terça-feira, 31 de agosto de 2010

Radicais palestinos matam quatro israelenses na Cisjordânia


Quatro israelenses foram mortos por radicais palestinos em uma emboscada na Cisjordânia nesta terça-feira, 31. O tiroteio aconteceu perto de Hebron. O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa - grupo radical ligado ao Fatah, que governa a Cisjordânia, reivindicaram o ataque.

"Podemos confirmar que há quatro mortos no local", disse o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld.

O automóvel no qual as vítimas viajavam foi alvejado em uma estrada entre um assentamento e o povoado palestino de Bani Naim. Colonos judeus utilizam muito a estrada, que é um foco de tensão entre palestinos e israelenses.

A mídia local reportou que as vítimas são duas mulheres de 25 e 40 anos - sendo uma delas grávida - e dois homens, também com 25 e 40 anos. Eles são membros de uma mesma família residente no assentamento de Beit Hagai, no sul de Hebron.

O episódio acontece enquanto O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e Abbas viajam aos EUA, onde devem relançar negociações diretas de paz nesta quarta-feira. O Hamas se opõe ao estabelecimento das conversações diretas.

Autoria disputada

Em um comunicado, a ala armada do Hamas disse que as " Brigadas Qassam assumem total responsabilidade pela operação em Hebron"

A Brigada dos Mártires de Al-Aqsa também reivindicou o atentado. "Esse ataque é uma resposta às contínuas agressões de Israel contra nossos lugares sagrados, às suas contínuas incursões em nossas cidades e à coordenação de segurança entre Israel e a ANP", disse pelo rádio um militante que se identificou como Abu Mahmoud.

Resposta israelense

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, considerou o incidente como "sério e difícil". Segundo ele, o Exército de Israel e as forças de segurança farão tudo o que estiver ao seu alcance para capturar os atiradores. "Israel não permitirá que os terroristas se levantem e fará os assassinos e aqueles que os mandaram pagar", disse.

O atentado, no entanto, não deve interromper as negociações de paz. Segundo funcionários do gabinete de Netanyahu, o cronograma segue normalmente.

Esse é o primeiro episódio de violência contra israelenses na Cisjordânia desde junho, quando um policial foi morto e outros dois ficaram feridos quando seu veículo foi atacado nas proximidades de Hebron. Em maio, dois israelenses se feriram com cacos de vidro quando seu carro foi atingido por balas na mesma estrada em que ocorreu o ataque desta terça.



Estadão



Há ainda os imbecis antissemitas que são capazes de defender estes terroristas...
Por serem supostamente "politicamente corretos" , apoiam este tipo de ignomínia de forma velada. Igualzinho ao que Lula falu quando da Morte do Cubano Zapata.
Assim é o proselitismo da esquerda podre e ultrapassada no mundo todo: Proselitista, que foge ao essencial do debate a troco de dogmas pré-históricos.
Sinto muito pelos Israelenses Mortos.

Dilma se nega a falar sobre ministério e acusa PSDB

estadão.com.br

Em entrevista ao Jornal da Globo, na sede da TV Globo, em São Paulo, que aconteceu na noite de segunda-feira, 30, a candidata à Presidência, Dilma Roussef (PT), defendeu o presidente Lula em relação aos presos políticos de Cuba, disse que não é o momento de definir os ministérios e acusou os adversários de estarem fazendo "uso eleitoral" da questão do vazamento do sigilo de dados de integrantes do PSDB.


Futuro ministério

Em relação ao futuro ministério e petistas envolvidos em escândalos, como José Dirceu, que participa da campanha da petista, Dilma se esquivou e disse que por questão de respeito à população não tem discutido o futuro governo porque ainda não foi eleita.

"Para você começar a discutir um governo, eu teria de estar eleita. Se eu colocar a carroça na frente dos bois, em vez de eu discutir os programas do governo, em vez de eu dizer o que eu quero para as pessoas me escolherem como presidenta do Brasil, eu vou ficar discutindo uma coisa que não aconteceu. Por que, cá entre nós, pesquisa não ganha eleição. O que ganha eleição é voto na urna", explica a petista.

Sigilo fiscal

Sobre a quebra de sigilo e o vazamento de dados de tucanos na semana passada, na agência da Receita Federal, em Mauá, Dilma explicou que não compactua com isso. Ela negou qualquer envolvimento no vazamento de dados sobre integrantes do PSDB. "Eu tenho pedido sistematicamente que apresentem provas", devolveu a candidata. E contra-atacou afirmando que os adversários teriam um histórico de vazamentos e de grampos.

"Por exemplo, vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos juntos ao próprio gabinete, o secretário da Presidência da República", sustentou Dilma. "Eu jamais usei esses episódios pra tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa porque eu não acho correto. Agora, eu também não concordo e que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha."

Cuba e os presos políticos

Perguntada sobre o que ela sentiu quando Lula disse que os presos políticos de Cuba era como bandidos em São Paulo, a petista fez uma defesa do presidente e disse que ele foi um dos responsáveis pela soltura dos cubanos.

"Eu acho que a trajetória política e de vida do presidente Lula não pode permitir que a gente acredite que o presidente Lula foi uma pessoa que não lutou a vida inteira pelos direitos humanos", ressalvou. Por fim, a candidata petista afirmou que ela é pessoalmente solidária aos presos políticos de Cuba. "Sou contra crimes de opinião, crimes políticos ou crimes por pensar, por querer ou por opor e vou defender isso a minha vida inteira", conta.

Na terça-feira, 31, o próximo candidato a ser entrevistado será José Serra (PSDB).

Receita Federal indicia funcionárias, mas não menciona propina


Depois de anunciar, na sexta-feira, que tinha “indícios de um suposto balcão de compra evendadeinformações”e“pagamento de propina” na delegacia de Mauá (SP), a Receita Federal excluiu essa versão do relatório entregue ontem ao MinistérioPúblico como indiciamento de duas funcionárias investigadas por violar o sigilo fiscaldequatro tucanos.

O Estado teve acesso ao documento e as palavras “propina”, “venda”, “balcão”, “encomenda” não aparecem na representação criminal sobre o acesso ilegal aos dados.

Em apenas cinco páginas, a comissão que investiga o caso aponta apenas a “existência de conduta que,em tese, poderia configurar prática de crime comum pelas servidoras”. A Receita informa que essa representação “não interfere no julgamento do mérito” e diz que ainda não há “convicção quanto à efetiva ocorrência de ilícito administrativo”.

A corregedoria pede que o Ministério Público adote as “providências que entenda cabíveis” contra as servidoras Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves e Adeildda Ferreira dos Santos. Antônia é a dona da senha usada para acessar os dados no dia 8 de outubro de 2009. Adeildda é a responsável pelo computador utilizado para a consulta ilegal às informações fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio e Gregório Marin Preciado, ligados ao alto comando do PSDB. A ação é assinada por Levi Lopez, servidor que preside a comissão de inquérito. Segundo ele, a responsabilidade penal independe da apuração administrativa.

‘Encomenda externa’. O conteúdo da representação contradiz o discurso que a direção da Receita adotou na sexta-feira. O secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, e o corregedor-geral, Antonio Carlos Costa D’ Avila, afirmaram, numa entrevista coletiva convocada às pressas, que a investigação interna descobriu indícios de esquema de vendade dados fiscais mediante, segundo palavras deles, “encomenda externa” e “pagamento de propina”.

“Há indícios de uma intermediação feita por alguém de fora da Receita. Os indícios são de um suposto balcão de compra e venda de informação. Isso nós vamos repassar ao Ministério Público”, disse o corregedor. De acordo com eles, as duas servidoras estariam envolvidas nesse esquema, o que elas negam.

A decisão do governo de indiciar as servidoras e divulgar uma versão de crime comum ocorreu após uma operação política do Palácio do Planalto na quinta-feira à noite.A estratégia era tentar despolitizar a violação fiscal dos tucanos e desvinculá-la da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), para onde foi parar boa parte dessas informações dentro de um dossiê contra adversários.

“Nós não identificamos qualquer ilação político-partidária”, fez questão de frisar o corregedor da Receita,cujo discurso foi reforçado pelo secretário Otacílio Cartaxo.

Essa posição da Receita também contraria a condução do inquérito da Polícia Federal sobre o caso. Pelos depoimentos colhidos até agora, que apontam para um interesse político na violação das informações fiscais, a PF mantéma investigação que pode chegar à campanha petista.

