segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Ajuda Humanitária Terrorista






"Apesar de os meios de comunicação apresentarem a frota como uma missão humanitária para entregar ajuda a Gaza, os barcos não tinham nada de humanitário", disse o israelense Daniel Carmon. "Não eram ativistas pacíficos nem mensageiros de boa vontade. Utilizaram cinicamente uma plataforma humanitária para enviar uma mensagem de ódio e implementar a violência"



Daniel Carmon - vice-embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU)

Os Humanistas Terroristas

Bülent Yildirim, chefe da ONG "humanitária" turca, em companhia de Ismail Haniya, um dos chefões do Hamas

O "Holocausto" da Mídia

do Estadão



O governo de Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas, grupo terrorista palestino, tomou o controle do território à força, em 2007. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.

Com o bloqueio, o governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios. No caso da Frota da Liberdade, o governo havia permitido o desembarque no porto de Ashdod, onde haveria revista da ajuda destinada ao território ocupado, mas avisou que não toleraria o ingresso de embarcações no espaço marítimo de Gaza.

Os organizadores da frota - o movimento Gaza Livre e a ONG turca Insani Yardim Vakfi (alguns setores turcos sabidamente fundamentalistas islâmicos ligados às mesmas organizações terroristas, como o Hammas) - consideraram a sugestão de Israel de desembarcar no porto de Ashdod como "ridícula e ofensiva". "Seus bloqueios, seus 'canais oficiais' são o que estão causando a crise humanitária", disseram por meio de comunicado. (Aqui a afronta ao Estado Israelensde sob ataque terrorista constante do Hammas)

O major-general Eitan Dangot, o comissário-chefe para assuntos militares de Israel para territórios palestinos ocupados, disse que a política de Israel sobre o bloqueio era bastante clara. "Não vamos deixar nenhum barco atracar em Gaza enquanto o Hamas estiver no controle", disse o militar durante a semana, quando foram feitos os primeiros contatos entre a frota e os militares israelenses.

A especialista em leis humanitárias e marítimas do Ministério do Exterior israelense, Sarah Weiss, informou que o bloqueio marítimo está em vigor "porque Israel está atualmente em estado de conflito armado com o regime do Hamas" em Gaza. A justificativa dada por ela é de que "muitos os ataques feitos pelo grupo palestino contra o território israelense foram realizados com armamentos contrabandeados também pelo mar".

Comento:

Questriona-se a existencia de armas e artefatos para fabricá-las no meio do carregamento. Se israel pede para fiscalizar, e se a ajuda fosse somente humanitária mesmo, o que custava fazer o recomendado??? Aí está a afronta e a FARSA HUMANITÁRIA!!! Porque não querer a fiuscalização. Só pórque a patrulha do Politicamente Correto Global acha que "é triste" Israel mata palestinos, quando se defende dos Terroristas do Hammas???

Triste é mesmo! Mas e o contrário então. Vamos deixar matar os Judeus. Ora o Hamas prega a extinção do povo e do Estado de Israel.

Acorda Brasil, as coisas estão ficando cada vez mais claras em quem devemos ou não confiar. Diga não a Patrulha e não seja antissemita como Hitler foi (começa assim mesmo com a patrulha ideológica; veja nos jornalões, os comentários antissemitas dos leitores).

Chega de Hipocrisia. Até quando vamos apoiar (e o Itamaraty apoia) grupos terroristas como o Hammas, FARC e MST??? Qual a diferença? Apenas a origemn da Grana de cada um. Aqui é nossos impostos que financiam as ações terroristas do MST.

O Hammas que tem muito em comum com o Modus operandi dos Narco-Traficantes nos morros Cariocas, usando sempre a população e inocentes como escudos humanos para agir.

'Free Gaza'

O movimento Gaza Livre (Free Gaza, em inglês) tenta desde 2008 furar o bloqueio israelense ao enviar suprimentos para o território controlado pelo Hamas. A frota atual, composta por seis navios, carregava 600 passageiros e havia sido organizada por órgãos da Grécia, da Suécia, da Turquia e da Malásia.

O Gaza Livre, cuja sede está localizada em Nicosia, no Chipre, se descreve como uma grupo de direitos humanos com coordenadores internacionais e grupos afiliados na Grécia, na Alemanha, na Irlanda e na Escócia. A ONG é respaldada por figuras públicas, como o arcebispo sul-africano Desmond Tutu.

Em agosto de 2008, dois pequenos barcos da comitiva do Gaza Livre viajaram de Piraeus, na Grécia, até um porto de Gaza. Em outubro, uma embarcação maior desembarcou no território levando medicamentos.

Várias outras viagens foram realizadas desde então, e muitas falharam devido a ação dos militares israelenses. Em 2009, um barco foi interceptado por Israel e levado até o porto de Ashdod, onde a ajuda humanitária foi recolhida e, segundo o governo, direcionada a Gaza por vias terrestres depois de passar por um controle de segurança.




Ainda sobre a FARSA HUMANITÁRIA ao Hammas

Do Blog DOIS EM CENA

Por Cristina Froes

Que estranho!

A tentativa de romper o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, teve o apoio da Turquia.
Diz-se, inclusive que havia turcos na frota. Não é estranho que isso aconteça após o acordo entre Irã, Brasil e Turquia ter provocado indignação internacional, principalmente por parte dos EUA? E quem foi que falou que Israel deveria desaparecer do mapa? Não foi Ahmadinejad que está indignado com as sanções que possivelmente deverão ser aplicadas ao seu país? E além disso, este lamentável episódio acontece na véspera do encontro, em Washington, entre Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.Muito estranho, não? Para mim, mais claro impossível! Foi uma provocação da Turquia a mando do Irã para desviar a atenção do mundo das intenções bélicas de Ahmadinejad.

Nos jornais pouco se fala dos motivos que levaram o exército israelense ter "atacado" a frota. Eles tinham como missão averiguar a embarcação- que invadia águas israelenses sem aviso prévio - e foram recebidos com porretadas e ataques com facas, principalmente por parte de turcos.Por milagre, o G1 afirma que "a televisão turca mostrou um vídeo que aparentemente mostra um comando israelense descendo em um corda e entrando em confronto com um homem carregando um porrete e que a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado".
Enfim...como se trata de Israel, o mundo inteiro se levanta contra este país, com acusações exacerbadas. Mas se uma ação destas tivesse sido feita por parte do Hamas - que aliás, ataca diariamente os israelenses - daí nada se falaria a respeito. Ahmadinejad e seu círculo mais próximo (e a Turquia, é claro!) não evitam confrontar o Ocidente, já que eles consideram que essa luta é uma das maneiras de preparar o terreno para o retorno do Mahdi, o messias da corrente xiita do Islamismo, pois, segundo esta corrente, o tal "messias" só virá após um grande confronto mundial. Muitos ocidentais desconhecem o papel da religião na política moderna. Entretanto, a crença na figura messiânica do islamismo, denominada o Mahdi ou o Imã Oculto, é que dirige as políticas do presidente iraniano. Os xiitas crêem que o Mahdi voltará, governará sobre um sistema único na terra e derramará o julgamento sobre todos os não-muçulmanos. E qual seria a forma de causar um confronto com o mundo ocidental? Provocando os EUA com ataques à Israel.

Um dos pacifistas da frota


via facebook

Junto com esses navios com ajuda humanitária sempre, de brinde, carregam armas. É isso que Israel tenta impedir com as inspeções. O contrabando de armas. Isso é verdade, pois o ataque a tiros partiu do navio, primeiramente. Outra coisa importante que ainda não li nos jornais brasileiros e que me contam via facebook ( de uma conhecida que mora em Israel): 7 soldados israelenses estão feridos sendo que dois estão em estado grave.

ISRAEL DETONA ESQUEMA DITO DE AJUDA HUMANITÁRIA QUE ABENÇOA O TERRORISMO


Nos jornais desta segunda-feira vocês encontrarão - já está em diversos sites da grande imprensa internacional nesta madrugada - a notícia sobre o bloqueio que as forças de segurança de Israel promoveram para impedir que uma frota de navios de entidades politicamente corretas, incluindo europeus e muitas gente de toalha na cabeça, chegasse a desembarcar na Faixa de Gaza. Alegam que conduzem ajuda humanitária.

Na verdasde esses ativistas desejam criar um impasse com Israel, provocando-o para depois gerar uma série de reportagens mentirosas e antissemitas que abençoam o terrorismo contra o Estado de Israel e o Ocidente. E vejam que os turcos, agora amigos de Lula e do PT, estão metidos nessa armação.

