domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma é eleita Presidente do Brasil


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Chegou a Hora


Bom dia à todos.
As urnas estão sendo abertas neste momento.
Agora não existe pesquisas fajutas, mas sim a apuração do que o Brasil colocou nas urnas.
Não importa o que elles¹³ digam, nós vamos lá e vamos fazer nossa parte.
Digite 45 e ajude o Brasil a se livrar dessa quadrilha chamada PT.
Espero que na próxima postagem, lá para ás 21 e 30 hs, o título seja "José Serra é eleito presidente do Brasil.
O Brasil pode mais!

Imagem e semelhança


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Hoje à noite o Brasil terá novo presidente. Depois de oito anos de Presidência "irradiada" - como se dizia na era das transmissões exclusivamente radiofônicas - daqui a dois meses o País volta ao normal em termos de conduta presidencial.

A menos que Luiz Inácio da Silva pretenda substituir-se ao presidente - seja como chefe da oposição ou como tutor da chefe da Nação - e ocupe todo dia algum microfone por alguma razão, chega ao fim um período peculiar no que tange à figura de alguém que fez da Presidência um exercício de egolatria.

Daí a singularidade da campanha eleitoral que ontem chegou ao fim, exatamente no molde pretendido por Lula: uma guerra desprovida de conteúdo político (na melhor acepção do termo), na qual o que menos importou foram os atributos dos candidatos e os respectivos projetos de País.

Sinal mais expressivo é que nenhum dos dois se deu ao trabalho de expor ao eleitorado um plano de governo bem explicado e detalhado. E pelo pior dos motivos: medo de criar polêmica e, com isso, prejudicar as chances de vitória.

Embromaram no que seria substantivo e capricharam no adjetivo, no "aqui e agora" do embate. Diga-se, por sinal, que esse tipo de atitude seria impossível se o voto fosse facultativo, com os candidatos precisando lutar pelo interesse do eleitor.

Prevaleceu uma disputa na qual o eleitor foi ora espectador, ora massa de manobra, ora inocente útil, e Lula o protagonista.

A sociedade foi ativa ao provocar um segundo turno?

É relativo: o segundo turno é da regra, sempre esteve no cenário. Representou apenas um fato surpreendente em relação ao quadro de artificialismo triunfante criado pela máquina de propaganda governamental em conjunto com pesquisas, cujos números acabaram se mostrando excessivos no tocante ao favoritismo da candidata oficial.

Lula conseguiu exatamente o que queria ao se impor como a figura central da campanha. Não lhe importa a evidência de que isso significa uma deformação institucional. Por si fácil de ser entendida, mas podemos ilustrar com o exemplo mais ou menos recente da então presidente do Chile, Michelle Bachelet, que mesmo popularíssima perdeu a eleição. Só não perdeu a compostura.

Para não ir longe, mas recuando bem mais no tempo, tivemos aqui Fernando Henrique Cardoso na transição civilizada para o PT. Mérito? Só porque a comparação é com Lula, pois de verdade seria uma obrigação.

Fragilizado politicamente, José Sarney ficou distante da eleição de 1989 servindo apenas de muro de pancadas dos muitos candidatos da época.

Itamar Franco não jogou o governo na luta pelo sucessor. Fernando Collor, com toda ausência de zelo pela coisa pública e arrogância doentia, enfrentou o período de acusações, investigações e impedimento sem fazer um centésimo do que Lula fez em matéria de abuso da máquina pública.

Pintou e bordou como nunca se viu diante de parte da sociedade perplexa, parte embasbacada, parte inebriada com a chance de comprar e crente que tudo se deveu à vontade, à coragem e à sensibilidade social de Lula.

Fez e aconteceu nas barbas da Justiça Eleitoral totalmente leniente e de um Ministério Público ausente.

Usou governo, ministros, capacidade de pressão, ludibriou e ainda se fez de ofendido quando a oposição resolveu parar de apanhar calada. Conseguiu que, ao final, a impressão fosse de "baixarias de parte a parte".

Quem fez campanha ilegal por dois anos e transgrediu fora do limite de qualquer responsabilidade? Pois é.

Na regra limpa, no mano a mano, Dilma Rousseff teria chegado aonde chegou? Pois é.

Pode-se argumentar que os presidentes citados, à exceção de Itamar, foram derrotados pelas circunstâncias.

Lula saiu vencedor, no mínimo no quesito popularidade. Falta ainda esperar que a História conte a história toda: aquela parte que fala da credibilidade e fica para sempre.

Abstenção. Hoje não é demais repetir: "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam". Arnold Toynbee.



sábado, 30 de outubro de 2010

Estamos na véspera de todo um futuro do BRASIL. A diferença caiu muito. Vamos Brasil


A diferença parece estar em cerca de 4,5 milhões de votos à favor de Dilma (somente 0,0339% dos votos válidos).



VAMOS BRASILEIROS DE BEM!
O BRASIL PODE MAIS!
ESTAMOS À UM PASSO DE "EXTIRPAR" A QUADRILHA DO PT QUE NOS ROUBA TODOS OS DIAS. VAMOS RIR MUITO DA CARA DE LULA!

Tracking CNT SENSUS de hoje 30/10


A diferença parece estar em cerca de 4,5 milhões de votos à favor de Dilma (0,0339% dos votos válidos).




do Blog DOIS EM CENA

CNT/Sensus: Dilma cai em todas as regiõesPesquisa CNT/Sensus divulgada há pouco em Brasília mostra que as intenções de votos na candidata Dilma caíram em todas as quatro regiões do país.Confira a comparação feita entre a pesquisa divulgada no último dia 28 de setembro com a de hoje.Região Norte/Centro-Oeste Eleitores: 19.686.904 = a 14.49%
Dilma tinha 48,9% passou para 40,7% = 8.012.569
Serra tinha 38,2% passou para 45,7% = 8.996.916 Diferença pró-Serra = 984.346 Região Nordeste Eleitores: 36.727.931 = a 27.4%
Dilma tinha 66% passou para 60,7% = 22.293.854
Serra tinha 24,5% passou para 32,1% = 11.896.666 Diferença pró-Dilma = 10.397.188 Região Sudeste Eleitores: 58.936.436 = a 43.4%
Dilma tinha 52,1% passou para 43,3% = 25.519.476
Serra tinha 36% passou para 44,7% = 26.344.586 Diferença pró-Serra = 825.110 Região Sul Eleitores: 20.252.770 = a 14.9%
Dilma tinha 40,7% passou para 36,3% = 7.351.755
Serra tinha 45,5% passou para 56% = 11.341.551 Diferença pró-Serra = 3.989.797 Total Eleitores Brasil – TSE Julho 2010 = 135.604.041 Dilma todas as regiões – Total = 63.177.654 Serra todas as regiões – Total = 58.579.719 Diferença pró-Dilma = 4.597.935 A margem de erro é de 2,2 % para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e realizada entre os dias 11 e 13 de outubro em 136 municípios de 24 estados. Foram feitas 2 mil entrevistas. Utilizei os dados da pesquisa CNT Sensus e fiz uma projeção dos votos tendo como base o quantitativo de eleitores por região tendo como base os dados do TSE julho de 2010. Nota-se na projeção que a única região que a Dilma tem vantagem é na Região Nordeste e nas demais regiões a vantagem é do Serra porém insuficiente para vencer as eleições, mas falta pouco em torno de 4.5 milhões de votos tendo como base o total de 135.604.041 eleitores cadastrados falta 0,0339% dos votos válidos.


( Fonte: Movimento Marina Silva)

AMANHÃ: APERTE 45 PARA SALVAR O BRASIL!!!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pacotes suspeitos aparentemente continham explosivos, diz Obama


WASHINGTON- O presidente americano, Barack Obama, afirmou em discurso nesta sexta-feira, 29, que dois pacotes suspeitos do Iêmen encontrados em Dubai e Londres e um avião com destino aos Estados Unidos aparentemente continham explosivos.


"Investigadores descobriram uma ameaça crível contra os Estados Unidos", disse o governante na Casa Branca. Segundo o presidente, os dois pacotes estavam endereçados a organizações judias na área de Chicago, sem identificá-las.

