quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tempo esgotado. ACORDA BRASIL!! DILMA NÃO

Foro de São Paulo em Crise: Correa declara estado de exceção após rebelião de policiais no Equador


Agência Estado

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, decretou nesta quinta-feira, 30, estado de exceção em todo o país por cinco dias para frear um protesto de militares e policiais contra uma lei que corta os benefícios de setores do funcionalismo público.


"Uma vez que setores da polícia abandonaram irresponsavelmente seu trabalho, tivemos de declarar o estado de exceção", disse o ministro de Segurança Doméstica, Miguel Carnaval, a jornalistas.

Correa acusou setores da oposição, entre eles o ex-presidente Lúcio Gutierrez de organizar um golpe de Estado contra ele. Policiais ocuparam os principais quarteis de Quito e o Congresso. O aeroporto da capital foi tomado por oficiais da Força Aérea.

Rodovias foram bloqueadas e houve relatos de distúrbios e até roubos de bancos. Outros setores do funcionalismo também afetados pela nova lei se uniram aos protestos, incluindo os estudantes.

Correa se dirigiu ao quartel geral de Quito para falar com os manifestantes e disse que não iria voltar atrás sobre a lei, que visa diminuir os gastos do Estado com o funcionalismo.

"Se vocês querem matar o presidente, aqui está ele. Matem-me!", disse, recusando-se a recuar na nova lei.

Correa isolado

Os policiais debelados atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra o presidente, o que o levou a ser internado no hospital do quartel. Então, o prédio foi cercado.

Falando por telefone à rádio estatal, Correa qualificou os distúrbios como golpe. O presidente afirmou que "a história irá julgá-los (os manifestantes)". "Eu convoco a polícia patriótica a se submeter" à liderança do presidente, afirmou.

Escolas e lojas foram fechadas por causa da falta de proteção policial. Há relatos de saques em algumas cidades do país, incluindo na capital, onde pelo menos dois bancos foram saqueados, e na cidade costeira de Guayaquil. O principal jornal do país, El Universo, informa que houve assaltos em supermercados e roubos por causa da ausência da polícia.

Reação popular

Centenas de partidários de Correa marcharam até a praça da Independência, no centro de Quito a fim de demonstrar apoio ao presidente.

O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, convocou os partidários de Correa a marcharem ao hospital do quartel para retirá-lo de lá.

O povo marchou até o hospital e entrou em confronto com os policiais rebelados. Ao menos uma pessoa ficou ferida com um tiro no braço, segundo a rádio estatal. Os partidários do presidente atiraram pedras nos policiais e foram repreendidos com tiros e bombas de gás.

Apoio da cúpula militar

A cúpula militar equatoriana afirmou seu apoio ao presidente Rafael Correa, assim como outras instituições do Estado.

"Pedimos calma. Agentes políticos estão desinformando elementos militares", disse o comandante general das Forças Armadas, general Ernesto González

Em comunicado conjunto, o Conselho Nacional Eleitoral, o Parlamento, A Corte Nacional de Justiça, a procuradoria-geral e a controladoria-geral da República defenderam o presidente.

Eleitor só precisará de um documento para votar


Por oito votos a dois, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovaram, nesta quinta-feira (30), a Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) apresentada pelo PT, pedindo que a Suprema Corte negasse a decisão da Justiça Eleitoral de cobrar do eleitor, no dia da votação, a apresentaçãodo título de eleitor e de um documento de identidade com foto.

Com a decisão, o eleitor não é mais obrigado a levar dois documentos para votar, ou seja, de porte de apenas um documento com foto é possível votar; só com o título de eleitor, não.


Em seu voto, a ministra-relatora do caso, Ellen Gracie, ponderou que a dupla documentação era “desnecessária”. “Entendo que não é cabível que coloque como impedimento ao voto do eleitor (...) [Assim] a ausência do título de eleitor não impediria o exercício do voto”, detalhou a ministra, que teve apoio dos ministros José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.

Antes da conclusão da decisão, a ministra frisou que com a decisão o documento “não se torna inútil”, apenas dispensável. “Quem trouxer o título, será atendido com mais celeridade (...) Segue-se exigindo ambos os documentos, mas a ausência do título não impede o direito de votar”.

Na ação, o Partido dos Trabalhadores também afirmava que a retirada do direito de votar pela ausência do título acabaria “por cassar o exercício da cidadania do eleitor”.

Os votos contrários à decisão foram do ministro Gilmar Mendes e do presidente do STF, Cezar Peluso. Mendes pediu vista nesta quarta-feira (29), adiando a decisão sobre o tema para hoje.

A argumentação contrária de Mendes é que “uma liminar a três dias da eleição” seria um fator de “desestabilização do processo eleitoral”.

Já Peluzo, contrariado por fazer parte da minoria, disse: “acabou de ser decretada, a partir de hoje, a abolição do título eleitoral”.

Vale lembrar
O prazo para a solicitar a segunda via do título de eleitor termina nesta quinta-feira. O pedido pode ser feito em qualquer cartório eleitoral, mesmo se o eleitor estiver fora do seu domicílio eleitoral.

Para as eleições deste ano, 135.804.433 brasileiros estão aptos a votar para presidente, governador, senador, deputado estadual, federal e distrital, segundo o TSE.


UOL

Pedido de vista paralisa caso do título no STF


O Estado de S.Paulo

Depois que 7 dos atuais 10 integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) já tinham reconhecido o direito de os brasileiros votarem neste domingo sem apresentar o título de eleitor, bastando um documento com foto, um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes paralisou ontem o julgamento da ação proposta pelo PT - mas pode ser retomado hoje.

O partido pedira liminar contra a obrigatoriedade de mostrar dois documentos antes de votar, por temor de perder votos em áreas mais pobres. Hoje termina o prazo para que os eleitores que perderam os títulos peçam a reimpressão do documento.

A decisão de Mendes surpreendeu outros ministros e foi contestada no plenário do STF. "Estamos vindo de um impasse que desgastou muito, sob a minha ótica, o Supremo", disse Marco Aurélio Mello, em referência ao julgamento na semana passada sobre o pedido de registro da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal. Atingido pela Lei da Ficha Limpa, Roriz desistiu da candidatura após a votação de seu recurso ter terminado empatada em 5 a 5.

"Um pedido de vista a essa altura prejudicará o pleito de concessão de medida acauteladora", acrescentou Marco Aurélio. O pedido de Mendes teria ocorrido após receber uma suposta ligação do presidenciável José Serra (PSDB). Tanto o ministro quanto o candidato negaram que esse telefonema tenha acontecido.

Mendes argumentou que o caso do título era de "urgência pré-fabricada", porque a lei que obriga a apresentação dos dois documentos é do ano passado e a ação foi protocolada nesta semana. Ele disse que tentaria trazer o processo hoje para continuidade do julgamento.

Até o pedido de vista de Mendes, o julgamento se encaminhava - com um placar de 7 a 0 - para a concessão de uma liminar suspendendo a obrigatoriedade de dois documentos. Essa imposição está prevista numa lei do ano passado segundo a qual "no momento da votação, além da exibição do respectivo título, o eleitor deverá apresentar documento de identificação com fotografia".

Uma resolução do TSE também incluiu a necessidade de apresentação de dois documentos. Na ação analisada pelo STF, o PT alega que a medida é desnecessária, injustificável e irrazoável.

Por enquanto, todos os ministros que votaram seguiram o entendimento da relatora da ação, Ellen Gracie. Segundo ela, contraria o princípio constitucional da razoabilidade impedir o voto do eleitor, que se identifica mostrando um documento com foto, mas não apresenta o título.

Marco Aurélio previu que poderá ocorrer uma série de incidentes se o STF mantiver essa obrigatoriedade. O ministro, que também integra o TSE, confidenciou que teve uma certa dificuldade para localizar o próprio título em sua residência.

O ministro José Antonio Dias Toffoli afirmou que a lei restringe o exercício da cidadania ao exigir a apresentação dos dois documentos. "Havendo a identificação civil, desnecessário é exigir o título de eleitor", disse. "É absolutamente despicienda a apresentação do título de eleitor."

Segundo ele, a obrigatoriedade desrespeita um princípio da Constituição que estabelece o sufrágio universal, ou seja, a possibilidade de todos participarem do Estado Democrático de Direito por meio do voto.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do STF, Ricardo Lewandowski lembrou que eleitores de regiões do Nordeste atingidas pelas chuvas do meio do ano perderam documentos. Também ressaltou que alguns indígenas não têm documentos com foto.

Polêmica do aborto leva Dilma a igrejas


O Estado de S.Paulo

Preocupada com a perda de votos entre cristãos, atribuída por sua campanha à polêmica sobre o aborto, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, reuniu ontem padres e pastores, em Brasília, para negar já ter defendido a interrupção da gravidez.