Israel que já há algum tempo retirou-se da Faixa de Gaza, mantém vigilãncia permanente, já que ess faixa está sob o comando do grupo terrorista Hamas. O governo israelense já advertiu que não irá permitir que nenhum tipo de ajuda entre na Faixa de Gaza sem o conhecimento prévio das autoridades israelenses. Israel que já montou um um esquema para verificação de todo o material, antes de ser encaminhado às comunidades de Gaza.

Os ativistas serão deportados. O material passará por um pente fino dos órgãos de segurança israelense antes de serem entregues à população de Gaza. VEJAM QUE ISRAEL EXIGE A VERIFICAÇÃO DO MATERIAL E DAS PESSOAS QUE ESTÃO NESSAS EMBARCAÇÕES. E TEM CARRAS DE RAZÃO PARA EXIGIR ESTE PROCEDIMENTO.

Entretanto, esta notícia já está circulando pela internet e há pouco o site G1 da Rede Globo postou uma nota afirmando que Israel tinha atacado um frota humanitária. MENTIRA! Os jornalistas sempre pautando-se pela idiotia politicamente correta e racista já colocam Israel como culpado pelo incidente e isto não corresponde à verdade. Há por trás da iniciativa uma ação política destinada a sabotar Israel e o povo judeu. Israel reagiu e reagirá sempre que tentarem se aproximar de Gaza em qualquer circunstância.

O que houve na verdade é que os ativistas desafiaram a advertência e Israel reagiu.

Ora, todos sabem que Gaza é um antro de terroristas do Hamas e lança sistematicamente ataques contra contra Israel. O Estado israelense não pode jamais permitir que um bando de porras loucas europeus mancomunados com terroristas façam uma ponte com Gaza, quebrando o necessário bloqueio que visa a segurança dos cidadãos israelenses.

Fanáticos terroristas não entendem outra linguagem senão a força. Não há negociação com o terror e Israel está certíssimo em se proteger.

E eu, na medida do possível estarei atento denunciando a miserável manipulação da informação por organizações pseudo-humanitárias que na verdade estão tentando criar uma situação constrangedora para Israel. E isso jamais será tolerado pelas autoridades israelenses que abrirão fogo pondo a pique qualquer embarcação que tentar desobecer as advertências.

Aqui está uma matéria do site da Folha Online que pelo menos esclarece mais sobre o que realmente está acontecendo no mar próximo à costa de Gaza.

ATENÇÃO! QUALQUER COMENTÁRIO ANTISSEMITA POSTADO AQUI NO BLOG SERÁ DENUNCIADO COMO RACISMO.

GASTAREI ATÉ A ÚLTIMA LETRA PARA DEFENDER ISRAEL E O POVO JUDEU DA IDIOTIA POLITICAMENTE CORRETA QUE PERMITE QUE BANDALHA FANÁTICA ISLÂMICA AVANCE SOBRE O OCIDENTE. NÃO PASSARÃO!

PARECE MENTIRA! MAS É VERDADE. O OCIDENTE SE RENDE À BANDALHA TERRORISTA. RESTA APENAS ISRAEL NA DEFESA DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA NO MUNDO OCIDENTAL!



Sindicatos fazem guerra por filiados, dinheiro e até 'reserva de território'

Na mira. Miquilino, do sindicato do Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, é acusado de coagir e agredir quem tenta mudar de entidade.


Ameaça de agressão, pressão sobre os trabalhadores e ações na Justiça esquentam o 'vale-tudo' na disputa entre os grupos adversários, que tentam assim garantir uma fatia do imposto sindical, que gira em torno de R$ 2 bilhões por ano no País.



O Estado de S.Paulo

A união das centrais sindicais em atos públicos e festivos, como nas comemorações do 1º de Maio e na conferência nacional que acontece amanhã, esconde uma guerra dos sindicatos por reserva de território, filiados e, principalmente, por dinheiro.

O objetivo é atropelar os adversários, crescer, e, por fim, garantir o imposto sindical, que gira em torno de R$ 2 bilhões por ano no País. Vale tudo nesse ringue: ameaça de agressão, acusações de ligação com os patrões, boletins de ocorrência na polícia, pressão sobre os trabalhadores, ações na Justiça e denúncias ao Ministério Público.

Os 6,8 mil frentistas dos 320 postos de gasolina do Distrito Federal conhecem essa história de perto. Assim como os 15 mil trabalhadores das empresas de joalheria de Limeira, polo industrial do setor em São Paulo, e os milhares de carregadores de mercadoria do Centro-Oeste. São funcionários que, diante dessa guerra, ficam sem saber quem os representa e quem negocia o reajuste salarial. Contribui para esse cenário beligerante a proliferação de registros sindicais concedidos diariamente pelo Ministério do Trabalho nos últimos anos ? como revelou o Estado na semana passada.

Criado em 2008 e filiado à Força Sindical, o Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis (Sinpospetro) briga na Justiça com o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo ? ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) ? para representar os frentistas de postos no DF, um setor que, na capital, vive sob suspeita de cartelização.

O Sinpospetro acusa o presidente do segundo sindicato, Raimundo Miquilino, de coagir e agredir fisicamente quem tenta mudar de sindicato. Exibe como prova boletins de ocorrência registrados na polícia.

Diretrizes. O revide é à altura: os líderes da entidade ligada à CUT acusa o Sinpospetro de agir de acordo com as diretrizes do patronato. "Eu não pego dinheiro do patrão", provoca Miquilino.

Enquanto isso, os trabalhadores não sabem a quem recorrer ? as duas entidades fazem rescisão de contratos de trabalho, por exemplo ? e o dinheiro do imposto sindical recolhido todos os anos tem sido depositado em juízo. Pior: não há consenso sobre quem representa a categoria na negociação com os donos de postos de combustíveis.

A entidade ligada à CUT, o sindicato de Minérios e Derivados, que representava os frentistas há 27 anos, acusa o Ministério do Trabalho, dirigido pelo PDT e líderes da Força Sindical, de incentivar dissidências como essa.

Até março, o secretário de Relações do Trabalho era o pedetista Luiz Antônio de Medeiros, fundador da Força Sindical. Ele ficou três anos no cargo. O ministro é o presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi.

Medeiros, aliás, é colega de partido de um personagem central de uma guerra sindical no interior paulista envolvendo os 15 mil funcionários das empresas de joias de Limeira, polo industrial do setor, com mais de 450 indústrias.

Dirigente regional do PDT ? assim como Medeiros ? Carlos Chaves Solano deixou a secretaria-geral do Sintrajoias para fundar uma entidade restrita à cidade de Limeira. Deu-lhe o nome de Sintijob.

Em março, Solano, acusado de montar um "sindicato de fachada", conseguiu o registro sindical do Ministério do Trabalho. O Sintrajoias foi à Justiça e a 10ª Vara do Trabalho de Brasília anulou a decisão do governo. Mas a disputa continua.

Há um mês, o procurador do Trabalho Antônio Carlos Cavalcante Rodrigues, que atua em Goiás, recebeu denúncia de um sindicato de trabalhadores em cargas e descargas de Vicentinópolis, interior goiano, contra o Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Rio Verde, uma entidade de fachada que atua como empresa de terceirização.

Esta última é acusada de invadir territórios delimitados pelo governo.

Ministério Público. Na avaliação do Ministério Público, no entanto, ninguém tem razão. Os sindicatos se "equiparam a uma empresa" e só querem disputar o mercado, afirma o procurador do Trabalho.

Candidato de Uribe é o mais votado, mas disputará o segundo turno


Contrariando todas as pesquisas, o candidato governista Juan Manuel Santos obteve uma ampla vitória no primeiro turno das eleições presidenciais colombianas, mas não conseguiu evitar um segundo turno.

Apuradas 99,71% das urnas, Santos ficou com 46,56% dos votos e o segundo colocado, o opositor Antanas Mockus, do Partido Verde, com apenas 21,5%. Segundo as últimas pesquisas, divulgadas há duas semanas, ambos estavam tecnicamente empatados. Santos tinha 35% e Mockus, 34% segundo o instituto Datexco e outros levantamentos apontavam diferenças de no máximo 3 pontos porcentuais entre os dois. Além disso, de acordo com as mesmas pesquisas, o opositor venceria no segundo turno, previsto para o dia 20.


Com a vantagem obtida por Santos ontem - ele por pouco não alcançou os 50% necessários para vencer logo na primeira etapa da votação - agora é muito difícil que Mockus consiga virar o jogo. "Trabalhemos para conseguir que nosso país não retroceda no caminho percorrido nesses oito anos", disse Santos ontem, em um discurso para seus simpatizantes, no qual convidou os outros candidatos a fazerem parte de sua campanha e eventual futuro governo.

