terça-feira, 30 de novembro de 2010

Balanço da Operação no Morro do Alemão


Fonte : G1

WikiLeaks: o botox de Kaddafi e a hipocrisia


Muito vai se falar sobre o botox de Kaddafi, ou da pirataria chinesa do Google, mas um dos aspectos centrais dos documentos diplomáticos americanos obtidos pelo site WikiLeaks é a vontade dos países árabes islâmicos de bombardear o Irã. “Vamos cortar a cabeça da cobra”, propôs o rei Abdullah, da Arábia Saudita. O príncipe Muhammad Bin Zayed, de Abu Dabi, chegou a comparar: “Ahmadinejad é Hitler”. Ou seja: a belicosidade contra o Irã e seu programa nuclear não é necessariamente um traço ocidental.

Esse “segredo de polichinelo” serve para desmontar parte da retórica antiamericana no Oriente Médio. O mundo muçulmano, que acusa a política externa americana de ser “anti-islâmica” por causa do Irã, terá então de hostilizar também a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, além do Egito e do Paquistão, se quiser ser coerente. Ademais, os países árabes costumam censurar Israel por considerar o Irã como a principal ameaça à estabilidade regional. Diante de declarações como a de Abdullah, fica claro que tudo isso não passa de hipocrisia dos governos árabes, tanto externa quanto interna.

Outro aspecto importante de todo o vazamento diz respeito à natureza dos documentos. A título de crítica à administração dos EUA, há quem diga que, “numa democracia, as pessoas têm o direito de saber o que seu governo está fazendo de fato”. É verdade, mas, em diplomacia, nem tudo pode se tornar público.

É ingênuo supor que os EUA pudessem ou devessem ser mais transparentes que, por exemplo, o Brasil, cuja diplomacia também é, em alguma medida, mantida em sigilo. Neste ano, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que estipula prazos para a desclassificação de documentos secretos brasileiros. A maior resistência ao projeto foi do Itamaraty – há papeis que permanecerão indefinidamente secretos porque tratam de política externa e cuja publicidade pode comprometer os esforços diplomáticos do Brasil.

Assim, o vazamento dos documentos pelo WikiLeaks não pode ser ignorado – é material jornalístico e histórico de grande valor; ao mesmo tempo, porém, há situações que pertencem aos corredores da diplomacia, com seus códigos próprios. Fazer considerações morais anti-EUA a partir de documentos que foram produzidos para permanecer secretos é tentador, mas talvez seja apressado. É melhor esperar o vazamento de documentos da diplomacia de outros países – digamos China, Rússia, Venezuela, Cuba ou Irã – para comparar.