Provas. A representação criminal contra as servidoras se resume a dizer que, por serem donas da senha e do computador utilizados, Antônia e Adeildda podemtercometidocrimeporcausa de “acessos sem comprovação de motivação”.

Na representação, a Receita enumera ainda as chamadas “provas materiais”: uma folha de anotações, em que a senha de Antônia teria sido registrada, uma agenda, o disco rígido original do computador de Adeildda e mobiliários apreendidos. Todos esses materiais estão nas 450 páginas dos autos da investigação que também não citam o tal esquema de venda de dados fiscais.

A CORRIDA DA RECEITA
Corregedoria sonega 13 volumes a tucano

● Esquema
Governo montou versão de que há um esquema de venda de declarações de renda na agência de Mauá e que duas servidoras estão envolvidas

● Investigação
No dia 21 de junho, a Receita determina investigação interna sobre o acesso aos dados fiscais de Eduardo Jorge que foram parar num suposto dossiê

● Processo
No dia 1º de julho, é aberto processo administrativo disciplinar para apurar a ocorrência de irregularidade funcional e responsabilizar possíveis autores

● Inquérito
No dia 5 de julho, a PF abre inquérito para apurar o caso. No dia 24 de agosto, a Justiça obriga a Receita a entregar os autos da investigação ao tucano

● Indiciamento
Pressionada pelo Planalto, a Receita anuncia que encontrou indícios de esquema de venda de informações e que vai indiciar servidoras

● Contradição
As duas representações criminais contra as funcionárias, entregues ontem, não fazem menção ao tal esquema divulgado pela Receita três dias antes



Estadão

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fortuna dos Kirchners aumentou 710% desde que chegaram ao poder

Netuno, o aquático brother do manda-chuva dos manda-chuvas, Júpiter – e portanto, integrante do entourage divino do Monte Olimpo – exibe a cornucópia da fortuna para a bela jovem, que representa a cidade de Veneza. O quadro é “Netuno oferece presente a Veneza” de Giovanni Domenico Tiepolo (Veneza 1727-1804). A obra, que exibe-se no Palazzo Ducale, foi pintada entre 1748 e 1750.


Driblando as crises econômicas e a disparada da inflação, a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner prosperaram de forma exponencial desde que chegaram em 2003 à Casa Rosada, o palácio presidencial. Nesse ano, quando Kirchner foi eleito presidente, a fortuna do casal era de US$ 1,74 milhão. De lá para cá – e especialmente depois da posse de Cristina como sucessora em 2007 – a fortuna do casal aumentou aceleradamente.

No ano passado, segundo a declaração de bens oficial do casal, apresentada ao Departamento Anticorrupção e divulgada recentemente, o patrimônio era de US$ 14,16 milhões, o equivalente a um aumento de 20,65% em relação a 2008. No entanto, no total dos sete anos em que estão no poder, a casal Kirchner registrou um aumento de 710,55% de seu patrimônio.

O enriquecimento dos Kirchners, segundo sua declaração de bens, teria sido conseguida por intermédio da compra, venda e aluguéis de imóveis, além de investimentos em hotelaria na Patagônia e aplicações financeiras em dólares em bancos argentinos. Além disso, acrescentam-se os salários da presidente Cristina (US$ 3,9 mil) e a pensão de Kirchner como ex-presidente (US$ 7,6 mil).

Representantes da oposição indicam que é chamativo o aumento da fortuna dos Kirchners, já que teoricamente os afazeres governamentais não permitiriam tempo de sobra para ocupar-se com os investimentos pessoais.

O escritor francês Albert Camus (1913-1960) colocou na boca de seu personagem Calígula (na peça homônima) as palavras: “Governar é roubar, toda a gente sabe. Mas há maneiras e maneiras. Por mim, roubarei francamente”. A frase, cunhada por Camus, já era aplicada por muitos governantes antes da estreia de sua peça, em 1944. E, evidentemente, continuou sendo aplicada por governantes em todo o planeta depois da peça. Integrantes da oposição argentina afirmam que o casal presidencial aplica o teorema de Calígula, pelo menos na primeira parte da frase. O Calígula em questão é o famoso Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus (Caio Julio César Augusto Germânico), nascido em 31 de agosto do ano 12 d.C. e morto no dia 24 de janeiro do ano 41. Na profissão de imperador durou um pouco menos do que muitos presidentes, isto é, três anos e 10 meses. Mas, fez o suficiente para ser lembrado ao longo dos séculos. Acima, busto do polêmico imperador em Carlsberg, Alemanha. Embaixo, sestércio com a efígie de Calígula, cunhado ao redor do ano 38.

IMÓVEIS LUCRATIVOS - A oposição destaca pontos polêmicos da declaração, como o caso do terreno de 20 mil metros quadrados que compraram da prefeitura de El Calafate (o refúgio dos Kirchners nos fins de semana, na província de Santa Cruz, na Patagônia). Os Kirchners adquiriram o terreno por US$ 34 mil em 2006. Mas, três anos depois, em janeiro de 2009, o venderam por US$ 1,65 milhão. O casal teve um lucro de 4.752% com esse investimento imobiliário, recorde em todo o país.

Suas aplicações financeiras também revelam que os Kirchners supostamente conseguiriam taxas de juros 20 vezes superiores à média de mercado.

Nos últimos anos, as três investigações que foram abertas na Justiça sobre o suposto enriquecimento ilícito dos Kirchners foram arquivadas.

Outra cornucópia. Desta vez, em “A abundância”, gravura do italiano Cesare Ripa (1555-1622) que integra sua obra “Iconologia overo Descrittione dell’Imagini universali”, livro de extrema influência em sua época.

FLORESCIMENTO - Em 2003 o casal Kirchner tinha um patrimônio oficial de 6.851.810 pesos (US$ 1.747.910, no câmbio atual). Em 2008, um ano após a posse de Cristina Kirchner, o patrimônio havia florescido para 46.036.711 pesos (US$ 11.744.058). Em 2009, no meio do mandato de Cristina (que termina em 2011), o patrimônio do casal Kirchner driblava a crise econômica mundial e acumulava 55.537.290 pesos (US$ 14.167.676).


Estadão


sábado, 28 de agosto de 2010

As verdades que esquecemos...


A solidão começou para o verdadeiro católico. Tomem nota: — ainda seremos o maior povo ex-católico do mundo.

O casamento já é indissolúvel na véspera.

A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.

Antigamente, o defunto tinha domicílio. Ninguém o vestia às pressas, ninguém o despachava às escondidas. Permanecia em casa, dentro de um ambiente em que até os móveis eram cordiais e solidários. Armava-se a câmara-ardente num doce sala de jantar ou numa cálida sala de visitas, debaixo dos retratos dos outros mortos. Escancaravam-se todas as portas, todas as janelas; e esta casa iluminada podia sugerir, à distância, a idéia de um aniversário, de um casamento ou de um velório mesmo.

Sou contra a pílula, e ainda mais contra a ciência que a inventou; a saúde pública que a permite; e o amor que a toma.

Diz o dr. Alceu que a Revolução Russa é "o maior acontecimento do século". Como se engana o velho mestre! O "maior acontecimento do século" é o fracasso dessa mesma revolução.

O dr. Alceu fala a toda hora na marcha irreversível para o socialismo. Afirma que a Revolução Russa também é irreversível. Em primeiro lugar, acho admirável a simplicidade com que o mestre administra a História, sem dar satisfações a ninguém, e muito menos à própria História. Não lhe faria mal nenhum um pouco mais de modéstia. De mais a mais, quem lhe disse que a Revolução Russa é irreversível?

Só Deus sabe que fiz o diabo para ser amigo do nosso Tristão de Athayde. Durante cinco anos, telefonei-lhe em cada véspera de Natal: — "Sou eu, dr. Alce. Vim desejar-lhe um maravilhoso Natal para si e para os seus" etc etc. Tudo inútil. O dr. Alceu trancou-me o coração. Até que, na última vez, disse algo que, para mim, foi uma paulada: — "Ah, Nelson! Você aí, nessa lama!". O mestre insinuara que a minha alma é um mangue, um pântano, um lamaçal. E, por certo, ao sair do telefone, foi se vacinar contra o tifo, a malária e a febre amarela que vivo a exalar. Pois é o que nos separa eternamente, a mim e ao dr. Alceu: — de um lado, a minha lama, e , de outro, a sua luz.

