sábado, 31 de julho de 2010

Colômbia nega querer atacar a Venezuela

Hugo Chávez mobilizou tropas alegando risco de ataque colombiano. Governo de Alvaro Uribe diz que venezuelano engana sua própria nação.

O governo do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, negou neste sábado que pretenda lançar um ataque militar contra a Venezuela, como havia denunciado o presidente do país vizinho, Hugo Chávez.

"A Colômbia jamais pensou em atacar ao povo irmão da República Bolivariana da Venezuela, como disse o presidente desse país em um claro engano a sua própria nação", enfatizou um comunicado oficial lido pelo Secretário de Imprensa do Executivo colombiano, César Velásquez.

O porta-voz acrescentou ainda que a Colômbia apelou aos canais de direito internacional "e seguirá insistindo nesses mecanismos para que sejam adotados os instrumentos que façam com que o governo venezuelano cumpra com a obrigação de não abrigar terroristas colombianos".

Mobilização na Venezuela
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, informou nesta sexta-feira (30) que enviou unidades militares - aéreas e de infantaria - para a fronteira com a Colômbia, porque o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é "capaz de qualquer coisa".

"Mobilizamos unidades militares, aéreas (...), de infantaria, mas em silêncio porque não queremos alterar ninguém, a população", disse Chávez em entrevista à televisão estatal VTV, sem dar detalhes sobre os efetivos enviados à zona de fronteira.

"Uribe é capaz de qualquer coisa nestes dias que lhe restam (de governo). Isto se tornou uma ameaça de guerra, mas nós não queremos a guerra", acrescentou Chávez, que na semana passada rompeu relações com a Colômbia, após Bogotá denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a presença de mais de 1.500 guerrilheiros colombianos no território da Venezuela.

O presidente venezuelano revelou ainda que um helicóptero colombiano violou na quinta-feira o espaço aéreo da Venezuela, durante 5 minutos, na zona de fronteira dos Estados de Zulia e Táchira.

Sobre a presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela, Chávez garantiu que não há qualquer rebelde, mas admitiu que "paramilitares" operam no lado venezuelano da fronteira. "São paramilitares e não guerrilheiros" procedentes da Colômbia.

Denúncia
Uribe defendeu na sexta-feira (30) sua posição ao afirmar que "é preciso ter ousadia para denunciar internacionalmente os terroristas". "Há que ter ousadia para respeitar a comunidade internacional, ser franco para apresentar nossas queixas".

O presidente colombiano entrega o poder no próximo dia 7 de agosto a seu ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos.

Pouco tempo depois das declarações de Chávez sobre a mobilização de tropas, o governo colombiano comunicou o início das operações, neste sábado, de uma base militar encarregada de vigiar o espaço aéreo na fronteira com a Venezuela e combater as guerrilhas das Farc e ELN na região.

A base está situada em Yopal, capital do departamento de Casanare, e será inaugurada pessoalmente pelo presidente Álvaro Uribe, anunciou a Força Aérea Colombiana (FAC).

"Esta unidade abrange os departamentos de Arauca (fronteira com Venezuela) e Casanare, sobre uma área total de 69.000 km2, e contará com aeronaves de transporte, inteligência e combate", incluindo aviões e helicópteros.

A base dará proteção aérea à infra-estrutura petroleira nesta região do país, e auxiliará no combate "aos diferentes grupos narcoterroristas que agem nesta parte do território colombiano, como as Frentes 28, 45 e 10 das Farc, e as quadrilhas de José David Suárez e Adonai Ardila Pinilla, do ELN".


G1

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Em vídeo, Farc propõem diálogo a presidente eleito da Colômbia


O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, propôs o diálogo ao presidente eleito do país, Juan Manuel Santos, que assume o cargo no próximo dia 7.

Em um vídeo datado de julho de 2010, divulgado pela revista Resistência, uma publicação ligada às Farc, o chefe guerrilheiro diz estar empenhado por uma saída política para o conflito armado no país, que já dura quase cinco décadas.

"O que estamos propondo hoje, mais uma vez, é que conversemos. Seguimos empenhados em buscar saídas políticas. Queremos que o governo reflita e não engane mais o país", disse Cano, que assumiu o comando do grupo em 2008 após a morte de Manuel Marulanda Velez, que fundou a guerrilha em 1966.

Cano propôs ainda debater a assinatura de um acordo militar com os EUA, que permite que os americanos controlem sete bases em território colombiano, além de discutir temas como direitos humanos e a questão dos prisioneiros de guerra.

Santos foi ministro da Defesa do atual presidente, Alvaro Uribe, e comando uma série de reveses às Farc, como a libertação da refém Ingrid Betancourt e o ataque que matou o número 2 da guerrilha, Raúl Reyes, no Equador, em 2008.

Na semana passada, o governo Uribe apresentou na Organização dos Estados Americanos (OEA) indícios de que guerrilheiros das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) tem acampamentos na Venezuela.






Pelo fim da aberração da Copa 2014


Foram necessárias apenas duas horas e meia para que um designer norte-americano que mora em Nova Jersey e se auto-rotula como “um texano teimoso” e “futboler” criasse uma nova versão do logo da Copa de 2014. Felix Sockwell publicou em seu blog que pretende vir ao Brasil para a Copa do Mundo com seu vizinho Marco, mas que o nosso logo oficial é um pesadelo.

Fã da seleção canarinho e companheiro de bola de brasileiros, Sockwell disse ao UOL Esporte que “o Brasil não respeita os bons designers gráficos”. “Quando os Estados Unidos sediaram a Copa de 1994, contrataram Woody Pirtle, da Pentagram, para criar o design. E adivinhem... Foi excelente. Ainda é o maior registro de vendas numa Copa do Mundo”, destacou.

Em tom bem-humorado, o diretor de arte – que acumula experiência em grandes agências de publicidade como DDB, The Richards Group e Ogilvy – mapeou os pontos críticos da marca oficial da Copa de 2014, que tantas polêmicas tem motivado desde que foi lançada. Para ele, a ideia parece “OK”, já a execução é gravemente deficiente e as proporções do troféu não foram corretamente elaboradas.

Sockwell afirma que esteticamente as mãos do desenho não parecem humanas, que mais lembram a forma de sapos. Além disso, ele argumenta que o fato de os dedos estarem grudados pode gerar problemas de impressão em tamanhos menores.

Sobre o “2014” inserido no logo, questiona: “Os números aqui? Por quê? E por que em vermelho?” Ele ressalta que seria melhor empregar apenas duas ou três cores, e não adicionar uma quarta. “O Brasil é verde, azul e amarelo. Tirem o vermelho.”

As graduações de cor (tons entre verde e amarelo no topo da taça) também são desnecessárias, na sua opinião: “Gradientes não produzem bem em uma cor, especialmente sobre pano, couro e superfícies ásperas. É melhor mantê-las [as tonalidades] simples.” Segundo o designer, quanto mais simples, mais se enfatiza o aspecto tridimensional.

Outra falha apontada pelo norte-americano se refere aos símbolos de “Registrada” e “Copyright” (identificados pelas letras R e C), que poderiam ser substituídos apenas por “Trademarked” (TM) em tamanho menor.

“Quando você está projetando uma identidade visual, as pessoas gostam de saber como o desenho funcionaria em aplicações, composições diversas. Eu preferia uma versão que se utilizasse mais das cores e dos elementos da bandeira. A repetição cria força”, concluiu.

Ao UOL Esporte, Sockwell contou ainda que Estados Unidos, Red Bulls e Brasil são os seus times, e que considera Kaká um jogador exemplar. “Ele distribui bem a bola e cria situações. Alguns outros jogadores como Robinho e Luís [Fabiano] são bons individualmente.”