Obama declarou que o governo está fazendo revistas adicionais em cargas de voos por causa da ameaça, e que os Estados Unidos estão comprometidos em "destruir" a Al-Qaeda no Iêmen e que os eventos, ocorridos quatro dias antes das eleições legislativas americanas, "destacam a necessidade de vigilância permanente contra o terrorismo".

Dois pacotes suspeitos que eram transportados do Iêmen aos Estados Unidos foram encontrados hoje no Reino Unido e em Dubai. Um dos pacotes foi encontrado em um voo da UPS em um aeroporto da Inglaterra. O outro foi descoberto em uma unidade da Fedex em Dubai.

Segundo um oficial dos Emirados Árabes Unidos, um dispositivo suspeito encontrado na aeronave de Dubai com destino aos EUA continha materiais explosivos.

Aeronaves em aeroportos de Newark, em Nova Jersey, e na Filadélfia foram inspecionados por precaução, mas já foram liberados. Um caminhão da UPS também estão sob investigação.

Al-Qaeda no Iêmen

Em uma coletiva de imprensa após o comunicado de Obama, o assessor para a luta contra o terrorismo da Casa Branca, John Brennan, disse que os explosivos descobertos tinham como objetivo "perpetrar um atentado e causar danos".

Brennan declarou que as autoridades examinam todos os pacotes procedentes do Iêmen no local de origem dos objetos suspeitos. Até o momento, disse o funcionário, não há indícios de que existam outras bombas além das encontradas.

Os pacotes encontrados já foram desativados. Apesar de Obama não ter responsabilizado a rede terrorista diretamente, os serviços de segurança acreditam que a Al-Qaeda na Península Arábica, com base no Iêmen, está por trás dos incidentes.

Até o momento os serviços secretos não se centraram em um suspeito concreto, acrescentou Brennan, indicando que "qualquer indivíduo relacionado a Al-Qaeda é um sujeito de interesse para a investigação".

O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, acusado pelo atentado falido do Natal, disse a autoridades americanas que recebeu treinamento e materiais explosivos de insurgentes da Al-Qaeda no Iêmen. O país vem tentando conter os rebeldes em seu território com ajuda dos Estados Unidos.

Comício

Brennan também disse que o destino dos pacotes eram sinagogas de Chicago, onde Obama tem um comício agendado amanhã.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que o presidente não tem a intenção de alterar seus planos de viagem para os próximos dias.

O que eles diziam três dias antes no primeiro turno


Muito bem. O Ibope divulgou os seus números. Faltam três dias para a eleição do segundo turno. A petista teria 14 pontos a mais do que o tucano José Serra nos votos válidos. No dia 29 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno, o mesmo instituto atribuía a Dilma 55% dos votos válidos — 7,4 pontos a mais do que ela conseguiu. Para o Vox Populi, a petista estava 12 pontos à frente da soma dos adversários. Estou afirmando que os números não valem nada? Eu não! Estou apenas lembrando os fatos. Ou não são fatos? Pode até ser que acertem no segundo turno. No primeiro, erraram feio. Um erro que certamente não foi irrelevante.

Por Reinaldo Azevedo

Hoje, debate na Globo. Um pouco de memória


O vídeo não está grande coisa. Mas tem de ser visto mesmo assim. Trata-se de um trecho do debate na Globo no segundo turno da eleição de 2002, entre José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva. Vejam. Volto em seguida.



Vai, Lula, continue a sujar as mãos! Ou: a Petrobras como cabo eleitoral e pretexto para o discurso vigarista


Atenção! O primeiro turno das eleições aconteceu no dia 3 de outubro. Hoje é dia 29. Em 26 dias, Lula participou de nada menos do que cinco eventos na Petrobras, um a cada cinco dias. Ontem, lançou a nova Plataforma de Tupi. E voltou a sujar as mãos de petróleo. Num dado momento, quase lambeu o óleo.

Hoje, a Agência Nacional de Petróleo faz mais um de seus anúncios estrepitosos, pré-anunciado ontem. O campo de libra, no pré-sal da bacia de Santos, teria entre 7,9 bilhões e 16 bilhões de barris. É isso mesmo: dois dias antes da eleição se anuncia uma, atenção!, POSSÍVEL nova “megahipersupermegalo-reserva”, que pode ter “x” ou “2x”, um tanto de petróleo ou o dobro. As condições do anúncio mal escondem o seu caráter obviamente eleitoreiro. Até o presidente da empresa, o petista José Sérgio Gabrielli, usa a Petrobras para fazer campanha eleitoral aberta, acusando, o que é mentira, o governo FHC de ter sucateado a Petrobras.

No governo tucano, a produção de petróleo no Brasil cresceu 100%: de 700 mil barris/dia para 1,4 milhão de barris/dia. Hoje, está em torno de 2,1 milhões/dia: crescimento de 50% no governo do PT. Vamos ver se Gabrielli desmente. A quase autonomia a que se chegou — a anunciada por Lula é falsa — se deveu à abertura do setor ao regime de concessão então implementado, que contribuiu para que a empresa avançasse na pesquisa do pré-sal — que não começou a ser pesquisado a partir de 2003, como dá a entender a máquina de propaganda.

No entanto, a falsa questão da Petrobras e do pré-sal virou o cavalo-de-batalha do horário eleitoral de Dilma Rousseff, naquela que é a mais mentirosa das campanhas eleitorais de que tenho notícia. Ontem, eles atingiram o estado da arte da empulhação. Vamos ver.

O PT acusa Serra de querer “privatizar o pré-sal” porque, diz, quem implementou o regime de concessões foi o PSDB — e, para o PT, concessão é privatização. Trata-se de uma afirmação escandalosamente falsa. O PSDB contra-atacou: se concessão é privatização, então quem mais privatizou foi Dilma, cujo governo, e ela própria como responsável pela área de energia, fez 108 concessões — o que é fato —, mais do que no governo FHC. Nota à margem: não gosto dessa resposta porque acho que ela endossa a mentira da equação “concessão = privatização”. Bem, mas os petistas também não gostaram.

A pilantragem
Em seu horário eleitoral de ontem, fizeram o quê? Em primeiro lugar, mentiram ao afirmar que, depois da “descoberta” do pré-sal, não fizeram mais concessões. Fizeram, sim! Mas o maravilhoso da história não está aí, não. Afirmou-se que as concessões foram vantajosas para o Brasil porque o risco é das empresas que venceram os leilões, e o benefício é do Brasil!

Bingo!!! É por isso que a concessão é uma boa, entenderam? Notem que, para se defender, o PT quase consegue falar uma verdade. O que a muitos escapa até agora é que a cascata nacionalista do “regime de partilha” é o sonho das empresas que forem contratadas para operar no pré-sal. Arranque-se ou não óleo lá das profundezas, elas terão o seu dinheiro certo. E fim de papo. Os riscos são todos do Brasil. O que o horário eleitoral de Dilma não explicou e o que ela não saberia explicar é por que, então, a concessão não funcionaria no pré-sal. Aí a boneca de ventríloquo se sai com aquele papo de “bilhete premiado”. “Bilhete premiado uma ova!” O petróleo do pré-sal, como se nota, pode ser “x” ou “2x”, mas também pode ser “x/2″, “x/3″, ninguém sabe direito.

Empresa pra ir fazendo buraco, com certeza, o regime de partilha vai atrair. A questão é se atrairá investimentos. Há um monte de gente que prefere a incerteza sobre o petróleo à certeza de que vai ter de enfrentar um governo de burocratas que, cedo ou tarde, se torna uma máquina de corrupção e instabilidade nas regras. Mas volto ao ponto.

A “concessão”, que seria defendida por Serra — e ele nem atacou o regime de partilha, note-se — seria “privatização”. Já a mesma concessão, operada pelo PT, seria uma forma de, havendo petróleo, todo mundo ganhar; não havendo, o Brasil não ter prejuízo. Covenham: é preciso muita vigarice para levar um troço desses ao ar. E eles levam. Ninguém lhes cobrará nada a respeito.