Outrora, o remador de Bem-Hur era um escravo, mas furioso. Remava as 24 horas por dia, porque não havia outro remédio e por causa das chicotadas. Mas, se pudesse, botaria formicida no café dos tiranos. Em nosso tempo, o socialismo inventou outra forma de escravidão: — a escravidão consentida e até agradecida.

A Igreja está ameaçada pelos padres de passeata, pelas freiras de minissaia e pelos cristãos sem Cristo. Hoje, qualquer coroinha contesta o Papa.

O padre de passeata é hoje, uma ordem tão definida, tão caracterizada como a dos beneditinos, dos franciscanos, dos dominicanos e qualquer outra. E está a serviço do ódio.

Os padres exigem o fim do celibato. Portanto, odeiam a castidade. Imaginem um movimento de meretrizes a favor da castidade. Pois tal movimento não me espantaria mais do que o motim dos padres contra a própria.

Os padres querem casar. Mas quem trai um celibato de 2 mil anos há de trair um casamento em quinze dias.

O tempo das passeatas acabou, mas o padre de passeata continua, inexpugnável no seu terno da Ducal e vibrando, como um estandarte, um Cristo também de passeata.

D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.

D. Helder já esqueceu tanto a letra do Hino Nacional quanto a da Ave-Maria. Prega a luta armada, a aliança do marxismo e do cristianismo. Se ele pegasse uma carabina e fosse para o mato, ou para o terreno baldio, dando tiros em todas as direções, como um Tom Mix, estaria arriscando a pele, assumindo uma responsabilidade trágica e eu não diria nada. Mas não faz isso e se protege com a batina. Sabe que um D. Helder sem batina, um D. Helder almofadinha, de paletó ou de terno da Ducal, não resistiria um segundo. Nem um cachorro vira-lata o seguiria.

Estou imaginando se, um dia, Jesus baixasse à Terra. Vejo Cristo caminhando pela rua do Ouvidor. De passagem, põe uma moeda no pires de um ceguinho. Finalmente, na esquina a Avenida, Jesus vê D. Helder. Corre para ele; estende-lhe a mão. D. Helder responde: — "Não tenho trocado!". E passa adiante.

No Brasil, só se é intelectual, artista, cineasta, arquiteto, ciclista ou mata-mosquito com a aquiescência, com o aval das esquerdas.

Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.

As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado.

Considero o filho único um monstro de circo de cavalinhos, um mártir, mártir do pai, mártir da mãe e mártir dessas circunstâncias. As famílias numerosas são muito mais normais, mais inteligentes e mais felizes.

Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — "Se Deus não existe tudo é permitido". Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os "melhores" pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea.

Ainda ontem dizia o Otto Lara Resende: — "O cinema é uma maneira fácil de ser intelectual sem ler e sem pensar". Mas não só o cinema dá uma carteirinha de intelectual profundo. Também o socialismo. Sim, o socialismo é outra maneira facílima de ser intelectual sem ligar duas idéias.

Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.

Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: — liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as objeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade.

Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura.

Como a nossa burguesia é marxista! E não só a alta burguesia. Por toda parte só esbarramos, só tropeçamos em marxistas. Um turista que por aqui passasse havia de anotar em seu caderninho: — "O Brasil tem 100 milhões de marxistas".

Hoje, o não-marxista sente-se marginalizado, uma espécie de leproso político, ideológico, cultural etc etc. Só um herói, ou um santo, ou um louco, ousaria confessar publicamente: — "Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais: — considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata".

No Brasil, o marxismo adquiriu uma forma difusa, volatizada, atmosférica. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, apenas respirando.

Marx roubou-nos a vida eterna, a minha e a do Otto Lara Resende. Pois exigimos que ele nos devolva a nossa alma imortal.

As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e "sem história", os quais chama de "piolhentos", de "anões", de "suínos" e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico.

O mundo é a casa errada do homem. Um simples resfriado que a gente tem, um golpe de ar, provam que o mundo é um péssimo anfitrião. O mundo não quer nada com o homem, daí as chuvas, o calor, as enchentes e toda sorte de problemas que o homem encontra para a sua acomodação, que aliás, nunca se verificou. O homem deveria ter nascido no Paraíso.

Nas velhas gerações, o brasileiro tinha sempre um soneto no bolso. Mas os tempos parnasianos já passaram. Hoje, ferozmente politizado, ele tem sempre à mão um comício.

Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.

É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.

A Rússia, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na antipessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento.

Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin.

Vocês se lembram da fotografia de Stalin e Ribbentropp assinando o pacto nazi-comunista. Ninguém pode esquecer o riso recíproco e obsceno. Se faltou alguém em Nuremberg — foi Stalin.

Havia, aqui, por toda parte, "amantes espirituais de Stalin". Eram jornalistas, intelectuais, poetas, romancistas. Outros punham nas paredes retratos de Stalin. Era uma pederastia idealizada, utópica e fotográfica.

Sou um pobre nato e, repito, um pobre vocacional. Ainda hoje o luxo, a ostentação, a jóia, me confundem e me ofendem.

Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.

Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.

O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.




Nelson Rodrigues

IBOPE mostra que Lula consegue eleger até um poste apagado. É a vitória da Revolução Socialista do PT.


José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo

Por que 51% dos eleitores declara voto em Dilma Rousseff (PT)? Principalmente porque, entre todos os candidatos a presidente, ela é vista como "a que tem mais condições de dar continuidade ao governo Lula". Mas não só por isso.

Segundo a maioria absoluta do eleitorado, Dilma é a melhor presidenciável para manter o poder de compra da população, assegurar o prestígio do Brasil no exterior e cuidar dos mais pobres.

O Ibope testou oito temas junto aos eleitores. Em apenas um deles, "melhorar a qualidade da saúde e dos hospitais do País", José Serra (PSDB) se equiparou à petista como o mais apto a realizar a tarefa. Nos outros sete, a petista foi apontada por mais eleitores como a mais indicada.

Fator Lula. A pesquisa também deixa claro que não é pelos atributos pessoais que Dilma seduz tantos eleitores. Dois em cada três votos vêm explicitamente da transferência de prestígio do presidente.

Nada menos do que 54% dos eleitores de Dilma citam como principal razão desse seu voto a continuidade do governo Lula, e outros 12% falam que votam nela porque é a candidata de Lula.

Apenas 8% creditam seu voto ao fato de ela ter "mais capacidade para governar o País". Outros 5%, por sua história de vida, e 4% por ela ser mulher.

Entre os eleitores de Serra, o motivo mais citado para votar nele (34%) é porque ele tem mais condições de avançar na saúde, segurança e educação. Outros 27% citam sua capacidade para governar o País.

Assim como mais eleitores votam na petista, é esperado que, aos olhos do eleitorado, Dilma supere os adversários também na capacidade de realizar as tarefas listadas. Mas em três dos temas ela se destaca mais do que em outros, pois atinge maioria absoluta.

Para 54% do total do eleitorado e 89% dos seus eleitores, Dilma é a melhor para "manter a nossa economia forte e o crescimento do poder de compra da população". Só 26% apontam Serra, e 4%, Marina Silva (PV).

Surpreendentemente, 53% dos eleitores (e 89% dos dela) dizem que Dilma é a melhor para "manter o prestígio do Brasil no exterior".

Finalmente, 52% do eleitorado (e 87% dos que votam nela) aponta Dilma como a mais indicada para "dar atenção à população mais pobre".

Como era de se esperar, o tema no qual Marina se sai melhor é "melhorar a preservação do meio ambiente", com 19% das citações dos eleitores, contra 22% de Serra e 40% de Dilma.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Suspeitos de violar sigilo de tucanos são poupados em sindicância da Receita


O Estado de S.Paulo

A análise das 450 páginas da sindicância da Receita Federal sobre a violação de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três pessoas ligadas ao comando do partido mostra que o órgão tem poupado os servidores suspeitos de envolvimento no caso.