A polêmica é alimentada por declarações dadas por Dilma em outras ocasiões, antes da reta final da campanha (veja frases ao lado). Na tarde de ontem, porém, a petista disse que é contrária até mesmo a um plebiscito sobre o tema, como prega a candidata do PV, Marina Silva. "Plebiscito divide o País e vai todo mundo perder, seja qual for o resultado", insistiu a candidata.

Diante de 27 líderes de denominações cristãs - católicas e evangélicas -, Dilma desmentiu categoricamente que algum dia tenha afirmado que "nem Jesus Cristo" tiraria a vitória dela no primeiro turno, marcado para domingo. "Lamento que estejam usando o nome de Cristo para isso", repudiou. "É mais uma tentativa do submundo da política de mentir a meu respeito."

"Vilania". Mesmo sem citar o nome do adversário do PSDB, José Serra, Dilma fez referências indiretas a ele. A expressão "submundo da política" também foi usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comercial veiculado ontem na TV. Na mensagem, Lula pede aos eleitores que não se deixem levar por rumores contra Dilma.

Dilma afirmou que seu principal oponente tenta construir "um clima de ódio" no País. Não foi só: definiu a notícia de que defende o aborto como "uma vilania" de quem está perdendo a eleição. "Vamos apostar no clima de amor e na esperança para vencer o ódio e o medo", resumiu, dando o tom de seu último programa na TV, hoje à noite.

Há um mês, a candidata divulgou manifesto batizado de Carta ao Povo de Deus, no qual pedia "oração" e "voto" para ter a oportunidade de continuar o projeto de Lula. Pontuado por expressões de fé, o documento dizia que cabe ao Congresso Nacional a função básica de encontrar o "ponto de equilíbrio" nas posições que envolvem valores éticos, como aborto e uniões entre pessoas do mesmo sexo.

No encontro de ontem, Dilma foi além: garantiu que, se for eleita presidente, não enviará ao Congresso qualquer projeto de lei com o objetivo de ampliar a cobertura do Estado para casos de aborto. "Do jeito que está, está pacificado", comentou. "Eu, pessoalmente, sou contra o aborto e considero a questão como de saúde pública."

Em discurso sob medida para agradar aos cristãos, Dilma afirmou que é "a favor da vida" e pregou a liberdade de credo. Disse, ainda, que é católica. Em 2007, durante sabatina do jornal Folha de S. Paulo, ela disse ter ficado muito tempo "meio descrente". Questionada se acreditava em Deus, a então ministra da Casa Civil desviou do assunto. "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?"

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não enviou representantes para a reunião com Dilma, mas d. Luiz Demétrio Valentini mandou uma carta intitulada Nas mãos dos eleitores, na qual diz que esta campanha "não vai deixar saudades para ninguém". No texto, d. Valentini assinala que é preciso "depurar" versões da mídia sobre as candidaturas - para ele no mínimo "tendenciosas" - e "sacudir" o clima de "acusações e calúnias perversas". Mas não cita Dilma. Para o deputado e bispo Manoel Ferreira (PR-RJ), presidente da Assembleia de Deus do Ministério Madureira, católicos e evangélicos têm agora uma missão, a três dias das eleições : "desconstruir" a imagem de que Dilma é a favor do aborto. "Um pingo de fermento pode azedar uma massa inteira", comparou.


O que Dilma já disse

"Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso
não pode ser justificativa para que não haja a legalização.
O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte
de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos."
(À revista Marie Claire, edição 217, abril de 2009)

"O que nós defendemos é o cumprimento estrito da lei, que prevê casos em que o aborto deve ser feito e provido pelo Estado." (Em 22 de junho de 2010, em entrevista reproduzida pela Agência Estado)

"Não se deve tratar a questão como religiosa, mas de saúde pública. " (idem)

"Se houver conflito entre as legislações quem tem de fazer essa solução é a Justiça. A lei é clara e tem de ser cumprida."
(No debate Folha/UOL, em 18 de agosto de 2010)

"Lembro também minha expectativa de que cabe ao Congresso Nacional a função básica de encontrar o ponto de equilíbrio nas posições que envolvem valores éticos fundamentais, muitas vezes contraditórios, como aborto (...)." (Na "Carta Aberta aos Povo de Deus", em 24 de agosto de 2010)

Do alto do salto


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Em 2006 o presidente Luiz Inácio da Silva errou ao faltar ao debate da TV Globo. João Santana, o conselheiro de marketing presidencial, logo depois da reeleição atribuiu a isso - mais que ao escândalo dos aloprados - a insuficiência de votos para a vitória no primeiro turno.

Agora Lula errou ao ter pesado a mão além dos limites do aceitável até para personalidades que tradicionalmente estiveram ao lado dele e que estão acima de qualquer querela partidária. D. Paulo Evaristo Arns, por exemplo, o primeiro signatário do manifesto em defesa da democracia, simbolicamente lido no Largo de São Francisco (SP) por Hélio Bicudo.

Lula achou que era preciso uma reação forte para tentar neutralizar os possíveis efeitos das notícias sobre as negociatas de Erenice Guerra e companhia a partir da Casa Civil.

Acabou exagerando na visão do público que se sensibiliza com roubalheiras e dando a ele, o público, a impressão de que ele, Lula, estava se achando o dono do mundo e da vontade alheia.

Comprou uma briga inglória e deu margem à manifestação de contrariedade de muita gente que estava politicamente inerte. Por vários motivos, entre eles ausência de entusiasmo em relação à candidatura de José Serra.

O resultado apareceu nos índices da candidata Dilma Rousseff. Haveria outra forma de o presidente administrar o problema que surgiu a 15 dias da eleição?

Seria muito arriscado fazer como de outras vezes e ignorar a história cabeludíssima. Mas era preciso, ao mesmo tempo, construir alguma justificativa para se contrapor aos fatos tão eloquentes.

O presidente convocou a culpada de sempre, a imprensa, e caprichou no contra-ataque. Esperto, não deu nomes a esses nem àqueles. Protestou genericamente contra entidades conspiratórias (ao molde das "forças ocultas", de Jânio Quadros) e achou que assim apagaria as evidências.

Uma pessoa menos autoconfiante, ou em crise menos aguda de exacerbação da autoconfiança, teria tomado as providências, demissões, pedido de investigações, condenação dos atos e daria por entregues os "lamentáveis fatos à polícia".

Não teria achado que pode tudo contra todos e se arriscado a, de novo, produzir um indesejado segundo turno. Que, aliás, se acontecer, fará o PT encerrar a primeira etapa da eleição na condição de vencedor, mas com jeito de derrotado.

Parado no ar. Os argumentos dos ministros do Supremo fazem sentido. A exigência de dois documentos para votar restringe mesmo o acesso às urnas. Mas, como o Congresso aprova algo assim, como o PT apoia (depois alega inconstitucionalidade) e Lula sanciona?

Falta de atenção institucional. No caso do presidente, falta de Casa Civil profissional e competente.

Uma ou outra. Não dá para o PSDB ao mesmo tempo defender a liberdade de expressão e pedir censura para pesquisas de intenção de votos, como fez o tucano Beto Richa no Paraná com o Datafolha.

Há "democratas" - no sentido adjetivo, não de nome próprio do partido - que justificam o pedido de interdição de pesquisas dizendo que elas muitas vezes são usadas indevidamente e que influenciam o eleitor.

Pois é, a liberdade é assim, irrestrita: por isso também dá margem a deformações, causa desconforto e contraria.

Para resolução de insatisfações como essa da divulgação de pesquisas às vésperas das eleições e até mesmo da dupla jornada de alguns institutos que trabalham para campanhas, a solução é via Congresso.

Quem tiver força política e argumentos convincentes que tente aprovar alguma regulação legal.

Ocorre que políticos não fazem isso porque nem sempre é uma questão de princípio, mas de circunstância. Têm receio de que amanhã ou depois possam ser favorecidos por aquilo que criticam hoje.

Só não dá para querer resolver os problemas na base da censura. É mais fácil, mas custa caríssimo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dois tipos de competição


Via de regra, as pessoas adoram o elemento competitivo das eleições, assim como gostamos da competição no esporte e na economia. Porém, há uma diferença importante na substância e no resultado da competição política. Ao invés de aprimorar a performance e estimular as equipes a uma constante melhoria, a competição política parece gerar o resultado oposto. Os partidos recorrem ao mais sórdido denominador comum entre eles, e parecem dispostos a reproduzir as piores peculiaridades de cada oponente. Ao invés de excelência, ficamos com mediocridade — e com um agravante: a tendência é sempre declinante.