Vai, Lula, continue a sujar as mãos!

Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os institutos serão salvos pelo Papa


Quando tiverem que corrigir os números mentirosos das suas pesquisas, os institutos que, sem exceção, estão na caixinha do PT, poderão dizer: foi o Papa, foi o Papa! Sim, porque a eleição mudou. E a frente formada pelos institutos que, sem exceção, estão na caixinha do PT, apresentando os mesmíssimos números mentirosos, de forma combinada, vão ter que achar uma justificativa.Vão afirmar: " foi o Papa, foi o Papa!".


Coronel

Agência das versões oficiais


O Estado de S.Paulo

Má notícia, embora de forma alguma inesperada: o Brasil, por meio da empresa estatal de comunicação EBC, ligada à Presidência da República, será um dos nove países da região a participar da União Latino-Americana de Agências Noticiosas (Ulan), cuja criação foi decidida na semana passada, numa reunião paralela ao 3.º Congresso Mundial de Agências de Notícias, que se realizava em Bariloche.

A notícia é má, em primeiro lugar, porque a iniciativa atende a uma pregação do dirigente venezuelano Hugo Chávez - para quem a liberdade de imprensa nesta parte do mundo é a liberdade de exaltar a sua assim chamada Revolução Bolivariana e o "socialismo do século 21" que intenta propagar entre os vizinhos. Há tempos, já, o caudilho vem defendendo a formação de uma empresa jornalística regional para contrapor ao noticiário das grandes agências internacionais uma versão supostamente idônea dos fatos na América Latina.

A notícia é má também porque, juntamente com a EBC brasileira, assinaram a carta de intenções para a criação da Ulan, prevista para março do próximo ano, as agências oficiais de países onde ou não há o menor vestígio de imprensa livre - caso de Cuba - ou onde ela está sob fogo cerrado dos governos. É o que acontece na Argentina, Bolívia e Equador.

Pela importância do país, chamam a atenção em especial as operações desatadas pela presidente argentina, Cristina Kirchner, para asfixiar as empresas de comunicação, cujos veículos criticam o governo, e beneficiar aquelas que a ele se submetem, enquanto vai montando uma rede de canais ditos públicos para servir de correia de transmissão dos interesses da Casa Rosada.

É verdade que entre os signatários figuram ainda empresas do gênero do México, Paraguai e Guatemala, onde as principais ameaças ao exercício do jornalismo não vêm propriamente dos governantes de turno. Mas os outros tendem a funcionar como um ativo bloco ideológico. Além disso é de notar a ausência, nesse consórcio, de representantes do Peru e Colômbia, onde o chavismo não conseguiu medrar.

A adesão brasileira era apenas previsível por causa da guerra particular que o presidente Lula trava com a imprensa que se recusa a se dobrar aos seus 80 e tantos por cento de aprovação, insistindo em destampar os podres de sua administração - para que não se diluam nos vapores inebriantes da prosperidade econômica. E porque o petismo é uma usina de produção continuada de tentativas de amordaçamento do livre fluxo de informações e opiniões na mídia brasileira, a começar da televisão.

Dado que essas tentativas não prosperam no plano nacional, estão aí as manobras para corroer pelas bordas a atividade jornalística, com a pretendida criação de conselhos controladores da programação das emissoras no Ceará, Bahia, Piauí e Alagoas. Por fim, embora Lula procure apresentar ao mundo uma imagem contrastante com a de Chávez, o seu governo não perde oportunidade de demonstrar as suas afinidades com o caudilho venezuelano. O caso da Ulan é apenas mais um.

Os defensores da futura empresa se esforçam para afastar outra suspeita - a de que ela se destina a ampliar o papel dos governos da área como provedores de informação, ou melhor, propaganda disfarçada, para consumo das respectivas populações. É o que receia, por exemplo, o diretor executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Julio Muñoz. "Uma agência estatal de notícias é a voz oficial de um governo", argumenta. "Portanto, a informação que difunde deve, necessariamente, ser a de defesa e proteção do seu patrão."

"Nossa proposta", reage a diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, "é somente oferecer apoio mútuo entre as agências, fortalecendo-as reciprocamente." Parece ser mais do que isso. A carta de intenções para a formação da Ulan fala em "tornar visível as conquistas dos povos do continente para aprofundar a democracia e alcançar sociedades de justiça social". O papel aceita tudo. Chávez, para não falar dos irmãos Castro, também usa essas belas palavras para justificar as suas práticas ditatoriais. De mais a mais, por que a América Latina precisa de uma associação de agências estatais de notícias?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Assistam..... é de arrepiar! Temos 4 dias pra evitar algo parecido!

De que lado você está?


Roberto da Matta - O Estado de S.Paulo

Quando trabalhava num museu cheio de ossos e de artefatos indígenas cheirando a naftalina e mofo, eu - recém-chegado de Harvard e contrariamente ao meu projeto de ser apenas um pesquisador - fui galgado à posição de coordenador de um programa de ensino e pesquisa. A saída de seu fundador promoveu a minha entrada na "burro-cracia" federal da universidade e, de repente, eu me vi na posição de liderar um grupo de pessoas que mal conhecia. Éramos todos contra a ditadura militar que então governava um Brasil administrado pelo arbítrio e sem a regra de lei que entre nós, humanos, sempre instáveis e interessados, ajuda a manter a coerência; e, eventualmente, mas nem sempre, garante o uso de um só peso e medida.

Um dia, graças a circunstâncias que espero contar com mais detalhes em outro lugar, surgiu a oportunidade de contratar o grupo de professores do programa (de fato, a sua esmagadora maioria), integrando-os aos quadros da universidade. Digo integrar porque, àquela época, eles eram pagos por uma fundação americana que, por meio de sua filantropia, dirimia a nobre culpa ianque por ter criado um colar de ditaduras militares que coroavam com seus diversos tipos de despotismo o nosso continente. O tal "Cone Sul" ou "América Latina", que só agora os americanos estão deixando de ver como um bloco instável, único e atrasado. Algo que, sem nenhum exagero, ainda se situa na sua lata de lixo por contraste com uma certa Europa e Ásia que estão na sua sala de visitas.

Pois bem. Quando um todo poderoso burocrata da universidade dignou-se a entrar em contato comigo, solicitando os nomes dos professores a serem finalmente integrados no nosso programa, não tive dúvida ou neutralidade. Eu sabia de que lado estava, muito embora, alguns desses colegas não comungassem comigo das mesmas convicções liberais que - aos 20 anos - eu havia consolidado na minha experiência com a América de Jefferson, Lincoln, Luther King, Thornton Wilder, Capra, John Ford, Kubrick e muitos outros; mais do que com a vivência com os Estados Unidos de Joseph McCarthy, Nixon, da Ku-Klux-Klan e da dinastia Bush. E assim eu confirmei os seus nomes, muito embora na nossa convivência, eu sempre fosse direta ou marginalmente tachado como sendo de "direita" ou de "liberal", com tudo o que essa palavra contém de execrável, de indigno e de desprezível no Brasil (e mais ainda no Brasil daquela época). O mesmo ocorrendo com a minha mal começada obra. Uma vez me disseram que em vez de falar de carnaval ou de renunciantes, como Augusto Matraga, de comida e de Dona Flor como metáfora do Brasil, eu deveria estudar camponeses e operários. Em alguns projetos e publicações produzidos naquele museu eu, apesar de coordenador, era excluído porque certamente não ficava bem mencionar o nome de um semifascista nos resultados de pesquisas de "esquerda" que iriam transformar o Brasil.

Lembro essas passagens não para ativar ressentimentos que já encontraram seu lugar num velho e machucado coração, mas para insistir num ponto: jamais assumi uma posição de neutralidade que - como o limbo - seria mais do que justificado por um coordenador acidental, e marcado por um preconceito político tão distorcido pela inútil, mas sempre ressuscitada, dualidade entre direita e esquerda.

Por causa disso, e mesmo ouvindo com muita mágoa a suspeita de um colega que expressou dúvida se o seu nome constaria da lista que enviei à universidade, não fiquei em cima de um doce muro do qual, como fez dona Marina e os verdes, muita gente pensa que pode descortinar os dois lados.