Ávido por conhecer o Rio de Janeiro, o designer crê que a Copa em solo brasileiro será diferente. “Não poderá ser pior do que na África do Sul. Todo mundo sabe que o Brasil ama futebol e vai respeitar os jogos.”

UOL

Confundindo o público e o privado


O Estado de S. Paulo - 30/07/2010

Senadores estão usando dinheiro do contribuinte para suas campanhas eleitorais. Cerca de 1.100 funcionários de gabinetes, pagos pelo Senado, estão em atividade nos Estados, nos escritórios políticos de candidatos. Dos 53 senadores em busca de votos, 33 ampliaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho deste ano e a maior parte desse pessoal foi mandada para fora de Brasília, para trabalhar junto às bases. Quem não contratou mais pessoal também transferiu servidores. Assim, senadores e outros políticos já dispõem, na prática, de financiamento público de campanha, embora por vias tortas. Essa distorção é possível porque os parlamentares não observam uma clara distinção entre suas funções públicas e seus interesses particulares.


Como as normas deixam espaço para a confusão, recursos do Tesouro acabam sendo usados pelos políticos tanto para o trabalho institucional quanto para os objetivos estritamente pessoais e partidários. Só em julho, segundo reportagem publicada no Estado, 53 assessores foram realocados para os "escritórios de apoio" de vários senadores, incluídos os candidatos Marcelo Crivella (PRB-RJ), Renan Calheiros (PMDB-AL), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS). Desde fevereiro, 175 foram transferidos.

Dois senadores por São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB), estão usando o trabalho de servidores do Senado em seus escritórios na capital paulista. Mercadante alega usar somente o serviço de um motorista de confiança, com ele há 20 anos, mas o jornal tem recebido material de campanha enviado por sua assessora de imprensa paga pelo Senado. O argumento da acumulação de funções parlamentares e da atividade de campanha é geralmente usado pelos candidatos.

A separação entre os campos talvez seja difícil em algumas circunstâncias, mas a diferença entre a função institucional e o trabalho político-eleitoral, incluída a maior parte dos contatos com as bases, não envolve nenhum mistério. Parlamentares federais e estaduais misturam as duas atividades não só quando transferem servidores para ajudar em campanhas. A promiscuidade é parte do dia a dia, ao longo de todo o mandato.

Escritórios políticos são mantidos nas cidades de origem, com verbas pagas como compensação por despesas no exercício da atividade parlamentar. O contribuinte custeia, portanto, funcionários, imóveis e meios de transporte usados para o atendimento de interesses privados.

É preciso insistir neste ponto, nem sempre lembrado pelos cidadãos: o cidadão só é agente público no exercício de uma função institucional. Isso vale para o parlamentar. Quando um senador ou deputado vai ao Butão em missão oficial, cabe ao Senado, isto é, ao Tesouro, custear as despesas de sua viagem. Quando ele sai a passeio ou para visitar sua base eleitoral, sua atividade é particular. Essa distinção foi esquecida, ou desprezada, quando parlamentares gastaram passagens de avião para turismo até no exterior ou para beneficiar parentes e amigos. Houve escândalo quando alguns críticos decidiram discutir o assunto.

A imprensa divulgou histórias assustadoras, parlamentares apresentaram justificativas grotescas e houve no Congresso um ensaio de moralização. Mas uma confusão semelhante ocorre no dia a dia, quando o político usa recursos públicos para servir a seus interesses partidários e eleitorais. Por definição, partidos são entes privados de direito público. É preciso prestar atenção aos dois adjetivos ? privado e público ? presentes nessa caracterização. A mesma qualificação vale para os detentores de funções nos órgãos da República.

Quem disputa uma eleição age em nome pessoal ou de um grupo, mas, em qualquer caso, representa interesses particulares de um indivíduo, de um sindicato, de um movimento ideológico, de um setor de atividade e, naturalmente, de um partido. A disputa eleitoral ocorre no espaço público e segundo regras públicas, mas os concorrentes são privados. Ao desprezar essa distinção, senadores e outros políticos privatizam bens públicos, apropriando-se de recursos bancados pelo contribuinte para outras finalidades. O eleitor é espoliado antes da posse dos eleitos.

Colombia proves again that Venezuela is harboring FARC terrorists


Friday, July 30, 2010

COLOMBIA'S PRESENTATION to the Organization of American States about Venezuela's hosting of the FARC terrorist movement prompted a flurry of speculation about the motives of Álvaro Uribe, Colombia's outgoing president. Why, it was asked, did he want to end his eight years in office in another confrontation with Venezuelan strongman Hugo Chávez? Could he be trying to sabotage his successor, Juan Manuel Santos, who is due to take office on Aug. 7?

Allow us to offer a simple explanation: Mr. Uribe, who has devoted his presidency to rescuing Colombia from armed gangs of both the left and the right, is deeply frustrated by Venezuela's continuing support for the FARC -- and by the failure of the international community to hold Mr. Chávez accountable for it. Before leaving office, Mr. Uribe felt compelled to make one more effort to call attention to a problem that, were it occurring in the Middle East, would surely be before the U.N. Security Council.

That Venezuela is backing a terrorist movement against a neighboring democratic government has been beyond dispute since at least 2008, when Colombia recovered laptops from a FARC camp in Ecuador containing extensive documentation of Mr. Chávez's political and material support.Colombia's presentation to the OAS last week contained fresher and more detailed intelligence. Ambassador Luis Alfonso Hoyos supplied precise map coordinates for several of the 75 FARC camps that he said had been established on Venezuelan territory and that harbor some 1,500 militants. He showed photos and videos, including one of a top commander from another Colombian terrorist organization, ELN, sipping Venezuelan beer on a popular Venezuelan beach.

Mr. Chávez responded with predictable bluster, breaking off relations with Bogota and threatening (not for the first time) to cease oil exports to the United States. Another crisis with Colombia probably benefits the caudillo, who is desperate to distract attention from his country's imploding economy and soaring violence.

Nevertheless, the question remains: Will other democracies support Colombia against this flagrant violation of international law? The Obama administration is characteristically lukewarm. The State Department, which has designated the FARC a terrorist organization, said it found Colombia's allegations "persuasive" but limited itself to supporting "a transparent international process" to investigate them. Perhaps more consequentially, one of the leading candidates in Brazil's presidential election campaign, José Serra, said "it is undeniable that Chávez is sheltering these FARC" militants. Under outgoing president Luiz Inácio Lula da Silva, Brazil has been one of Mr. Chávez's chief apologists and enablers. Were that support to be withdrawn, Mr. Chávez might have to rethink his terrorist alliance.


The Washington Post


PARA TRADUÇÃO CLICK AQUI

O FORO DE SÃO PAULO e os dias atuais


Segunda, 19 de Julho de 2010

Vivemos os últimos dias de 2007 e os primeiros de 2008 sob o signo do terror. Setores da imprensa do Brasil e do mundo se deixaram seduzir pela pauta dos bandidos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Co-estrelaram a farsa protagonizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que "libertou" duas reféns (há oitocentos!), os governos do conservador Nicolas Sarkozy, presidente da França, e do "progressista" Luiz Inácio Lula da Silva. Os maus herdeiros de Tocqueville (1805-1859), autor de Democracia na América, querem apenas resgatar do coração das trevas Ingrid Betancourt, uma cidadã que também tem nacionalidade francesa – e depois esquecer aquele canto amaldiçoado das... Américas. Já Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula e representante brasileiro na "negociação", estava lá como um utopista. Ele é fundador de uma entidade internacional chamada Foro de São Paulo, que tem como sócios tanto o PT como as Farc. Existe, portanto, uma entidade em que essas duas organizações são parceiras, companheiras e partilham objetivos comuns.