O espetáculo dos debates é uma desgraça. Fossem os candidatos apenas ligeiramente mais honestos, eles diriam: meus oponentes são tão oportunistas quanto eu, e, caso fossem eles no poder, seriam tão igualmente cúmplices da corrupção e do populismo quanto a atual situação.

O mesmo parâmetro se repete para as outras questões mais específicas. O candidato A, cujo partido busca a reeleição, foi pavorosamente protecionista. Os candidatos B e C prometem ser piores. A aumentou os gastos de forma ultrajante. B e C dizem que ele não gastou o suficiente, apenas gastou mal. A expandiu o assistencialismo de forma catastrófica. B e C dizem que não foi nem de longe o necessário. Trata-se de uma forma bastante atípica de competição: uma disputa para ver como um pode superar o outro em termos de ideias ruins e de comportamento estupidificante. Sob uma concorrência genuína, todos esses partidos já estariam exalando odores mefíticos e com urubus rodeando suas carniças.

A mídia, por sua vez, deixa implícito que nós não podemos acusar um político de algo do qual seu oponente também é ou poderia ser tão culpado quanto. Consequentemente, todos se tornam intocáveis, acima de qualquer crítica efetiva.

Já a competição no mercado é de um tipo diferente. Ela gera contínuos e inexoráveis aprimoramentos na qualidade. A empresa que executa seu trabalho com excelência em relação aos concorrentes — que prometem bens e serviços similares — prospera e se expande. O mercado, quando funcionando sem amarras governamentais, está sempre aberto a novos entrantes que podem mostrar aos atuais produtores como fazer a mesma coisa de maneira melhor e mais eficientemente — ou, no extremo, como fazer algo inteiramente novo. O preço dos bens e serviços está sempre caindo em termos reais, não obstante a inflação da oferta monetária praticada pelo governo. Linhas e métodos de produção obsoletos são forçosamente abandonados. Os consumidores premiam os empreendedores perspicazes e punem os tolos e banais, de modo que apenas os melhores podem crescer. Existe prestação de contas, qualquer erro gera uma chamada à responsabilidade e há punições para comportamentos indolentes e fraudulentos.

Na política, as pressões competitivas geram resultados exatamente opostos. A qualidade está sempre em constante declínio. As únicas melhorias ocorrem nos procedimentos que envolvem más ações: mentir, fraudar, iludir, manipular, trapacear, roubar e até matar. Os preços dos serviços políticos estão constantemente aumentando, seja nos impostos que pagamos ou nas propinas dadas em troca de proteção (também conhecidas como 'contribuições de campanha'). Não há obsolescência, planejada ou espontânea. E, como Hayek famosamente argumentou, na política, os piores sempre chegam ao topo. E, o que é pior, não há prestação de contas e nem imputabilidade: quanto mais alto o cargo, maior a transgressão criminosa da qual o sujeito pode se safar.

Para entender melhor essa analogia entre a competição no mercado e na política, e ver por que ambas são radicalmente opostas, considere as diferenças no ambiente competitivo da escola pública e da escola privada.

A escola pública tem todas as suas raízes na coerção. Ninguém realmente quer estar ali, o que faz com que toda a pressão ocorra na forma de mais controle, mais mediocridade, maior ausência de responsabilidades e cobranças, maiores desperdícios e maior estupidificação. É claro que esta não é uma regra universal, mas é uma tendência dominante. O que faz a diferença é a instituição da propriedade privada, pré-requisito estrutural para qualquer competição produtiva.

Pressões do tipo que ocorre na escola pública são dominantes em todo o sistema político. Sob o socialismo, a competição leva a constantes declínios na qualidade, na moralidade e no desempenho. No final de tudo, essa tendência destrói a própria civilização. Já sob o capitalismo, a competição leva a aprimoramentos na qualidade, na moralidade e no desempenho. É a base absoluta da civilização moderna.

As eleições para cargos públicos reproduzem todos os piores aspectos do socialismo. Os candidatos tornam-se livres e desimpedidos para mentir abertamente ao público, com o propósito de adquirir poder sobre uma instituição da qual eles não são os proprietários, mas que irão gerenciar por quatro anos, tempo durante o qual a quadrilha vencedora irá implementar medidas econômicas destrutivas que irão beneficiar apenas a si própria e a seus auxiliares (públicos e privados) nesse esquema de extorsão. Eles não arriscam virtualmente nada que seja deles nesse jogo. A pior consequência que podem vir a encarar é não serem reeleitos daqui a quatro anos, sendo que sairão de seus mandatos espantosamente enriquecidos pelo dinheiro doado por grupos de interesse que eles financiaram durante o mandato com o dinheiro que você pagou de impostos.

Na iniciativa privada, cada decisão de gerência é testada pelo mercado, a cada minuto de cada dia de trabalho. Os proprietários dos negócios estão constantemente vigilantes e os consumidores determinam o rumo de toda a produção. As pessoas no topo têm poder apenas no sentido mais superficial do termo: esse poder pode ser retirado imediatamente pelos consumidores, sendo que, para tal, basta que estes se recusem a continuar consumindo seus produtos. No livre mercado, são os consumidores que voluntariamente determinam a quem conceder o poder.

Enquanto o mercado garante a liberdade, o governo é a negação da liberdade. Nenhum governo, em nenhum lugar, pode ser creditado pela existência da liberdade. Como disse Mises, um governo liberal é uma contradicto in adjecto: duas ideias que não podem se combinar, um oximoro, uma frase impensável.

Há uma tendência inerente a todo poder governamental em não reconhecer nenhuma restrição às suas operações e a ampliar a esfera de seu domínio o máximo possível. Controlar tudo, não deixar nenhum espaço para que nada aconteça livremente fora da interferência das autoridades — esse é o objetivo que todo governante secretamente se esforça em alcançar.

Mises está chamando a atenção para algo em que as pessoas raramente prestam atenção. Todos os governos, em todos os lugares, querem ser totalitários. Só não conseguem atingir tal meta devido à própria incapacidade do estado em fazer as coisas corretamente, ou mesmo por causa da relutância das pessoas em aceitar tal descalabro. Para entender melhor esse fenômeno, pense em uma organização criminosa. Ela sem dúvida gostaria de usufruir o livre direito de saquear, extorquir, matar e acumular poder. Por outro lado, ela também sabe que está se arriscando mais a cada crime cometido. Se suas atividades enfurecerem muitos, ela corre o risco de perder o poder que já possui. O mesmo ocorre com os governos: eles desejam o poder total, mas muitas vezes se limitam a ficar apenas com aquilo que lhes permita escapar livremente.

Como vivemos em tempos de declínio cultural acelerado, parece ser indelével o fato de que as pessoas estão mais propensas a tolerar déspotas. A maioria hoje só reconheceria um tirano na presidência caso ele tivesse um bigode da mesma largura das fossas nasais.

Praticamente todas as pessoas com as quais conversamos hoje em dia admitem um sério desgosto com as opções eleitorais. Entretanto, ainda assim a maioria das pessoas irá optar nas urnas pelo "menor dos males" — seja lá o que isso signifique, e provavelmente não há como saber antecipadamente —, já sabendo que nenhuma opção real e viável irá surgir. Na iniciativa privada, desejos ainda não satisfeitos representam oportunidades de lucro. Nas eleições, eles representam oportunidades para o suborno, a corrupção e a politicagem.

Todo o processo é o bastante para deixar qualquer um cético em relação a campanhas e eleições. Mas essa é a reação errada. Não há nada de errado com campanhas e eleições — elas são uma parte normal da vida corporativa e de todos os tipos de gerenciamentos institucionais, inclusive na religião. A verdadeira questão está no problema fundamental da "propriedade" pública. O que não tem dono, não tem racionalismo no uso. Não tem prestação de contas. Não tem punição. Dê-me uma chance de votar contra esse arranjo e eu prometo voltar a comparecer às urnas.

Lew Rockwell é o presidente do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.


Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


MISES.ORG

Por que os escândalos não tiram Dilma do topo


O Estado de S.Paulo

Causa perplexidade geral ter a chefe da Casa Civil da Presidência da República sido demitida na reta final da campanha eleitoral sem que isso haja produzido a consequência natural de um escândalo dessas proporções na popularidade do presidente, que a nomeou, nem feito cair do topo da preferência eleitoral sua candidata, que a patrocinou. A falta de proporção de causa e efeito em episódio dessa relevância não se deve apenas à credulidade popular, capaz de aceitar que Lula não assuma a responsabilidade dos atos de sua principal assessora e que Dilma Rousseff se exima de culpa pela ascensão de uma funcionária incapaz de subir na vida por méritos próprios, que ninguém imagina quais possam ser.