* * *

Faço essas confidências porque elas têm muito a ver com o clima eleitoral brasileiro. Você fica neutro quando um presidente da República e um partido que recusou assinar a Constituição e foi contra o Plano Real usam de todos os recursos do Estado que não lhes pertencem para ganhar o jogo? Você diz que o jogo não interessa porque você queria que os adversários fossem do mais alto nível e isso não existe em nenhum país e muito menos no Brasil? Será que você não enxerga que o exemplo da neutralidade é fatal quando há uma óbvia ressurgência do velho autoritarismo personalista por meio do lulismo, que diz ser a "opinião pública"? O que você esperava de uma disputa eleitoral no contexto do governo de um partido dito ideológico, mas marcado por escândalos, aloprados e nepotismo? Você deixaria de tomar partido, mesmo quando o magistrado supremo do Estado vira um mero cabo eleitoral de uma candidata por ele inventada? É válido ser neutro quando o presidente vira dono de uma facção, como disse com precisão habitual FHC? Se o time do governo deve sempre vencer porque tem certeza absoluta de que faz o melhor, pra que eleição?

A dúvida, o debate, os momentos de ansiedade e de tédio são parte do fardo grandioso da democracia que tanto queríamos. Só os fascistas e os de má-fé, só os ignorantes deste processo podem achar que tudo é péssimo, inclusive os candidatos. Você pode não gostar de um ou do outro, mas a disputa que o Lula e o PT querem anular, usando o pessimismo burro do brasileiro para com a "política", é crítica para liquidar as convergências liberais que alcançamos. Pense nisso, não enverdeça. Não esconda o seu medo de decidir com argumentos bacharelescos. Diga de que lado você está. Lembre-se de que neste mundo não há deuses ou super-heróis. Há apenas pessoas comuns que são candidatos temporários a cargos que têm uma enorme e decisiva influência no nosso destino!

Morre aos 60 anos o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner


Ariel Palácios - correspondente de O Estado de S. Paulo

BUENOS AIRES - O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, de 60 anos, morreu nesta quarta-feira, 27, em El Calafate, no sul do país.

Kirchner, que sofria de problemas cardíacos, teve uma parada cardiorespiratória nesta madrugada. Ele foi levado a um hospital na cidade turística de El Calafate, na província de Santa Cruz, mas não resistiu. Hoje é feriado do censo no país, quando os argentinos devem ficar em casa para responder as perguntas dos recenseadores.

Kirchner era cotado para suceder sua mulher, a presidente Cristina Kirchner, como candidato do governo nas eleições do ano que vem. Ele também exercia o cargo secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e de deputado federal pelo Partido Justicialista (peronista), além de ser líder do seu bloco.

O ex-presidente, que governou a Argentina de 2003 a 2007, já havia sido internado por problemas de saúde duas vezes este ano. Na última, em setembro, foi submetido a uma angioplastia.

Segundo o jornal argentino Clarín, o governo ainda estuda se realiza o velório no Congresso Nacional, em Buenos Aires, ou em Río Gallegos, terra natal do ex-presidente.

Carreira política

Kirchner ganhou projeção nacional ao se tornar governador da província de Santa Cruz, por dois mandatos na década de 90.

Após a renúncia do presidente Fernando de La Rua (1999-2001), devido a uma grave crise econômica, a presidência do país foi assumida por Eduardo Duhalde, responsával por completar o mandato até 2003.

Nas eleições de abril daquele ano, Kirchner saiu como candidato da Frente para a Vitória e ficou em segundo lugar, atrás do ex-presidente Carlos Menem. Antes do segundo turno, Menem desistiu da candidatura e Kirchner foi declarado vencedor.

Durante seu governo, Kirchner conseguiu tirar a Argentina da recessão e antecipar o pagamento de empréstimos ao FMI (Fundo Monetário Internacional), bem como aumentar os salários e pensões e diminuir a pobreza. O mandato de Kirchner também foi conhecido pela reabertura de julgamentos da ditadura argentina (1976-1983).

Em 2007, lançou sua esposa, a então senadora Cristina Kirchner como candidata a sua sucessão, que também foi eleita.

A mordida de R$ 1 trilhão


O Estado de S. Paulo - 27/10/2010

O brasileiro já pagou mais de R$ 1 trilhão de impostos e contribuições em 2010 ( http://www.impostometro.org.br/ ). Até o fim do ano terá pago cerca de R$ 1,27 trilhão e terá trabalhado mais de quatro meses para sustentar a máquina pública, uma das mais caras do mundo, mas nem de longe uma das mais eficientes. A marca do trilhão foi alcançada ontem, por volta de uma hora da tarde. No ano passado, a cifra com 13 algarismos apareceu 46 dias depois, em 14 de dezembro, no Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. A voracidade fiscal continua aumentando. A economia brasileira voltou a crescer, depois de seis meses de recessão em 2008/2009, mas a arrecadação tributária expandiu-se mais rapidamente, como tem sido a regra há muitos anos. Até ontem, no começo da tarde, os governos da União, dos Estados e dos municípios haviam arrecadado o equivalente a R$ 5.210 por habitante, incluídos todos os bebês e todos os velhinhos.


O brasileiro deve recolher neste ano cerca de R$ 112 bilhões a mais que em 2009. A arrecadação tem crescido cerca de 14% ao ano, há anos. Descontada a inflação, a expansão tem sido próxima de 10%, bem maior que o aumento da produção de bens e serviços.

A administração pública, nos três níveis, tem-se apropriado, portanto, de parcelas crescentes da produção nacional, sem devolver em troca serviços e investimentos proporcionais ao custo suportado pelo contribuinte.

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, a tributação brasileira é leve e até insuficiente. Em junho, numa entrevista, ele disse não conhecer nenhum país desenvolvido com carga tributária pequena. Talvez ele não conheça, mesmo, e isso não seria surpreendente. Mas ele poderia aprender algo sobre o assunto, se consultasse um levantamento realizado em 2009 não por um grupo da oposição, mas pela Receita Federal.

Segundo esse levantamento, a carga tributária brasileira, 34,4% em 2008, era maior que a de qualquer outro país emergente. Era também mais pesada que as de várias economias desenvolvidas: Japão (17,6%), Estados Unidos (26,9%), Suíça (26,9%), Canadá (32,2%), Espanha (33%) e Irlanda (28,3%).

Os mexicanos, com desenvolvimento econômico parecido com o do Brasil, entregavam ao Tesouro o equivalente a 20,4% do PIB - e, no entanto, exibiam condições melhores de educação e de saneamento. Na Turquia a carga tributária não passava de 23,5%.

Em alguns países avançados a tributação era pouco maior que a brasileira: 35,7% no Reino Unido e 36,4% na Alemanha. Nem todos os países desenvolvidos têm os encargos tributários dos escandinavos, acima de 40%, mas não contaram esse detalhe ao presidente Lula.


E ele se queixa da extinção do imposto do cheque, a CPMF, eliminado no fim de 2007. Esse tributo era considerado uma aberração por especialistas de todo o mundo. Mas era confortável para o governo: fácil de arrecadar, muito rentável e conveniente para uma administração perdulária, empreguista e amplamente aparelhada pelos partidos no poder.


A CPMF jamais foi aplicada integralmente em programas de saúde, embora, oficialmente, tenha sido criada com esse objetivo. Também sob esse aspecto foi um tributo defeituoso. Há excesso de vinculações no orçamento brasileiro. Mesmo quando o dinheiro é aplicado segundo o critério predeterminado, o resultado é insatisfatório, porque verbas vinculadas normalmente alimentam a ineficiência e aumentam a rigidez das contas públicas.


A CPMF nunca fez falta. Desde a sua extinção a receita federal cresceu bem mais que o suficiente para compensar aquela perda. O governo poderia ter continuado a financiar sem dificuldade os programas de saúde e outros essenciais, se tivesse competência e empenho para usar bem a receita disponível. As comparações com países de carga tributária mais leve não deixam dúvida quanto a isso. Mas o eleitor já sabe: se o PT vencer a eleição presidencial, tentará ressuscitar a CPMF. Isso não é segredo nem surpreende. Afinal, é preciso sustentar a companheirada.