O tal Foro foi criado em 1990 por Lula e pelo ditador Fidel Castro. Reúne partidos e grupos de esquerda e extrema esquerda da América Latina. Era a resposta local ao fim do comunismo – a URSS seria oficialmente extinta no ano seguinte. Há dois anos e meio, no aniversário de quinze anos da entidade, a reunião dos "companheiros" se deu no Brasil. E Lula discursou para a turma. Não acredite em mim, mas nele. A íntegra de sua fala está no endereço oficial www.info.planalto.gov.br. Clique no terceiro item da coluna à esquerda, "Discursos e entrevistas", e depois faça a procura por data: está lá, no dia 2 de julho de 2005.

Em sua fala, o presidente brasileiro:

- exalta a atuação de Marco Aurélio Garcia no Foro: "O companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990";

- explicita as vinculações da organização com Chávez: "O Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos (...) a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela";

- canta as conquistas internacionais da patota: "E eu quero dizer para vocês que muito mais feliz eu fico quando tomo a informação, pelo Marco Aurélio ou pela imprensa, de que um companheiro do Foro de São Paulo foi eleito presidente da Assembléia, foi eleito prefeito de uma cidade, foi eleito deputado federal, senador (...)";

- expõe os tentáculos internos de que o Foro se serve: "Vejam que os companheiros do Movimento Sem-Terra fizeram uma grande passeata em Brasília. (...) A passeata do Movimento Sem-Terra terminou em festa, porque nós fizemos um acordo entre o governo e o Movimento Sem-Terra";

- e reafirma a marcha rumo ao poder no continente e, se der, fora dele: "Por isso, meus companheiros, minhas companheiras, saio daqui para Brasília com a consciência tranqüila de que esse filho nosso, de quinze anos de idade, chamado Foro de São Paulo, já adquiriu maturidade, já se transformou num adulto sábio. (...) Logo, logo, vamos ter que trazer os companheiros de países africanos para participarem do nosso movimento (...)."

Os petistas, como se vê, falam do Foro sem receio. Fizeram-no, por exemplo, no vídeo preparado para o 3º Congresso do partido, no fim de agosto e início de setembro do ano passado. Procure no YouTube. Parte do jornalismo brasileiro, no entanto, pretende que tratar do assunto é dar asas a uma fantasia paranóica. Eis uma prática antiga da esquerda. Ela sempre foi craque em ridicularizar a verdade, transformando-a numa caricatura, de modo que seus adversários intelectuais ou ideológicos não encontrem senão a solidão e o desamparo. Se você é do tipo que prefere anuir com o crime a ficar sozinho, acaba se comportando como um vapor barato do tráfico ideológico.

Já lembrei no blog a viagem que o escritor francês André Gide (1869-1951) fez à URSS em 1934, para participar do Primeiro Congresso dos Escritores. O evento era organizado por Jdanov, o poderoso ministro da Cultura. Intelectuais de todo o mundo estiveram lá. Só Gide denunciou o regime do ditador soviético Stalin (1879-1953), o que fez no livro Retour de l’URSS. Isso lhe valeu o ódio da esquerda internacional e uma espécie de ostracismo. André Malraux (1901-1976) foi um dos que silenciaram. Fez pior do que isso: afirmou que os Processos de Moscou, farsas jurídicas a que Stalin recorria para eliminar seus adversários (e até aliados), não maculavam a essência humanista do socialismo. De fato, o autor de A Condição Humana era um espião soviético. As esquerdas têm muitos heróis nascidos no solo fertilizado pelos cadáveres de seus adversários.

Posso ficar só, mas repudio o crime.

Malograda a primeira expedição de Chávez e dos "observadores" para resgatar os reféns das Farc, o Itamaraty divulgou uma nota no dia 1º de janeiro lamentando o desfecho e concluía: "O governo brasileiro reitera seu apoio ao processo de paz na Colômbia, assim como a disposição de aprofundar sua contribuição a iniciativas de fortalecimento do diálogo interno naquele país".

Traduzindo a linguagem diplomática: o Brasil reconhecia as Farc como "força beligerante" – uma reivindicação de Chávez –, e não como grupo terrorista.

No dia 14 de janeiro, em seu programa de rádio, foi a vez de o próprio Lula afirmar: "Na medida em que as Farc se dispõem a libertar dois reféns, ela está dando (sic) um sinal de que é possível libertar mais. Portanto, o apelo que eu faço é que o governo colombiano e o meu amigo, o presidente (Álvaro) Uribe, mais os dirigentes das Farc se coloquem de acordo para que se possa (sic) libertar mais pessoas que estão seqüestradas". Os terroristas, que recorrem a assassinatos e seqüestros e vivem da proteção que oferecem ao narcotráfico, eram, assim, reconhecidos como expressão política legítima – agora não apenas no Foro de São Paulo, mas no âmbito da diplomacia e do governo brasileiros.

Isso tudo é irrelevante? Não é, não. Já publiquei no blog a lista dos partidos e organizações que integram o Foro: além do PT, do PC do B e das Farc, estão, entre outros, o também colombiano Exército de Libertação Nacional, o Partido Comunista de Cuba, o Partido Comunista do Chile, o Partido Comunista da Bolívia (aliado de Evo Morales), o Partido Comunista da Venezuela (engolido por Chávez), a Frente Sandinista de Libertação Nacional e o PRD mexicano (Partido da Revolução Democrática), do arruaceiro López Obrador, aquele que não aceita perder eleições.

A recusa em condenar as Farc, a defesa incondicional do governo de Hugo Chávez na Venezuela, o apoio às pantomimas de Evo Morales na Bolívia – mesmo e especialmente quando ele contraria interesses brasileiros – e de Rafael Correa no Equador e as relações sempre especiais com a tirania cubana fazem parte do alinhamento do governo do PT com este "Comintern" (Internacional Comunista) cucaracho, o Foro de São Paulo.

Ah, não. Não haverá uma revolução comunista liderada pelos petistas. É mais lucrativo operar uma "revolução" na telefonia, não é mesmo? Condescender com a hipótese do levante é uma forma de fazer uma caricatura do que vai acima. O que estou afirmando, e isto é inconteste, é que existe uma organização na América Latina, chamada Foro de São Paulo, a que pertencem o PT e as Farc, que coonesta grupos e governos que optaram pelo terror, pela ditadura ou por ambos. O que essa gente faz é chantagear a democracia, cobrando muito caro por aquilo a que temos direito de graça. E isso se dá, como sempre, sob o silêncio cúmplice e medroso dos democratas.

E que se note: por motivos óbvios, os petistas são mais decentes quando silenciam sobre os crimes das Farc do que quando fingem indignação em entrevistas.


Fonte: www.diegocasagrande.com.br

www.endireitar.org

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Foro de São Paulo em Agosto próximo


Carta de Alejandro Peña Esclusa

do Blog Dois em Cena


O prisioneiro político Alejandro Peña Esclusa dá uma alerta a José Serra, relembrando atitudes de Lula que confirmam a aliança PT-Farc. Nivaldo Cordeiro, em vídeo, destaca que o PSDB deve abandonar sua histórica pusilanimidade em relação ao PT, ao MST, e à ascensão ao poder político do narcoterror na América Latina.


Senhor,

Dr. José Serra

Candidato à Presidência

República Federativa do Brasil.

Tenho o prazer de dirigir-me ao senhor, na oportunidade de respaldar plenamente suas recentes declarações públicas a respeito dos vínculos do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Hugo Chávez com as FARC.

