmar liderança


Especialista em metalinguagem, o presidente Hugo Chávez enviou seu recado no discurso que fez, no sábado, encerrando a marcha de seus partidários em Caracas. "A disciplina é fundamental para o avanço da revolução e essa revolução tem um líder", afirmou. "Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba!"

Ao mesmo tempo, no Palácio de Miraflores, a sede da presidência, assessores trabalhavam num plano de contenção de danos para o anúncio oficial, na segunda-feira, da renúncia do vice-presidente e ministro da Defesa, general Ramón Carrizález - camarada de Chávez na fracassada tentativa de golpe contra Carlos Andrés Pérez, em fevereiro de 1992. Figura discreta da velha-guarda do chamado "chavismo duro", Carrizález teria divergido de Chávez em algumas decisões das últimas semanas, como a desvalorização do bolívar forte, no dia 8, a expropriação da cadeia franco-colombiana de supermercados Êxito e o excessivo protagonismo do presidente em seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

No fim da semana passada, a direção do partido decidiu que não haveria primárias para a escolha dos candidatos para a eleição legislativa de 26 de setembro. Os aspirantes a deputado serão indicados por Chávez. Além disso, a mulher de Carrizález, Yubiri Ortega, ministra do Meio Ambiente, também vinha recebendo críticas veladas por parte da chamada "nova geração" da revolução, que lhe responsabilizava em parte pela falta de ação em prevenir a crise energética - que obriga o governo a impor um rodízio de apagões programados no interior do país e corrói a popularidade de Chávez. Na última pesquisa do Datanálisis, no fim de 2009, a aprovação do presidente não passava de 46,5%.

Oficialmente, Carrizález e Yurubi renunciaram por "estrita razão pessoal". Mas a saída de cena repentina de mais um "histórico" do chavismo deu margem a uma série de interpretações. Incluindo a de que Carrizález teria se rebelado contra a intenção de Chávez de promover cinco coronéis cubanos para o nível de comando das Forças Armadas venezuelanas.

"O processo de expurgo de figuras da primeira geração do chavismo começou com a saída de José Vicente Rangel (então vice-presidente desde 2002) em 2007, quando Chávez decidiu aprofundar o caráter socialista da revolução bolivariana", diz ao Estado Anibal Rodríguez, analista da Universidade Central. "Ao contrário da velha-guarda, os líderes da chamada nova geração são muito menos resistentes às decisões do presidente e restringem-se a cumprir as ordens. A mensagem é a de que Chávez não abre mão de avançar com sua revolução à sua imagem e semelhança."

As mudanças obedeceriam a um plano de Chávez para reafirmar sua liderança, reforçar o fervor revolucionário do governo e promover o que os analistas venezuelanos chamam de "renovação generacional".

Os novos escolhidos fazem questão de tornar pública sua lealdade a Chávez e à sua revolução. Nomeado ministro da Defesa, o general Carlos Mata Figueroa deve manter, por enquanto, seu cargo de comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, o mais alto da cúpula militar. Foi o responsável por quebrar a resistência dos militares ao lema imposto por Chávez: "Pátria, Socialismo ou Morte! Venceremos!"

"Hoje podemos falar com firmeza que o homem das Forças Armadas está comprometido com a revolução. Aqui não há outro caminho que não seja o da revolução", disse o general ao ser nomeado.

Elías Jaua, o novo vice-presidente, era líder estudantil em 1992 e liderou os piquetes na Universidade Central, em apoio a Chávez. Durante o anúncio de sua nomeação, ele se deixou ser visto anotando atentamente as recomendações do presidente. Vai acumular o cargo com o anterior, de ministro de Agricultura e Terras.

O presidente da Hidraven - órgão também responsabilizado pela crise de energia -, Alejandro Hitch, outro representante da segunda geração de chavistas, ocupará o lugar de Yubirí na pasta do Meio Ambiente.

Outra teoria para as mudanças é que os líderes chavistas mais conhecidos não resistiram ao desgaste de quase 11 anos de poder e estariam sendo vistos pela população como as principais figuras do que a oposição qualifica de "boliburguesia" - os novos burgueses bolivarianos que estariam se aproveitando do poder para enriquecer ilicitamente. Em dezembro, Jesse Chacón, jovem tenente que tomou os estúdios da emissora Venezuelana de Televisão (VTV) durante a tentativa golpista de 1992, renunciou ao Ministério de Ciência e Tecnologia após a Justiça abrir um inquérito contra seu irmão, Arné Chacón, acusado de fraude bancária.