Abstenção, nulos e brancos


Jairo Nicolau - O Estado de S.Paulo

Nos últimos dias, tenho lido muitas declarações de dirigentes das campanhas preocupados com os eventuais efeitos da abstenção e dos nulos e em branco sobre os resultados do segundo turno. As informações que circulam são desencontradas, e a maior parte delas, não corresponde aos fatos. Para esclarecer ao leitor, segue m algumas informações sobre o tema.

1. A abstenção no primeiro turno foi de 18%. Valor semelhante ao das duas últimas eleições presidenciais: 2002 (18%) e 2006 (17%).

2. A abstenção subiu em todas as disputas do segundo turno nas eleições presidenciais, comparativamente ao primeiro turno: passou de 12% para 14% em 1989; de 18% para 21% em 2002 e de 18% para 20 % em 2006.

3. Nas eleições de 2010 a variação da taxa de abstenção entre as regiões, estados e municípios foi muito menor do que em eleições anteriores. Mas alguns padrões permaneceram: a abstenção é sempre menor na região Sul e maior nas regiões Norte e Nordeste, sobretudo nas cidades menores (ver gráfico).

4. Existem muitas evidências de que uma parte da abstenção deve-se a problemas com o cadastro e não são fruto de ação deliberada dos eleitores para não comparecerem. Nas eleições deste ano, houve um recadastramento dos eleitores de 57 cidades que utilizaram o voto biométrico. A média de abstenção nestas cidades foi de 10%, bem menor do que a do pais (18%).

5. Não há como prever o impacto do feriado sobre o crescimento da abstenção no segundo turno. Nas eleições para prefeitura do Rio de Janeiro em 2008 - que aconteceu no meio de um feriado prolongado - a abstenção passou de 18% para 20%. Curiosamente, o maior crescimento (em pontos porcentuais) da abstenção entre os dois turnos, aconteceu em áreas mais pobres da cidade, e não nas áreas de renda média e alta.

6. Temos o hábito de somar os votos em branco e os nulos. Mas eles têm padrões muito diferenciados no pais. Nas eleições presidenciais deste ano a taxa de votos em branco foi de 3% e a de nulos foi o dobro, (6%).

7. A taxa de votos nulos e em branco caiu em todas as disputas de segundo turno nas eleições presidenciais: de 7% para 6% em 1989, de 10% para 6% em 2002; de 8% para 6% em 2006.

8. Coincidentemente, o total de votos nulos e em branco em todas as disputas presidenciais no segundo turno foi 6%. Em números absolutos, o aumento da abstenção acaba sendo compensado pelo declínio dos votos anulados.

9. Os votos em branco se distribuem de maneira homogênea pelo país (ver gráfico). Não há diferenças relevantes por renda/escolaridade do município, nem localização no território. Os estados com taxas mais altas tiveram apenas 4% de votos em branco.

10. Os votos nulos têm padrões muito diferenciados. A taxa tende a ser mais alta nos municípios mais pobres e com mais analfabetos, sobretudo do Nordeste. Nas cidades menores (até 50 mil habitantes) do Nordeste o total de votos anulados foi de 10% (ver gráfico).

11. As cidades com mais taxa de votos nulos do Nordeste são redutos da Dilma. Mas em termos absolutos as perdas da candidata do PT foi muito pequena. Se as menores cidades nordestinas tivessem o mesmo patamar de votos nulos de todo o pais (6%), e se os votos dos eleitores que anularam tivessem a mesma distribuição da de outros eleitores de suas cidades, Dilma teria recebido 112 mil votos a mais, em relação aos seus adversários.

12. Na ponta do lápis, os efeitos da abstenção e dos votos nulos e em branco sobre o resultado final do segundo turno das eleições de 1989, 2002 e 2006 foi ínfimo. Não há razão para acreditar que este ano será muito diferente.

A luta continua


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Em oito anos uma das marcas do governo Luiz Inácio da Silva foi a total falta de disposição para comprar brigas com este ou aquele setor em prol do bem coletivo. Para não se indispor com áreas que poderiam a vir lhe fazer falta nos momentos que realmente interessam - os eleitorais -, o presidente da República desistiu das reformas sindical, trabalhista, previdenciária, política e tributária.

Defendeu malfeitorias em público e precisou até desistir de seu plano de conquistar um terceiro mandato quando viu que o Senado não aprovaria e, se aprovasse, o Supremo Tribunal Federal não deixaria prosperar. Mudou, então, o plano e decidiu disputar por meio de interposta pessoa.

De um só propósito Lula e o PT não desistiram até hoje: de controlar os meios de comunicação. As tentativas têm a idade dos dois mandatos de Lula, mudam de feição, alteram o figurino, mas não abandonam o ringue.

O mais direto seria propor regras mediante as quais o governo federal exercesse controle sobre o conteúdo do que é divulgado nos jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

Mas, por aí o caminho está interditado. Há a acusação de censura e reação forte.

Tenta-se, então, montar um disfarce e construir um discurso de defesa da "democratização" dos meios de comunicação. A palavra de ordem é desconcentrar, romper a ação da "mídia monopolista". O objetivo, entretanto, é sempre o mesmo: controlar, fiscalizar, punir, pressionar.

Todas as iniciativas que surgiram até agora tiveram esse mesmo caráter: o conselho lá do início, aquele cuja proposta de criação o próprio Planalto se comprometeu a encaminhar ao Congresso, a Conferência de Comunicação, o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o programa do PT aprovado em congresso no início deste ano e agora essas iniciativas estaduais de montagem de conselhos controladores.

Claro que a exposição de motivos oficial não é essa assim tão dura. Apresentam-se como defensores da sociedade contra abusos e ilegalidades cometidas por revistas, rádios, jornais e televisões.

E para isso evidentemente o Estado precisa ter instrumentos de fiscalização sobre os conteúdos. Ora, aquela argumentação acima é falsa pelo seguinte: para coibir abusos há a Justiça, para controlar ilegalidades, também; para regular confiabilidade há a avaliação do público e para assegurar a multiplicidade há a concorrência.

Mas, como o que interessa de fato é o controle direto para assegurar o enquadramento na "linha justa" e a disseminação do mesmo tipo de pensamento para que se possa, assim, construir uma hegemonia social em torno de um projeto de poder, torna-se imprescindível criar os conselhos.

E, se não for de um jeito, vai de outro como o Poder Legislativo do Ceará fez e como os Poderes Executivos dos Estados da Bahia, Piauí e Alagoas propõem.

Os dois primeiros governados pelo PT, mas o último pelo PSDB que se diz contrário às ofensivas autoritárias, mas não se pronunciou a respeito da proposta feita pela Casa Civil do governo Teotônio Vilela Filho.

Nenhuma das ofensivas prosperou até hoje. Dificilmente prosperarão as novas, exatamente porque a imprensa está atenta (daí a contrariedade).

Mas convenhamos que é um atraso uma democracia que se pretende madura precisar ficar de vigília para que não lhe roubem a liberdade de pensar e de dizer.

Simplicidade. Pelo menos um dos políticos de muito destaque que procuraram Marina Silva em busca de apoio eleitoral no segundo turno, ouviu dela com todos os efes e erres que será candidata a presidente em 2014.

Como aposta em ser reconhecida como a alternativa à dicotomia entre PT e PSDB, Marina explicou que não poderia se associar agora a nenhum dos dois candidatos.

O interlocutor não insistiu, mas saiu se perguntando se Marina tem noção de que só nas asas do PV não chegará nem perto de seu intento.

Achou bonita, mas um tanto utópica a ideia dela de juntar o melhor do PT e o melhor do PSDB para governar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Assistam o que deveria estar passando no Horário Eleitoral da TV

No GPP, diferença em favor de Dilma é de 5,5 pontos


O jornal Diário de S. Paulo publica hoje pesquisa eleitoral nacional feita pelo Instituto GPP. No levantamento, a diferença entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra é de 5,5 pontos percentuais nos votos totais e de 6,4 pontos nos votos válidos. A margem de erro é de 1,8 ponto para mais ou para menos. O levantamento foi feito entre os dias 23 e 25 de outubro.