O PT é o fundador e principal promotor do Foro de São Paulo (FSP), organização à qual pertencem as FARC desde o primeiro dia de sua criação, em julho de 1990, enquanto que Chávez inscreveu-se cinco anos mais tarde, em maio de 1995.

Embora o Secretário Geral do Foro de São Paulo, Valter Pomar, se empenhe em negá-lo, lhe asseguro que as FARC continuam pertencendo ao FSP até o dia de hoje. Sobre isso, há abundantes provas públicas.

Desejo chamar sua atenção sobre as declarações dadas pelo presidente Lula, líder máximo do PT, no passado 29 de abril de 2009 (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1101952-5602,00-LULA+SUGERE+AS+FARC+CRIAR+PARTIDO+PARA+CHEGAR+AO+PODER.html e http://www.unoamerica.org/unoPAG/noticia.php?id=377), nas quais propôs às FARC transformarem-se em partido político e participar em eleições, evitando dizer que se trata de um grupo terrorista que assassina, seqüestra, extorque e trafica drogas. Esta posição só é explicável pela afinidade ideológica que existe entre o PT e as FARC.

Quanto a Chávez, o senhor tem razão quando afirma que "até as árvores sabem" de seus nexos com as FARC. O próprio Chávez os tornou públicos quando pediu um minuto de silêncio pela morte de "Raúl Reyes", e ao permitir a presença na Venezuela de estátuas de Manuel Marulanda "Tirofijo".

As denúncias do governo colombiano na recente Sessão Extraordinária da OEA, sobre a presença de acampamentos das FARC na Venezuela, só vieram reconfirmar o que "até as árvores" já sabiam.

Desde 1995 venho denunciando os vínculos de Chávez com a guerrilha colombiana. O acusei penalmente por isso e apresentei provas sobre o tema em cenários internacionais, inclusive no Brasil.

Queria convidá-lo a aprofundar seus conhecimentos sobre o Foro de São Paulo. Estou certo de que lhe será de grande utilidade não só em sua campanha, mas na segurança e defesa de sua pátria.

Despeço-me desejando-lhe o melhor dos êxitos em seus projetos.

Muito atenciosamente,


Alejandro Peña Esclusa

Presidente de UnoAmérica

Autor do livro "O Foro de São Paulo, uma ameaça continental"

Prisioneiro político de Hugo Chavez

O Pó e o Foro de São Paulo - Conexão Evo

Sacerdote participa da posse de Evo em janeiro. Foto: Efe/Arquivo


LA PAZ - Valentín Mejillones, o sacerdote aimará que abençoou a posse de Evo Morales em janeiro, foi preso com 240 quilos de cocaína líquida, ao lado de um casal de colombianos, nesta quinta-feira, 29.

De acordo com o diretor do departamento antinarcóticos da polícia boliviana, coronel Félix Molina, ele foi detido na noite de terça-feira em sua casa, em El Alto, na Grande La Paz, processando cocaína, vestindo suas roupas cerimoniais. O filho do sacerdote e um casal de colombianos ainda não identificado pela polícia estavam no local do crime.

"Fui enganado pelos colombianos, não tenho nada a ver com isso. Lhes fiz um favor, me disseram que iam fazer pastilhas de ervas e pomadas", disse o acusado.

"Não importa quem seja, a pessoa que cometeu irregularidades deve submeter-se à lei", disse o vice-presidente Alvaro Garcia. "Não foi escolhido pelo presidente, mas pelos religiosos andinos".

Segundo a polícia, a cocaína foi avaliada em US$ 300 mil. O forte cheiro de produtos químicos que exalava da casa fizeram os vizinhos acionarem as autoridades.

O sacerdote de 55 anos participou da posse do segundo mandato de Evo, em um rito andino celebrado no maior tempo arqueológico da Bolívia. Mejillones tem o título de amauta, o maior líder espiritual da religiosidade andina.


Estadão

Uribe "deplora" comentários de Lula sobre crise entre Colômbia e Venezuela



" É deplorável que Lula, com quem temos as melhores relações, tenha se referido à crise como um caso pessoal e ignore a ameaça que representa a presença de guerrilheiros das Farc na Venezuela".

Álvaro Uribe


"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina", afirmou Lula ontem após se reunir com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Lula se encontrou no começo da semana com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, com quem discutiu a crise. Ontem, o presidente indicou que pretende negociar uma distensão entre Colômbia e Venezuela com o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7, e Chávez.

A Colômbia acusa a Venezuela de abrigar, com a anuência do governo do presidente Hugo Chávez, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incluindo vários líderes do grupo. Caracas nega que dê proteção à guerrilha.

PT e FARC: Recordar é viver...


Até figuras como Alborghetti, Merval Pereira e Raul Reyes falaram dos vínculos entre o PT e as Farc. Por que o PT quer processar só o PSDB?

Se o PT quiser processar todo mundo que os liga aos narcotraficates, vai faltar tribunal. Pois além dos pioneiros Constantine Menges, Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro, Heitor de Paola e outros articulistas do MSM, que há anos escrevem rotineiramente das conexões entre o PT, as Farc e outros grupos terroristas e do narcotráfico latino-americano, outras pessoas já denunciaram os fatos que só agora, após anos de devastação petista, Índio da Costa, seguido pela tucanada (José Serra, Sérgio Guerra, Geraldo Alckmin) resolveu comentar.

Então, considerei útil agregar alguns links, vídeos e comentários a respeito. Encontrei-os rapidamente, clicando web afora, nesta segunda (19), interessado que estava para ler a respeito.

Bem, o PT já não pode mais processar Raul Reyes, o segundo das Farc, abatido pelos bravos militares colombianos numa operação que também capturou o notebook do traficante, que continha informações sobre... Bem, para não restar dúvidas, segue trecho da entrevista do ex-vice das Farc, realizada pelo jornalista Fabiano Maisonnave, lá atrás, em agosto de 2003, na não menos revolucionária Folha de S. Paulo:

Folha de S.Paulo - Qual é a sua avaliação do governo Lula?

Reyes - Tenho muita esperança em que o governo Lula se transforme num governo que tire o povo brasileiro da crise. Lula é um homem que vem do povo, nos alegramos muito quando ele ganhou. As Farc enviaram uma carta de felicitações. Até agora não recebemos resposta.

Folha de S.Paulo - Vocês têm buscado contato com o governo Lula?

Reyes - Estamos tentando estabelecer --ou restabelecer-- as mesmas relações que tínhamos antes, quando ele era apenas o candidato do PT à Presidência.

Folha de S.Paulo - O sr. conheceu Lula?

Reyes - Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha de S.Paulo - Houve uma conversa?

Reyes - Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha de S.Paulo - Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes - Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha de S.Paulo - Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes - As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Na época do presidente [Fernando Henrique] Cardoso, tínhamos uma delegação no Brasil.

Folha de S.Paulo - O sr. pode nomear as mais importantes?

Reyes - Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...

Folha de S.Paulo - Quais intelectuais?

Reyes - [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.

Folha de S.Paulo - No Brasil, as Farc têm a imagem associada ao narcotráfico, em especial com o traficante Fernandinho Beira-Mar. A Polícia Federal concluiu que ele esteve na área das Farc junto com Leonardo Dias Mendonça. O sr. confirma?

Reyes - Não sou um policial, sou um revolucionário. A Colômbia não é tão grande como o Brasil, mas tem 1.142.000 km2, e as Farc estão presentes em todo o país. Qualquer um que chegue do Brasil, da Europa ou dos EUA a qualquer um dos Departamentos da Colômbia, pode vir a ter contato com a guerrilha.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u62119.shtml

Fica a pergunta: Raul Reyes pôde falar das conexões PT-Farc. Por que Índio da Costa, não?