O processo revela contradições entre o que disseram esses servidores e o que informam os documentos apresentados. Há também casos de omissões das autoridades nos interrogatórios sobre o acesso e a violação dos dados, ocorridos na delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista. A Receita não contestou sequer a informação de que as senhas dos funcionários eram permutadas por causa "da grande demanda de requisições judiciais", apesar de os tucanos não terem base tributária em Mauá nem serem alvos, naquelas datas, de nenhuma ordem jurídica de quebra de sigilo.

Um dos fatos que sugerem displicência dos interrogadores é que os funcionários foram ouvidos antes que a corregedoria tivesse recebido a perícia nos computadores - que comprova o acesso às informações dos tucanos. Outro, que só foram questionados sobre Eduardo Jorge, ficando livres de perguntas sobre o acesso às declarações de renda de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado, todos vinculados ao alto escalão do PSDB.

Presentes. Outra constatação diz respeito à folha de ponto dos servidores. Ela indica que eles estavam trabalhando no período de abertura e impressão dos sigilos fiscais. Embora seja preenchido por mera formalidade, à mão, e dentro de um mesmo padrão de horário, esse documento é assinado e rubricado por funcionários e pela chefia sob a frase "chefia e empregado confirmam e declaram ciência à frequência do mês". Não houve, da parte dos encarregados de investigar a invasão, nenhum questionamento quanto a isso.

Pelo conjunto de depoimentos colhidos até agora, ninguém sabe quem usou a senha nem o computador utilizado para abrir e imprimir, em sequência e no mesmo dia, os dados fiscais dos tucanos. Essa operação em cadeia, que enfraquece a versão de motivação funcional para os acessos, foi revelada pelo Estado na quarta-feira.

As senhas, segundo os funcionários, ficavam anotadas num "risque-rabisque" nas mesas de trabalho. Solicitados a ajudar na investigação, técnicos da Receita alegam à Corregedoria que é difícil saber se alguém desligou ou não o computador usado durante a operação de consulta aos dados fiscais.

Em depoimento no dia 27 de julho, a servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos afirmou que estava fora da Receita no período em que as declarações de renda dos tucanos foram consultadas, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro de 2009. É dela o computador usado para abrir e imprimir os dados sigilosos. Adeildda contou que "por volta" de 11h50 daquele dia deixou o trabalho para almoçar com o marido, retornando às 13h05. Segundo afirmou, ia comemorar o aniversário de casamento. Documento oficial da Receita, a folha de frequência, assinada pela própria servidora, diz que ela saiu às 11h30 para o almoço e retornou às 12h30. Portanto, oficialmente, estaria presente na hora em que as declarações de renda estavam sendo abertas, inclusive a de Eduardo Jorge, ocorrida às 12h43.

Outra senha. Indagada sobre essa saída da colega fora de hora, a servidora Ana Maria Cano, também suspeita de ligação com o episódio, disse recordar-se do fato, mas não da data. Ana Maria e Adeildda foram as funcionárias que tiveram acesso à senha usada para abrir os dados fiscais dos tucanos. Elas receberam o código de outra colega, a servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Em depoimento no dia 27 de julho, Antonia também negou envolvimento no episódio. Sua folha de ponto informa que também ela cumpria expediente quando os dados foram abertos.

Antonia afirmou ter repassado a senha às colegas por causa da "grande demanda de requisições judiciais". Negou ter recebido qualquer pedido para abrir os dados de Eduardo Jorge, que nem tem seu domicílio tributário em Mauá, assim como os dos demais alvos das consultas.

Os dados de Eduardo Jorge foram parar num dossiê de campanha que passou pelas mãos de membros da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. O episódio derrubou o jornalista Luiz Lanzetta, que deixou em junho a campanha da petista por ligação com o caso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ameaça do autoritarismo é continental


O Globo - 26/08/2010



Milhões de cidadãos sul-americanos estão ameaçados de perder suas fontes independentes de informação e de passarem a receber notícias através de um filtro governamental. É o chamado "controle social da mídia", um projeto caro a governos ditos de esquerda, autoritários e neopopulistas, eufemismo de censura.

É o que se passa, há anos, na Venezuela, onde Hugo Chávez persegue os meios audiovisuais (TV, rádio) críticos. Na semana passada, a Justiça, controlada pelo chavismo, impediu jornais e revistas de publicarem imagens e textos sobre a violência que dilacera o país (o número de homicídios em 2009 foi superior ao das mortes no Iraque). Depois, um tribunal voltou atrás, mas o dano à liberdade de expressão já estava feito.

Em outro país, mais importante, a Argentina, o processo está a todo o vapor. Explica-se: o casal Kirchner assume cada vez mais o autoritarismo como estilo, e se torna dia a dia mais parecido com Chávez. A relação dos Kirchner com a imprensa independente nunca foi boa, mas piorou quando o governo entrou em choque com o setor rural, em 2008, ao aumentar em 35% o imposto sobre a exportação de produtos agrícolas. O diário "Clarín" apoiou os ruralistas e, desde então, passou a ser considerado inimigo público número um pelos Kirchner. A primeira investida foi a Lei dos Meios, de 2009, pela qual o Estado reordenava a mídia segundo critérios próprios, para reduzir seu faturamento independente do Estado. Foi julgada inconstitucional. O governo voltou à carga e cassou a licença da Fibertel (do Grupo Clarín), provedora de serviços de internet.

Mas a grande cartada surgiu agora quando a presidente Cristina, em cadeia nacional de TV, acusou os dois principais jornais do país - "La Nación" e "Clarín" - de se terem aproveitado do clima de terror da ditadura (1976-1983) para apropriar-se da empresa Papel Prensa, dona de 75% do mercado argentino. O governo enviará à Justiça um relatório formalizando a acusação, com o qual espera poder expropriar a companhia, e assim decretar o fim da liberdade de imprensa. Ao GLOBO, Eduardo Lomanto, diretor de negócios do "La Nación", denunciou a truculência mafiosa que permeou a investida do governo, lembrando a participação do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno. Em determinado momento de uma reunião com os acionistas de Papel Prensa, ele ameaçou: "Aqui fora tenho uns muchachos especialistas em partir a coluna e fazer saltar os olhos daquele que fale" (contra a intenção do governo). Ontem, o irmão de David Greiver, um dos proprietários originais da empresa, veio a público para contestar os argumentos do governo e testemunhou que a venda da companhia para os atuais donos ("Clarín", "La Nación" e o próprio Estado argentino) se deu antes da prisão de sua família pela ditadura e de forma vantajosa para ela.

O Brasil não está livre de ações de grupos que visam a subjugar meios de comunicação independentes. Diversos projetos de lei nesta direção se originaram na Conferência Nacional das Comunicações (Confecom), convocada pelo governo. Em todo o continente está em risco a base das liberdades democráticas. Sem imprensa livre, elas são revogadas.

Crime organizado


O Estado de S. Paulo - 26/08/2010


Quando o presidente Luiz Inácio da Silva ordena que seus correligionários criem "fatos políticos" capazes de inverter a tendência do eleitorado de São Paulo em prol do tucano Geraldo Alckmin para favorecer o petista Aloizio Mercadante, é o caso de se pôr um pé atrás.


A penúltima tentativa oriunda do PT de criar um "fato" para tentar influir na direção da preferência dos eleitores foi em 2006. Um grupo de petistas foi pego pela Polícia Federal em um hotel de São Paulo quando se preparava para comprar um dossiê para ser usado contra o então candidato ao governo do Estado, José Serra.
A última, ainda em execução, a bem-sucedida - não obstante feita ao arrepio da lei - estratégia do presidente Lula de usar a máquina pública durante dois anos para construir uma representação eleitoral que pudesse ocupar o seu lugar no interregno entre mandatos.

Portanto, quando se fala em "fato" convém ouvir com reservas, pois talvez esteja em andamento um truque.
Conjeturava a respeito quando Leandro Colon e Rui Nogueira soltam ontem à tarde a nova no estadão.com.br: investigação da Receita Federal revela que além de Eduardo Jorge Caldas, mais três pessoas ligadas ao PSDB tiveram seus sigilos fiscais violados. No mesmo dia, hora, computador e mediante o uso da mesma senha.
Eduardo Jorge é vice-presidente do PSDB. Os outros são Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações que sucedeu a Sérgio Motta no governo Fernando Henrique; Gregório Preciado, empresário casado com uma prima de José Serra; Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil no governo FH.
Já se localizaram as funcionárias donas da senha e do computador que acionaram as informações das declarações de renda dos quatro tucanos. Ambas negam envolvimento. Faz parte.
Parte dessas informações, aquela relativa a Eduardo Jorge, foi parar nas mãos do grupo de "inteligência" do PT e de lá na redação do jornal Folha de S. Paulo, que divulgou a história.