MUDANÇAS

A demissão do ministro de Energia Elétrica, Ángel Rodríguez, há três semanas - após anunciar que Caracas estaria incluída no rodízio de cortes de energia -, abriu a possibilidade de mudança que tirou parte significativa do poder de outro chavista histórico, Ali Rodríguez. Outro veterano da intentona de 1992, Ali Rodríguez perdeu o poderoso Ministério da Economia para assumir a pasta de Energia Elétrica. As pastas de Economia e Planejamento foram unificadas, sob o comando de Jorge Giordani, nomeado para tentar fazer o PIB do país crescer de novo (em 2009, a economia venezuelana encolheu pela primeira vez em seis anos) e debelar a inflação, oficialmente estimada em 25,1% no ano passado.


ALIADOS
VELHA-GUARDA CHAVISTA



José Vicente Rangel: Advogado e jornalista, foi chanceler, ministro da Defesa e vice-presidente. Foi o primeiro chavista de peso afastado do governo, em 2007

Ramón Carrizález: Foi camarada de Chávez na tentativa de golpe de 1992. Além da vice-presidência, chefiava a pasta de Defesa. Era responsável pela supervisão das nacionalizações e programas sociais do governo. Caiu esta semana

Yubiri Ortega: Mulher de Carrizález, ocupava desde 2007 a pasta de Meio Ambiente. Também renunciou junto com o marido

Jesse Chacón: Esteve à frente dos Ministérios de Comunicação e do Interior e Justiça. Renunciou em 2009 após seu irmão ser preso por acusações de fraude bancária

Alí Rodríguez: especializado em petróleo, foi presidente da PDVSA, chanceler e secretário-geral da Opep. Continua no governo, mas perdeu o poderoso Ministério de Economia e assumiu a pasta de Energia Elétrica


OS NOVOS NOMES


Elías Jaua: O novo vice acompanha Chávez desde que ele chegou ao poder, em 1999. Encabeçou as principais desapropriações de terras improdutivas nos últimos anos

Carlos Mata Figueroa: Chefe do Comando Estratégico Operacional do Exército, ficou conhecido por conter rebeliões internas

Alejandro Hitcher: Presidente da estatal responsável pelo saneamento e pelo racionamento de água causado pela seca, que afetou a produção de eletricidade

Tarik al-Aissami: Ministro do Interior e Justiça, vem de família síria, mantém laços com o Oriente Médio e a comunidade de 1,5 milhão de origem árabe que vive na Venezuela.

Estadão

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tem uma mula na área!

Stedile critica polícia de SP e promete campanha contra Cutrale


PORTO ALEGRE - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stedile criticou nesta quinta-feira, 28, a ação da Polícia Civil de São Paulo na prisão de nove pessoas ligadas ao MST, disse que "ocupar terra pública não é crime" e prometeu uma campanha "de denúncia" contra a Cutrale por injustiças que atribuiu às atividades da fabricante de suco. "Vamos mobilizar nossos amigos em todo o mundo", afirmou, dizendo que a campanha começaria no Fórum Social Mundial (FSM), onde participou de seminário.


"Vamos aproveitar o fórum para denunciar a forma como a Cutrale produz esse suco, que depois ela entrega para a Coca-Cola", declarou, em entrevista após o seminário no FSM. A Operação Laranja, que resultou nas prisões, foi desencadeada pelas investigações para apurar os responsáveis pela invasão da Fazenda Cutrale em Borebi (SP), em outubro. Sete nomes estavam na lista dos mandados de prisão que seriam cumpridos e dois foram detidos por porte ilegal de armas.

Ao ser questionado sobre as prisões, Stedile disse que "ocupar terra pública não é crime, é um dever".

Motivação política


O líder do MST acrescentou que "a Polícia Civil de São Paulo está exagerando por motivação política" e considerou que a ação "aproveitou o calendário político", citando que em fevereiro o Congresso volta do recesso e recomeçam os trabalhos da CPI que vai investigar denúncias de irregularidades em convênios entre a União e entidades ligadas ao MST.

Segundo o líder do MST, a área foi ocupada para denunciar "que a Cutrale é invasora de uma terra pública que tem escritura em nome da União".