CandidatoTotaisVálidos
Dilma Rousseff46,4%53,2%
José Serra40,9%46,8%
Não sabe6,6%
Nulo/Nenhum6,1%


Veja a distribuição dos votos por região, segundo o Instituto GPP

Voto/RegiãoSulSudesteNordesteNorte/CO
Dilma35,1%42,9%56,9%49,3%
Serra52,9%42,6%30,7%42,4%
Nenhum4,1%7,8%5,9%3,2%
Não sabe7,9%6.7%6,5%5,1%

Estando certos os números do GPP, a vantagem de Dilma é dada por sua dianteira folgada no Nordeste (27,08% do eleitorado) e pelo empate no Sudeste: 43,46% do eleitorado. A área de resistência correspondente de Serra é o Sul, só que com colégio muito menor: 14,93% do total.

Sempre supondo que os números estão corretos, pode-se inferir que Serra tem pouco a fazer no Nordeste, e Dilma, pouco a fazer no Sul. Eventuais variações nas regiões Norte e Centro-Oeste interfeririam pouco no quadro porque o peso relativo dessas regiões no total é pequeno: 14,52%.

Com esses números, as chances de uma virada de Serra ou de um alargamento da vantagem de Dilma estão mesmo no Sudeste, onde ambos estão empatados. Em Minas, a diferença em favor da petista seria de quatro pontos; o tucano lideraria em São Paulo por seis pontos; no Rio, ela estaria 11 na frente. Eventuais mudanças nesse triângulo podem decidir a eleição.

Por Reinaldo Azevedo

Morre em São Paulo o senador Romeu Tuma


O Estado de São Paulo


Tuma, de 79 anos, foi internado no início de setembro, após uma bateria de exames detectar problemas cardiovasculares no senador. Mesmo debilitado, ele concorreu à reeleição no último dia 31, quando obteve 3,97 milhões de votos. Mas não foi autorizado por seus médicos a votar.

No último dia 2, Tuma foi submetido a uma cirurgia para a colocação de um “Berlin Heart” – dispositivo de assistência circulatória utilizado em casos de insuficiência cardíaca. A decisão para o implante ocorreu por conta do “quadro irreversível” em que Tuma se encontrava. A junta médica que cuidava do senador concluiu pela necessidade da operação como uma chance derradeira para sua sobrevivência. Antes da cirurgia, Tuma já havia sido submetido a quatro pontes de safena.

Carreira. Tuma nasceu em 4 de outubro de 1931, em São Paulo, e teve sua vida política impulsionada pela carreira policial. Em São Paulo, foi investigador, delegado e diretor da Polícia Especializada do Estado. Formado bacharel de Direito pela PUC-SP, Tuma tornou-se delegado em 1967, atuando no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) – órgão que ficou famoso pela repressão aos movimentos contrários ao regime militar.

Em 1983, assumiu a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Exerceu, em seguida, a função de diretor-geral da PF. Durante o governo de Fernando Collor (1990-1992), acumulou os cargos de superintendente da Receita Federal e diretor-geral da PF.

Em 1991, passou a ocupar uma Vice-Presidência da Organização Internacional de Polícia Criminal (OIPC-Interpol), que congrega as polícias de 186 países.

Em 1995, afastou-se do Poder Executivo para cumprir, pelo PL, seu primeiro mandato de senador por São Paulo, com mais de 5,5 milhões de votos. Em 2002, reelegeu-se pelo PFL, com mais de 7 milhões de votos. Seu mandato terminaria no próximo dia 31 de dezembro.

Em 2003, foi eleito 1.° Secretário da Mesa Diretora do Senado, o quarto cargo em importância na hierarquia da Casa. Mais tarde, filiou-se ao PTB.

No Senado, Tuma foi Corregedor – cargo até hoje somente exercido por ele – e focou sua atuação em questões ligadas à segurança pública.

O 1º suplente de Romeu Tuma é Alfredo Cotait. O 2º suplente é Alexandre Honore Marie Thioillier Filho.

Com informações da Agência Senado

Percepção de corrupção piora sob Lula, diz ONG


Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

Crescimento da economia, a organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, distribuição de alimentos por programas sociais e um líder "carismático" estão abafando problemas profundos de corrupção no Brasil. O alerta é da entidade Transparência Internacional, que publica hoje sua classificação anual dos países considerados os mais corruptos do mundo. Pelo ranking da organização não governamental, a percepção é de que corrupção hoje no Brasil é pior que no início do governo Lula.

Na classificação (ver tabela ao lado) sobre a percepção de corrupção em cada país, o Brasil subiu da 75.ª posição para a 69.ª entre 2009 e 2010. Mas a entidade aponta que isso não significou que a situação do País melhorou, já que a pontuação foi exatamente a mesma de 2009 e pior que nos anos anteriores. A ONG ainda alerta: a corrupção no Brasil é um problema que não foi resolvido pelo governo Lula.

Em 2002, por exemplo, o Brasil era o 45.º colocado na lista, com uma pontuação superior à de hoje. Em oito anos, a constatação da entidade é de que o Brasil desabou na classificação. "A mudança de posição no ranking não é o importante. O que importa é que a pontuação do Brasil não melhorou", explicou Alejandro Salas, diretor da entidade para as Américas. A mudança de posição, disse, ocorreu porque outros caíram e o relatório deste ano tem dois países a menos.

A classificação, elaborada a partir de pesquisas de opinião com o setor privado, foi estabelecida pela entidade para medir qual era a percepção sobre a corrupção em 178 países. "Os países vistos como altamente corruptos ganharam nota zero. Os que são considerados limpos ganharam notas próximas de dez. Já o Brasil está desde 2009 com apenas 3,7 pontos, o que significa que foi reprovado de novo."

Para a elaboração do ranking, o setor privado foi questionado sobre a frequência em que é obrigado a pagar propinas ao governo, corromper funcionários ou ajudar no desvio de recursos públicos. O Brasil continua sendo visto como um país mais corrupto que a África do Sul, a ditadura na Tunísia, Malásia, Arábia Saudita, Botsuana, Turquia, Gana e Ruanda. O Brasil estaria na mesma situação em Cuba, além de Romênia e Bulgária, os países mais corruptos da Europa.

"Em épocas tão positivas de crescimento econômico, com a organização dos Jogos Olímpicos, da copa, por ter um líder carismático, a percepção é de que a corrupção passou a um segundo nível no Brasil, que não afeta ao cidadão", disse Salas. "Enquanto os interesses mais imediatos são atendidos, como com um programa social, a corrupção passa a ocupar um lugar secundário." Ele lamenta que o tema da corrupção não tenha sido mais decisivo nas eleições no Brasil. "O assunto não foi central e não está afetando o apoio dos candidatos."

Pesquisas internas do PT e PSDB: Empate técnico


O instituto GPP deve divulgar hoje uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Índio da Costa, vice na chapa do tucano José Serra, registrou o levantamento no TSE, e o resultado pode, portanto, ser tornado público. A diferença deve ser de cinco pontos em favor da petista. Dada a margem de erro, é possível que estejam em empate técnico.

Coisa de democratas e tucanos que apóiam Serra? Pois é… Sabem o que é interessante - e já tratei desse assunto aqui? O trascking do PT, o de verdade (não aquele que eles propagandeiam por aí), também aponta uma vantagem de apenas cinco para Dilma. E isso, claro!, é muito pouco para tranqüilizar os petistas.

A histeria tem explicação. Ou vocês acham que os petistas estariam tão nervosos se estivessem certos dos 11 ou 12 pontos apontados em algumas pesquisas?

Por Reinaldo Azevedo

Sem a mentira, o que seria do PT?