Estadão

A segunda entrevista do bandido


Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo
-Em maio de 2006, tu me entrevistou... Estou lembrado da tua cara... Saiu até no Harper"s Magazine... em inglês...
Agora estão me mudando de Catanduvas, acho que para Roraima, sei lá. Mas, creia que eu não ordenei ataque nenhum, que não sou burro. Você acha que eu ia queimar ônibus e jogar a população contra nós? Isso é coisa de traficas idiotas... Na época, você me perguntou como entrei no crime e eu te disse que eu era invisível desde menino... Vocês nunca me olharam durante décadas... E olha que era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos de barracos ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Os policiais eram considerados bandidos e nos éramos heróis, lembra? "Vítimas da miséria." É; mas quem fez o crime crescer não foi a miséria; foi o capitalismo, cara. Com a multinacional do pó, ficamos ricos e as armas chegaram... Aí começou o "que horror!", "que medo!" entre vocês do asfalto. Nós fomos o início tardio de vossa consciência social...
- Como assim?
- Nós somos filhos tortos do crescimento econômico; e vocês também. Nosso enriquecimento e virulência obrigaram vocês a se modernizarem na repressão. De certa forma, vocês aprenderam conosco, numa espécie de "formação reativa dialética". Viu, como sou culto? ...Li centenas de livros em Catanduvas.
- Sim, mas você que viveu na barra-pesada, me diga, qual é a solução?
- Vocês só chegam a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Olha aqui, mano, não há mais solução! A própria ideia de "solução" já é um equívoco pequeno-burguês... há há ...é filosoficamente uma esperança vã!
Mas, vou ser franco contigo, na boa, na moral: estamos todos no centro do "Insolúvel". Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.
Só que nós sabemos que não há saída. Só a morte ou a merda. E nós já trabalhamos dentro delas. A morte para vocês é um drama cristão numa cama. A morte para nós é o "presunto" diário, desovado na vala... Vocês, intelectuais, não falavam em "luta de classes", em "seja marginal seja herói"? Pois é: somos nós! Há há...
Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro "Alien" escondido nas brechas da cidade. Você não ouve as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de Pós-Miséria. Isso. Há uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões, como o Beira Mar, não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel. Quem vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?
Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.
Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produtos vêm de fora; somos globais.
- Você acha que o caminho é esse?
- Vocês estão fazendo uma crítica da própria incompetência. Esse negócio das UPPs é muito bom. É a primeira coisa imaginosa que apareceu. Mas, se não houver uma reforma geral das instituições, as UPPs podem morrer na praia. Elas mantêm o paciente vivo, mas não combatem a doença original.
Tem de haver uma reforma radical do processo penal do País, tem de haver comunicação e inteligência entre policias municipais, estaduais e federais, programas sociais e educação. Tudo bem... agora melhorou muito; aumentou o pragmatismo e a eficiência. Nós sempre estivemos no ataque; vocês na defesa. Agora tudo se inverteu. Parabéns.
A repressão aprendeu muito conosco. A polícia e a política aprenderam com o excesso de horrores que já produzimos nos últimos 30 anos, aprenderam com os tremores da população, com os ônibus pegando fogo, com as cabeças cortadas, com os micro-ondas torrando os X-9s , aprenderam que não há mais solução e sim "processo" e por isso vocês estão ganhando terreno. Parabéns. Mas, agora como se diz no Exército, está na hora do "aproveitamento do êxito". Não adianta tomar o morro e depois sair, não adianta matar, celebrar vitórias, não adianta nada se...
- Sim, o que devem fazer as forças policiais?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Escreve aí: peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.
Isso não é assunto para polícia, não. Isso é uma questão de Estado, é tão importante quanto impedir o desmatamento. Está havendo uma mudança psicológica na população. Faz parte do crescimento econômico. Não é bom para o mercado uma zorra como a nossa. A produção no mundo está nos obrigando à modernização e à democracia. Eu estou falando como um cientista político porque sou um cientista sobre mim mesmo - há, há... Meu destino está traçado, o sangue está grudado em mim, mas o destino de vocês também está. Eu vejo hoje muito mais do que via, mas vocês também têm de mudar. Estou lendo o Klausewitz - Sobre a Guerra - e digo que vocês não podem esperar uma vitória total, solução, a paz em Ipanema e o mundo voltando atrás. Nunca mais.
É com no Oriente Médio, com os homens-bomba. Nunca haverá uma vitória clássica. Dá para melhorar, urbanizar, civilizar, mas o mundo de hoje tem um preço trágico que todos terão de pagar. Todos vamos conviver com a própria miséria.
De qualquer forma, parabéns... por linhas tortas chegaram lá. A história não é uma linha reta. É um ziguezague.
Vocês nunca terão uma solução completa, mas, ao menos, já conhecem o problema...
Vamos lá... Vou vazar para Roraima... mas, olha, cara: não há mais segurança máxima na vida...
Bye bye, Catanduvas...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Interferência de Lula no governo Dilma é risco à democracia


Os primeiros movimentos do governo de transição de Dilma Rousseff tiveram a marca registrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo que o discurso oficial seja o de que a presidente eleita trabalha para formar uma equipe que tenha a sua cara e que Lula não dá opinião sobre nenhum setor do novo governo, sabe-se que ele é o grande conselheiro quando o assunto é nomear futuros ministros ou ocupantes de cargos de confiança. Especialistas ouvidos pelo site de VEJA acreditam que essa postura não faz bem à democracia do país e que Dilma deve mostrar sua personalidade.