O resultado significa um reconhecimento do legado do presidente colombiano, Álvaro Uribe, na área de segurança. Em seus oito anos de mandato, Uribe (hoje com 74% de aprovação) conseguiu que 20 mil paramilitares se desmobilizassem e acuou a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Como seu ex-ministro da Defesa, Santos recebeu parte dos créditos por esses resultados e é visto como o herdeiro desse legado.

Segundo analistas, um dos fatores que pode ter prejudicado Mockus é que ele não se saiu bem nos vários debates realizados na última semana na TV. Matemático e filósofo de formação, o opositor tem um discurso um pouco vacilante e muito acadêmico. Além disso, ele deu muita ênfase a propostas pouco populares, em especial ao aumento de impostos (os recursos seriam usados para ampliar os gastos do Estado na área social).

Economista e jornalista, Santos foi ministro três vezes (também esteve à frente da pasta da Fazenda no governo de Andrés Pastrana e da pasta de Comércio Exterior durante a gestão de César Gavíria). É representante de uma família tradicional da elite política colombiana, que por décadas foi dona do jornal El Tiempo, o mais importante do país.

A "onda verde" de Mockus foi a grande novidade da corrida eleitoral já que, inicialmente, Santos era favorito. Há três meses Mockus tinha 1% dos votos. "Alcançamos uma meta que há alguns meses achávamos que seria impossível", disse Mockus.

Incidentes. Durante a votação, foram registrados episódios isolados de violência. Nas regiões de Meta, Bolívar e Tolima dois soldados e um guerrilheiro morreram em conflitos entre o Exército e as Farc. Segundo o governo, porém, o número de incidentes foi 50% menor que na eleição de 2006.


Estadão

sábado, 29 de maio de 2010

A óbvia fonte de pó

SEM CORPO MOLE
Morales (à esq.) e Serra (à dir.): o tucano quer que o Brasil faça pressão sobre o boliviano para barrar o tráfico da droga


O candidato do PSDB acusa o governo boliviano de ser
cúmplice do narcotráfico. Ele está certo: Evo Morales incentiva
a produção de cocaína. A verdade doeu na diplomacia lulista


Duda Teixeira e Fernando Mello


Nos últimos sete anos, o governo brasileiro orientou sua política externa inspirado na cartilha do Partido dos Trabalhadores. Nossos diplomatas e o presidente Lula percorreram o mundo abraçando regimes que violam os direitos humanos, como o de Cuba, ou que desenvolvem às escondidas a bomba atômica, como o do Irã. Em comum, os governos desses países cultivam a retórica antiamericana. A substituição de uma política externa de estado, como era a tradição do Itamaraty, por uma política externa de partido, como é a do governo Lula, coloca a ideologia acima dos interesses brasileiros. Na semana passada, o pré-candidato a presidente José Serra, do PSDB, apontou um dos efeitos dessa diplomacia ao falar das relações do presidente boliviano Evo Morales com o tráfico de entorpecentes. "Você acha que a Bolívia ia exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível", disse Serra em entrevista a uma rádio. No dia seguinte, reforçou: "O Brasil deveria falar com o governo boliviano, fazer gestões, pressionar para que se controle a exportação ilegal de cocaína para nossa juventude". Seus comentários foram classificados pela pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, como "demonização" do país vizinho. Dilma defendeu a linha vigente no Itamaraty: "Provamos que o Brasil pode ser protagonista sem atitudes imperialistas, sem jamais esquecer que na América Latina estão nossos parceiros". Serra, no entanto, não atacou a Bolívia nem os bolivianos, mas a política do atual governo daquele país. E o fez até com comedimento. Mais do que cúmplice, como disse o candidato tucano, Evo Morales, empossado em 2006, é patrocinador de narcotraficantes. Pior: o governo Lula não só fecha os olhos para o que acontece na Bolívia, como se prepara para financiar a construção de uma estrada que facilitará o escoamento da cocaína para o Brasil. Ou seja, a droga que destrói os sonhos de famílias de todas as classes sociais chegará mais rapidamente às nossas cidades - e com a ajuda do contribuinte brasileiro.

Irritado com as declarações de Serra, um ministro boliviano com nome sugestivo, Oscar Coca, exigiu provas. Ei-las: Morales entrou na política defendendo os plantadores de folha de coca da região de Chapare, no departamento de Cochabamba. Na nova Constituição boliviana, ditada pelo presidente e aprovada em referendo no início do ano passado, a coca é considerada "recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia e fator de coesão social". Essa foi a fórmula encontrada para vender ao mundo a ideia de que a defesa da produção de coca visa a preservar os usos culturais da planta, como em chás e ao natural, para mascar. Se isso fosse verdade, o presidente boliviano deveria incentivar a redução da área plantada, não o seu aumento. Morales anunciou a intenção de ampliar o cultivo de coca em 21 000 hectares. A demanda tradicional não precisa de mais de 7 000 hectares para ser suprida. Além disso, a maior parte da produção boliviana tem fins ilícitos: 71% da coca do país é transformada em droga. Em Chapare, reduto eleitoral de Morales, esse índice sobe para espantosos 95%. As ações de combate ao narcotráfico foram desmanteladas uma a uma no governo Morales. A DEA, agência antidrogas americana, por exemplo, foi expulsa do país em 2008. Ela dava apoio à polícia local especializada no combate ao narcotráfico (FELCN), complementando salários, comprando uniformes e ministrando cursos. Sem esse auxílio externo, a FELCN não tem sequer gasolina para perseguir traficantes e encontrar laboratórios de refino de cocaína. As apreensões atuais são, na maior parte, realizadas próximas à fronteira com o Brasil, e só por insistência e com a ajuda da Polícia Federal brasileira.


DEPOIS VIRAM PÓ E CRACK
Agricultor colhe folhas de coca em Chapare


Morales também expulsou da Bolívia a agência americana de desenvolvimento, a Usaid, que os paranoicos esquerdistas latino-americanos sempre viram como um braço da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. Seus integrantes financiavam projetos para dar alternativas econômicas aos pequenos agricultores, como a plantação de banana, melão, café e cacau. Sem a Usaid, as lavouras de coca avançaram e a exportação de frutas caiu 41% em um ano. Morales prefere que o seu país ganhe dinheiro vendendo droga ao Brasil. Sob sua supervisão, as plantações de coca agora estão presentes nos nove departamentos bolivianos e em três reservas florestais. Desde 2007, a Bolívia fabrica o pó de cocaína, com laboratórios montados em associação com cartéis colombianos. Até então, o país exportava apenas a pasta de coca.

O incentivo de Morales fez a produção de cocaína e pasta de coca crescer 41%. A política cocaleira teve o efeito desejado pelo governo boliviano: o negócio prosperou. O volume de cocaína apreendido pela Polícia Federal nos quatro estados brasileiros que fazem fronteira com a Bolívia triplicou. "Os traficantes estão fazendo a festa, porque o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína do continente, atrás apenas dos Estados Unidos, e chegar a esse mercado nunca foi tão fácil", diz o boliviano Humberto Vacaflor, especialista em narcotráfico. Entre 80% e 90% da droga consumida no Brasil é boliviana - por não ter a mesma qualidade da colombiana, ela é desprezada por americanos e europeus. O comércio do pó aumenta os lucros da bandidagem organizada e financia outros tipos de crime no Brasil. No Rio de Janeiro, 60% das ocorrências estão relacionadas à droga. Além de pó, os traficantes bolivianos vendem pasta de coca ao Brasil. O produto, misturado à soda cáustica, é transformado em pedras de crack, uma droga barata e bem mais perigosa do que a cocaína. Quando inalado com frequência, o crack leva a convulsões, a paradas cardíacas e ao desequilíbrio de áreas cerebrais responsáveis pelo controle da respiração. No Brasil, 13 anos é a idade média com que se começa a usar crack. Dois terços dos viciados morrem em menos de cinco anos.