É o caso de buscar outras razões para a baixa interferência na preferência do eleitor de notícias de recebimento de propinas ("taxas de sucesso") pelo filho de Erenice Guerra em gabinete a poucos metros do de Dilma, no Palácio do Planalto, onde o chefão dá expediente. Será o caso de admitir que o pleito de 2010 esteja decidido há muito tempo e que será quase impossível mudar tais desígnios? Afinal, a gravidade das acusações que emergiram contra o clã Guerra, que não teriam como não macular a imagem da favorita, supera, com larga vantagem, a das que derrubaram Richard Nixon nos Estados Unidos e Fernando Collor no Brasil e levaram à prisão José Roberto Arruda, que ainda provocou o naufrágio de seu partido, o DEM, da aliança de oposição.

Se assim for, isso se deverá à percepção de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a realidade social e o panorama eleitoral no Brasil real, que domina. Ele mesmo foi a primeira vítima de uma avalanche que, em 1989, se identificou nos dois eles de Collor em verde e amarelo e inverteu as ancestrais relações de hierarquia da política nacional, ao promover aquilo que o último coronel mineiro, Chichico Cambraia, definiu como "estouro da boiada": ao votar no "caçador de marajás", o rebanho pulou cerca e porteira do curral e, para não perdê-lo de vista, os "pastores" saíram correndo atrás. Nesta e em mais duas eleições seguidas perdidas depois, Lula aprendeu que é quase impossível ser eleito presidente da República brasileira sem alianças de peso. E, se extraordinariamente isso ocorrer, nunca será possível governar sem a adesão de grupos poderosos que mandam desde antanho e para sempre nos hoje repovoados currais de votos. Prova-o a defenestração de um dos raros que realizaram a proeza: Collor tentou presidir sem o Congresso, que logo reagiu depondo-o.

Tendo participado da derrubada do adversário que o derrotara, o presidente foi aprendendo ao longo dos anos que ganhar e governar um país deste tamanho exige partilha do butim. Tentou, antes, sem sair da própria esquerda, ao atrair Leonel Brizola para sua chapa, mas deu com os burros n"água. Aceitou, em 2002, por sugestão de José Dirceu, aliar-se a gatos gulosos do PMDB que traíram Serra, cuja vice, Rita Camata, era do partido. Depois, em nome da "governabilidade", loteou o governo para não ser mais um a ganhar e não levar. Como o Fausto da lenda, vendeu a alma aos diabos que antes exorcizava e se deu muito bem. Foi aí que aprendeu a vencer a disputa eleitoral de baixo para cima: abrigou no ninho do poder lideranças locais, prefeitos municipais, deputados estaduais e federais, senadores e governadores. Aí, quando resolveu lançar o "poste" Dilma por achar mais fácil manipulá-la do que se desgastar na luta pelo terceiro mandato, já tinha as bases todas sob controle.

Muita gente boa percebeu a jogada genial do uso eleitoral da Bolsa-Família. Mas nem todos enxergaram o simultâneo fechamento de cofres que irrigam as campanhas políticas com os recursos necessários, favorecendo de banqueiros a empreiteiros de obras públicas, que passaram a ter nele o novo Messias. E ninguém observou que ele tirou do caminho para o palanque adversários que incomodavam. Foram os casos de Cássio Cunha Lima, o tucano da Paraíba, e Jackson Lago, o pedetista do Maranhão, que perderam seu mandato, condenados por crime similar ao de que foi acusado o petista Marcelo Déda, governador de Sergipe, que, no poder, é favorito na disputa por sua sucessão.

Ao contrário de Lula, seu principal adversário, José Serra, não deu sinais de ter aprendido as lições da derrota de 2002. Ao se negar a disputar a indicação em prévias, como pretendia o ex-governador mineiro Aécio Neves, deu-lhe a justificativa de que este precisava para ficar fora da ingrata rinha presidencial. A não insistir com o partido e o próprio Aécio para formar chapa com este, deu outra mostra de que pretendia alcançar o inalcançável: ganhar a disputa pela Presidência sem dever favores. Ao manter fora da campanha um tucano que vencera duas vezes a eleição federal sem disputar segundo turno, Fernando Henrique, emitiu, a quem fosse capaz de entender, o sinal de que não se dispunha a buscar ajuda nem mesmo do próprio passado, e o renegou.

Dilma, cujo currículo desautorizava a aventura de disputar contra um político bafejado pela vitória nas urnas nos maiores município e Estado do País, contou com a ajuda esperada, embora absurda, do adversário. Onze entre dez interlocutores alertaram Serra de que a chave para sua vitória seria manter o presidente popular fora da campanha. Mas ele expôs o retrato de Lula em seu primeiro programa de propaganda na TV e apelidou-se de Zé chamando-o de Silva (de quem terá sido a ideia tola?) no primeiro jingle para rádio. Fez ainda aos adversários o favor de deixar que o atrapalhado presidente nacional de seu partido, Sérgio Guerra (PE), pedisse a impugnação da adversária porque a Receita havia quebrado o sigilo fiscal da filha Verônica.

A possibilidade, aventada pelo Datafolha, do segundo turno pode abalar a empáfia palaciana, mas em nada alterará os fundamentos das evidências citadas. A experiência de 2006 deve ter ensinado aos tucanos que provocar o segundo turno é uma coisa. Mas vencê-lo é outra!

De Severino a Tiririca


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Ditos políticos não são necessariamente sábios nem confiáveis. Na maioria são apenas frases bem sacadas que, por traduzirem bem uma determinada situação, acabam tidas como verdades absolutas sem que haja uma preocupação de cotejá-las com a realidade e principalmente com a evolução dos tempos.

Há exceções. Aquelas que começam a circular com jeito de piada, mas terminam por se revelarem legítimas profecias.

Uma delas adapta o velho lema segundo o qual o Congresso seguinte é sempre pior que o anterior e tornou-se bordão do deputado Luís Eduardo Magalhães - promessa política interrompida por um enfarte fatal em 1998.

"Não há a menor chance de melhorar", repetia Luís Eduardo, mal entrado nos 40 anos (morreu aos 43), com uma sagacidade de Matusalém.

De fato, em 2011 pelo que se vê nas projeções das eleições parlamentares, sobretudo para a Câmara dos Deputados, não há a menor chance de melhorar a atuação do Poder Legislativo, cuja desmoralização gradativa ganhou especial velocidade nos últimos anos.

Mais exatamente na última década, a primeira do século 21.

Não que antes o Congresso fosse composto apenas de flores que se cheirassem. O último bom momento mesmo foi há mais de 20 anos, na Assembleia Nacional Constituinte.

Na CPI do PC e depois no processo de impeachment de Fernando Collor houve muito de oportunismo em jogo. Com aquelas acusações (graves), o então presidente poderia muito bem ter se sustentado no poder caso não fosse um analfabeto político e tivesse metade das habilidades do governo atual para enfrentar acusações (gravíssimas).

Até na Constituinte houve a notória instituição oficial do fisiologismo ("é dando que se recebe") deslavado como instrumento fiador da "governabilidade".

Mas a derrocada mesmo, a perda total do respeito, uma espécie queima de vestes em praça pública começou no Senado em 2000, quando Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães (pai de Luís Eduardo) pela primeira vez disseram umas verdades um ao outro da tribuna e com transmissão direta pela TV Senado.

Os dois trocaram desaforos nunca vistos naquele ambiente tido por Darcy Ribeiro como o paraíso na Terra.

Foi um choque. Depois disso, nunca mais um senador eleito passou incólume sem escândalos - salvo os eleitos temporariamente, escolhidos exatamente por causa dos escândalos - o mandato inteiro.

A começar por Jader, que, eleito depois da briga com ACM (também presidente), precisou renunciar por causa de denúncias de corrupção.

Na Câmara é difícil estabelecer um marco, tantos são os casos, mas a eleição de Severino Cavalcanti no início de 2005 para a presidência da Casa é o mais impressionante.

Assinala o início do império do baixo clero, da era dos líderes de bancada desconhecidos, da cessão de destaque e postos importantes a deputados mais conhecidos pelas atividades extracurriculares, da transformação do Legislativo num ambiente de quinta em que perderam espaço os que têm vocação política.

Sim, há uma diferença entre aqueles cujo negócio é a política e os que transformam a política num bom negócio. Estes é que passaram a dar as cartas.

Muitos voltarão. A eles vão se juntar os arrivistas, os oportunistas, os famosos e mais a estrela de todos com a expectativa de se eleger com 1 milhão de votos: o rapaz chamado Tiririca, que aluga sua ignorância para espertalhões que se valem da estupidez de milhares que, se achando espertos, são feitos de bobos.

Manobra decorrente de um sistema eleitoral falido, único no mundo e que a nenhum dos partidos, grandes ou pequenos, nunca interessou genuinamente mudar, bem como não parece realmente interessar ao eleitorado renovar os ares que ficarão ainda mais irrespiráveis.