De acordo com o sociólogo e cientista político Humberto Dantas, não é bom para nenhum governo depender de uma pessoa que não foi eleita nas últimas eleições. "Se fosse o PT que tivesse essa influência sobre Dilma seria mais razoável". Entretanto, pondera, é difícil dizer se essa postura continuará ou não nos próximos quatro anos. "Isso depende da conjuntura política. Dilma é centralizadora e logo mais colocará as mangas de fora, mostrando a que veio".

Integrantes do alto escalão petista afirmam que Dilma submete suas decisões ao presidente em razão do relacionamento de respeito e confiança criado entre os dois nos últimos anos. A presidente eleita é ouvinte fiel de Lula e aceita muitas de suas sugestões. Apesar disso, dizem petistas próximos, quando a discussão é sobre áreas estratégicas para Dilma – como os setores energético e de infraestrutura –, ela deve indicar pessoas de sua confiança e, como prefere, de caráter mais técnico do que político.

Para o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), um dos líderes da oposição, a interferência de Lula no próximo governo é "compulsória". "Dilma ainda não tem maturidade para o governo econômico, administrativo e político e, por isso, o presidente precisa entrar em cena para ajudá-la a montar a melhor equipe possível”. Mesmo assim, afirma o tucano, a presidente eleita estava no centro do governo Lula e conhece as pessoas que ali trabalhavam. "A continuidade é previsível, mas esse tipo de interferência de Lula é totalmente desnecessária".

O cientista político Marco Antonio Villa acredita que Dilma “começa mal o governo se aceitar muitas indicações e interferências do presidente”. Segundo ele, a mensagem passada para o eleitor é a de que a presidente eleita não consegue governar sozinha. “O governo começará já enfraquecido caso Dilma se submeta a muitas interferências de Lula. Ela não é mais a presidente do presidente. Agora ela é a presidente do Brasil”, diz Villa.

Digital de Lula – Na última sexta-feira, 26 de novembro, Dilma fez o convite para que Nelsom Jobim (PMDB) continuasse à frente do Ministério da Defesa. Essa não era a vontade da presidente eleita e nem mesmo dos peemedebistas, que já haviam avisado que ele não seria uma indicação partidária para nenhum dos ministérios. Entretanto, o presidente Lula queria a permanência de Jobim. Convenceu Dilma.

As negociações para a montagem da equipe econômica – uma das mais importantes para o próximo governo – também tiveram a digital de Lula em seu cargo mais alto: o de ministro. Foi do presidente a ideia de manter Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda. Dilma recebeu a sugestão de forma mais incisiva no início de novembro, quando acompanhou Lula durante a reunião do G-20, na Coreia do Sul. Mantega também foi convidado especial da comitiva: um ótimo pretexto para os acertos entre os três mais interessados.

Outro imbróglio em que o presidente Lula interferiu foi o superbloco, criado e sepultado em pouco tempo por PMDB, PR, PP, PTB e PSC. A manobra formava uma maioria artificial na Câmara dos Deputados. Antes que o desgaste entre os aliados pudesse prejudicar de alguma maneira o próximo governo, Lula entrou em ação e sacou o PP e o PR das negociações. Logo depois, o PMDB recuou e o presidente do partido e vice presidente eleito, Michel Temer, chegou a dizer que o bloco era apenas uma intenção e que não estava estruturado.

Campanha – Ao lado da ex-ministra nos palanques nas dezenas de comícios que fizeram juntos durante a campanha, o presidente fazia questão de dizer: "O governo de Dilma terá a cara de Dilma". Lula ainda costumava afirmar que “ensinaria um ex-presidente a ser ex-presidente”, como se não fosse participar decisivamente da transição de seu governo para o de sua afilhada política. Mas parece que, na prática, não é bem isso que acontece.


veja.com

“Tropa de Elite 3 – Interiores”


Com invasão hostil-negociada ou ocupação pacífica, a “retomada de territórios” do narcotráfico no Rio se faz sem prender os bandidos — alguns gatos-pingados só pra não dar muito na cara e ter o que exibir à opinião pública. Não! Não se trata de negar aspectos positivos da “ocupação” do Complexo do Alemão, mas de lhe atribuir a real dimensão e distinguir o que é política de Segurança Pública do que é política de Segurança do Marketing.