O governo lançou recentemente o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack. O pacote de medidas tem mais casca do que conteúdo. Entre outras coisas, anuncia que será aumentada a vigilância na fronteira com Bolívia, Colômbia e Paraguai e propõe dobrar o número de leitos em hospitais públicos para dependentes químicos, de 2 500 para 5 000. A segunda medida é questionável. "Os hospitais não possuem estrutura para atender usuários de crack, porque esses pacientes têm comportamento violento e precisam ficar isolados", diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos maiores especialistas no tratamento de dependentes químicos do Brasil. No programa partidário na TV, a candidata governista Dilma Rousseff defendeu "apoio e carinho" para enfrentar a ameaça do crack. "Nós, mães, vamos estar na linha de frente", disse a pré-candidata, apelando para a empatia de gênero. O suporte materno, sem dúvida, é necessário. Em termos de política pública, no entanto, o ideal é pressionar os países exportadores da matéria-prima do crack, como a Bolívia, a combater o narcotráfico e reduzir as plantações de coca. "Mais do que na falta de apoio familiar, a origem do problema da droga no Brasil está na enorme facilidade de obtê-la", diz Laranjeira.


UMA PRAGA SOCIAL
Viciados em crack, em São Paulo: um terço dos usuários morre em cinco anos


Com o auxílio do dinheiro dos contribuintes brasileiros, ficará ainda mais fácil para os traficantes colocar cocaína e crack nas ruas das nossas cidades. Em agosto do ano passado, na Bolívia, o presidente Lula, enfeitado com um colar de folhas de coca, prometeu um empréstimo de 332 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a rodovia Villa Tunari-San Ignacio de Moxos. Na ocasião, a segurança de Lula não foi feita por policiais, mas por centenas de cocaleiros armados com bastões envoltos em esparadrapo. Com 60 000 habitantes, a cidade de Villa Tunari é o principal centro urbano de Chapare. A rodovia, apelidada pelos bolivianos de "estrada da coca", cruzará as áreas de cultivo da planta e, teoricamente, deveria fazer parte de um corredor bioceânico ligando o porto chileno de Iquique, no Pacífico, ao Atlântico. Como só garantiu financiamento para o trecho cocaleiro, a curto prazo a estrada vai favorecer principalmente o transporte de cocaína para o Brasil. O próprio BNDES não aponta um objetivo estratégico para a obra, apenas a intenção de "financiar as exportações de bens e serviços brasileiros que serão utilizados na construção da rodovia, tendo como principal benefício a geração de empregos e renda no Brasil". Traduzindo: emprestar dinheiro para a obra vai fazer com que insumos como máquinas ou asfalto sejam comprados no Brasil. O mesmo efeito econômico, contudo, seria atingido se o financiamento fosse para uma obra em território nacional.

Na Bolívia, suspeita-se que o financiamento do BNDES seja uma maneira de conferir contratos vantajosos a construtoras brasileiras sem fiscalização rigorosa. Os promotores bolivianos investigam um superfaturamento de 215 milhões de dólares na transcocaleira. "Essa rodovia custou o dobro do que seria razoável e não tem licenças ambientais. Seu objetivo é expandir a fronteira agrícola dos plantadores de coca", diz José María Bakovic, ex-presidente do extinto Serviço Nacional de Caminhos, órgão que administrava as rodovias bolivianas. Desde que Morales foi eleito, Bakovic já foi preso duas vezes por denunciar irregularidades em obras públicas. As mães brasileiras não são as únicas que sofrem com a amizade do governo brasileiro com Morales.

As provas da ajuda de Evo Morales ao narcotráfico

• Depois da eleição de Morales, a produção de cocaína e pasta de coca na Bolívia cresceu41%

• A quantidade de cocaína que entra no Brasil pela fronteira com a Bolívia aumentou 200%

• Morales é presidente de seis associações de cocaleiros da região do Chapare, seu reduto eleitoral

• Ele quer ampliar a área de cultivo de coca para 21 000 hectares. Para atender ao consumo tradicional, como o uso da folha em chás e cosméticos, basta um terço disso

• Expulsou a DEA, agência antidrogas americana, que dava apoio à polícia boliviana no combate ao tráfico

• A pedido dos cocaleiros, Morales acabou com o projeto que ajudava agricultores a substituir a coca por plantações de banana, melão, café e cacau.




Revits Veja

Ex-guerrilheira das Farc diz que fuzilou 80 e recrutou 108 menores



Uma ex-guerrilheira das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que se entregou ao exército local em 2008, disse nesta sexta-feira à imprensa que confessou à Justiça sua participação em 214 delitos, entre eles o recrutamento de 108 menores de idade e cerca de 80 fuzilamentos.

Em declarações à rádio Caracol, Elda Neyis Mosquera, conhecida como Karina, que foi comandante da frente 47 das Farc, disse que "confessou 108 recrutamentos de menores".

"Também quero deixar claro que vou responder por todos os fatos cometidos pela frente 47 no tempo em que estive encarregada por eles, pois estava na linha de comando", disse Karina.

A ex-guerrilheira pediu perdão, e disse que foi esteve convencida durante muito tempo de que "tudo era pelo bem da sociedade e em prol de um futuro melhor" para o país.

Agora "que estou aqui e tenho outra forma de pensar e ver as coisas, hoje que estou plenamente convencida de que as armas não são a solução para o conflito que vive o país, hoje que não realizo, mas condeno os atos criminosos das Farc, os convido à reconciliação", disse.

As lições da Nova Zelândia - como reduzir drasticamente o estado e prosperar

Qualquer um que esteja a par das notícias sobre a crise financeira global está dolorosamente ciente de que o mundo como o conhecemos está rapidamente se desestabilizando. Dívidas insondáveis estão se acumulando como rachaduras numa geleira no verão.

As aflições da dívida europeia golpearam fortemente o euro e as ações dos países asiáticos. Os pagadores de imposto da zona do euro agora estão extremamente expostos ao crédito de alto risco — o que está levando pânico aos mercados mundiais —, já que os bancos estrangeiros portadores de títulos da dívida grega e portuguesa receberam uma intervenção de emergência do Banco Central Europeu para ajudá-los em suas posições. O executivo principal do Deutsche Bank disse que seriam necessários incríveis esforços por parte de Grécia para que sua dívida, algum dia, seja quitada por completo.

Diariamente, crescem os temores de que as medidas de austeridade que terão de ser implementadas pelos países problemáticos da zona do euro irão arruinar a recuperação e continuar produzindo manifestações violentas, como aquelas que estouraram em Atenas recentemente. Portugal, Itália, Grécia e Espanha foram agregados e alcunhados como PIGS, sobrecarregando e oprimindo a União Europeia, uma vez que suas dívidas soberanas incharam além do imaginável e os déficits governamentais já deixaram de ser factíveis. O euro caiu para seu menor valor em quatro anos em relação ao dólar, como se o dólar fosse uma moeda forte e confiável.

A Grã-Bretanha também está numa encruzilhada. Como seus líderes políticos não suportam a ideia de não gastar, eles simplesmente pararam de pensar nessa hipótese. Eles estão falsamente convencidos de que quaisquer cortes nos gastos públicos irão destruir os serviços públicos básicos daquele país e impedir que haja sequer o começo de qualquer recuperação econômica. Seus economistas entenderam tudo pelo avesso. A população britânica pode esperar uma tributação cada vez maior sob o jugo de uma burocracia coerciva e custosa, cujas políticas monetárias estão voltadas para servir ao estado e não aos cidadãos pagadores de impostos.

Os EUA, por sua vez, estão na mesma situação. As finanças da Grécia, de Portugal, da Itália, da Espanha e da Grã-Bretanha não são exemplos singulares. Os EUA simplesmente não podem jogar pedras na vidraça europeia quando se sabe que sua dívida nacional já atingiu 86% do PIB, praticamente no mesmo nível da espanhola. Estimativas do próprio governo — por meio Congressional Budget Office — trazem uma previsão soturna para os anos vindouros. Calcula-se que os déficits não cairão para menos de 3% do PIB sob as políticas de Obama; pior: começarão a crescer rapidamente após 2015. O orçamento proposto pela Casa Branca acrescentaria mais de $9,7 trilhões à dívida nacional americana ao longo da próxima década. O próprio Congressional Budget Office admite que a dívida será maior do que essa.

Essas dívidas infindáveis podem ser evitadas? É possível uma nação reverter sua situação trágica, sair do abismo e voltar a crescer?

Os políticos exigem que as pessoas passem a gastar mais. Economistas convencionais alertam que poupar em época de crise é o caminho mais curto para as ruínas. Estariam eles certos? Alguma nação já tentou não gastar? Uma já. Uma nação possui uma história bem documentada para nos contar. É plenamente possível ouvir sua história e aprender a como desviar do abismo antes da queda trágica.