É uma mistura nefasta: de um lado a patifaria e de outro a alienação. A receita perfeita para formação de um Congresso pronto a confirmar o velho lema da piora gradativa do Parlamento e a acrescentar que a sociedade, conivente, anda muito sem moral para reclamar.

ACORDA BRASIL!!!!! Não temos escolha!!!!


A muito contragosto, publico este post.
Mas acho que não temos mais como escolher.
A Quadrilha não pode implantar de vez a Ditadura Socialista Chavista Fidelista no Brasil.
diga NÃO ao PT e ao Foro de São Paulo.
Na urna, em 3/10, feche os olhos, aperte o nariz e aperte 45, para que o Brasil não caia de vez no fogo do inferno.
FORA LULA!!!!
FORA DILMA!!!


Para mais informações CLICK AQUI

sábado, 18 de setembro de 2010

Apenas cálculo eleitoral


O Estado de S.Paulo

No encontro que tiveram domingo à noite para tratar da revelação de uma pesada operação de traficância na Casa Civil do Planalto, o presidente Lula poderia ter determinado à ainda ministra Erenice Guerra que se licenciasse até o esclarecimento cabal da denúncia que a envolvia por tabela e, diretamente, um de seus filhos, Israel. Por muito menos, afinal, o presidente Itamar Franco afastou o ocupante do mesmo cargo no seu governo, Henrique Hargreaves - para readmiti-lo quando as acusações contra ele não foram comprovadas.

Mas Lula não parece aprender com o exemplo alheio nem com a própria experiência. Com o exemplo, no caso, porque a sua visão da ética pública não é a de princípios, mas a de resultados. E com a experiência porque, ao fim e ao cabo, não precisou pagar o preço devido, fossem outras as circunstâncias e, quem sabe, outro fosse o país, pela relutância em se privar do ministro José Dirceu, também da Casa Civil e pivô do mensalão, e do seu colega da Fazenda, Antonio Palocci, no escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Erenice Guerra saiu daquela reunião com a cabeça no pescoço não porque o chefe, como diria, se acha "obrigado a acreditar" no que as pessoas lhe falam, e Erenice jurou-lhe por tudo o que é sagrado que era inocente. Mas porque ele avaliou que a reportagem incriminadora da revista Veja não teria o potencial de respingar na candidata Dilma Rousseff - que está para Erenice como Lula está para ela, criadores e criaturas - da mesma forma que não respingaram, a julgar pelas pesquisas, as violações em série do sigilo fiscal de parentes e aliados do opositor José Serra.

Por isso, o que o lulismo se ocupou em fazer nos dias seguintes foi desqualificar o noticiário sobre as movimentações da espaçosa família Guerra pelas pradarias do poder. Nesse exercício de mistificação e cumplicidade, Dilma levou a palma, ao afirmar que tudo se resumia a um "factoide". Sintomaticamente, a soberba de Lula, a certeza de que o seu prestígio garantiria a incolumidade da candidata, desarmou a sua apuradíssima intuição. Ele decidiu manter Erenice no lugar enquanto não surgisse um fato novo que agravasse a crise, mesmo depois de a ministra ter ido além das tamancas ao culpar um "candidato aético e já derrotado" por suas atribulações.

O fato novo não tardou a surgir. Na quinta-feira, a Folha de S.Paulo publicou declarações de um agenciador de negócios, segundo as quais Israel e a sua patota, em troca da obtenção de recursos do BNDES para um bilionário projeto de energia solar, queriam receber R$ 240 mil para acelerar a tramitação do pedido, 5% sobre o valor do financiamento, quando saísse - e, de quebra, um ajutório de R$ 5 milhões para a campanha de Dilma. Decerto achando a conta salgada demais, a firma interessada se recusou a pagar. Por sua vez, o seu agente disparou e-mails para a Casa Civil reclamando das cobranças e fazendo ameaças. Passados mais de 7 meses, falou.

Com incomum rapidez, Lula mandou Erenice se demitir. A segunda denúncia, semelhante à anterior, teria enfim convencido o presidente da responsabilidade da ministra. "Quando a gente está na máquina pública, não tem o direito de errar", proclamou. "E se errar, a gente tem de pagar." Conversa. O que o fez defenestrar Erenice - a quem havia nomeado por insistência de Dilma, quando ela se desincompatibilizou - foi o temor manifestado pela campanha petista, com base em pesquisas, de que desta vez a candidata corria o risco de ser atingida pelos estilhaços das malfeitorias do círculo da amiga em quem apregoava confiar.

A demissão de Erenice não elimina a hipótese. Os episódios expostos aconteceram quando Dilma era ministra e Erenice a sua mais íntima colaboradora. É implausível que ela não lhe tivesse contado nem uma versão sanitizada dessas histórias. Plausível, isso sim, é que Dilma não quisesse saber mais. Como Lula não quis saber detalhes do mensalão para o qual foi alertado duas vezes. A ignorância assumida é um ato de vontade política. Eles olham para o outro lado para não fitar o ambiente propício à corrupção que semearam no Planalto como parte de um projeto de poder.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pior do que tá não fica?


Com o slogan "vote Tiririca, pior que tá não fica", o PR lançou para candidato a deputado federal o palhaço Tiririca. A candidatura virou fenômeno de popularidade, e várias comunidades foram criadas no Orkut, algumas com mais de 50 mil participantes. O velho voto de protesto, daqueles cansados com "tudo que está aí", tem conquistado adeptos da esquerda à direita. E quem não está enojado com a política nacional?

O problema é que o tiro sai pela culatra. Ao contrário do movimento debochado dos comediantes do Casseta & Planeta, que lançaram no passado o Macaco Tião como candidato no Rio, o voto em Tiririca coloca de fato alguém no poder. Na verdade, pode colocar mais de um, pois a quantidade enorme esperada de votos pode arrastar mais colegas de legenda. O PR, que não é bobo, deu para Tiririca o disputado número 2.222, de fácil memorização, de olho nesta oportunidade. E tem muito marmanjo caindo nessa!

Pensando que estão protestando contra o governo, os eleitores de Tiririca estarão contribuindo com o projeto de poder do PT, uma vez que o PR é da base aliada de Dilma. Grande protesto! Ajudar a dar ampla maioria aos petistas no Congresso, para que os projetos "bolivarianos" tenham mais chance de passar. Pior que tá não fica? Fica sim! Vide Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador, todos eles sob governos de "camaradas" do PT.

Trata-se de uma estranha forma de lutar pela liberdade contra "tudo que está aí". Fica até parecendo protesto de adolescente rebelde, que não costuma ligar muito para os resultados de suas ações, e apenas com a sensação de prazer que a rebeldia propicia. Acham-se malandros, mas não passam de inocentes úteis a serviço do PT. Se tivessem um espelho, talvez soubessem discernir melhor quem é o verdadeiro palhaço nessa história...

Rodrigo Constantino é formado em Economia pela PUC-RJ e tem MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, primeiro como analista de empresas, depois como gestor de recursos. É autor de cinco livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand", "Uma Luz na Escuridão" e "Economia do Indivíduo - o legado da Escola Austríaca", lançando pelo Instituto Mises Brasil. É também membro do Conselho de Administração do IMB.


MISSES.ORG

Israel declara alerta máximo para feriado do Yom Kippur


do Estadão

JERUSALÉM - As autoridades israelenses declararam nesta sexta-feira, 17, o estado de alerta máxima por ocasião do Yom Kippur ou "Dia do perdão", a data mais sagrada do calendário hebreu, que paralisará o país durante aproximadamente 25 horas. O estado de alerta inclui o fechamento dos territórios palestinos e de todas as passagens fronteiriças, informa um comunicado militar.

As Forças Armadas de Israel informaram que a Cisjordânia foi fechada por 48 horas, valendo a partir da 0h desta sexta. Nesse período, a entrada no território israelense será permitida apenas em "casos humanitários e emergências médicas", disse o Exército em comunicado.

Os únicos que poderão atravessar a fronteira entre Cisjordânia e Israel serão funcionários de serviços médicos, ativistas de ONGs, advogados e outros profissionais, após coordenação com o Exército israelense, e jornalistas que disponham da documentação apropriada, segundo a nota.

O dia do Yom Kippur, celebrado pelos judeus desde tempos bíblicos e mencionado como "Sábado dos sábados" nas escrituras sagradas, é o mais solene do calendário hebreu e paralisa totalmente o transporte público, de veículos privados, qualquer atividade pública ou privada, seja comercial ou de entretenimento.

Desde o por do sol, por volta das 17 horas locais (11 horas em Brasília) e até que saiam as três primeiras estrelas, só funcionarão em Israel os serviços de emergência. Com isso, centenas de milhares de crianças aproveitam para sair de bicicleta por ruas e estradas. Ficarão suspensos também todos os voos e o espaço aéreo israelense será fechado ao tráfego aéreo comercial.