As declarações do líder do movimento vêm após a divulgação de um vídeo pela polícia que mostra membros do MST durante a invasão da fazenda. Nela, um homem diz: "Essa é a quarta ocupação. Agora nós viemos aqui para, pelo menos, dar prejuízo para eles."

Segundo a polícia, a fala é de Miguel da Luz Serpa, um dos coordenadores estaduais do MST. Ele foi um dos presos na ação policial.

Os sem-terras que invadiram a fazenda da Cutrale, em outubro de 2009, deixaram um total de 7.000 pés de laranja destruídos, de acordo com a empresa. Tratores, móveis e eletrodomésticos foram destruídos.



Estadão

Castigo?


Se mentir é um pecado, o Presidente Lula teve dois golpes em menos de uma semana...

1- Na inauguração de uma creche no RJ, começou a "palanquear" (já incui mentir), caiu um dilúvio e ele ficou ilhado.

2- Agora, inaugurando um "UPA" (Unidade de Pronto Atendimento), chegou a palanquer que "dá até vontade de passar mal" falando da "super" infraestrutura do SUS. E não é que em seguida passou mal mesmo (crise hipertensiva). Mas não foi atendido no UPA, mas sim no hospital mais bem aparelhado de Recife.


Acho que o "prazo de validade" e tolerância do Lula como o Pinocchio Tupiniquim chegaram ao limite...

A chapa "Arroz sem Sal"


O governo brasileiro já sente a necessidade de imprimir nas suas ações a vertente da realidade e tentar com isso conter a onda de desconfiança que começa a ter corpo no pensamento da população. A forte propaganda não vai encobrir o sucateamento da infraestrutura brasileira que está a olhos vistos com os últimos acontecimentos na maioria das áreas, seja da saúde, estradas, educação, portuária e outras de sua obrigação em manter e desenvolver.

A busca de um confronto com a administração FHC dá mostras sérias de sinais de “tiro pela culatra”. O único grande trunfo de peso está nos programas sociais de apoio a população de baixa renda tendo como carro chefe o Programa Bolsa Família que na verdade tem como seu “pai” o oponente FHC. É verdade que o presidente elevou a participação de numerosas famílias ao acesso ao consumo e melhoria de suas condições de vida via esse suporte de donativos. Isto se deu dentro de um cronograma estabelecido desde a criação dos programas sociais bolsa escola, vale gás, bolsa alimentação e outros e que no atual governo foram agrupados e recebeu o nome de “Bolsa Família”’. Este, obrigatoriamente, assim como os do FHC melhorado pelo atual governo, terá que ser mantido e aperfeiçoado pelos demais governos subsequentes, seja lá de que partido ou ideologia for. Esta “criatura” de bondades gerada por FHC só tende a se agigantar em um país pobre e de má formação cultural.

Pelo lado das realizações, pouco ou quase nada está terminado em se tratando de obras. O PAC 1 está a desejar com meros 31% de suas obras concluídas. Não por falta de dinheiro, espero e pelo menos é o que diz a mídia nacional. A única certeza que se tem é que dentre as causas do atraso é sem sombra de dúvida a incompetência de gestão dos administradores federais, resultado do loteamento de cargos aos aliados governamentais tais como Sarney e os “currupacos” da vida. Essa ausência de competência no governo, está obrigando o presidente a gerar um novo PAC como forma de criar novo fato político eleitoral. Cria a esperança de que o futuro gere situações de satisfação presente nos aliados e na população. fazendo-a crer que o Programa de Aceleração do Crescimento em andamento seja obra já consolidada e que o PAC 2, um novo despertar para a Nação brasileira. Para complicar ainda mais a situação, o presidente está promovendo a desobediência das normas éticas e legais com relação as obras de polos petroquímicos paralisados pela descoberta de irregularidades. Em busca de dinheiro e apoio de governadores para a campanha da sua criatura, está patrolando tudo.

Com o programa de defesa das Forças Armadas, projeto do governo FHC não operacionalizado por falta de dinheiro, procura dar impacto de guardião do povo e das riquezas do Brasil. É um programa audacioso para os cofres do País, mas necessário, não restam dúvidas. O problema é não comprar “gato por lebre” e o gato nesse caso fala o idioma francês. Para os militares a lebre é sueca. É muito sintomático que o presidente vem adiando a decisão para uma oportunidade em que qualquer problema neste caso da compra dos aviões só aconteçam após outubro, mês das eleições.