Todos os países que hoje enfraquecidos pela dívida estatal podem aprender uma ou duzentas coisas com aquele pequeno país que fez o que hoje seria considerado impossível — a Nova Zelândia cortou o tamanho de seu coercivo, regulador e ferozmente tributário governo, e não apenas viveu para contar a história, como também prosperou após isso. Ao passo que o mundo caminha hoje para o que parece ser a engorda interminável de seus já obesos leviatãs, a Nova Zelândia tem uma história de como emagrecer acentuadamente o estado por meio de uma dieta saudável baseada na contenção fiscal. Isso aconteceu em meados da década de 1980, e sob um governo de esquerda. De uma hora para outra, a Nova Zelândia se livrou de seus parasitas e escancarou as portas da oportunidade para que produtores e empreendedores pudessem criar riquezas e aumentar a padrão de vida de todos os neozelandeses.

Com efeito, a Nova Zelândia operou sua mudança exatamente quando a população passou a demandá-la. Liderando o processo de redução do estado estava Maurice P. McTigue, ex-ministro do governo trabalhista eleito em 1984. A palestra educacional de McTigue foi generosamente reproduzida em partes, com permissão da Imprimus, o compilador de discursos da universidade Hillsdale. Essa cartilha do "como fazer" chama-se Reduzindo o Governo: Lições da Nova Zelândia.

O governo reformista da Nova Zelândia fez apenas duas perguntas básicas a cada uma de suas agências, secretarias e ministérios: O que você está fazendo? e O que você deveria estar fazendo? Ato contínuo, foi dito a cada órgão que ele deveria eliminar tudo aquilo que ele não deveria estar fazendo. Isso não parece algo muito sensato? Não parece muito claro?

'Parem de ficar cavando buracos apenas para serem enchidos novamente. Parem com a gastança.' Essa simples abordagem, franca e direta, reduziu o número de funcionários públicos no Ministério dos Transportes da Nova Zelândia de 5.600 para meros 53. Já o número de empregados parasitas no Ministério do Meio Ambiente caiu de 17.000 para apenas 17.

McTigue era ele próprio Ministro do Trabalho. Ele acabou sendo o único funcionário que restou quando o processo de corte eliminou 28.000 empregados. Como o próprio McTigue diz, quase tudo que o Ministério fazia era construção e engenharia — mas havia muitas pessoas que poderiam fazer tudo isso sem o envolvimento do governo.

Todos esses empregos foram extintos? Não. O que foi extinta foi a tributação do governo sobre cidadãos produtivos. A demanda por esses empregos continuou existindo. Empresas privadas, com muita satisfação, empregaram essa mão-de-obra capacitada. Trabalhando num setor privado agora menos onerado por impostos, cada empregado passou a ganhar três vezes mais e tornou-se 60% mais produtivo.

A reforma liberou para o setor privado aquelas atividades que o governo vinha fazendo sem que houvesse qualquer motivo para que ele as fizesse. A decisão da Nova Zelândia de sair do abismo do endividamento resultou em uma enorme venda de ativos estatais. Telecomunicações, empresas aéreas, esquemas de irrigação, serviços de informática, gráficas governamentais, empresas de seguro, bancos, ações, hipotecas, ferrovias, serviços de ônibus, hotéis, empresas de navegação, serviços de assessoramento agrícola, e muito mais foram vendidos. A produtividade disparou; os custos caíram.

Esse encolhimento do governo determinou que as agências governamentais remanescentes devessem ser geridas tendo o lucro como objetivo e pagando impostos como qualquer empresa privada. As reformas transformaram o sistema de controle de tráfego aéreo em uma empresa autônoma, cujos objetivos eram obter uma taxa de retorno aceitável e pagar impostos. Mais ainda: ficou determinado que ela não receberia qualquer capital de seu proprietário (o governo). Essa mesma reforma foi estendida para outras 35 agências — agências que até então custavam ao setor produtivo um bilhão de dólares por ano passaram a produzir um bilhão de dólares por ano em receitas e tributos.

A instituição de altos níveis de transparência foi prometida e de fato cumprida na Nova Zelândia. As consequências da incompetência administrativa do governo, ao invés de pacotes de socorro, geraram o seguinte: o tamanho do governo foi reduzido em 66%, medido pelo número de funcionários públicos; a fatia do governo no PIB, que era de 44%, caiu para 27%; o governo passou a produzir superávits orçamentários; estes foram utilizados para saldar a dívida; a dívida, que estavam em 63% do PIB (nos EUA, a cifra está em 86%; no Brasil, a dívida bruta está em 66%), caiu para 17%; o que sobrava do superávit de cada ano era compensado pela redução de impostos; o imposto de renda foi reduzido pela metade e vários impostos indiretos foram eliminados.

Como o próprio McTigue escreveu:

É preciso reconhecer que o principal problema com os subsídios é que eles tornam as pessoas dependentes; e quando você torna as pessoas dependentes, elas perdem sua criatividade e toda sua capacidade de inovação, tornando-se ainda mais dependentes. As reformas acabaram com todos os subsídios que o governo dava aos criadores de ovelhas da Nova Zelândia. Tal processo alterou a posição desses fazendeiros: antes, 44% de sua renda vinha dos subsídios do governo; depois, zero. Em 1984, o mercado de cordeiros estava em $12,50 por carcaça. Já em 1989, produzindo um produto diferente, processado de maneira diferente, e sendo vendido para mercados diferentes, o preço já estava em $30. Em 1991, o produto já estava valendo $42; em 1994, $74; e em 1999, já valia $115.

O encolhimento do governo obrigou a indústria de ovelhas da Nova Zelândia a ir ao mercado encontrar pessoas dispostas a pagar preços mais altos por seu produto. Essa reforma fez com que apenas 0,75% dos empreendimentos agropecuários apresentassem prejuízos e quebrassem — e essas eram pessoas que sequer deveriam estar no ramo. Ao invés de uma expansão na agropecuária corporativa, foi a agropecuária familiar que se expandiu. Todos viraram empreendedores. A liberdade demonstrou que, quando você dá às pessoas a opção de serem criativas e inovadoras, elas encontram soluções.

Com uma visão diferenciada sobre a função do governo, a Nova Zelândia eliminou todo o Ministério da Educação. Cada escola passou a ser administrada por um conselho de gestores eleitos pelos pais das crianças daquela escola, e por ninguém mais. Sob esse novo método, cada escola passou a receber dinheiro de acordo com o número de estudantes matriculados nela, sem impor condições especiais. Todas as escolas foram convertidas a esse sistema no mesmo dia. Escolas privadas passaram a ser financiadas da mesma maneira. Repentinamente os professores perceberam que, se eles perdessem alunos, perdiam o financiamento; e se eles perdessem o financiamento, perderiam seus empregos. O nível educacional da Nova Zelândia, que até então era 15% inferior ao de seus pares internacionais, tornou-se 15% superior.

O governo reformista da Nova Zelândia decidiu também que fornecer serviços sociais para tentar alterar comportamentos não era algo exequível dentro de um sistema tributário racional. Ato contínuo, eles escolheram apenas dois métodos de obter receitas — um reduzido imposto sobre a renda e um imposto "flat" sobre o consumo. E só. Todas as outras formas de tributação foram eliminadas. Ponto.

Os responsáveis pela desregulamentação reescreveram os estatutos sobre os quais se baseavam todas as regulações. Todas as leis ambientais, códigos tributários, decretos agrícolas, leis sobre saúde e segurança ocupacional — todos os calhamaços, cada um deles. Leis que tinham mais de 60 cm de espessura foram reduzidas a meras cem páginas. Novos estatutos revogaram todos os antigos. O objetivo era apenas criar o melhor ambiente possível para que a indústria pudesse prosperar.

E, ao que tudo indica, as indústrias prosperaram. Em vários lugares é possível ver anúncios vigorosos sobre a Nova Zelândia. "A Nova Zelândia é hoje uma usina geradora de empreendedorismo" é parte de um dos convites para que as pessoas invistam e morem lá.

Alegações de que o país "está na melhor posição para lidar com a tempestade global", "é o primeiro no ranking dos menos corruptos", "é a quinta economia mais livre do mundo", e "é o primeiro do mundo na proteção aos investidores" — tudo isso mostra um grande e jubiloso grito de mercados e pessoas que conseguiram sair do precipício por conta própria.

A Nova Zelândia disse não ao endividamento. Alguém vai imitar?

Floy Lilley é membro adjunto do corpo docente do Mises Institute. Ela já ocupou a cátedra de Livre Iniciativa da Universidade do Texas, em Austin, e já foi advogada no Texas e na Flórida.