Se eu fosse um desses críticos do PT que ignoram a sua natureza, poderia começar meu texto mais ou menos assim: “Não entendo por que o PT, liderando um governo que, inegavelmente, tem virtudes, precisa recorrer à mentira sistemática na campanha eleitoral”. Ocorre que eu não sou um desses e entendo o papel central que a mentira exerce na conformação e na postulação do partido. Na verdade, sem um conjunto de mentiras circunstanciais e sem uma grande mentira conceitual, nem mesmo existiria PT. E o debate de ontem à noite, na Record, que se estendeu até o começo da madrugada de hoje, deixou isso muito claro.

A mentira do pré-sal e do petróleo
Dilma contou uma mentira ao afirmar que seu adversário, se vitorioso, pretende privatizar o pré-sal. Qual é o busílis? Como o governo substituiu o modelo da concessão pelo de partilha, passou a chamar o regime anterior de “privatização”, o que, não fosse deliberadamente falacioso, seria apenas equivocado. Fosse assim, e o tucano José Serra respondeu acertadamente, a própria candidata do PT poderia ser acusada de ter privatizado o “nosso” petróleo, inclusive o do pré-sal. Uma das empresas que assinaram um contrato de concessão é a OGX, do bilionário Eike Batista, e foi essa condição que lhe conferiu uma formidável valorização no mercado.

A campanha de Serra, especialmente no horário eleitoral, enfrentou mal esse debate até agora. Chega a ser escandaloso que não tenha deixado claro, por A + B — já que a imprensa, na era do “declaracionismo”, não o faz — que, em 1995, quando FHC assumiu o governo, a Petrobras produzia 700 mil barris de Petróleo por dia. A empresa detinha, então, o monopólio. A abertura do setor foi fundamental para o crescimento da produção. Em 1999, já havia 38 empresas privadas atuando no país. Atenção: em 2003, em razão das concessões feitas ao setor privado — que nada têm a ver com privatização —, atingiu-se a marca de 1,4 milhão de barris por dia. Entenderam o que aconteceu? Na gestão FHC, DOBROU A PRODUÇÃO DE PETRÓLEO. Hoje, anda em torno de 2,1 milhões de barris/dia. Resumo da ópera: cresceu 100% no governo FHC e 50% no governo Lula. Esse é o fato.

O suposto sucateamento da Petrobras nos anos FHC é outra dessas vigarices cantadas por aí. Em 2000, por exemplo, a empresa teve um lucro de R$ 9,9 bilhões, 6º entre as dez maiores petroleiras do mundo. Recebeu vários prêmios internacionais por seu desempenho. Em 1997, o setor petroleiro respondia por 2,7% do PIB; em 2000, já respondia por 5,4% — tudo isso durante o governo que o PT sataniza tanto. José Sérgio Gabrielli, este militante do PT disfarçado de presidente da Petrobras, deu sucessivas entrevistas na semana passada. Falou o que bem entendeu. Ninguém o contestou com números.

A mentira dos assentamentos e das invasões
Dilma contou uma mentira ao afirmar que o governo Lula assentou mais famílias do que o governo FHC e que as invasões de terra caíram. Ao contrário: as invasões cresceram. Foram 497 as ocorrências entre 2000 e 2002 (na média, 165,67 por ano) contra 1.357 entre 2003 e 2008 (média de 226,17) — um aumento de 37%. Existe uma Medida Provisória contra invasão de terras, editada em 2000. Ela indispõe para reforma agrária terras invadidas. Na oposição, o PT chegou a recorrer ao Supremo contra essa lei. Perdeu. No poder, nunca a aplicou — e, por isso, as invasões explodiram. No momento, João Pedro Stedile está quietinho para não prejudicar Dilma. Mas já avisou que volta com tudo se ela ganhar. Segundo disse, para os invasores, é muito melhor que a vencedora seja ela.

O governo FHC assentou, ao longo de oito anos, 600 mil famílias, marca que Lula não vai conseguir atingir. Assenta menos, mas provoca mais conflitos e mata mais. Estes números, por exemplo, são da Comissão Pastoral da Terra, que é o MST de batina: na atual década, 2003 foi o ano mais violento, com 73 assassinatos em conflitos no campo. Nos outros, o número de homicídios ficou entre 20 e 40. Com relação ao número de conflitos, o período entre 2003 e 2007 foi o mais violento, com em média 1.727 registros, contra 1.170 conflitos em 2008 e 1.184 em 2009. Embora tenha sofrido uma redução, a quantidade de conflitos permanece bem maior do que no início da década (2000, 2001 e 2002), quando ocorreram, em média, 822 por ano. Resumo: Lula assenta menos, o MST invade mais, os conflitos aumentam, e as mortes também.

Impressionante!
Milhares de vezes, ao longo de oito anos, Lula e o PT falsearam os dados sobre o governo FHC. Mentiras pontuais foram criando o grande edifício da mentira conceitual: o governo representaria a grande mudança de rumo e de prioridades. Mas não deixa de ser chocante ver Dilma tartamudear a inverdade ali, ao vivo, sem o conhecido talento de Lula para a representação. E fico cá pensando: “Como é que essa senhora não se constrange?”

Há um cálculo nessas coisas, creio. Entro na cabeça de Dilma mais ou menos como Machado de Assis entrava na cabeça do cônego (é claro que não estou comparando o paraíso com o deserto): “Quem sabe do que estou falando ou endossa a mentira e a considera necessária para eu vencer ou já não vota em mim mesmo. Então, tudo bem! Quem não sabe pode acabar acreditando que falo a verdade e que os meus adversários querem mesmo ‘dar’ as riquezas brasileiras para os gringos. Assim, a mentira me é útil”

E então ela segue adiante, na sua versão alucinada da história. Vai dar certo? Não sei! Se der, terá de arcar, depois, com o peso da realidade, sem ter a mesma competência de Lula na arte do ilusionismo.

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Somos 100 mil signatários do Manifesto em Defesa da Democracia


Neste momento, são 100.073 os signatários do Manifesto em Defesa da Democracia. Num post da manhã (ver abaixo), escrevi que faltavam 1.557 assinaturas para atingir a marca história dos 100 mil.

E o movimento não pode parar. Ainda que o texto traga algumas questões que são conjunturais, como a determinação desabrida de Lula de desrespeitar a lei, ele faz a defesa de valores que são permanentes.

Vamos continuar. Republico a íntegra do texto em homenagem à multidão de mulheres e homens que exigem respeito aos valores democráticos. Noto que algo curioso acontece com este texto: a cada dia, ele se torna mais atual, um retrato sempre mais fiel do presente.

*

Manifesto em Defesa da Democracia

Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

É inaceitável que militantes partidários tenham convertido órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais em valorizar a honestidade.

É constrangedor que o Presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras, mas um inimigo que tem de ser eliminado.

É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

Por Reinaldo Azevedo

PSDB registra pesquisa própria para contrapor institutos "comprados" pelo PT.


A campanha do candidato a presidente José Serra (PSDB) decidiu registrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pesquisas eleitorais internas para poder divulgar seus resultados que, segundo afirmou na tarde desta segunda-feira o candidato a vice Indio da Costa (DEM), apontam empate técnico com a adversária Dilma Rousseff (PT). "Registramos para poder mostrar para a população e dizer o seguinte: não viaje, fique na sua cidade e vote. Porque se isso acontecer, o Serra será presidente do Brasil. A eleição vai ser apertada para qualquer um dos lados", disse Indio. Serra reagiu com indignação após a primeira pesquisa, do Vox Populi, indicar a ampliação da diferença de intenções de voto em favor de Dilma. Disse que o instituto era "desqualificado". Após os resultados de Ibope e Datafolha, o candidato disse que "há uma crise nas pesquisas" de intenção de voto. Indio alegou problemas de metodologia. "Todas as nossas pesquisas internas dão empate técnico. As pesquisas são feitas no Brasil em geral por cota, o que dá uma distorção enorme num país continental. Com 136 milhões de eleitores, você não pode achar que o mesmo percentual de eleitores que não vai votar num determinado Estado é igual a de outro. Vamos divulgar e, pode ter certeza, vai dar empate técnico. Porque todas que nós encomendamos estão dando". A campanha de Indio contratou o GPP, por R$ 160 mil, para realizar pesquisas entre sábado e hoje, ouvindo 4.047 pessoas. Ela está registrada no TSE sob o número 37.219/2010.