Um outro acontecimento que tem incomodado o presidente é com relação a energia. Problemas com geração e transmissão e ainda com a boca do Lobão. Apesar de ter discursado em Copenhague durante o Fórum das mudanças climáticas o presidente é defensor de uma das fontes energéticas mais poluentes do planeta, os combustíveis fósseis, derivados do petróleo. Sumiu de sua agenda a defesa do etanol brasileiro, um programa de salvação nacional e da dependência desses poluentes combustíveis. O pré-sal, às custas da saúde do povo, vai gerar dinheiro para tirar o Brasil do grupo de semi desenvolvidos ou emergentes como gostam os governantes e economistas.

Nesta questão temos dois aliados benéficos. Um é que o mundo está em busca de energia alternativa e esse processo é irreversível, fato que coloca em cheque em futuro próximo a viabilidade econômica do petróleo como fator de renda e ganhos para tantos investimentos sonhados pelo presidente. O outro é que os custos da prospecção do petróleo no pré sal são altos demais e o retorno, ante a projeção de viabilidade financeira, passa a ser pouco interessante e de muito risco.

Pelo lado da construção de uma chapa para concorrer a sua sucessão, e que possa se identificar com o presidente, está se mostrando difícil e de pouca esperança nos resultados esperados. É notória a incompatibilidade de Dilma Rousseff com a política ainda mais somada a simpatia e ao vigor emocional e expressivo de Michel Temer. Será uma chapa “arroz sem sal”. Não há nenhuma história ou atuação política na vida pessoal da candidata que possa impulsioná-la ao sucesso de uma eleição presidencial. Colocar sua vida de guerrilheira como fato nobre é desmerecer o conhecimento até porque não havia em sua proposta ideológica a liberdade, mas sim, um regime de força via orientação soviética e cubana, bem mais rígido que o regime militar existente. Acredito que nem oferecendo o paraíso, como já ofereceram ao povo em Araraquara/SP, vá dar certo. É o desespero do presidente.


Raphael Curvo*

Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ


PROSA E POLÍTICA

Cutrale: Líder da invasão assinou convênio com o Incra

Trechos de vídeo divulgado ontem pela Polícia Civil de São Paulo revelam o líder dos sem-terra na região de Bauru (SP), Miguel da Luz Serpa, convocando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a ocupar a fazenda da Cutrale, empresa de suco de laranja no interior do estado. Serpa, que nas imagens incita os companheiros a causar “prejuízo” na propriedade, esteve à frente da Associação Regional de Cooperação Agrícola da Reforma (Acar), pela qual assinou dois convênios com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no valor de R$ 222 mil, em 2007. A verba, segundo convênio firmado com o instituto, seria destinada a “ações com intervenção de máquinas agrícolas para erradicar as soqueiras de cana de açúcar em 300 hectares de terra”.

O primeiro contrato assinado por Miguel Serpa, preso nesta semana, foi fixado em R$ 180 mil e tinha como objetivo a erradicação de soqueiras (raízes que sobram dentro e fora da terra) de cana de açúcar. O segundo convênio, que beneficiou a Acar em R$ 42 mil, teve o objetivo de implantar “ações de capacitação para trabalhadores assentados na região de Iaras, no estado de São Paulo”. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, onde, em setembro do ano passado, integrantes do MST, sob o comando de Serpa, destruíram dois hectares de laranjeiras para neles plantar alimentos básicos.

Além dos R$ 222 mil repassados pelo Incra, a Acar também recebeu R$ 70 mil da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura. O dinheiro foi destinado à “compra antecipada especial da agricultura familiar”.

“Essa é a quarta ocupação, e nós viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo para eles”, disse Serpa em vídeo divulgado ontem. No vídeo ele é aplaudido por integrantes do MST quando lembra que o grupo deveria partir para uma nova ocupação. Na última terça-feira, foram detidos ainda o ex-prefeito de Iaras, Edilson Xavier, e a vereadora Rosimeire Serpa, esposa de Miguel Serpa. As prisões ocorreram durante uma ação batizada pela Polícia Civil de Operação Laranja, com a participação de 150 policiais e 42 viaturas.Outras seis pessoas foram detidas, entre elas Carlos Alberto da Luz Serpa, filho do líder sem-terra.