O dossiê propriamente dito até agora ninguém sabe ninguém viu. E é a isso que o PT se apega para negar participação.

O partido pediu formalmente a abertura de investigações, mas depois disso não fez outra coisa a não ser desqualificar não só a acusação, mas o acontecimento em si.

O governo tampouco se mostra indignado com o fato de cidadãos sob sua proteção terem seus sigilos violados. Silencia e tergiversa, como fez o secretário-geral da Receita quando foi ao Congresso falar sobre o assunto.

Escondeu informações que em seguida seriam descobertas pela imprensa e marcou a divulgação da conclusão do caso para depois das eleições.

Pode ser que as coisas se apressem agora que a Justiça deu a Eduardo Jorge acesso às investigações da Receita e que ficou claro o seguinte: quebras de sigilo não são fatos isolados.

Sede ao pote. Nesta altura em que Dilma Rousseff fala como "presidenta" eleita, já é possível perceber o que a candidata pensa sobre os melhores critérios para escolha de ministros.

"Não acho que tem (sic) uma área exclusiva para técnico e outra para político. Acho que o político deve combinar competência técnica e capacidade, e que o técnico deve ter jogo de cintura. Não pode ser o técnico frio nem o político sem capacidade, competência e qualificação", diz.

Noves fora, Dilma Rousseff não pensa coisa alguma a respeito. Caso pense não diz nada que possa indicar conhecimento de causa nem vontade de melhorar o modelo de distribuição de cargos mediante crédito partidário e não por mérito pessoal/profissional.

Se não sabe como administrar o Congresso, ou o governante é guiado por alguém que saiba ou é triturado por ele.

O verbo. Lula diz que poderia ter mandado "emendinha" ao Congresso para ter novo mandato. Não é verdade. Gostaria, mas desistiu porque não conseguiria fazê-la passar pelo Senado nem pelo Supremo.

A máquina


O Globo - 26/08/2010


Agora ficamos sabendo, graças ao jornalismo da grande imprensa que o governo Lula tenta constranger justamente para que fatos como este não sejam divulgados, que o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, não foi o único tucano a ter o sigilo fiscal quebrado dentro da Receita Federal. Outros três personagens, ligados de alguma maneira a José Serra, candidato tucano à Presidência da República, também tiveram seus dados acessados irregularmente no dia 8 outubro, em 16 minutos de atividades através de um mesmo computador e com a utilização da mesma senha.

O processo aberto na Receita Federal, que ainda não foi divulgado oficialmente, demonstra que, sem motivação profissional, as declarações de Imposto de Renda do ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e de Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, também foram acessadas.

A quebra de sigilo de "adversários" políticos é apenas uma faceta do aparelhamento do Estado posto em prática pelo governo.

Uma análise aprofundada dessa máquina está no livro "A elite dirigente do governo Lula", da cientista política Maria Celina D"Araujo, atualmente professora na PUC do Rio de Janeiro.

O próximo presidente da República vai herdar uma máquina pública "experiente e bem formada", com fortes vínculos políticos com o PT e a CUT, relação aprofundada no governo Lula.

Segundo o estudo, uma máquina formada por pessoas altamente escolarizadas, com experiência profissional, a maioria proveniente do serviço público, com fortes vínculos com movimentos sociais, partidos políticos, especialmente o PT, sindicatos e centrais sindicais, principalmente a CUT.

Na análise de Maria Celina, os integrantes das carreiras públicas estão majoritariamente filiados a sindicatos e têm preferencialmente adotado o PT, "de forma que mesmo que o governo seja de outro partido, a máquina pública irá refletir essa tendência".

Esse "sindicalismo de classe média", onde predominam professores e bancários, tem sua base no funcionalismo público, fundamental para reativar o sindicalismo brasileiro a partir da redemocratização nos anos 1980, e está na origem do Partido dos Trabalhadores.

Dados oficiais indicam que em julho de 2009 havia 47.500 cargos e funções de confiança na administração direta, autárquica ou em fundações, que podiam ser preenchidos discricionariamente pelo Poder Executivo federal.

É essa máquina, dominada pelos sindicalistas, que atua nas sombras para produzir dossiês ou comprá-los com dinheiro escuso de que até agora não se sabe a origem, como no caso dos "aloprados", de 2006, que pagaram com montanhas de dinheiro vivo um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, o mesmo José Serra que hoje concorre à Presidência da República.

Dossiês e insinuações contra Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio ou Gregório Marin Preciado surgem desde a campanha eleitoral de 2002, especialmente por conta das privatizações.

Mas Mendonça de Barros, o ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro e dois ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e José Pio Borges, foram absolvidos, depois de dez anos de insinuações e acusações, que agora a Justiça diz serem infundadas.

O dossiê contra Eduardo Jorge foi descoberto pela "Folha de S. Paulo" e, no decorrer das investigações sobre o caso, descobre-se agora que mais pessoas foram "investigadas".

O comitê de campanha de Dilma Rousseff, onde circulava o dossiê sobre Eduardo Jorge, é o mesmo que se viu envolvido em espionagens e contratações de arapongas para grampear telefones de adversários da campanha de Serra, inclusive o próprio, segundo declaração de um policial que foi sondado para a tarefa.

O jornalista acusado de responsável pela tentativa de criar um núcleo de espionagem na campanha, Luiz Lanzetta, foi afastado do comitê, mas continua trabalhando na campanha de maneira indireta, em outra empresa.

Ao mesmo tempo, a campanha de Dilma contratou um jornalista "investigativo", Amaury Ribeiro Jr., que supostamente escreveu um livro com denúncias sobre o processo de privatização no governo Fernando Henrique. Depois do escândalo, ele também foi afastado do comitê.

Como não é a primeira vez que um órgão federal quebra o sigilo de "adversários" do governo - não se deve esquecer nunca o caso do caseiro Francenildo Pereira, que teve seu sigilo na Caixa Econômica Federal quebrado na tentativa de proteção do então ministro da Fazendam Antônio Palocci, hoje um dos coordenadores da campanha de Dilma -, seria preciso que a cidadania se escandalizasse com essa prática antidemocrática, que fere os direitos individuais.

São as "janelas quebradas" do sigilo de que falou o juiz Antônio Cláudio Macedo da Silva, que mandou abrir para Eduardo Jorge a investigação da Receita.

Mas nada mais espanta, nem causa constrangimentos aos donos do poder, que já se sentem nomeados para pelo menos mais quatro anos de governo, quem sabe mais oito, ou talvez mais 12 caso Lula reivindique para si a candidatura em 2014, assumindo o lugar que sua "laranja eleitoral" esquentou para seu retorno glorioso.

A vontade de permanecer, mesmo por interposta pessoa, é tamanha que o próprio Lula já se acha em condições de fazer piadinhas com o continuísmo sonhado. "Podia ter uma emendazinha para mais alguns anos de mandato", brincou ontem ao assinar a reorganização do Ministério da Defesa.

De brincadeira em brincadeira, mas levando muito a sério a missão de eleger sua escolhida, Lula demonstra um apetite pelo poder que tem reflexo na máquina partidária que está montada e em ação, trabalhando dentro do governo para garantir a permanência do grupo.



Merval Pereira

A Consolidação da Revolução Socialista do PT!!! A Era da Ditadura do "Proletariado"!


SÃO PAULO - A pesquisa do Datafolha/TV Globo divulgada na madrugada desta quinta-feira, 26, aponta a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 49% das intenções de voto e está com 20 pontos de vantagem sobre José Serra, do PSDB, que está com 29%. O levantamento foi realizado nos dias 23 e 24 de agosto, com 10.948 entrevistas feitas em todo o Brasil.

O resultado mostra também que a candidata petista passou em Estados em que Serra estava liderando, como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Além disso, Dilma também tem a preferência entre os eleitores com maior faixa de renda.

Os números de São Paulo, Estado onde Serra foi governador até abril e reduto em que o PSDB governa há 16 anos, apresentam Dilma Rousseff com 41%, na semana passada a adversária do tucano estava com 34%. José Serra caiu de 41%, para 36%.