Adiante. Em março de 2005, como se publicasse grande novidade, a revista Veja apresentou a reportagem Laços Explosivos: Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana Farc deu 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002. Para quem já lia o Mídia Sem Máscara, a revista chovia no molhado.

Em 2008, até Merval Pereira [ver nota] tocou no assunto (valeu, Aluizio Amorim). Sabemos, Merval Pereira pode ser acusado de tudo, menos de conservador, de anti-esquerdista, de inteligente, etc.


O velho Alborghetti (bem lembrado, kamaradas do Vanguarda Popular) também não deixou por menos. No mesmo ano, lia em seu programa de tevê matéria da jornalista Juliana Castro, que tratava de uma atitude de militares da reserva brasileiros: com base nas informações apuradas pela revista Cambio, falavam das conexões entre o PT e o grupo narcoguerrilheiro auto-intitulado Farc. O PT quer ferrar os militares a todo custo, mas jamais processou o falecido Luiz Carlos Alborghetti.



O jornalista Políbio Braga comentou ontem no Twitter, que as Farc foram recebidas pelo então governador Olívio Dutra, do PT, no próprio palácio do governo do Rio Grande do Sul. Olavo de Carvalho comentou o episódio na época, não sem antes citar uma declaração de George Bernanos que adquire cada vez mais uma inegável dimensão profética. Em suas palavras:

Georges Bernanos, um profeta que tinha o péssimo hábito de acertar, disse na década de 40 que "o Brasil é um país maravilhoso, mas infelizmente destinado a ser palco da mais sangrenta das revoluções".

Se depender das autoridades gaúchas, isso é para já. Receber líderes das FARC para conversações secretas, dar-lhes proteção estatal para que ensinem até a crianças de escola as metas e métodos da narcoguerrilha colombiana é o mínimo que o governo do sr. Olívio Dutra se permite.

http://www.olavodecarvalho.org/semana/04212002zh.htm.

Ainda há mais. Como a nomeação da esposa do pseudo-padre articulador das Farc Olivério Medina, para uma "boquinha" na Secretaria Especial de Agricultura e Pesca, a pedido de Dilma Roussef. Saiu na Gazeta do Povo:

A Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, órgão do governo federal com status de ministério, emprega desde 2006, em um cargo de confiança, a paranaense Ângela Maria Slongo, mulher do ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Francisco Antônio Cadenas Collazzos, conhecido como Oliverio Medina. Ela também é, desde 1986, professora concursada da Secretaria de Educação do Paraná e foi cedida pelo governo do estado ao órgão federal em 2006 - num pedido feito pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao governador Roberto Requião.

Acusado de homicídio e terrorismo na Colômbia, Medina viveu em prisão domiciliar em Brasília entre 2005 e março do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu o pedido de extradição para o país vizinho.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=772307&tit=Mulher-de-ex-guerrilheiro-das-Farc-tem-cargo-no-governo


Reinaldo Azevedo também escreveu artigo relembrando de alguns desses fatos, e tem mais informações por aí. Elenquei algumas, dando ênfase aos veículos de comunicação bem conhecidos da patuléia, para não aparecer nenhum bobalhão dizendo que se trata de mais uma "teoria da conspiração".

Sabe como é. Estamos lidando com brasileiros. Gente que vota em tucanos e petistas.



Nota de esclarecimento:

É útil lembrar que Quando Olavo de Carvalho foi demitido do Globo, o editor dos seus artigos era Merval Pereira, que também ocupava um cargo na diretoria e assinava uma coluna semanal. Enquanto Olavo denunciava os fatos que comprovavam a articulação do PT com as Farc através do FSP, Merval tratava de amenidades. Em julho de 2005, Olavo foi dispensado do trabalho, sem aviso prévio, única e exclusivamente porque suas denúncias estavam criando um desconforto insuportável no ambiente do jornal. Em outras palavras, Merval é um dos responsáveis por Olavo ter perdido o emprego, e, com muitos anos de atraso, copia o colunista que ele próprio demitiu por denunciar a mesma matéria que ele repete na gravação da GloboNews.


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Para ter acesso às atas do Foro de São Paulo, clique em
http://www.midiasemmascara.org/arquivo/atas-do-foro-de-sao-paulo/7.html

Usina das Letras

O Brasil e as Farc


É conveniente para o governo e para a oposição, para o PT e para o PSDB-DEM, que o tema das relações entre o Brasil e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) permaneça na penumbra.

O assunto incomoda o PT, cujas conexões no plano internacional não são necessariamente coerentes com o papel atual, de partido governante numa democracia que ele e os aliados históricos um dia chamaram de “burguesa”.

E a nebulosidade é também útil à oposição, pronta a agitar o espantalho das Farc quando convém, sem precisar dizer o que ela própria faria com o assunto se chegasse ao Planalto.

Diversas forças políticas brasileiras — inclusive da hoje oposição — já mantiveram ou mantêm contatos com membros das Farc, para efeitos humanitários ou políticos (e é sempre complicado estabelecer uma linha divisória clara entre as duas modalidades).

No caso do PT, a proximidade é maior por razões óbvias. Em certo momento, o partido decidiu lançar o Foro de São Paulo, para coordenar a ação política da esquerda latino-americana depois do colapso do socialismo no Leste Europeu. As Farc estavam no pacote.

Mas isso é passado. A questão é saber o que fazer agora. Enquanto os demais membros do Foro ou decidiram ou foram constrangidos a adaptar-se à democracia, as Farc optaram pela continuação da luta armada. Pior: degeneraram.

Transformaram-se num agrupamento cujas principais formas de luta são o sequestro e o terrorismo. E cuja maior fonte de financiamento é a proteção e a associação ao narcotráfico.

Daí que o tema das Farc esteja diretamente ligado, por exemplo, ao enfrentamento do crime organizado no Brasil.

As Farc são uma anomalia na América do Sul. A Colômbia é hoje um país democrático e a disputa pelo poder deve ser feita na legalidade.

Mas o objetivo das Farc é diverso: é destruir o estado democrático na Colômbia e substituí-lo por outro, no âmbito de um projeto bolivariano, de integração revolucionária anti-imperialista.

O incômodo aparentado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva quando as Farc entram em pauta é reflexo das contradições internas da administração.

Como em outros temas —um deles é a conveniência, para o Brasil, de o Irã produzir sua bomba nuclear — não há unidade.

A divisão não impede —aliás impõe — que o governo e o PT tratem o assunto com suavidade. Um sintoma? A Esplanada está pontilhada de gente disposta a defender radicalmente os direitos humanos em muitas situações, mas não nesta.

Defende-se que a tortura é crime imperdoável. Mas os sequestros das Farc não são também uma forma de infligir deliberadamente sofrimento físico e psicológico, ao sequestrado e a seus entes queridos, para alcançar objetivos políticos? Qual é a diferença, no essencial? Este governo, infelizmente, só gosta de fazer juízos morais sobre o alheio, e quando convém. Sobre si próprio e os amigos, seleciona, conforme o interesse, os casos em que a moral deve comandar as ações políticas. Ou não.

Governo e oposição poderiam aproveitar a campanha eleitoral para acabar com o faz de conta sobre as Farc. Interessa ao Brasil que a guerrilha colombiana deixe de existir, deixe de representar uma ameaça à integração democrática do continente, peça-chave do nosso projeto nacional. O que o próximo governo fará a respeito? A guerra civil colombiana é porta de entrada para a ingerência externa e para a relativização da liderança brasileira. Uma solução pacífica e negociada seria o ideal, nos moldes do que aconteceu em El Salvador.