Em 2006, outra entidade, a Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária (Anara), mobilizou uma invasão comandada pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e deixou 41 feridos e um rastro de destruição na Câmara dos Deputados. Até então a Anara, entidade fundada e comandada por líderes do MLST, havia recebidoR$ 5,7 milhões do governo federal, de 1999 até 2006. Dos quatro convênios firmados entre a Anara e o governo, três tinham como responsável Bruno Maranhão, que na época foi preso por liderar a invasão na Câmara.

De acordo com a legislação brasileira (8.629/93), “a entidade, organização, pessoa jurídica, movimento ou sociedade de fato que, de qualquer forma, direta ou indiretamente, auxiliar, colaborar, incentivar, incitar, induzir ou participar de invasão de imóveis rurais ou de bens públicos, ou em conflito agrário ou fundiário de caráter coletivo, não receberá, a qualquer título, recursos públicos”. Caso isso seja identificado e a transferência ou repasse dos recursos públicos já tiverem sido autorizados, a administração pública terá o direito de retenção e rescisão do contrato, convênio ou instrumento similar.

No ano passado, o Contas Abertas divulgou uma série de matérias sobre os repasses federais feitos para entidades privadas cujos responsáveis por assinar convênios com a União aparecem citados, inclusive em fontes oficiais, como membros, líderes, coordenadores ou dirigentes do movimento nos últimos seis anos. O levantamento apontava para 43 entidades privadas nessas condições – entre elas a associação de Miguel Serpa. O montante envolvido nos repasses da União para essas entidades já chega ultrapassa R$ 162 milhões, desde 2002, entre o governo federal e entidades de desenvolvimento agrário.


CONTAS ABERTAS

Lula não foi atendido na "UPA" quando passou mal...

Irã executa dois ativistas políticos condenados por protestos


O governo do Irã anunciou nesta quinta-feira a execução de dois homens presos durante os protestos políticos desencadeados pela polêmica em torno das eleições realizadas no país no ano passado.

"Após os confrontos e eventos antirrevolucionários dos últimos meses, um tribunal islâmico revolucionário considerou os casos de alguns acusados e determinou a sentença de morte para 11 deles", afirma a agência de notícias iraniana Isna, citando o pronunciamento da promotoria.

"As sentenças contra dois destes indivíduos foram cumpridas neste amanhecer, e os acusados foram enforcados", acrescenta o texto.

Os condenados, Mohammad Reza Ali-Zamani e Arash Rahmanipour, perderam os recursos que apresentaram contra a decisão. Os outros nove condenados ainda têm seus pedidos de revisão de sentença sendo avaliados.

Ali-Zamani e Rahmanipour eram apontados pelas autoridades iranianas como "inimigos de Deus" e membros de grupos armados e eram acusados de tentar derrubar o Estado islâmico.

Reação

As execuções dos dois ativistas políticos iranianos foram condenadas pela ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

"Essas execuções chocantes mostram que as autoridades iranianas não vão parar diante de nada para reprimir os protestos pacíficos que ocorrem desde as eleições", disse Hassiba Hadj Sahraoui, diretor da entidade para o Oriente Médio e o Norte da África.

"Estes homens foram condenados injustamente e injustamente mortos", acrescentou. "Não está claro nem sequer se eles tinham ligação com um grupo (como foi alegado), já que suas confissões foram extraídas sob duras condições."

Os sentenciados foram acusados de pertencerem a um grupo proibido que defende a monarquia, a Assembléia do Reino do Irã (Anjoman-e Padeshahi-e Iran).

Nasrin Sotoudeh, advogada de Rahmanipour, que tinha 19 anos quando foi preso, diz que seu cliente "confessou (os crimes) por causa de ameaças feitas à sua família".

Pelo menos 30 manifestantes foram mortos em confrontos desde as eleições, embora a oposição diga que o número de mortos supere 70. Milhares foram detidos e cerca de 200 ativistas permanecem presos.

Correspondentes dizem que as execuções devem inflamar os ânimos antes dos próximos protestos populares, marcados para 11 de fevereiro, data do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

Os protestos começaram em junho do ano passado, após alegações de fraude nas eleições presidenciais que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad.