INSTITUTO LUDWIG VON MISSES BRASIL

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Reincidência

A Óbvia Origem do Pó

Por que não lamentar a situação da British Petroleum?

Após a explosão da plataforma de petróleo da British Petroleum no início desse mês, os ambientalistas, previsivelmente, ficaram histéricos, e, como de praxe, se aproveitaram daquele infeliz acontecimento para malhar uma empresa privada e debulhar lágrimas acerca do sofrimento do "ecossistema" — sistema esse que, miraculosamente, conseguiu sobreviver e prosperar após um incidente bastante semelhante ocorrido há 21 anos com a Exxon Valdez.

Entretanto, essa tragédia da BP foi muito pior do que a da Exxon. Onze pessoas morreram. As ações da BP sofreram um golpe. Enquanto estiver havendo vazamento, a empresa estará perdendo de 5 a 10 mil barris por dia.

A BP será a responsável pelos custos da limpeza, os quais excederão em muito a penalização imposta pelo governo americano, de US$ 75 milhões. As relações públicas da empresa terão pesadelos pra mais de uma década. No final, os custos totais podem chegar a US$ 100 bilhões, praticamente quebrando a empresa e vários outros negócios a ela relacionados.

Já deveria estar óbvio que a BP é, de longe, a principal vítima do desastre, mas ainda não foi visto uma única demonstração de pesar em relação à empresa e às suas perdas. Toda a preocupação quanto à explosão e ao derramamento de petróleo no Golfo do México não está voltada para os 11 mortos e para as 11 famílias devastadas, tampouco para a enorme perda econômica trazida pelo fato de agora haver menos petróleo para as pessoas; toda a comoção está voltada para algum possível peixe ou pássaro que morreu, ou para a deusa-água que foi ofendida. Petróleo é algo natural, orgânico e biodegradável — se me permitem utilizar um linguajar verde —, e irá sumir.

Com efeito, como mostra essa notícia, cientistas afirmam que um terço do petróleo já evaporou para a atmosfera (onde ele ficará tão disperso a ponto de não gerar qualquer efeito notável). Mais ainda: "praticamente todo" o elemento tóxico do petróleo (benzeno) também já terá evaporado nos próximos dias. Algumas gotas poderão chegar ao litoral do estado da Louisiana, mas o que restar irá aparentemente afundar até o leito do mar e se tornar parte da sedimentação. E fim do grande desastre.

Entretanto, isso não importa. O que vale são as palavras de ódio contra a BP, que vão além do crível. O popular site esquerdista The DailyKos resume o sentimento: "BP: vão se f..". O governo Obama, por meio de seu porta-voz Robert Gibbs, disse que o governo pretende "manter as botas sobre o pescoço da BP."

Mas voltemos para a realidade. O incidente é uma tragédia para a BP e para todas as empreiteiras envolvidas. Provavelmente arruinará a empresa — empresa essa que há muito fornece o combustível que impulsiona nossos carros, energiza nossas indústrias e possibilita a nossa vida moderna. A ideia de que a BP deveria ser odiada e denunciada é ridícula, absurda e afrontosa; há todos os motivos do mundo para expressarmos grande tristeza pelo ocorrido.

A histeria dos ambientalistas dá a entender que a BP fez tudo de propósito, como se ela lucrasse com esse vazamento de petróleo ou como se ela apenas se deleitasse em derramar todo o seu precioso líquido no oceano. É óbvio que a BP não tem absolutamente nada a ganhar com isso. A lógica do mercado indica que a empresa tem todo o interesse de impedir que esse tipo de acidente ocorra — e não apenas pelo desejo de cumprir com as regulamentações ambientais, mas simplesmente porque seria uma boa prática de negócios, boa para a imagem da empresa, bom para seus acionistas.

Em contraste com aqueles que choraram pelo desastre, vale perguntar quem ficou feliz por ele:

1) os ambientalistas, que agora podem praticar sua exímia arte de incitar o medo e o ódio à vida moderna, e

2) o governo americano, que trata todos os produtores capitalistas como pássaros a serem depenados.

Os ambientalistas ficaram excitados porque ganharam outra chance de chorar e lamentar os infortúnios e o sofrimento de seus amados pântanos, charcos e outras supostamente sensíveis superfícies terrestres. A perda de peixes e de parte da vida marinha é triste, mas não é algo definitivo: após o desastre da Exxon Valdez, a pesca tornou-se melhor do que nunca em apenas um ano.

A principal vantagem para os ambientalistas é toda a propaganda da vitória que eles poderão fazer, tendo agora outra chance de deblaterar contra os malefícios das petrolíferas e da perfuração dos oceanos. Se essa gente obtiver êxito, os preços do petróleo iriam duplicar ou triplicar, jamais outra refinaria seria construída e toda a perfuração dos oceanos seria interrompida em nome da "proteção" de coisas que não trazem aos seres humanos um único benefício.

A principal questão econômica envolvendo o meio ambiente deve estar centrada na imputabilidade. Em um mundo onde há propriedade privada e direitos de propriedade bem definidos, se você sujar, manchar ou poluir a propriedade de terceiros, você será responsabilizado e penalizado. Mas o que ocorre em um mundo no qual o governo é o dono de várias terras, e os oceanos são considerados sem donos, propriedade comum a todos? Nesse cenário, torna-se extremamente difícil avaliar danos ao ambiente.

Há também um enorme problema com os limites que o governo federal impõe à imputabilidade. Hoje, a multa máxima é de US$ 75 milhões. Isso é o planejamento central levado ao paroxismo. A imputabilidade para danos ambientais deveria ser de 100% no mínimo. Tal sistema de punição iria compatibilizar as políticas da empresa ao risco real de ela causar danos a terceiros. Limites mais baixos inspiram as empresas a serem menos preocupadas do que deveriam com danos a terceiros, da mesma forma que uma empresa que tem a garantia de que será salva com pacotes de resgate do governo tem incentivos para ser menos eficiente do que seria em um livre mercado.

Porém, tal regra de imputabilidade presume que haja direitos de propriedade bem definidos, de modo que os proprietários possam entrar a acordos e negociações justas, e possa haver algum teste objetivo. Não há um teste objetivo quando os oceanos são propriedade coletiva e enormes extensões territoriais são propriedade do governo.

E é exatamente o governo americano e a administração Obama que ganham com esse incidente. Os reguladores ganham ainda mais verbas e podem posar de salvadores. A burocracia já enviou milhares de pessoas para "salvar" a região. "Cada americano afetado pelo derramamento de petróleo deveria saber disso: seu governo fará o que for preciso, pelo tempo necessário, para impedir essa crise", disse Obama.

Será que realmente devemos acreditar que o governo é melhor para lidar com esse desastre do que a indústria privada?

Enquanto isso, a administração Obama deve estar vibrando com a chance de poder mudar o foco do noticiário. Assim as pessoas deixam de perceber diariamente que o pacote de estímulo econômico foi um inacreditável fracasso, com o desemprego estando maior hoje do que há um ano e a depressão ainda em evidência.

Aliás, por que é que sempre que ocorre um desastre natural a mídia keynesiana o glorifica por ao menos trazer o benefício do efeito economicamente estimulante da reconstrução, porém nada foi dito dessa vez sobre o derramamento de petróleo? Pelo menos nesse caso, as perdas parecem estar sendo vistas como perdas de fato.

A abstração chamada "ecossistema" — a qual parece nunca incluir a humanidade ou a civilização — fez muito menos por nós do que a indústria petrolífera e as fábricas, os aviões, os trens e os automóveis que ela abastece. A maior tragédia de todas ocorreu com a BP e com suas subsidiárias, e com as outras empresas privadas afetadas por esses prejuízos que ninguém tencionou. Se o resultado for uma interrupção nas prospecções de petróleo e regulamentações adicionais sobre a indústria, estaremos permitindo que o vazamento de petróleo tenha sido o vencedor.

Lew Rockwell é o presidente do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


INSTITUTO LUDWIG VON MISSES BRASIL

Lula, autêntico liberal e falso profeta


O Globo - 28/05/2010


Ao final de oito anos de mandato, Luiz Inácio Lula da Silva deixará a Presidência do Brasil em dezembro. Contra todos os prognósticos que asseguravam que Lula levaria o Brasil à completa prostração e ruína, este presidente deixa um legado substantivo na política, na economia e na diplomacia. Para muitos, Lula simboliza o triunfo do socialismo moderno, da denominada Terceira Via, que rechaça os postulados do liberalismo comunista. Alguns, como meu amigo e professor Enrique Ayala, sustentam que Lula manteve uma postura socialista por sua radical luta contra a pobreza. Contrariando essa visão, sustento que Lula é um autêntico liberal na política e na economia e que dificilmente poderíamos encontrar na História do Brasil um presidente mais favorável ao mercado e ao setor privado. O caso de Lula reforça a teoria de que a Terceira Via não é mais que uma ficção e que ao final prevalece a dicotomia mercado-planejamento, com todas suas variáveis.