Não vai ser fácil. Teria que envolver, entre outras medidas dolorosas, uma anistia ampla e mesmo a integração dos contingentes das Farc ao exército regular.

Parece-lhe absurdo? Pois a guerrilha já se transformou num meio de vida para dezenas de milhares de pessoas. E isso tem que ser levado em consideração.

Lula poderia ter tido um papel maior no imbróglio colombiano.

Não teve. Mostrou alheamento em relação a um tema tão próximo e sensível.

Talvez para não melindrar o colega Hugo Chávez, num problema que o presidente da Venezuela considera mais dele. Paciência: a Venezuela tem os interesses dela e nós temos os nossos.

A guerra civil colombiana é porta de entrada para a ingerência externa e para a relativização da liderança brasileira. Uma solução pacífica e negociada seria o ideal, nos moldes do que aconteceu em El Salvador


Obs.: Papo furado: as FARC não são "passado" para o PT. Em todas as reuniões do
Foro de São Paulo, as FARC se fazem presentes. O PT tem, até hoje, ligações umbilicais com as FARC. O governo Lula mantém no Brasil o Cura Medina, cuja mulher obteve emprego em Brasília. O PT e as FARC são sócios na tentativa de comunização da América Latina, tendo Cuba por modelo. A Venezuela de Chávez e a Bolíva de Evo Cocales são os países que mais avançaram nessa macabra trama. Daí a raiva incontida de Chávez e Lula, ao se darem conta que Honduras rejeitou o programa socialista cucaracha Fidel-Chávez-Lula, ao deporem da presidência Zé Laia, que queria se perpetuar no poder, como Chávez e Cocales. O resto, como eu disse acima, é papo furado dos petralhas e de muitos jornalistas desinformados ou simpatizantes da tramoia forosãopaulina (F. Maier).

USINA DAS LETRAS

Senadores põem na campanha assessores pagos pelo Congresso


Levantamento feito pelo 'Estado' identifica uma intensa transferência de servidores registrados em Brasília para os redutos eleitorais dos parlamentares; reportagem flagrou auxiliares que recebem salário do Senado atuando na campanha.



O Estado de S.Paulo

Uma tropa de cabos eleitorais pagos pelo Senado está trabalhando na campanha dos senadores candidatos nos Estados. São assessores que, oficialmente, deveriam apenas cumprir expediente nos gabinetes, mas estão nas ruas pedindo voto, coordenando e ajudando na corrida eleitoral dos parlamentares.

Levantamento feito pelo Estado identificou uma intensa transferência de servidores registrados em Brasília para os redutos eleitorais dos senadores e a reportagem flagrou assessores que recebem salário do Senado atuando na campanha.

A reportagem constatou que, dos 53 senadores que disputam as eleições, 33 aumentaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho de 2010 e transferiram a maioria para os Estados. Quem não aumentou adotou a segunda manobra e tirou seus funcionários de Brasília. Só nos últimos 23 dias, desde o início oficial da campanha, 53 assessores foram realocados, segundo dados do sistema interno de Recursos Humanos, para os "escritórios de apoio" dos senadores, entre eles os dos candidatos Renan Calheiros (PMDB-AL), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS). Desde início de fevereiro, foram cerca de 175, uma média de uma transferência por dia.

Os senadores aproveitaram a calmaria no Congresso - serão realizadas apenas duas semanas de votações até as eleições de outubro - para esvaziar seus gabinetes em Brasília. Hoje, há cerca de 1,1 mil assessores espalhados pelo País recebendo salários do Senado sem nenhum tipo de fiscalização por perto que os impeça de atuar como cabos eleitorais.

Velho hábito. O Senado regulamentou no ano passado a antiga prática dos senadores de ter assessores de confiança nos escritórios regionais com um controle de frequência quase nulo. A campanha eleitoral deste ano é a primeira em que é possível saber o número oficial de funcionários do Senado à disposição dos parlamentares nos Estados durante a disputa, uma vantagem estrutural em relação aos demais adversários.

Candidato a governador do Paraná, Osmar Dias (PDT) tem apenas três servidores oficialmente registrados em Brasília, informação confirmada ontem pela reportagem em visita a seu gabinete. Outros 21 estão como assessores no Estado.

Primeiro-secretário do Senado e candidato à reeleição, Heráclito Fortes colocou 25 servidores no Piauí e deixou apenas 8 em Brasília.

Vice-presidente da Casa e de olho na eleição para governador, o tucano Marconi Perillo deslocou 25 assessores para Goiás e manteve apenas quatro no Senado. Os campeões são Efraim Morais (DEM-PB) e Mão Santa (PMDB-PI). O paraibano tem, oficialmente, 52 servidores lotados em seu Estado durante a campanha, enquanto o peemedebista conta com 34.

Em Santa Catarina, os dois senadores postulantes ao governo encheram seus escritórios de apoio no Estado. Dos 26 assessores de Raimundo Colombo (DEM), 20 trabalham em Santa Catarina. Entre os 22 funcionários de Ideli Salvatti (PT) no Estado está Claudinei do Nascimento. Além de secretário de finanças do diretório do PT, é um dos coordenadores de campanha de Ideli.

Oficialmente, recebe salários do Senado como assessor no escritório de apoio dela, que tirou licença durante a campanha.

São Paulo. Os dois senadores paulistas que disputam a eleição de outubro têm mais assessores nos Estados do que em Brasília. Candidato ao governo, Aloizio Mercadante (PT) tem 16 servidores em São Paulo e apenas cinco no Congresso. Já Romeu Tuma (PTB) goza dos serviços de 15 funcionários por perto. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) faz parte do grupo que tem transferido assessores para o Rio nos últimos meses. São 20 até o momento ao lado do parlamentar.

Um dado curioso: o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) não tem nenhum funcionário lotado em Brasília, mas 29 estão em seu Estado. A artimanha foi colocar servidores que vivem na capital federal como funcionários da liderança do PSB - o regimento permite que apenas gabinetes de senadores tenham assessores nos Estados. O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, é o suplente na chapa de Valadares ao Senado.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pôs 16 assessores em Roraima, enquanto o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), terá, durante a campanha para deputado federal, 21 servidores em Pernambuco. Seu aliado e candidato a governador, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), deixou apenas sete assessores em Brasília e lotou 19 no Estado.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Lula demite presidente e diretor dos Correios


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu demitir o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de Recursos Humanos, Pedro Magalhães. As exonerações serão publicadas amanhã no "Diário Oficial da União". Custódio será substuído por David José de Mattos, um técnico de Brasília.

Com isso, Lula espera estancar a crise que há meses atinge a empresa, que registrou no ano passado o menor lucro desde o início do governo, o que levou o Planalto a determinar uma intervenção branca nos Correios.

As demissões constam das recomendações dos ministros Erenice Guerra (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamneto), responsáveis pelo raio X na empresa, entregue nesta semana a Lula.

O nome do novo presidente foi definido pelo Palácio. O ministro José Artur Filardi (Comunicações), a quem os Correios é subordinado, foi apenas comunicado da decisão, assim como a cúpula do PMDB.


Folha.com

SUBSÍDIOS PARA ENTENDER O ISLAM (E AS BASES DE SUA DIPLOMACIA)


Habituados a raciocinar em termos de poderes estatais, militares, econômicos e burocráticos, os estrategistas do Ocidente perdem freqüentemente de vista a unidade profunda do projeto islâmico ao longo do tempo, nublada, a seus olhos, por divergências momentâneas de interesses nacionais que, para eles, constituem a única realidade efetiva. E nisso refiro-me aos estrategistas das grandes potências, não a seus macaqueadores de segunda mão que hoje constituem a "zé-lite" da diplomacia luliana. Estes não têm sequer a noção de que exista, para além dos lances do momento, um projeto islâmico de longo prazo...