Estadão

O salvo-conduto de Lula

O Estado de S. Paulo - 28/01/2010

Se o mote do Fórum Social Mundial (FSM) é "Outro mundo é possível", o do presidente Lula bem que poderia ser "Todos os mundos são possíveis". Os políticos convencionais de qualquer latitude, como se sabe, estão sempre prontos para dar o dito pelo não dito ou para dizer uma coisa e fazer outra, tendo sempre pronta também uma alegação, ou enrolação, que justifique as suas guinadas. Às vezes, pega, às vezes, não ? e, nesse caso, o zigue-zague será punido nas urnas. Com Lula é diferente. Decerto ele é o único líder democraticamente eleito da atualidade a desfrutar de uma espécie de salvo-conduto que lhe permite, diante dos mais diversos públicos, trafegar sem restrições pelos mundos da retórica, dizendo uma coisa e o seu contrário, construindo verdades de ocasião e exercendo, como já se apontou, o seu notável talento para a quase-lógica.

No devido tempo, os historiadores, sociólogos e cientistas do comportamento tratarão de dissecar as origens dessa imunidade adquirida pelo singular dirigente brasileiro e a sua consolidação nos anos recentes. Ao observador do cotidiano cabe registrar a desenvoltura com que Lula se entrega à sua arte e o deslumbramento das plateias que, a julgar por sua reação, devem se considerar privilegiadas pela oportunidade de assistir ao espetáculo. É o caso do show de 50 minutos que ele protagonizou anteontem para cerca de 7 mil embevecidos participantes da 10ª edição do Fórum Social Mundial, reunidos no Ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre. Com exceção dos puros e duros do PSOL e de ajuntamentos como o PSTU, a esquerda superou com galhardia o desconforto que levou parte dela a vaiar o presidente no fórum de 2005 ? quando rebentou o escândalo do mensalão.

A grande maioria comprou com indisfarçado alívio a teoria lulista de que tudo não passou de uma conspirata da mídia e da oposição para derrubá-lo do Planalto. Além disso, cada vez mais compreensiva com o seu ídolo, e tendo se despojado dos escrúpulos de consciência de outrora, não será agora que a esquerda irá cobrá-lo pelas profanas alianças que celebrou com figuras como o senador José Sarney e o ex-presidente Fernando Collor, de quem disse no fórum de 2003 ter perdido o mandato por "roubalheira". Afinal, para tornar possível o outro mundo de suas aspirações, eis o raciocínio reconfortante, não raro é necessário compactuar com o que este tem de pior. Não se dizia que os fins justificam os meios? E não foi o próprio Lula quem disse que, se estivesse no Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas?

Um dos mais formidáveis atributos do presidente é a sua sensibilidade para os públicos a que se dirige. Ele navega por eles de olhos fechados e chega onde quer ? a intuição dispensando a bússola. Em Porto Alegre, como quem pede desculpas, mas fazendo jus astutamente à indulgência plena recebida, observou: "Sabemos que há diferenças fundamentais entre o que um governante sonhou a vida inteira e o que conseguiu realizar." Deliciou ainda a audiência comparando o FSM com a sua abominada antítese, o Fórum Econômico de Davos. O fórum social, louvou, continua "intacto" depois de 10 anos. Já o outro "não tem mais o glamour que eles achavam que tinha".

Com isso passou batido por um detalhe: amanhã, nesse santuário onde se cultua a exploração do homem pelo homem, Lula será contemplado com o prêmio "Estadista Global" de 2009. Nada que deva deixar estomagado o pessoal do outro mundo. O presidente aproveitará o momento para tornar a dizer algumas verdades aos "loiros de olhos azuis" que o homenagearão. Como antecipou o Planalto, defenderá a reforma do sistema financeiro, a conclusão da Rodada Doha de liberalização do comércio e uma reforma abrangente da ONU ? codinome para a ambição por um assento permanente em um Conselho de Segurança ampliado. Assim como nenhum radical o censurou em Porto Alegre, nenhum adorador do mercado deixará de aplaudi-lo em Davos, quanto mais não seja por polidez.

O salvo-conduto com que Lula circula tem uma página que ele não cessa de abrir: a que o autoriza a fazer descarada campanha antes da hora para a sua candidata Dilma Rousseff, a "Dilminha", como falou dela no FSM. Em 2011, palanqueou, no seu lugar estará "uma pessoa com o mesmo compromisso e talvez com mais capacidade para anunciar ao País as coisas que têm que ser feitas daqui para a frente".