Já no Rio Grande do Sul, a candidata petista subiu de 35% para 43%, tucano caiu de 43%, para 39%.

Na pesquisa do dia 20 de agosto, Dilma estava com 47% e foi a 49%. Já Serra, que estava com 30%, cai para 29%. Marina Silva, do PV, manteve 9%.

Num eventual segundo turno, a petista também amplia a vantagem, subindo de 53%, para 55%. José Serra que estava com 39%, na semana passada, para 36%.

Em relação aos votos em branco, nulo ou nenhum, somam 4% e 8% são indecisos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 25.473/2010.



Lula lamenta não ter tentado 3º mandato


O Estado de S.Paulo

Depois de fazer vários discursos anunciando que já está com saudades do cargo que deixa em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou ontem, em discurso diante de militares, não ter encaminhado ao Congresso emenda constitucional que o autorizaria a disputar o terceiro mandato.

A declaração ocorreu na cerimônia de sanção da Lei Complementar 97, que amplia os poderes do ministro da Defesa e estende para Marinha e Aeronáutica o poder de polícia nas fronteiras. Dirigindo-se ao ministro Nelson Jobim, em tom leve, o presidente disse: "Está certo que está no final do mandato. Você poderia, junto com essa emenda complementar, ter mandado uma emendinha para mais uns anos de mandato. Você não mandou, então fica... embora esteja no final de mandato eu, sinceramente, saio da Presidência mais gratificado porque a gente vai ter uma nova lógica na nossa defesa."

Antes, no início do discurso, o presidente já havia feito referência ao assunto. "Vocês perceberam que mudou tudo, agora é só de companheiro para companheiro. Mais um ano no poder, eu chamaria de "camaradas"", afirmou, a respeito de sua intimidade com os militares.

A declaração provocou constrangimento entre os que lotavam a nova sala de audiências no terceiro andar do Palácio do Planalto. "Camaradas" é uma expressão histórica com que os comunistas se dirigiam aos amigos. Lula aproveitou a fala para defender os investimentos na área militar. Lembrou as críticas que enfrentou quando decidiu comprar o Airbus A-319 e se disse arrependido por não ter adquirido um avião maior, ou dois. Justificou a necessidade deles pelas grandes comitivas de empresários que leva em suas viagens.

De olho
O presidente Lula reforçou ontem, aos "companheiros e companheiras", que ao deixar o cargo ficará vigilante: "Esteja onde estiver, estarei de olho em vocês, cobrando que vocês façam mais e melhor."

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Receita vasculhou sigilos de mais 3 pessoas ligadas a Serra e FHC


O Estado de S.Paulo

Investigação interna da Receita Federal revela que acessos suspeitos aos sigilos fiscais de adversários do PT foram além do manuseio dos dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Os documentos mostram que, no mesmo dia, de um mesmo computador e em sequência, servidores do Fisco abriram os dados sigilosos de Eduardo Jorge e de mais três pessoas ligadas ao alto comando do PSDB. São elas: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado.

O Estado teve acesso a informações do processo aberto pela Corregedoria da Receita para saber quem acessou e por que os dados de Eduardo Jorge foram abertos em terminais da delegacia da Receita Federal em Mauá (SP). Essas informações foram parar num dossiê que teria sido montado por integrantes do comitê de campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). A oposição acusa funcionários do governo de violarem os sigilos fiscais de tucanos para fabricar dossiês na campanha eleitoral.

Os dados da investigação revelam que as declarações de renda de Eduardo Jorge e dos outros três tucanos foram acessadas do mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge. Quatorze segundos depois, os dados referentes a 2008 foram abertos por um servidor da Receita.

Os nomes dos tucanos foram destacados pela própria investigação da Receita Federal, como "contribuintes que despertaram interesse na apuração". O trabalho de apuração da Receita compreendeu os acessos ocorridos naquela delegacia entre 3 de agosto e 7 de dezembro de 2009. Em depoimento à corregedoria da Receita, as duas funcionárias negam envolvimento na abertura desses dados. Dona da senha usada, Antonia Aparecida alega que repassou o código a outras duas colegas e que não sabe quem fez essas consultas.

VOTAR NO PT É DIZER ADEUS À DEMOCRACIA

Do Blog do



Transcrevo após este prólogo o importante artigo do professor Bolívar Lamounier publicado no jornal O Estado de São Paulo desta terça-feira que analisa o que pode acontecer ao Brasil em nível institucional caso seja vitoriosa a candidata de Lula. O título do artigo é "A 'mexicanização' em marcha", aludindo ao México que ficou sob o domínio do Partido Revolucionário Institucional (PRI), durante sessenta anos.

Por email recebi de um leitor do blog um comentário de Nivaldo Cordeiro em que ao elogiar o artigo do professor Lamounier, que de fato está muito bem articulado, argumenta que não comporta comparar o Brasil sob o domíno do PT, caso vença Dilma, como uma 'mexicanização'. Isto porque o PRI não tinha o viés comunista que caracteriza o PT, entre outro fatores, como geopolítico, já que o México se encontra colado aos Estados Unidos. Concordo com a argumentação de Nivaldo Cordeiro.

Seja como for, há todas as indicações de que sufragar Dilma (aliás já disse isso aqui no blog) significa abrir caminho para a segunda etapa do avanço comunista do tipo chavista que é a real intenção do PT, embora essa discussão esteja obstruída pelo tabu criado pelo próprio PT e mantido intocável principalmente pela patrulha do jornalismo "companheiro" que já domina boa parte das editorias das redações dos veículos de comunicação.

Outro ponto anotado pelo professor Bolivar Lamounier e que merece detida reflexão diz respeito à possibilidade do PT e aliados conseguirem a maioria das duas Casas do Congresso Nacional. Isto abriria oportunidade ao que se convencionou (impropriamente, a meu ver) denominar de "golpe constitucional", ou seja, a radical reforma da Constitução de 1988, substituindo-a por outra que subjugará as instituições democráticas à "democracia direta", manipulada por ditos "movimentos sociais" criados e mantidos pelo PT, o que em outras palavras quer dizer ditadura disfarçada de democracia.

Encareço que leiam com a devida atenção o artigo do professor Lamounier, acreditado politólogo brasileiro. Ilustro este post com uma oportuna charge do mestre Sponholz que resume a estratégia suicida da campanha eleitoral da Oposição. Se puderem, por favor, repassem aos seus amigos. Estamos num momento extremamente delicado da vida política do Brasil e este é um assunto urgente que precisa ser debatido e esclarecido. Leiam:

O processo sucessório presidencial em curso comporta dois cenários marcadamente assimétricos, conforme o vencedor seja José Serra ou Dilma Rousseff. Se for José Serra, não é difícil prever a cerrada oposição que ele sofrerá por parte do PT e dos "movimentos sociais", entidades estudantis e sindicatos controlados por ele - e, provavelmente, do próprio Lula. Se for Dilma Rousseff - como as pesquisas estão indicando -, o cenário provável é a ausência, e não o excesso, de oposição.

Para bem entender esta hipótese convém levar em conta dois fatos adicionais.
Primeiro, o cenário Dilma não se esgota na figura da ex-ministra. Ele inclui, entre os elementos mais relevantes, o controle de ambas as Casas do Congresso Nacional pela dupla PT e PMDB. Inclui também uma entidade institucional inédita, personificada por Lula. Semelhante, neste aspecto, a um aiatolá, atuando de fora para dentro do governo, Lula tentará, como é óbvio, influenciar o conjunto do sistema político no sentido que lhe parecer conveniente ao governo de sua pupila ou a seus próprios interesses. Emitirá juízos positivos ou negativos, em graus variáveis de sutileza, sobre medidas tomadas pelo governo e regulará não só o comportamento da base governista no Congresso, mas também os movimentos de sístole e diástole da "sociedade civil organizada" - entendendo-se por tal os sindicatos, segmentos corporativos e demais organizações sensíveis à sua orientação.

O segundo fato a considerar é a extensão da derrota que Lula terá conseguido impor à oposição. Claro, a eventual derrota será também consequência das ambiguidades, das divisões e dos equívocos da própria oposição, mas o fator determinante será, evidentemente, a ação de Lula e do esquema de forças sob seu comando. Deixo de lado, por óbvio, as condições econômicas extremamente favoráveis, o Bolsa-Família, a popularidade do presidente, etc.