O liberalismo político, desde os tempos de seus fundadores - Locke, Montesquieu e outros--, significa "império da lei", Estado constitucional e liberdade política. Historicamente, é o único sistema, ideologia, práxis, engenharia ou como queiramos chamá-lo, que tem passado da teoria à prática sem traições nem capitulações. Lula reforçou os elementos do liberalismo político no Brasil respeitando o Estado constitucional garantidor, a independência de poderes, particularmente dos juízes, e elevou a segurança jurídica ao nível de valor social incontestado. Muito dificilmente poderia um liberal ortodoxo fazer melhor nesta área.

Na economia, Lula tem sido um dos defensores mais vigorosos da economia de mercado. Em uma entrevista recente realizada por Juan Luis Cebrián, do "El País" (Espanha), Lula afirma haver construído um capitalismo moderno que, na sua visão, representa o passo prévio ao socialismo. Ninguém levaria muito a sério esta teoria. O correto é que Lula acertou ao prosseguir e aprofundar as políticas econômicas do seu predecessor, o "neoliberal" Fernando Henrique Cardoso, e dessa forma conseguiu acumular êxitos maiúsculos: o nível de pobreza caiu de 46% em 1990 para 26% em 2008; a dívida externa declinou para 4% do PIB; as exportações se multiplicaram em 500%.

No plano internacional, Lula tem sido tudo, menos um democrata e defensor dos direitos humanos. Em nome do socialismo, tem justificado os atropelos e abusos de regimes como os de Cuba, Venezuela ou Irã descompromissados com a sorte de seus povos. Lula tem sido um no Brasil e outro muito diferente fora do país. Essa dupla moral é incompatível com o perfil de um autêntico líder e claramente debilita seu legado histórico.

Rosinha Garotinho tem mandato cassado pelo TRE e punição é estendida ao marido


O Estado de S.Paulo


Atual prefeita da cidade de Campos dos Goytacazes, a ex-governadora do Rio de Janeiro Rosinha Garotinho (PMDB) teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), acusada de abuso de poder econômico durante a campanha nas eleições de 2008. Ela também ficou inelegível por três anos.

A punição foi estendida ao marido de Rosinha, o pré-candidato do PR ao governo estadual, Anthony Garotinho (foto). O TRE-RJ julgou que a prefeita de Campos foi beneficiada pelas práticas panfletárias da rádio e do jornal O Diário - que teve três dos seus comunicadores também punidos. Como Rosinha obteve mais de 50% dos votos, o tribunal convocou novas eleições para o município. A decisão ainda pode ser revertida em recurso com efeito suspensivo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por meio de sua assessoria de imprensa, Garotinho informou que ainda está analisando a decisão do TRE e avaliando com seus advogados como deverá apresentar recurso ao TSE. A assessoria da Prefeitura de Campos dos Goytacazes informou que a prefeita Rosinha ainda não se manifestou sobre o caso.

Pacto com Irã deixa mundo perigoso


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deixou claro ontem que o Irã está azedando a relação entre Brasil e EUA. "Certamente temos uma divergência muito séria em relação à diplomacia do Brasil com o Irã", disse Hillary. Segundo ela, o caminho pregado pelo Brasil, de prolongar negociações em vez de aplicar sanções pela ONU, "deixa o mundo mais perigoso".

"Já dissemos ao presidente Lula e ao chanceler Celso Amorim que fazer o Irã ganhar tempo deixa o mundo mais perigoso, não menos", declarou ao ser indagada sobre o tema num evento do Instituto Brookings. Foi a mais dura e direta declaração sobre o assunto até agora.

Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã, pelo qual Teerã se compromete a enviar 1.200 quilos de seu urânio para o a Turquia, de onde o combustível seria enviado para ser enriquecido na Rússia e França. O acordo foi rejeitado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança, que, liderados pelos EUA, anunciaram um consenso para aplicar nova rodada de sanções contra o Irã.

Armadilha. Segundo os EUA, o grande problema é que o Irã afirmou que vai continuar enriquecendo urânio a 20% mesmo com o acordo. A Casa Branca afirma que o acordo Brasil-Turquia-Irã foi apenas uma tentativa de Teerã de evitar as sanções.

Já o Itamaraty divulgou uma carta enviada por Barack Obama a Lula em 20 de abril, na qual o líder americano demonstra apoio ao acordo de troca de combustível. Dentro do governo brasileiro, há a sensação de que a Casa Branca fica "mudando de lugar as traves do gol", ou seja, estabelecendo objetivos cada vem mais difíceis de alcançar.

Na sessão de perguntas e respostas, Maurício Cárdenas, colombiano que é diretor da área de América Latina do Instituto Brookings, perguntou à secretária de Estado: "Gostaria de ouvir a opinião da senhora sobre a mudança do Brasil; tenho a impressão de que, no início, o Brasil era visto pelos EUA como parte da solução para lidar com divisões na região e no mundo; e, agora, é visto como parte do problema."

Hillary começou a falar em tom conciliador, diante de uma plateia de vários diplomatas, analistas e formadores de opinião. "Eu vejo o Brasil como parte da solução, um país com recursos extraordinários que pode usar para resolver problemas no hemisfério e, cada vez mais, além", disse Hillary.

Ela ressaltou o papel positivo do Brasil na estabilização do Haiti após o terremoto de janeiro e na cúpula do clima em Copenhague. "Mas nós discordamos deles, e vamos insistir, vamos dizer que os iranianos estão usando os brasileiros."

No relatório sobre a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgado ontem (mais informações na página A13), o governo americano não vê o Brasil como participante do bloco Bric. Todas as vezes o documento se refere a Índia, Rússia e China, e não junta o Brasil ao grupo. China, Rússia e Índia são chamados de "centros de influência do século 21". O Brasil é classificado apenas como "nação cada vez mais influente" - mesmo grupo de Indonésia e África do Sul.

PONTOS-CHAVE

TNP

EUA esperam que Brasil assine o protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação. Brasília rejeita firmar adendo até que países nucleares cumpram seus compromissos

Cuba

Governo brasileiro diz que o

embargo não tem mais sentido. Para levantar a medida, a Casa Branca insiste que a ilha deve mostrar progressos em

direitos humanos e democracia

Honduras

EUA condenaram o golpe, mas aceitaram a eleição de Porfírio Lobo como presidente, que não teve reconhecimento do Brasil - abrigou o deposto Manuel

Zelaya (foto) em sua embaixada

Irã

Brasil opõe-se às sanções contra o Irã por considerar que são ineficazes e podem intensificar o conflito. O governo americano tenta aprovar na ONU a quarta rodada de sanções



Estadão

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Até que enfim uma frase sensata!


O ex-presidente Itamar Franco disse nesta quinta-feira que vai apoiar José Serra (PSDB) na disputa à Presidência porque ele é o candidato escolhido pelo seu partido, o PPS. Itamar, no entanto, criticou o tucano pelos elogios que ele tem feito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Ele não tem que elogiar o presidente Lula. Se não quer falar mal do presidente Lula, fica quieto. Mas se começa a elogiar muito o presidente Lula, eu que estou sentado lá falo: 'Uai, então para que eu vou mudar, se o próprio candidato da oposição está elogiando?'."

Possível candidato ao Senado em dobradinha com o ex-governador Aécio Neves (PSDB) por Minas Gerais, Itamar apoiou a posição do tucano mineiro de não ser vice de Serra.

Segundo ele, a presença de Aécio é fundamental em Minas para que eles possam reeleger o governador Antonio Anastasia. Itamar usou a figura de um beija-flor para dizer que Aécio não pode ficar eventualmente em Minas Gerais, tem que estar todo o tempo no Estado.

"O Beija-flor bica aqui, bica lá. Ele [Aécio] tem que se dedicar primeiro aqui, em Minas. Campanha de beija-flor ele pode fazer para o Serra em outro Estado, mas em Minas não, porque é fundamental a vitória do governador Anastasia, por tudo o que se fez aqui, sobretudo no sentido ético."