O desfecho de ontem, dado o clamor, decepcionou muita gente — a mim, não; quem me lê habitualmente sabe que era o que eu mais ou menos esperava. Era como se faltasse José Padilha na direção — ficção e realidade, aliás, estão se cruzando nesse episódio de modo muito emblemático. Já chego lá. A aposta era mesmo num “Tropa de Elite 3 - A Solução”. Mas esse filme não veio. Os bandidos já tinham sido burros o suficiente até ali. Só os mais aptos — para o crime — se deram conta de que não há melhor negócio do que as UPPs (farei um post a respeito daqui a pouco). O problema é o que fazer com a mão-de-obra ociosa para que não vá aterrorizar no asfalto, assaltando bolsas e relógios.

Sérgio Cabral e o governo federal só tinham uma coisa a fazer depois que assistimos, ao vivo, à marcha da bandidagem da Vila Cruzeiro para o Alemão: entrar na área. Resistindo, o Comando Vermelho sofreria muitas baixas, com a perda de soldados treinados; recuando, todos acabariam se dando bem: o governo do Rio seria elogiado por seu feito inédito, e os criminosos preservariam o seu exército. E se fez, então, essa opção. Os seres mais lógicos logo se perguntaram: “Pô, se era tão fácil, por que não se fez antes?” Resposta: porque não era nem é tão fácil.

Cadê os, segundo a Polícia, 500 traficantes? A resposta é esta: o Exército e a polícia estão no morro e vão investigar casa por casa. Bem, acho que a turma da pesada não ficou dando sopa por ali. Como é impossível investigar tudo ao mesmo tempo — dadas a topografia e a arquitetura locais —, ainda que um ou outro tenham sobrado, dá para brincar de gato e rato. O número de presos é esse que se tem aí, com um ou outro acréscimos irrelevantes.

José Beltrame Mariani, secretário de Segurança, sempre dá respostas muito interessantes. Indagado sobre a fuga em massa, afirmou: “Posso garantir que os que fugiram, sem arma, sem casa, sem território, são muito menos do que eram antes”. Assim seria se assim fosse. Aonde quer que tenham ido, terão território, arma e casa.

Mas a honra do Rio e da pátria está salva. À falta de eventos espetaculares, o filme que se viu poderia se chamar “Tropa de Elite 3 - Interiores”, com narrativas mais individualizadas, quase intimistas: o pai que entregou o filho, a mãe que procurou a polícia, as “mansões” dos chefões no morro, com suas banheiras de motel — até bandido gosta de conforto, embora não tenha “sendo de proporções”, como diria Caetano Veloso, um amigo dos amigos…

Por Reinaldo Azevedo

Uma empulhação foi desmascarada; vamos ver, agora, se estamos diante de outra. Só 20 presos e 50 fuzis… “Tropa de Elite 3″ decepciona…


Uma empulhação foi desmascarada pelos fatos. A polícia de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame não prendia ninguém, “ocupava” os morros com suas UPPs sem reprimir o tráfico, desde que ele seguisse as regras do decoro, e a “paz” estava garantida! Passou a ser, assim, um comércio velado, mas aceitável. Sem precisar da soldadesca do crime para garantir a segurança — uma vez que a polícia passou a fazer parte da paisagem —, o lúmpen foi oferecer sua mão-de-obra em outras paragens.

Finda a primeira empulhação, vamos ver se estamos agora diante da segunda. É cedo para contar vantagem, para declarar vitória — a depender, claro, do que se considere exatamente vitória. Estimavam-se em até 500 os traficantes acoitados no Complexo do Alemão, aquele onde a polícia não punha os pés havia mais de dois anos e onde o governo federal se orgulhava de tocar obras do PAC. A segunda “operação histórica” (a primeira foi a da Vila Cruzeiro) prendeu 20 pessoas, com três mortes, e 50 fuzis. A bandidagem fugiu . Teve tempo para isso! O Alemão é do Comando Vermelho. A maioria se mandou para a Rocinha, governada pelo ADA (Amigos dos Amigos).