José Serra ficará sem mandato até 2012, pelo menos. No Senado - a menos que sobrevenha alguma reorganização das forças políticas -, Aécio Neves fará parte de uma pequena minoria parlamentar, situação em que ele dificilmente exercerá com desenvoltura as suas habilidades políticas.

Nos Estados, os governadores eventualmente eleitos pelo PSDB, sujeitos ao torniquete financeiro do governo federal, estarão igualmente vulneráveis ao rolo compressor governista. Longe de mim subestimar lideranças novas, como a de Beto Richa, no Paraná, e a de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Mas não é por acaso que Lula já se apresta a batalha por São Paulo, indicando claramente a sua disposição de empregar todo o arsenal necessário a fim de reverter o favoritismo tucano neste Estado.

Resumo da ópera: no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos.

É oportuno lembrar que o esquema de poder ora dominante abriga setores não inteiramente devotados à democracia representativa, adeptos seja do populismo que grassa em países vizinhos, seja de uma nebulosa "democracia direta", que de direta não teria nada, pois seus atores seriam, evidentemente, movimentos radicais e organizações corporativas. Claro indício da presença de tais setores é a famigerada tese do "controle social da mídia", eufemismo para intervenção em empresas jornalísticas e imposição de censura prévia.

Na Primeira República (1889-1930), a "situação" - ou seja, os governantes e seus aliados nos planos federal e estadual - esmagava a oposição. Foram poucas e parciais as exceções a essa regra. Mas a estratégia levada a cabo por Lula está indo muito além. É abrangente, notavelmente sagaz e tem um objetivo bem definido: alvejar em cheio a oposição tucana.

Para bem compreendê-la seria mister voltar ao primeiro mandato, ao discurso da "herança maldita", sem precedente em nossa História republicana no que se refere ao envenenamento da imagem do antecessor; à anistia, retoricamente construída, a diversos corruptos e até a indivíduos que se aprestavam a cometer um crime - os "aloprados"; e aos primórdios da estratégia especificamente eleitoral, ao chamado confronto plebiscitário, em nome do qual ele liquidou no nascedouro toda veleidade de autonomia por parte de quantos se dispusessem a concorrer paralelamente a Dilma Rousseff. A Ciro Gomes Lula não concedeu sequer a graça de uma "sublegenda", para evocar um termo do período militar.

Para o bem ou para o mal, a única oposição político-eleitoral potencialmente capaz de fazer frente ao rolo compressor lulista é a aliança PSDB-DEM-PPS. No horizonte de tempo em que estou pensando - digamos, os próximos quatro anos -, não há alternativa. Portanto, a operação a que estamos assistindo, com seu claro intento de esterilizar ou virtualmente aniquilar essa aliança, coloca-nos nas cercanias de um regime autoritário.

Sem a esterilização ou o aniquilamento político-eleitoral da mencionada coalizão, não há como cogitar de um projeto de poder hegemônico, de longo prazo e sem real alternância de poder. A esterilização pode resultar de uma estratégia deliberada por parte do comando político existente em dado momento, de uma conjunção de erros, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas - ou de ambas as coisas.

Sociologicamente falando, não há funcionamento efetivo da democracia, quaisquer que sejam os arranjos constitucionais vigentes, num país onde não exista uma oposição eleitoralmente viável. Haverá, na melhor das hipóteses, um autoritarismo disfarçado, um "chavismo branco" ou, se preferem, um regime mexican style - aquele dominado durante seis décadas pelo PRI, o velho Partido Revolucionário Institucional mexicano.

Os dez mandamentos do Voto Consciênte


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terça-feira, 24 de agosto de 2010

O verdadeiro Jingle da DILMA¹³

TRE-SP barra candidatura de Paulo Maluf


O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu hoje, por 4 votos a 2, impugnar a candidatura de Paulo Maluf (PP), que tenta a reeleição à Câmara dos Deputados. A maioria dos magistrados concluiu que a condenação do deputado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no caso do ‘frangogate’, o deixa inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Uma decisão definitiva sobre o caso deverá ser tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até lá, Maluf continua candidato.

Em nota divulgada após a decisão, a assessoria de imprensa do ex-prefeito de São Paulo ressaltou que a defesa de Maluf apelará ao TSE. “Paulo Maluf teve dois votos a favor, no julgamento do TRE, de dois eminentes juízes. A matéria portanto é controversa”, argumenta o texto assinado pelo assessor Adilson Laranjeira.

Votaram pelo indeferimento da candidatura o relator do caso, juiz Jeferson Moreira de Carvalho, o presidente da Corte, desembargador Walter de Almeida Guilherme, o vice-presidente, juiz Alceu Penteado Navarro e a juíza Clarissa Campos Bernardo. O juiz Gaudino Toledo Junior e o desembargado Paulo Octavio Baptista Pereira foram contrários à impugnação. O juiz Paulo Henrique Lucon se declarou impedido de votar.

Na sessão de hoje, o TRE-SP entendeu que o tribunal não precisa aguardar o julgamento de um recurso impetrado pela defesa de Maluf no TJ-SP para declará-lo inelegível. Na interpretação da defesa do deputado, no entanto, Maluf não poderia ser considerado inelegível porque o TJ ainda não concluiu o julgamento.

Pela Lei da Ficha Limpa, um político que tenha sido condenado por um colegiado de juízes não poderá concorrer nas eleições deste ano. Maluf foi condenado pela 7.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo na ação de improbidade administrativa em que era acusado de superfaturar a compra de frangos para a Prefeitura de São Paulo, em 1996 – escândalo que ficou conhecido como ‘frangogate’.



Estadão

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Taxa de homicídios da Venezuela é maior que a do Iraque


CARACAS - A taxa de homicídios registrada na Venezuela nos últimos anos supera a do Iraque, país que sofre com a violência sectária e o terrorismo, informa nesta segunda-feira, 23, o jornal americano New York Times, citando um relatório recente sobre a criminalidade na nação sul-americana.

Segundo o jornal, em 2009, 4.644 civis iraquianos morreram em casos de violência, enquanto na Venezuela, esse número é superior a 16 mil. Os países têm praticamente a mesma população - cerca de 28 milhões de habitantes.

Um relatório sobre homicídios no país foi publicado pelo jornal El Nacional em meio à polêmica de uma medida preventiva, ditada na última terça-feira, que proibia a publicação de "fotos, informações e anúncios" sobre violência na imprensa. A foto mostrava cadáveres empilhados em um necrotério de Caracas, denunciando a precária situação da segurança pública na capital venezuelana.

Desde que o presidente Hugo Chávez assumiu o poder, em 1999, foram registrados 118.541 homicídios na Venezuela, segundo o Observatório da Violência do país, órgão que reúne dados de mortes com base nos documentos policiais. O governo não divulga mais dados como esse, mas não rebateu a contagem do grupo.

De 2007 até hoje, houve 43.792 homicídios. No México, onde o principal problema é a violência por conta do narcotráfico, esse número é de cerca de 28 mil. Em toda a Venezuela, a taxa é de 75 homicídios por cada 100 mil habitantes. Em Caracas, a situação é ainda pior - são 200 mortes violentas a cada 100 mil habitantes, informa Roberto Briceño-León, sociólogo da Universidade Central da Venezuela e diretor do Observatório.

Segundo especialistas, o número de homicídios é três vezes maior que quando Chávez assumiu. Eles dizem que o ruim desempenho econômico do país, o que mantêm a desigualdade social - é uma das causas para esse aumento sem precedentes na história venezuelana.

Eles, porém, não descartam a política de Chávez como um fator que contribui com o aumento da criminalidade. Segundo os analistas, o governo não mantém uma política sólida de combate à violência e o sistema judiciário constitui um problema, já que mais de 90% dos casos acaba sem prisões e sem serem resolvidos.

O governo, porém, alega estar tentando resolver o problema. Recentemente, foi criada a Guarda Nacional Bolivariana e uma Universidade de Segurança, ainda em estado experimental, onde oficiais são treinados por autoridades de Cuba e da Nicarágua, que mantêm as menores taxas de homicídio da América Latina.