Neste dia, a tradição judia ordena um estrito jejum e prolongadas rezas nas sinagogas, que costumam estar abarrotadas nas duas primeiras horas, para a oração de Kol Nidrei, e as duas últimas, para a de Neila (encerramento).

O Yom Kippur era o único dia do ano no qual o Sumo Sacerdote entrava no Sancta Sanctorum do bíblico Templo de Jerusalém, a parte mais sagrada do santuário, e pronunciava, completo e sem eufemismos, o nome de Deus perante os milhares de fiéis ajoelhados fora do recinto.

Uma das tradições que precedem o "Dia do Perdão" é o ritual do Kaparot, no qual são sacrificadas aves como redenção do indivíduo, assim como era feito antigamente com um bode no templo.

Exército de Israel mata líder militar do Hamas na Cisjordânia


Palestinos carregam corpo de militante morto na Cisjordânia. Foto: Bernat Armangue/AP


de O Estado de São Paulo

TULKAREM - Soldados de Israel mataram a tiros um comandante militar do grupo Hamas na Cisjordânia ocupada, informaram nesta sexta-feira, 17, o Exército de Israel e autoridades palestinas.

Líderes palestinos condenaram o ataque e disseram que poderia pôr em risco as negociações de paz no Oriente Médio, retomadas recentemente, sob a mediação dos EUA.

O Hamas informou que o homem morto era Iyad Shilbayeh, um comandante local de seu braço militar - as Brigadas de Ezedim Al-Qassam - e prometeu continuar combatendo Israel. O Hamas afirmou que os soldados o mataram "a sangue frio", acusação rejeitada pelo Exército de Israel.

O Hamas reivindicou responsabilidade pela morte de quatro israelenses no mês passado, num ataque desfechado antes da retomada das conversações de paz entre israelenses e palestinos. Não ficou claro se Shilbayeh era suspeito de envolvimento nesse atentado.

Parentes dele afirmaram que ele foi morto em sua casa, depois que soldados chegaram para prendê-lo. Soldados bateram à porta e entraram, segundo disseram. Eles contaram tê-lo ouvido dizer: "Quem está aí?", antes de escutarem três tiros, segundo declarou seu irmão Mohammed.

Uma porta-voz israelense afirmou que Shilbayeh foi morto durante uma "operação rotineira para efetuar prisões" em um campo de refugiados palestino perto de Tulkarem, cidade da Cisjordânia onde é intensa a atividade dos militantes.

Segundo ela, os soldados abriram fogo depois que Shilbayeh não atendeu a uma ordem de parar e continuou seguindo em direção a eles.

Planalto já sabia sobre o lobby desde fevereiro


O Estado de S.Paulo

O Palácio do Planalto sabia pelo menos desde de fevereiro deste ano que havia um lobby funcionando dentro da Casa Civil e cobrança de vantagens para intermediar empréstimos junto ao BNDES.

Foi em 1.º de fevereiro que o empresário Rubnei Quícoli, estopim da queda de Erenice Guerra, enviou e-mail para quatro funcionários da assessoria especial da Casa Civil em que reclama da cobrança por fora de R$ 240 mil feita pela empresa de Israel Guerra.

Israel é filho da ministra, e teria feito a cobrança para que o processo de crédito de R$ 9 bilhões fosse acelerado. Em uma das mensagens daquele dia, Quícoli, consultor da EDRB do Brasil Ltda, pede que o assunto seja levado à então ministra e hoje presidenciável, Dilma Rousseff (PT). "Espero de coração que esse e-mail chegue às mãos da dra. Erenice e a (sic) ministra Dilma", afirma.

Dilma era ministra também quando, 45 dias antes, Quícoli recebeu a minuta do contrato que faria com a Capital Assessoria, empresa que Israel, filho de Erenice, usa para fazer lobby e cobrar dinheiro em contratos obtidos junto a órgãos públicos.

O documento cita o pagamento mensal de R$ 40 mil e a taxa de 5% (que significaria R$ 450 milhões) em caso de sucesso na operação para financiar um projeto de usina solar.

Consultor da EDRB, Rubnei Quícoli entregou ontem ao Estado os e-mails que enviou aos assessores da Casa Civil no dia 1º de fevereiro. Às 7h08, ele remeteu mensagem a Vinicius Castro, Glauciene Leitão, Vilma Nascimento do Carmo e Vera Oliveira, todos lotados na assessoria especial da Casa Civil. O primeiro pediu demissão na segunda-feira, depois da revelação de que botou sua mãe, Sônia Castro, como sócia "laranja" da Capital Assessoria.

Já Glauciene, além de receber os e-mails sobre as cobranças feitas pela empresa de Israel, foi quem agendou a reunião de 10 de novembro, que contou com a presença de Erenice e dos donos EDRB. Quatro dias antes, a funcionária da Casa Civil confirma o encontro e faz um alerta em que menciona a candidata do PT: "O Vinícius Oliveira - Assessor da Secretária, informou que o conteúdo do CD que está com ele é muito extenso e que é necessária uma apresentação mais sucinta para mostrar à ministra Dilma."

Nas mensagens aos funcionários da Casa Civil, Quícoli alerta sobre o uso do escritório Trajano e Silva Advogados pelo grupo ligado a Erenice Guerra para fazer negociatas. A Casa Civil confirmou, para o Estado, a lotação das funcionárias. Um dos sócios do escritório, o advogado Márcio Silva, que representa Dilma na Justiça Eleitoral, nega conhecer os representantes da EDRB. "Nunca vi essas pessoas."

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os arreganhos do lulismo


O Estado de S.Paulo

Dois meses depois de rebentar o escândalo do mensalão, em junho de 2005, um relutante presidente Lula gravou um pronunciamento para se dizer "traído" e cobrar do PT um pedido de desculpas. Foi o mais perto a que chegou de reconhecer que tinha procedência a denúncia da compra sistemática de apoios ao seu governo na Câmara dos Deputados. Logo adiante, virou o fio: considerou a investigação parlamentar das acusações uma tentativa golpista das elites e ameaçou enfrentá-las nas ruas.

A história se repete. Diante da revelação do tráfico de influência praticado pelo filho da titular da Casa Civil, Erenice Guerra, Israel - o que levou à descoberta de que dois irmãos e uma irmã dela ocuparam uma penca de funções no governo, onde cuidavam com desvelo dos interesses da família -, Lula fez saber que exigira da ministra uma "reação rápida". Indicou, dessa maneira, que não desqualificava liminarmente o noticiário que poderia respingar na candidatura de sua escolhida, Dilma Rousseff, responsável pela ascensão da fiel assessora Erenice na hierarquia do poder.

Mas isso foi no domingo. Passados dois dias, a política de contenção de danos virou um arreganho. Ao mesmo tempo que fazia expressão corporal de apurar os fatos - acionando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União para investigar as ações do filho da ministra, mas não as dela -, Lula estimulou ou deu carta branca a Erenice para culpar o candidato tucano José Serra pela nova crise que chamusca o entorno do gabinete presidencial, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno. Desse modo, Lula deu o enésimo passo na sua trajetória de abusos eleitorais.

Estado e governo se amalgamaram com a campanha de Dilma com uma desfaçatez sem precedentes nessa matéria. Presidente e "chefe de uma facção política", nas palavras do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, já se haviam mostrado mais unos e inseparáveis do que nunca quando Lula escolheu o horário de propaganda de sua afilhada, no 7 de Setembro, para desancar o candidato do PSDB porque ousou vincular à disputa eleitoral as violações do sigilo fiscal de familiares e correligionários. Dias depois, disse o que o Brasil jamais ouviu da boca de um presidente - que era preciso "extirpar" da política nacional o DEM, aliado de Serra.

É o estilo mussoliniano de quem, numa apoteose mental, acha que é tudo e tudo pode, apontou Fernando Henrique, a única figura política de peso no Brasil a advertir consistentemente para a intensificação do comportamento autocrático de Lula. Serra abdicou de fazer oposição ao presidente aprovado por 80% da população, como se os sucessivos ocupantes da Casa Civil contra quem a sua propaganda investe - José Dirceu, Dilma Rousseff e Erenice Guerra - não tivessem nenhum parentesco político com o Primeiro Companheiro que os instalou no centro do poder. Isso nem impediu a disparada da petista nas pesquisas nem poupou o seu adversário das piores invectivas.