Leio o texto Completo em : Usina das Letras

PT e FARC


Uribe propõe entrega de guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela

Estadão

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, propôs nesta quarta-feira, 28, que os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) que, segundo informações colombianas, estão estabelecidos na Venezuela, se entreguem às autoridades judiciais de seu país.

Em declarações divulgadas pela imprensa, Uribe disse que a iniciativa está nas mãos do ministro das Relações Exteriores colombiano, Jaime Bermúdez, como alternativa ao plano de paz para a Colômbia anunciado pelo governo da Venezuela.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, promove desde o domingo passado, sem entrar em detalhes, uma "proposta de paz" para a Colômbia, em busca da normalização das relações bilaterais.

A crise entre os vizinhos sul-americanos teve início quando a Colômbia disse ter provas de que cerca de 1.500 guerrilheiros do Exército da Libertação Nacional (ELN) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estariam se refugiando na Venezuela. Posteriormente, as autoridades apresentaram imagens dos supostos rebeldes comprovando as acusações na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Como consequência das acusações, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu completamente as relações com a Colômbia - que já estavam congeladas há mais de um ano - e colocou as tropas da fronteira entre os dois países em alertam reacendendo as tensões entre os vizinhos.

Maduro insistiu que levará sua proposta à sessão extraordinária do Conselho de Chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul) convocada para a quinta-feira, em Quito, à qual também assistirá Bermúdez.

Na declaração, Uribe disse que entrou em contato na noite de terça-feira com Bermúdez e disse que "se a Venezuela têm um plano de paz, aqui (na Colômbia) também há".

"Se (na Venezuela) querem ajudar a superar o problema guerrilheiro, então que peçam à guerrilha que está lá para que se desmobilize e que digam que os promotores da Colômbia os trarão para cá, onde serão submetidos a todas as garantias da Lei de Justiça e Paz (de reinserção de paramilitares e guerrilheiros)", afirmou Uribe.

Sindicalismo de 'resultados'


O Estado de S. Paulo - 28/07/2010

A "indústria" de sindicatos, cada vez mais próspera desde que, por iniciativa do governo petista, as centrais passaram a receber 10% da arrecadação da contribuição sindical, está explorando até mesmo os aposentados. Graças ao desconto feito diretamente na fonte pela Previdência Social, somente no mês de junho 11 entidades conveniadas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) embolsaram mais de R$ 21 milhões.


Esse dinheiro é proveniente do desconto mensal de 2% no contracheque dos benefícios pagos aos aposentados, sob o pretexto de financiar entidades que "defendem" seus direitos, prometendo obter aumento das aposentadorias e oferecendo descontos em farmácias, consultas e excursões turísticas. O desconto é acertado diretamente com o Ministério da Previdência por essas entidades, que enviam para o INSS a lista de quem deve ter a contribuição de 2% mensalmente deduzida da aposentadoria.

Embora essa medida seja prevista pela Lei 8.213/91, que disciplina o pagamento das aposentadorias, o problema é que a maior parte dos segurados não autorizou formalmente o desconto ou, então, foi induzida a assinar a autorização no meio da papelada exigida para a formalização da aposentadoria. Muitos aposentados também não sabem que estão sustentando, com a parte que é subtraída de seus benefícios, a mordomia de espertalhões que converteram o sindicalismo em fonte de negócios escusos. Isto porque os contracheques do INSS estão disponíveis apenas na internet e a maioria dos aposentados que sofrem esse tipo de desconto não tem computador e não dispõe de condição financeira nem de conhecimento técnico para ir a uma lan house.

Das 11 entidades que se dizem representantes de aposentados, a maioria é desconhecida - União Nacional dos Aposentados Unidos, Associação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos e Central Nacional de Aposentados e Pensionistas do Brasil. Das entidades que têm representatividade, algumas são filiadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras, à Força Sindical, destacando-se a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e a Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários. Algumas alegaram que a inclusão de quem não autorizou o desconto dos 2% dos benefícios nas listagens encaminhadas ao INSS decorreu de erro de digitação e de "falhas administrativas". Outras entidades nem mesmo apresentam justificativa - até porque o esquema por elas montado para engordar o caixa beira o estelionato.

O mais grave é que esse ataque acintoso ao bolso dos aposentados parece ter apoio do governo. Isto porque, em vez de determinar ao INSS a suspensão sumária do desconto de quem não concedeu a autorização formal exigida por lei e obrigar as entidades sindicais a ressarcir o que cobraram de forma irregular, como seria de esperar, o Ministério da Previdência complica com deliberada burocracia a vida dos inativos que quiserem deixar de ser descontados.

Numa recente visita do ministro Carlos Gabas à sede da Confederação Brasileira dos Aposentados, ficou decidido que quem quiser ter o desconto suspenso precisará ir até o sindicato ou à associação para solicitar pessoalmente o cancelamento de seu nome das listagens enviadas ao INSS. Os aposentados não poderão fazer esse pedido na agência bancária ou no posto do Ministério da Previdência onde recebem o benefício. A situação é absurda, pois trata-se de autoridades que aumentaram os prejuízos de aposentados que estão sendo lesados.

Advertido para o problema, o presidente do INSS, Valdir Simão, disse a O Globo que vai investigar as ocorrências. Ele também afirmou que os convênios firmados com as entidades sindicais são legais e que são feitas auditorias por amostragem a cada seis meses para verificar se as entidades dispõem da autorização dos associados para o desconto.

Dadas as proporções que esse abuso adquiriu, fica evidente a inépcia dessas auditorias e do esquema de fiscalização da autarquia.

Desconfiança de Bogotá limita papel mediador do Brasil


Roberto Simon, Ruth Costas - O Estado de S.Paulo

A desconfiança da Colômbia em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva limita a capacidade de mediação do Brasil na atual crise entre Bogotá e Caracas. Segundo analistas e ex-diplomatas dos dois países ouvidos pelo "Estado", a diplomacia do presidente Lula é percebida como excessivamente simpática ao governo de Hugo Chávez, embora, formalmente, as relações com Bogotá também sejam boas.

"Não é que Lula seja visto como hostil, mas certamente não inspira confiança no governo colombiano, como, por exemplo, o Chile ou o Peru", opina o cientista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia. "Para a Colômbia, e em especial para (o presidente Álvaro) Uribe (que deixa o cargo no dia 7), é importante que os governos vizinhos reconheçam as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como terroristas - e isso o Brasil não fez."

No mês passado, uma fonte próxima ao Ministério da Defesa colombiano disse, sob condição de anonimato, que autoridades de seu país ficaram "chocadas" ao encontrar, no computador apreendido de um líder guerrilheiro, indícios de que integrantes das Farc teriam tido acesso à figuras ligadas ao governo Lula durante as gestões do caso Olivério Medina - ex-padre vinculado à guerrilha refugiado em território brasileiro. Em 2008, o Brasil condenou duramente o bombardeio colombiano contra um acampamento da guerrilha no Equador (a Colômbia ficou isolada na região). E, em 2009, o governo brasileiro criticou o acordo que permite aos Estados Unidos usar sete bases militares na Colômbia.

Na ocasião, Chávez congelou as relações comerciais com Bogotá, o que causou prejuízos de bilhões de dólares e levou ao corte de 300 mil empregos. Isso não impediu que Uribe fosse recebido calorosamente por Lula em São Paulo - quando a questão das bases dos EUA foi formalmente dada por encerrada na agenda bilateral.