Coronel

Reescrevendo o passado, apostando na impunidade


na Folha Online:

A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra admitiu nesta segunda-feira à Polícia Federal que se encontrou com o consultor Rubnei Quícoli, que foi procurado pelo filho dela para viabilizar um empréstimo bilionário com o BNDES. O depoimento contraria a própria versão de Erenice quando era ministra da Casa Civil e que o governo sustenta até hoje. À época, ela informou à Folha, por meio da assessoria, que houve um encontro de Quícoli apenas com um assessor dela.

Para a PF, a ex-ministra admitiu que participou da reunião na Casa Civil –o que corrobora a versão de Rubnei Quícoli sobre o caso. “Houve um encontro oficial, marcado pela assessoria dela. Foi uma reunião de uma hora e quinze minutos, na qual ela participou por 30 minutos. Foi uma conversa rigorosamente técnica”, disse o advogado de Erenice, Mário de Oliveira Filho.

A defesa afirmou que, na reunião, Erenice deu “os encaminhamentos devidos” para a proposta de Quícoli. Segundo o consultor, depois do encontro com Erenice, a proposta da empresa EDRB foi encaminhada para a estatal responsável por energia solar no Nordeste.

Nesse mesmo período, Quícoli afirmou que a empresa do filho de Erenice, Israel, passou a cobrar para viabilizar o financiamento do BNDES. A defesa de Erenice não comentou sobre as conversas de consultores com pessoas ligadas a Israel Guerra. Diz apenas que não tinha o consentimento da ex-ministra.

“Ela nunca autorizou ninguém, nem filho, a falar em nome dela para gerenciar qualquer negócio”, afirmou o advogado. O depoimento durou cerca de quatro horas e Erenice respondeu a mais de cem perguntas. Segundo a defesa, ela respondeu a todos os questionamentos na condição de testemunha. Os advogados de Erenice afirmam ainda que a ex-ministra nunca atuou para beneficiar qualquer parente no governo.

De acordo com a defesa, os amigos de Israel Guerra que trabalhavam no governo foram contratados por questões técnicas. Ela foi intimada pela polícia para explicar a atuação do filho Israel como lobista dentro do governo e a suspeita de tráfico de influência. A seis dias da eleição, Erenice tentou duas vezes adiar o depoimento.

Braço direito da presidenciável petista Dilma Rousseff, Erenice era secretária-executiva da candidata quando recebeu no Planalto empresários que negociavam contrato com a empresa de lobby dos filhos dela e de assessores da Casa Civil. Após a Folha publicar a informação, ela pediu demissão.

O caso Erenice foi um dos motivos que levou a eleição para o segundo turno, segundo pesquisa Datafolha.

RECEITAGATE Envolvido em outro caso, o jornalista Amaury Ribeiro Jr, que encomendou informações fiscais sobre familiares e pessoas ligadas ao presidenciável José Serra (PSDB), presta depoimento hoje no mesmo local.Ribeiro Jr. admite ter pedido dados dessas pessoas, mas nega ter solicitado acesso a documentos sigilosos.

Todos os alvos do jornalista tiveram seus dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia declarou à polícia que o jornalista o contratou para obter informações fiscais sigilosas de familiares e aliados de Serra. Essas informações foram parar num dossiê que circulou na pré-campanha petista.

Garcia afirma ter recebido de Ribeiro Jr. R$ 12 mil em dinheiro em outubro de 2009. No mês passado, alega ter recebido mais R$ 5.000. No último depoimento que concedeu à PF, o jornalista não esclareceu se recebeu ou não orientação para investigar tucanos. Ele apenas afirmou que iniciou a apuração porque soube que uma equipe liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra o ex-governador Aécio Neves.

Nessa época, Aécio e Serra disputavam a indicação do partido para concorrer à Presidência da República. No último depoimento, Ribeiro Jr. atribuiu a uma ala do PT o vazamento do dados que coletou. Segundo ele, um setor do partido disputava o controle de contratos da área de comunicação.

O PT nega que a ordem para encomendar a quebra de sigilo tenha sido dada pela campanha, assim como refuta ter operado qualquer dossiê para atacar o adversário. Embora o jornalista tenha negado que trabalhou para a campanha petista, ele participou de ao menos uma reunião da “equipe de inteligência” em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.


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Comentário: Reinaldo Azevedo


Veja bem, leitor desconfiado: a realidade é uma obra aberta, entende? Quando o escândalo veio a público, Erenice nunca havia se encontrado com o consultor Rubnei Quícoli. Aí as evidências foram aparecendo, o homem divulgou os e-mails e tal. Então sempre chega a hora em que é preciso consertar a história. Sim, agora ela teve um surto de memória. Encontrou-se, sim, mas tudo muito republicano.

Já lhes contei aqui que uso a entrevista de um petista para explicar para as minhas filhas quem é essa gente. Lembro-me de José Genoino, ainda presidente do PT, a negar no programa Roda Viva, em 2005, que houvesse qualquer coisa errada nas contas do partido. Ele era tão convincente que, ao misturar a história da legenda com a sua própria, chorou. Todos ficaram muito comovidos.

Aí os horrores começaram a vir a luz. E, aos poucos, ele foi admitindo os “negócios” com Marcos Valério. As lágrimas eram apenas o ponto alto de sua pantomima. Assim, nunca pergunte a petistas onde está a verdade. Ela costuma não estar em lugar nenhum. Eles vão adaptando as versões à necessidade da hora.

No caso do mensalão, o tempo foi passando, e o PT mudou de novo: da admissão da culpa voltou ao ponto inicial, negando o fato. Hoje em dia, Lula afirma que aquilo tudo não passou de uma grande conspiração das oposições.

Chega-se, assim, a um corolário: a chance de que se faça justiça — “chance”, não fatalidade — está na eventual derrota do PT. Se o partido vencer a eleição, os companheiros, mais uma vez, darão um jeito de se apresentar como vítimas das próprias falcatruas.


O Rodoanel e a sujeira de sempre do PT


O analista ambiental do Ibama Antonio Paulo de Paiva Ganme disse à Folha que fiscais foram pressionados a tentar dificultar a inauguração de trecho do Rodoanel. Ele foi destituído em julho da chefia da Divisão de Proteção Ambiental após fiscalização no porto de Santos.

Folha - Houve orientação do Ibama para multar os responsáveis pelo Rodoanel? Antonio Paulo de Paiva
Ganme - Na antevéspera da inauguração do trecho sul do Rodoanel, o superintendente substituto veio falar que havia uma denúncia e que a gente tinha que ir imediatamente fazer a autuação.
Houve pressão?
A pressão para que a coisa fosse feita rapidamente foi mantida. Houve até assédio moral contra meu substituto.
Que tipo de assédio?
Do tipo "tem que ir, tem que ir logo, vamos, vamos". Uma pressão para que o pessoal saísse correndo.
Qual o objetivo?
Provavelmente era "melar" a inauguração. [...] Foi feita a vistoria, foram constatadas as irregularidades, eu determinei, como é óbvio, que se autuasse tanto a Dersa, que é a responsável pelo licenciamento, quanto as empreiteiras envolvidas.Sei que tinha a Mendes Júnior, essas grandes empreiteiras. Quando o superintendente [substituto] ficou sabendo disso, ele falou à equipe: "Não, não há necessidade de se autuar as empreiteiras". O pessoal falou: "Não, lógico que há, foi quem efetivou o crime ambiental". Veio uma contra-ordem: "Não, deixa pra lá".
Vocês suspeitaram de uso político do Ibama?
É, pela maneira como veio essa pressão, como se fosse uma emergência ambiental. Emergência seria durante a construção. Depois de pronto, não é mais.A maneira como houve esse assédio moral, para que fossem correndo e a maneira como depois, "ah, não é mais para autuar as empreiteiras", ficou claríssimo que mais uma vez estava uso político.


Coronel