Acertada com o chefe, Erenice mandou distribuir uma nota, em papel timbrado da Presidência, em que se refere a Serra como "candidato aético e já derrotado", mentor do que seria uma "impressionante e indisfarçável campanha de difamação" contra si e os seus. É típico do lulismo, além da usurpação dos recursos de poder do Estado, culpar os críticos pelos malfeitos da sua patota. Como no caso do mensalão, passado o momento inicial de desconcerto, a ordem é execrar os denunciantes. Quer-se reduzir a um "factoide" eleitoralmente motivado, como disse Dilma, a exposição dos enlaces da família Guerra com o patrimônio público.

De outra parte, levanta-se uma nuvem de poeira para abafar o escândalo da véspera, o da Receita Federal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma providência que cria uma categoria privilegiada de contribuintes - a das "pessoas politicamente expostas". Os dados cadastrais e declarações de renda de autoridades e ex-autoridades passarão a ter a proteção especial com que os mortais comuns apenas podem sonhar. A medida desacata o princípio da igualdade de todos perante a lei. Mas isso é um detalhe no modus operandi do lulismo, que ameaça deitar raiz no terreno baldio da política nacional.



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É HORA DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA!


do BLOG DO Aluizio Amorim

Com todos os órgãos do Estado completamente aparelhados pelo PT falta apenas o golpe final que é amordaçar o que sobra de liberdade no âmbito da Imprensa. Não é à toa que todos as ditaduras se consolidam quando conseguem impor uma mordaça defintiva à liberdade de expressão.


O que causa espécie e, por isto mesmo insisto de forma recorrente aqui no blog, é que os jornalistas brasileiros, em sua maioria, se transformaram em defensores da censura, do "controle da mídia" pelo Estado. Pode-se contar nos dedos pequenos nichos de profissionais do jornalismo que resistem ao insidioso avanço da vagabundagem comunista estatizante.

Tanto é, como reportei em post mais abaixo, que José Dirceu não teve pejo em fustigar ontem na Bahia a liberdade de imprensa, afirmando existir "excesso" de liberdade, a mostrar que as advertências verberadas por setores comprometidos com a democracia e o primado da da Lei Maior lamentavelmente vão se materializando.

Há em O Globo desta quarta-feira uma reportagem que traz José Dirceu com personagem central e na qual ele afirma que a eventual eleição da Dilma representará a execução do projeto de poder do PT.

Quem acompanha a política brasileira dos últimos trinta anos, pelo menos, sabe que a ascensão do PT ao poder foi possível justamente pela conquista da liberdade de imprensa e da resistência dos jornalistas.

Ocorre que dentre aqueles que lutavam por liberdade a maioria não vislumbrava um Estado verdadeiramente democrático, mas a consecução desse "projeto" ao qual aludiu José Dirceu e que nada tem ver com a democracia.

Os jornalistas brasileiros, em sua maioria, são os únicos, dentre os países democráticos que defendem a mordaça à imprensa.

E a prova mais cabal do que afirmo está estampada em manchete da Folha de São Paulo desta quarta-feira que qualifica de "bate-boca" de governo e oposição a indignação legítima que se seguiu ao turbilhão de denúncias comprovadas que tiveram início com o mensalão e vêm se sucedendo sem parar com os aloprados, com os dossiês, quebras de sigilo da Receita Federal e, finalmente, com o caso que envolve a Ministra da Casa Civil, Erenice Guerra e seus familiares.

Ao qualificar de "bate-boca" a indignação de cidadãos inconformados com tantas iniqüidades, a Folha de Sao Paulo atira todos numa vala comum, alimentando a visao canhestra de que todos os políticos são iguais. E a verdade é que não são! Já disse aqui que as iniqüidades predominam, mas é o altruísmo que mantém uma sociedade funcionando de forma razoavelmente organizada!

Ao compulsar o jornal veremos seus principais articulistas praticando um exercício de retórica non sense para justificar o absurdo, sem falar que continuam a fustigar José Serra e quem mais expressar algum tipo de indignação.

A venezuelização do Brasil será uma trágica realidade amanhã caso a Oposição fraquejar.

É hora da resistência. É hora de unir todos os esforços para salvar a democracia e a liberdade!
E a salvação da nossa liberdade só acontecerá se nas urnas os eleitores repudiarem os candidatos do PT.

Esta é a alternativa que resta. O jogo ainda não foi jogado, embora os conveiros da democracia cantem vitória antecipada.

Solução final


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

A alternância está fora dos planos de poder do cidadão Luiz Inácio da Silva, atual e em breve ex-presidente da República Federativa do Brasil.
Há muito isso é uma suspeita, mas a partir desta campanha eleitoral tornou-se mera constatação. Inebriado pelo sucesso, Lula deixa à mostra sua grande fera: a obsessão pela unanimidade que se traduz em vocação para o totalitarismo.
Quem diz isso é o próprio Lula. Quando prega a destruição de um partido de oposição, como fez em relação ao DEM em cima de um palanque em Santa Catarina, e quando manda sua tropa investir forças na eleição de um Senado "mais amigo" para a possível sucessora, Dilma Rousseff.

Lula pretende que o eleitorado "extirpe" o DEM da política brasileira porque o partido fez oposição cerrada a ele. Note-se que não fala em derrota eleitoral nem política, mas em extinção, destruição, aniquilamento.

Quer dizer, assim como imprensa boa é imprensa inerte, na visão dele oposição boa é oposição morta.

Quanto ao Senado, note-se que o presidente não deseja para o País um Parlamento de melhor qualidade, mas um Poder Legislativo mais dócil ao Poder Executivo. A falta de preocupação com a qualificação de cada um ficou patente quando da prisão do candidato ao Senado pelo Amapá, Waldez de Góes, no dia seguinte ao presidente ter aparecido no horário eleitoral pedindo votos para ele.

Para que Lula necessita de um Senado "amigo", qual o projeto inovador, de fundamental importância que seu grupo político está pensando em apresentar ao Congresso que é repudiado pela oposição, que esteja acima de qualquer possibilidade de negociação política e, portanto, que precise de um batalhão de obedientes?

Especula-se que sem entraves na Casa revisora teria caminho livre para aprovar plebiscitos e alterações na Constituição que de outro modo não passariam, mas de concreto ninguém sabe de coisa alguma e de objetivo nada que seja benéfico para o conjunto da sociedade está fora do alcance da articulação política entre a base do governo e a oposição.

Sobram duas hipóteses: ou está sendo engendrado algo inegociável e que teria o repúdio da opinião pública, ou Lula quer construir uma maioria política acachapante para o deleite de exercitar a hegemonia de maneira absoluta, sem nunca mais precisar disputar coisa alguma de verdade, podendo entrar nas contendas com a parada ganha por antecipação.

De certo modo isso já mais ou menos acontece porque, se o detentor do poder não respeita a regra do jogo, tem dupla vantagem: os instrumentos e a falta de escrúpulos. E é exatamente assim que Lula se conduz na Presidência, usando a máquina e passando por cima da lei.

Nesse patamar de autoencantamento o risco é a pessoa perder de vez o senso de que o mundo não obedece a ordens dos homens e comece a atuar na lógica da insensatez, construindo um processo de dilapidação do próprio patrimônio.

Lula está no ápice e ficará no ápice e meio se conseguir eleger no primeiro turno uma pessoa sobre a qual pouquíssimo se sabe e sobre quem há mais referências negativas que positivas.

Significará que nem o céu é o limite.

Ocorre, porém, conforme a História nos conta, que ninguém pode tudo acima de tudo o tempo todo e o excesso dá expediente na antessala dos erros fatais.

Por um fio. Basta uma vírgula a mais no caso da ministra da Casa Civil que abria o governo aos negócios da família, para Erenice Guerra ser demitida ou pedir demissão do cargo.

Mineiro. Correligionários de Aécio Neves mostram pesquisas para argumentar que não teria efeito prático a exibição de José Serra na propaganda do ex-governador.

Da mesma forma, as pesquisas provavam que Aécio ajudaria muito mais sendo candidato ao Senado do que integrando a chapa presidencial.

Pesquisas do Instituto Vox Populi, que trabalha para os dois palácios: do Planalto e da Liberdade.

Lula e Mussolini


Há um crescente debate no Brasil sobre o suposto caráter autoritário do presidente Lula. O último episódio foi protagonizado pelo ex-presidente FHC, que, em entrevista, chegou a sugerir uma comparação de seu sucessor com Mussolini. Disse o tucano: “Faltou quem freasse Mussolini. Claro que o Lula não tem nada a ver com o Mussolini, mas o estilo ‘eu sou tudo e quero o poder total’ não pode. Ele tem de parar”.

Embora movido pela situação dramática de seu candidato na campanha presidencial, FHC está essencialmente correto. Num resumo rápido dessa tragédia, Lula pulverizou a lei e a liturgia de seu cargo para viabilizar Dilma Rousseff como sua sucessora; ao longo de seu governo, deu seguidas demonstrações de desprezo pelos mecanismos de controle e fiscalização, como o Tribunal de Contas da União; e expressou desrespeito pela própria existência da oposição, ao ponto de defender que um desses partidos fosse “extirpado” da política nacional, como se os eleitores desse partido não fossem brasileiros como os que dão apoio ao lulismo.