O governo colombiano é pragmático: o Brasil representa boas oportunidades de negócio e o presidente Lula pode ser um aliado na medida em que a estabilidade da região também lhe interessa. A desconfiança, porém, não foi completamente superada, principalmente pela disparidade na forma como o brasileiro trata Uribe e Chávez, segundo analistas.

Unasul e OEA. "Não há dúvida de que a solidariedade ativa do Brasil com Chávez - pois não se trata só de simpatia - contamina a relação com Bogotá", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do governo Lula nos EUA.

O fato de o Brasil ter defendido que a crise fosse tratada no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - e não na Organização dos Estados Americanos (OEA) - também desagradaria a Bogotá, segundo Sérgio Amaral, ex-embaixador em Paris também na era Lula. Na OEA, a Colômbia tem a "proteção" dos EUA, e na Unasul só é apoiada por Peru e Chile.

O ex-chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia, porém, ressalta que o incômodo causado pela relação de Lula com Chávez na Colômbia se concentra na esfera diplomática. As Forças Armadas dos dois países mantêm uma estreita cooperação. Fontes colombianas relatam uma relação especialmente fluida com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Em 2009, Jobim disse que se rebeldes das Farc tentassem entrar no Brasil "seriam recebidos à bala". Não é difícil entender porque a ameaça agradou mais aos colombianos que a declaração de Lula na sexta-feira: "As Farc são problema da Colômbia e acho que deve ser tratado pela Colômbia", disse o presidente.

Dezembro de 2002
O presidente Fernando
Henrique Cardoso anuncia a exportação de petróleo e derivados para a Venezuela e envia um petroleiro da Petrobrás para ajudar o país durante o locaute que paralisou o setor petrolífero e ameaçou o governo de Chávez

Março de 2008
Bombardeio da Colômbia a um acampamento das Farc em território equatoriano mata Raúl Reyes, número 2 da guerrilha. Quito rompe relações com Bogotá. Brasil condena o ataque e exige que o governo colombiano peça desculpas

Dezembro de 2008
Colômbia sempre se mostrou cautelosa com o avanço da Unasul, principalmente com a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, oficializado apenas sete meses após a criação da organização

Julho de 2009
Brasil critica a Colômbia, que cedeu bases militares em seu território para os EUA. Lula disse que a questão "não o agradava" e pediu várias garantias, todas negadas por Álvaro Uribe

Avião com mais de 150 a bordo cai perto da capital do Paquistão

Helicóptero realiza buscas no local da queda do Airbus.

Estadão


ISLAMABAD - Todas as 152 pessoas a bordo avião que caiu em uma região montanhosa perto de Islamabad morreram, informaram nesta quarta-feira, 28, as autoridades do Paquistão. O acidente ocorreu quando o Airbus 321 da companhia paquistanesa Air Blue se preparava para pousar no aeroporto da capital paquistanesa.

As equipes de resgate já recuperaram mais de cem corpos dos destroços do avião. O ministro do Interior, Rehman Malik, citado pelo canal Geo TV, anteriormente havia dito que cinco sobreviventes foram resgatados e hospitalizados em situação grave. Posteriormente, Imtiaz Elahi, chefe de um órgão de emergências do país, confirmou que todos os ocupantes da aeronave - seis tripulantes e 146 passageiros - morreram.

O avião decolou às 7h50 locais (23h50 de terça em Brasília) na cidade de Karachi, sul do país, com destino a Islamabad, e se acidentou quando se preparava para pousar. O Airbus caiu sobre uma área muito arborizada das Colinas de Margala, a norte de Islamabad, em área onde o Exército também possui instalações, o que agilizou na mobilização das equipes para as tarefas de salvamento. No momento do acidente chovia forte e havia denso nevoeiro na região.

As condições climáticas e o difícil acesso ao local onde caiu o avião estão dificultando os trabalhos de resgate, que têm participação de três helicópteros e uma unidade de soldados do Exército, disse um porta-voz militar à agência de notícias APP. É impossível chegar ao local do acidente em veículos terrestres por conta da vegetação e do relevo.


Diversas fontes citadas pelos canais de televisão disseram que ainda não são conhecidas a causas do acidente. A tripulação do avião tinha perdido contato com a torre de controle alguns minutos antes. Algumas versões não confirmadas asseguram que a aeronave tinha recebido ordem de seguir sobrevoando a zona, pois o aeroporto de Islamabad estava congestionado.

As redes de televisão mostraram imagens da fuselagem, parcialmente em chamas e totalmente destruída, em uma região elevada das Colinas de Margala. Testemunhas citadas pela Geo TV disseram ter visto o avião voando em altitude muito baixa antes do acidente, e outros afirmaram ter ouvido uma explosão minutos depois. Também há versões não confirmadas que dão conta de uma explosão no depósito de combustível em pleno voo.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, e o presidente, Asif Ali Zardari, expressaram em comunicados suas consternações pelo acidente e pediram rapidez nos trabalhos de resgate.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A "Ficha Limpa" entre amigos ...


Eu não me assusto. Eu não me enquadro na Lei da Ficha Limpa. O entendimento do TSE não pode me prejudicar porque não julgaram o mais importante, que é o mérito do meu caso"

Deputado Sarney Filho (PV-MA)



O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, nesta segunda-feira (26), manter a candidatura do deputado federal Sarney Filho (PV-MA), impugnada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) do estado com base na Lei da Ficha Limpa. O MPE pode recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O deputado foi condenado e multado pelo TRE-MA por propaganda eleitoral supostamente irregular nas eleições de 2006. Na época, dois internautas acessaram o site do candidato por meio de um link que ficava na página institucional de uma prefeitura do interior do Maranhão.

o contrário do que definiu o TSE, cinco dos seis juízes que compõem o colegiado entenderam que a lei não vale para condenações anteriores à sua publicação. A Lei da Ficha Limpa barra a candidatura de políticos condenados por decisão colegiada (mais de um juiz) por crimes considerados graves (como homicídio, racismo e desvio de verbas públicas) e que renunciam ao cargo para evitar punições.

Com base na Constituição Federal, os juízes do TRE-MA entenderam que a lei trata a inelegibilidade como uma pena e, portanto, não poderia retroagir para prejudicar uma pessoa.

Sarney Filho disse ao G1 que seu caso não se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Afirmou não ter receio de que o entendimento contrário do TSE possa prejudicá-lo, caso o Ministério Público Eleitoral do Maranhão recorra.

“Eu não me assusto. Eu não me enquadro na Lei da Ficha Limpa. O entendimento do TSE não pode me prejudicar porque não julgaram o mais importante, que é o mérito do meu caso”, disse o candidato.

Jurisprudência
Em junho, o TSE definiu que a lei vale para condenações registradas mesmo antes da vigência da norma. Mas houve divergências durante o julgamento da questão.

O ministro Marco Aurélio Mello, único a votar contra a aplicação da norma nestas eleições, defendeu que a proibição de se candidatar é uma pena e, por isso, não poderia ser aplicada por uma lei não existente na época da condenação. Para ele, uma lei nova não pode tratar de episódios ocorridos no passado.

Ao tomar conhecimento da decisão da Justiça Eleitoral do Maranhão, o corregedor eleitoral do TSE, ministro Aldir Passarinho, disse ao G1 que se trata de uma das ressalvas apresentadas durante o julgamento do TSE.

“Não julgamos caso concreto. Houve várias ressalvas. É próprio de cada colegiado interpretar a lei de sua forma. Esse tipo de divergência é comum. No julgamento dos casos concretos vão existir várias celeumas”, afirmou o ministro.


G1