Fichas-sujas invadem a corrida eleitoral


O Estado de S.Paulo

Candidatos com ficha policial ou cassados pela Justiça Eleitoral afrontam a Lei da Ficha Limpa e fazem campanha, confiantes de que serão eleitos. Há casos emblemáticos em vários Estados envolvendo nomes notórios, como ex-governadores, um dirigente de futebol e até um bicheiro.
No Rio de Janeiro, o ex-presidente do Vasco e ex-deputado federal Eurico Miranda (PP) tenta voltar à Câmara dos Deputados apresentando-se como "candidato ficha limpa". Ele é réu de processos em varas criminais da Justiça Federal, alvo de inquéritos em andamento e um dos denunciados pela CPI do Futebol do Senado, finalizada em 2001.

Eurico nunca foi condenado em decisões colegiadas - o que o deixa de fora das inelegibilidades previstas pela Lei da Ficha Limpa. "Sou ficha limpíssima", afirma o dirigente esportivo. "Foi justamente essa lei que me motivou a fazer campanha".

Na semana passada, o TRE do Rio deferiu a candidatura de Eurico. Ele apresentou 15 certidões criminais negando condenação. Em 2007, ele foi condenado a 10 anos de prisão por crimes tributários pela 4ª Vara Federal Criminal do Rio. O STJ, porém, anulou a sentença. Duas ações tramitam em varas federais e um inquérito na Justiça estadual.

"São questões que envolvem recolhimento de INSS. Esse não é mais um problema meu. É problema do Vasco", alegou Eurico.

Em Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa, cujo pedido de candidatura ao governo pelo PDT foi impugnado pelo TRE, foi orientado pelo advogado a ignorar a decisão da Justiça e continuar em campanha.

Para Lessa, a decisão do TRE-AL foi política e será revertida pelo TSE. Ele não se considera um ficha-suja, apesar de condenado por um colegiado, acusado de abuso de poder político e eleitoral, nas eleições de 2004.

"Os verdadeiros bandidos permanecem impunes, enquanto eu estou sendo punido por ter dado aumento aos servidores da Educação", afirma.

Cassado pelo TSE por corrupção eleitoral em fevereiro do ano passado e barrado pelo TRE da Paraíba com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador Cássio Cunha Lima está em plena campanha para o Senado pelo PSDB.

Ele aguarda que o TSE julgue recurso contra decisão do TRE que manteve a impugnação de sua candidatura. No programa eleitoral, se apresenta como "injustiçado" que acatou a decisão da Justiça. Nas primeiras aparições, disse que já foi punido e não vai desistir da candidatura ao Senado.

Bicho. José Carlos Gratz, preso em 1989 pela Polícia Federal acusado de comandar o jogo do bicho em Vitória, foi uma espécie de governador às avessas, exercendo enorme poder na vida política e econômica do Espírito Santo. Do cargo de presidente da Assembleia Legislativa, controlava o Poder Executivo.

Durante pelo menos duas administrações, o governador que não rezasse a cartilha dele não conseguia apoio do parlamento.

Em 2002, acusado pelo Ministério Público Estadual do desvio de R$ 26,7 milhões do Legislativo, teve o mandato cassado. Foi preso outras duas vezes, e ainda responde em liberdade a cerca de 150 ações judiciais.

Mesmo com um currículo desses, encontrou abrigo no nanico PSL e arquitetou a volta à vida pública, na disputa pelo cargo de senador. Foi o primeiro político do país a questionar a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa no STF, com duas ações com pedido de liminar, nas quais busca sustentar a candidatura.

O TSE vai julgar uma das ações, e a outra teve o pedido negado pelo ministro do STF Carlos Ayres Britto.

Dos candidatos impugnados pela Procuradoria Eleitoral do Maranhão, enquadrados na Lei da Ficha Limpa, todos aparecem na TV e no rádio fazendo campanha normalmente, como Jackson Lago (PDT), Sarney Filho (PV), Cléber Verde (PRB) e Márcia Marinho (PMDB).

sábado, 21 de agosto de 2010

E agora somos todos Socialistas?


Direoto do Blog do CONDE, ja dizenso que concordo com cada linha!


O último debate, na Rede Bandeirantes, dos candidatos a presidência da república revelou uma faceta curiosa dos participantes: todos, sem exceção, são socialistas. Uns podem ser socialistas “lights” e outros “enragès”. No entanto, o consenso de todos os candidatos é a idéia do Estado forte, planejador, impulsionador do desenvolvimento econômico, enquanto nós, agentes privados e verdadeiros produtores da riqueza, somos vistos com desconfiança, como se precisássemos de burocratas para nos conduzir. A “cegueira”, por assim dizer, do livre mercado deve ser manipulada por esses seres iluminados do planejamento estatal. Marina Silva, José Serra, Dilma Roussef e Plínio de Arruda Sampaio devem ser deuses, futurólogos, adivinhos das expectativas de milhões de pessoas na economia.

Mas o debate não assustou apenas pelo consenso, como também pela sonolência. José Serra, o candidato da “oposição”, parece ter ignorado as manifestações de seu vice do DEM, Índio da Costa, denunciando as ligações do PT com as Farc e com a gangue bolivariana Foro de São Paulo. Ele perdeu uma boa oportunidade de colocar o boneco de Lula, a terrorista DIlma Roussef, na parede. Este silêncio soa como traição a uma boa parte dos seus eleitores, já que merecem esclarecimentos sobre o envolvimento nada nobre do PT com o narcotráfico. Porém, Serra, como uma boa parte do PSDB, preferiu se calar. Não toca mais no assunto, mesmo sabendo da gravidade do envolvimento de Lula com o que há de mais retrogrado, criminoso e totalitário na América Latina. De fato, essa ânsia de cada candidato ser mais esquerdista do que o outro não só é um retrato fiel da hegemonia ideológica das esquerdas no plano cultural, como um dado concreto de que não há oposição verdadeira na política. A cumplicidade e o silêncio do candidato tucano com o consenso esquerdista são visivelmente desonestos com os seus eleitores. Aliás, o consenso esquerdista da classe política, em geral, é desonesto. Não condiz com a realidade do eleitor médio, nem com seus valores ou com os fatos.

Se não bastasse José Serra reafirmar o consenso ideológico sinistro, o mesmo chegou a chamar Lula de “troglodita de direita”, pelo fato de o Presidente apoiar o ditador Armadinejah, do Irã. Ou seja, por mais que a esquerda seja corrupta, defenda ditaduras ou políticas genocidas, quem responde pelos seus atos é a direita. Os esquerdistas estão acima do bem e do mal, não assumem os atos que fazem. Esquerda pode roubar, pode matar, pode financiar tráfico de drogas, porque, no final das contas, quem rouba, mata e trafica drogas é sempre a direita fictícia e imaginária na cabeça do Sr. Serra. Ainda que a esquerda mundial tenha alianças com o islamismo totalitário, claro, essa esquerda é toda "direitista". O tucano, de forma inescrupulosa, acaba acatando á farsa ideológica, isentando a esquerda brasileira de seus crimes, ainda que tenha entre seus eleitores, muitos “trogloditas” de direita. Claro que Serra, um gramsciano de longa data, fez tal conjectura por malícia. Inclusive, Índio da Costa poderia ser enquadrado nesse mérito de “troglodita”, ainda que tenha mais respeito aos eleitores do que o próprio Serra. O tucanato é deveras covarde.

Se há algo que as eleições presidenciais já disseram é uma mensagem muito simples: todos os candidatos são socialistas! É um simulacro de marxismo-leninismo cultural. O eleitor médio brasileiro é obrigado a votar num “centralismo democrático”, ainda que não seja partidário, mas cultural. O candidato pode ser “moderado”, “radical” ou de “centro”, mas tudo é ou será esquerdista, com vaselina ou passando areia. Não nos iludamos com o PSDB. O tucanato é esquerda cultural, como também o PT o é. Cada um colabora para o domínio cultural do outro. Por mais que o PSDB vença a eleição, o esquerdismo, que é a base de ambos os partidos, permanecerá intacto, com mais intervenção estatal, mais revolução cultural politicamente correta, com mais impostos e burocracia em nossas vidas. A diferença é apenas de progressão. O PT é o PSDB radical, que come com as mãos. E o PSDB é o PT light, e que usa talher. A diferença é apenas de graduação. Votar em quem? Nos mencheviques ou nos bolcheviques? Na esquerda sindical ou na esquerda caviar? Eis a questão. É tudo farinha do mesmo saco!



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