Inebriado por sua popularidade, Lula realmente está convencido de que pode tudo. Em torno dessa imagem, construiu-se um consenso segundo o qual a corrupção, o tráfico de influência, o desrespeito aos direitos individuais (como o sigilo fiscal) e outras inúmeras violações cometidas pelo governo Lula, ou com sua bênção, são aceitáveis ante o formidável projeto de incorporar brasileiros miseráveis à “classe média” – ainda que seja pela via do endividamento no crediário, e não pela verdadeira distribuição de renda. Como resultado, tem-se a apatia política, que absorve gente de todas as extrações sociais e intelectuais, dando respaldo quase bovino ao líder carismático – que, em troca, oferece a segurança de que tudo fará sentido, agora ou no futuro.

Ao longo da história, vários regimes autoritários foram construídos assim.




Estadão

FHC acusa Lula de agir como 'chefe de facção'

O Estado de S.Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem agido como "militante e chefe de facção" durante a campanha eleitoral e pregou que o Supremo Tribunal Federal (STF) atue para impedir esses excessos.


Em entrevista à Rede Mobiliza, portal de internet do PSDB, FHC acusou Lula de "extrapolar" e afirmou que ele "abusa do poder político". "Eu vejo um presidente que virou militante, chefe de uma facção política, e acho que isso está errado", afirmou. "Acho até que caberia uma consulta ao STF porque, se você não tiver instrumentos para conter essa vontade política, fica perigoso." De acordo com o ex-presidente, "alguma instância tem de dizer que o presidente está extrapolando e abusando do poder político de maneira contrária aos fundamentos da democracia".

Reagindo à declaração do presidente Lula, que afirmou querer "extirpar o DEM" da política brasileira, FHC disse que Lula "é autoritário", "quer o poder absoluto" e "está em apoteose mental". "Quando o presidente diz que quer eliminar um competidor, ele quer o poder total, isso é autoritarismo. Um presidente não pode fazer isso."

Ele fez um paralelo com o ditador italiano Benito Mussolini. "Outro dia assisti a um filme sobre Mussolini, Vincere, faltou quem freasse Mussolini; Lula não tem nada a ver com Mussolini, mas o estilo "eu sou tudo e quero ter poder total" não pode, ele tem de parar."

FHC teceu comparações entre sua postura, em 2002, quando José Serra (PSDB) também concorreu à Presidência, e a de Lula, neste ano, em relação a Dilma Rousseff (PT). Ele criticou o fato de Lula misturar sua função de integrante de um partido com a de líder de uma nação. "Eu apoiei Serra, mas não fiz isso (extrapolar os limites), nunca, porque quando o presidente fala envolve o prestígio dele não como líder de um partido, mas da instituição que ele representa."

Freud. Ele afirmou que Lula tem problemas "freudianos" com ele e por isso vive "denegrindo" seu governo. "É Freud, Lula perdeu para mim duas vezes e não engoliu, quer me derrotar de novo, mas eu não sou mais candidato. (Lula) não precisa ser tão mesquinho e estar o tempo todo distorcendo dados."

FHC disse que o escândalo de tráfico de influência envolvendo Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, é uma reedição do mensalão. "Estar com alguém no Planalto, na sala ao lado do presidente, planejando para beneficiar uma empresa, tenho que dizer, isso é o mensalão de novo, não é lobby."

Ao falar sobre a quebra do sigilo fiscal de integrantes do PSDB e familiares de José Serra, FHC deu a entender que o episódio não tem sido bem explorado pela campanha tucana.

"Sigilo fiscal pouca gente vai entender, até porque pouca gente preenche o formulário da Receita", afirmou. "Sigilo fiscal é uma palavra abstrata. Nesse sentido, temos de ser claros: é um acúmulo de coisas erradas, você se sente violado, sua vida devassada. Isso o povo entende. Se você disser que estão entrando na sua vida privada, que amanhã vai ter fiscal entrando nas suas coisas, vendo o valor do seu salário na sua carteira de trabalho, falsificando documentos em seu nome para criar intrigas."


Sem limites
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

"Eu vejo um presidente que virou militante, chefe de uma facção política, e acho que isso está errado"

"Acho até que caberia uma consulta ao STF porque, se você não tiver instrumentos para conter essa vontade política, fica perigoso"

"Outro dia vi um filme sobre Mussolini, faltou quem o freasse. Lula não tem nada a ver com Mussolini, mas o estilo "eu sou tudo e quero ter poder total" não pode, ele tem de parar"

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Senado da França aprova lei que proíbe véu islâmico em local público


O Senado da França votou nesta terça-feira (14) a favor do projeto que proíbe uso de véu integral nos espaços públicos da França, transformando-o em lei. A aprovação foi por 246 votos a um.

O texto, que provocou polêmica no país -que tem a maior colônia muçulmana da Europa-, havia sido aprovado em julho pela Assembleia Nacional.

A lei, que teve o apoio do presidente Nicolas Sarkozy, deve entrar em vigor em 2011.

O Senado não realizou modificações na versão aprovada pela câmara baixa.

Apesar de condenar o uso dos véus islâmicos integrais -- 'burka' e 'niqab'--, a maioria da esquerda se negou a participar na votação, aludindo aos riscos de "inconstitucionalidade", tanto na França como na União Europeia, de uma proibição geral, e de uma "estigmatização" dos muçulmanos.

A lei prevê uma multa de 150 euros (US$ 195) e/ou um curso de educação cívica por usar o véu integral num espaço público.

Também prevê um ano de prisão e 30.000 euros (US$ 40 mil) de multa para toda pessoa que obrigar uma mulher a usar esse tipo de véu que cobre completamente da cabeça aos pés.


G1

Líderes do DEM relacionam discurso de Lula ao nazismo

do Blog DOIS EM CENA



A cúpula do DEM reagiu nesta terça-feira aos ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao partido. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), disse que Lula agiu de forma "desequilibrada" e "autoritária" ao afirmar que é preciso "extirpar" o DEM da política brasileira.


"O caminho para extirpar o adversário é na linha da Alemanha nazista. O presidente age de forma autoritária ao invés de deixar o eleitor decidir. Ele teve coragem, numa forma absurda, de sugerir isso em u
m momento eleitoral."


Maia disse que o DEM não pretende ingressar com ações judiciais contra Lula porque a relação com o presidente é política. "Temos certeza que esse é o caminho para a democracia. Pena que o presidente não ache isso. Veja do que é capaz um líder, mesmo com altas popularidades."

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que a frase de Lula veio em um "bom momento" para mostrar à população brasileira os riscos da manutenção do PT no poder. "Está nascendo um déspota. Ele demonstra o viés antidemocrático do governo para o qual o Brasil está caminhando. Espero que a frase sirva de advertência para o povo brasileiro de que esse é o caminho de um partido cínico."

Líder do DEM na Câmara, o deputado Paulo Bornhausen (SC) disse em nota que Lula, para pronunciar o nome dos Bornhausen dentro de Santa Catarina, "tem que estar são e lavar a boca antes".

Filho do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, o democrata classificou o discurso do presidente de "retórica nazi-facista" com a qual, segundo ele, "Lula tentou dividir o Brasil em dois países, de pobres e ricos".

No discurso, Lula afirmou que "já sabemos quem são os Bornhausen. Eles não podem vir disfarçados carneiros. Já conhecemos as histórias deles". O presidente ainda disse que o DEM é um partido que "alimenta ódio". Lula se referia a uma frase dita em 2005 por Jorge Bornhausen, durante o escândalo do mensalão. Ao falar do PT, ele comentou: "Estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos".

BONECAS DE VENTRÍLOQUO

Na nota, Bornhausen chama a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) e a candidata petista ao governo catarinense, Ideli Salvatti, de "bonecas de ventríloquo" --as duas estavam no palanque ao lado de Lula em comício realizado na noite de ontem em Joinville.

"O catarinense devolverá suas ofensas derrotando suas candidatas e bonecas de ventríloquo. O catarinense vai, mais uma vez, confirmar porque o nosso estado é exemplo de desenvolvimento e qualidade de vida: porque aqui o PT nunca governou."

Para Maia, os ataques de Lula são consequência da liderança do senador Raimundo Colombo (DEM-SC) nas pesquisas de intenção de votos para o governo de Santa Catarina. "Ele estava em Santa Catarina, onde a figura mais emblemática é o [ex] senador Bornhausen. É uma agressão injusta para quem garantiu o equilíbrio institucional do país em 2005, no escândalo do mensalão."