Folha online

Coreia do Norte rompe pacto de não agressão com Coreia do Sul


SEUL - A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira, 27, que desistiu de um pacto destinado a evitar confrontos armados com a Coreia do Sul na fronteira comum. O governo de Pyongyang também advertiu sobre um ataque imediato, caso Seul viole a disputada fronteira marítima do Mar Amarelo e repetiu ainda as ameaças de fechar um projeto industrial comum.

As declarações norte-coreanas são os últimos acontecimentos desde que a tensão entre os países vizinhos do leste asiático aumentou por conta do afundamento de um navio sul-coreano. Seul acusa Pyongyang de ter disparado contra a embarcação de guerra, mas o país comunista nega envolvimento no episódio, que deixou 46 marinheiros mortos em março.

O Exército da Coreia do Norte anunciou que estava desistindo de salvaguardas militares para os sul-coreanos que cruzarem a fronteira. Além disso Pyongyang, pretende considerar um bloqueio completo do acesso ao complexo industrial conjunto de Kaesong, que fica na parte norte-coreana da fronteira. Também repetiu a ameaça de atacar alto-falantes, se Seul mantiver seu plano de transmitir propaganda contra o regime do vizinho.

Cerca de 42 mil norte-coreanos trabalham em 110 fábricas sul-coreanas em Kaesong. O complexo foi desenvolvido como um símbolo da reconciliação. Um porta-voz do Ministério da Unificação disse que Seul está esperando para ver a atitude da Coreia do Norte sobre Kaesong.

Demonstração

A Coreia do Sul, porém, deu sua primeira demonstração de força desde que a acusação contra Pyongyang foi feita formalmente. Em outro ponto do Mar Amarelo, a Marinha de Seul realizou um exercício a fim de evitar ataques com submarinos. Na capital sul-coreana, cerca de dez mil manifestantes gritaram "Matem nosso inimigo", em um protesto contra o vizinho.

Investigadores de cinco países disseram na semana passada que há provas fartas de que um ataque com um torpedo realizado por um submarino norte-coreano afundou o navio Cheonan, perto da fronteira marítima entre os dois países. Seul anunciou uma série de represálias, incluindo a paralisação do comércio bilateral. Pyongyang reagiu com uma retórica dura e anunciou que está cortando todos os laços com o vizinho.

Houve confrontos com mortes na fronteira em 1999 e 2002, além de um tiroteio em novembro passado. Os militares sul-coreanos acreditam que o naufrágio do navio foi uma vingança por esse tiroteio recente.

A Coreia do Sul e os EUA lançaram uma campanha diplomática para punir Pyongyang com sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A China, que tem interesses econômicos na Coreia do Norte, até agora não tem apoiado esse tipo de censura.

A Rússia, que junto com Pequim e Washington é um membro permanente e com poder de veto no CS, disse que enviaria especialistas a Seul para analisar as conclusões sobre o naufrágio. Pyongyang afirma que os sul-coreanos fraudaram provas sobre sua suposta participação.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O espectro do Estado policial paira sobre nós


O Estado de S. Paulo - 26/05/2010

Na semana passada, este jornal noticiou o fim da negociação de dois anos que terminou com a autorização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a Polícia Federal (PF) empregar uma avançada tecnologia de escutas telefônicas, capaz de dispensar a intermediação das operadoras. O feito é comemorado como mais um notável triunfo da repressão do Estado brasileiro contra o crime organizado, pois tal método de investigação tem conseguido êxito no combate a essa terrível praga de nosso mundo contemporâneo. Será? Oxalá seja!


Em teoria, nada na adoção do Sistema de Interceptação de Sinais (SIS) - que permite a redução de entraves burocráticos, pois os pedidos dos procuradores e dos policiais encarregados da investigação passarão a ser feitos em tempo real diretamente aos juízes, ao contrário do que ocorre hoje - prejudicará inocentes. Atualmente, um pedido de quebra de sigilo telefônico é encaminhado em papel ao juiz, que decide e, caso concorde, encaminha a autorização também por escrito. O documento é entregue à operadora de telefonia, que tem acesso aos dados da movimentação do número do telefone a ser investigado. E esta submete a determinação judicial a seu Departamento Jurídico antes de cumprir a ordem. Nada impede que funcionários da operadora compartilhem as informações trocadas na linha investigada. O aparelho do SIS, acoplado à central telefônica, desviará um canal de áudio para o computador de interceptação da polícia, que passará a acompanhar as conversas mantidas naquela linha. Em princípio, pode até ser benéfico que, quando o sistema for adotado, as operadoras nem sequer saibam quais números sob sua administração são interceptados pela polícia. Do ponto de vista do direito do cidadão ao sigilo telefônico, uma das garantias constitucionais que asseguram o funcionamento de um autêntico Estado Democrático de Direito, nada há a obstar, pois será mantida a necessidade de uma ordem judicial para a escuta ser realizada.

Mas fica no ar a constatação de que, como previu George Orwell em seu profético romance 1984, o avanço tecnológico favorece mais a xeretice do Estado policial do que o direito à privacidade da cidadania. O SIS deverá eliminar a intervenção indesejável das operadoras de telefonia, mas em nada ajudará algum inocente a evitar a intolerável invasão de sua vida particular por agentes do Estado. Se mesmo com os obstáculos adicionados pela teoricamente nociva burocracia se cometem excessos notórios em muitos pedidos feitos pela Promotoria ou por policiais, e assinados sem leitura muito atenta por juízes, o que pode levar a crer que a cibernética seja capaz de proteger cidadãos indefesos da bisbilhotice indevida de agentes do Estado, nem sempre dotados de boas intenções? Ou, ainda nesse caso, nem sempre com justas razões.

É possível argumentar que a invasão da privacidade do cidadão comum que não tiver pendências com o aparelho encarregado de exercer a força legítima para investigar e encaminhar a punição de quem desobedeça à lei não é atributo exclusivo da autoridade policial. Graças à informática, um burocrata do Banco Central ou um fiscal da Receita Federal já pode devassar a conta bancária nada secreta de cada um de nós. Alguém procurado por qualquer motivo pode ser localizado com exatidão em poucos segundos em qualquer lugar do planeta, bastando que recorra ao prosaico expediente de tirar dinheiro numa caixa de banco ou de pagar a conta numa loja com cartão de crédito. Isso é verdadeiro, mas não justifica que a aquisição de um sistema de ponta, que dispensa a burocracia em escutas telefônicas, não venha obrigatoriamente acompanhada de medidas capazes de garantir a segurança de quem não pratique delitos capazes de expô-lo à vigilância de agentes da lei.

No caso em tela, o CNJ deveria condicionar a utilização do SIS à observação redobrada sobre as autorizações dadas pelos juízes para o emprego da escuta telefônica. E a PF teria de obter a permissão de utilizá-lo desde que passasse por uma vasta e profunda reforma em seus métodos. O espectro do Estado policial, mesmo numa democracia que tem passado por testes importantes, caso da nossa, só deixará de pairar sobre a cabeça limpa dos brasileiros sem culpa se houver a garantia de que as autorizações judiciais serão dadas após exame rigoroso do pedido de quem investiga. E de que este não tenha nenhuma outra motivação que não seja a alegação dada para sua demanda: a devassa da vida oculta de um malfeitor.

Não parece racional exigir que só se utilize tecnologia de ponta contra o crime organizado quando a Justiça deixar de ser lerda e a corrupção deixar de contaminar os atos da polícia. E havemos de convir que não se trata apenas disso. Há sérias dúvidas quanto à unidade do comando da PF e essa dispersão de chefias, que parece conduzir um tentáculo tão importante de garantia da obediência à lei, desperta receios sobre o uso do SIS apenas para o bem. A recente instrumentalização do Ministério Público e da própria magistratura para atendimento a tendências ideológicas deixa em alerta qualquer democrata que teme abusos do emprego da força estatal contra os direitos elementares da cidadania. A PF, que tem sido pródiga em operações espetaculares, tem encontrado dificuldades para agir contra suspeitos com padrinhos fortes na "República petista". Waldomiro Diniz, que foi o faz-tudo da Casa Civil à época de José Dirceu, conseguiu escapar das acusações que lhe pesavam nas costas, apesar de réu confesso e ter sido pilhado em flagrante delito.

É o CNJ um dos raros bastiões dos direitos pessoais a conter a fúria que o Estado tem, pela própria natureza, de se intrometer na sagrada vida alheia e de tentar impor a vontade de quem pode e manda sobre quem tem juízo e obedece. E o Executivo contribuirá muito se dotar a PF de um comando unitário e permitir que cumpra seu dever de forma isenta, sem interferir nem influir em seus atos de rotina.