A polícia diz que vai lá e no Vidigal, mas na hora certa. Bem, então agora são os 500 do Alemão mais os que já estavam na Rocinha. Quantos? Mil? 1.500? Estima-se que o narcotráfico empregue 16 mil. A apreensão de armas também foi ridícula: 50 fuzis. A bandidagem manteve o seu arsenal. Estupenda é a quantidade droga: 40 toneladas de maconha e 250 kg de cocaína! E é de se supor que isso seja apenas uma parte da mercadoria. Agora, sim, acredito que os cheiradores e queimadores de mato sentirão algum impacto no bolso. Haverá uma queda no abastecimento. As leis de mercado tornarão o produto mais caro — a menos que a atividade entre com algum estoque regulador…

Recuperar o território é importante, sim — se for para valer —, mas não existe combate ao crime sem prender criminosos. Essa é uma jabuticaba que Beltrame e Cabral ainda não conseguiram cultivar. A questão vai ganhando contornos interessantes. Digamos que se decida, agora, recuperar o território da Rocinha — e espero que não seja preciso uma nova rodada de incêndio a carros e ônibus para que isso aconteça. Muito bem, caso o padrão “olha que eu vou subir” se repita, o exército de marginais migra dali para outro lugar. E assim sucessivamente.

Bem, das duas uma: ou o tráfico decide reordenar-se para absorver os seus soldados no novo esquema — uma coisa, assim, de “tráfico com consciência social” —, ou a bandidagem vai procurar oportunidades de negócios em outros estados, né? Os que fazem fronteira com o Rio, diga-se, devem se precaver desde já. Eu não aposto muito que Cabral e Beltrame mudem a escolha essencial: na forma como se dão ocupações e invasões, baixas e prisões são poucas. Preso dá trabalho e custa caro, sem contar que é preciso ter onde alojá-los…

Não foi um Tropa de Elite 3! O filme da vida foi bem mais chocho do que a expectativa gerada no público. Tanto é assim que foi preciso recorrer a um outro tipo de narrativa, bem mas intimista. Mas falo a respeito quando acordar.

Por Reinaldo Azevedo

Brasil oculta prisão de terroristas, dizem EUA em documentos vazados


Documentos revelados pelo site Wikileaks nesta segunda-feira (29) mostram que o Brasil disfarça a existência e a prisão de pessoas ligadas ao terrorismo. Segundo o documento, (disponível no site, em inglês), "o governo brasileiro é um parceiro de cooperação no combate ao terrorismo e actividades relacionados com o terrorismo no Brasil [...] No entanto, os mais altos níveis do governo brasileiro, particularmente o Ministério das Relações Exteriores, são extremamente sensíveis a quaisquer créditos públicos de que terroristas têm presença no Brasil - seja para arrecadar fundos, organizar a logística, ou mesmo trânsito no país - e vai vigorosamente rejeitar quaisquer declarações implicando o contrário."

O texto aparece em uma carta secreta do então embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel, de 8 de janeiro de 2008. Segundo ele, "o governo brasileiro recusa-se a definir legal ou mesmo retoricamente designados grupos terroristas como o Hamas, Hezbollah ou as Farc como grupos terroristas - os dois primeiros sendo considerados pelo Brasil como partidos políticos legítimos".

De acordo com Sobel, a Polícia Federal prendeu muitas vezes pessoas que tinham ligações com o terrorismo, mas os acusou de crimes que não eram relacionados ao tema para "evitar chamar a atenção da mídia e do alto-escalão do governo."


Essa postura se deve ao medo, ainda segundo o texto, de "estigmatizar a comunidade muçulmana do Brasil [...] ou prejudicar a imagem do território como um destino turístico. É também uma postura pública destinada a evitar ser demasiado estreitamente ligada ao que é visto como a Guerra excessivamente agressiva dos EUA contra o terrorismo."

'Espionagem'
Em um almoço na casa do então embaixador americano John Danilovich, em maio de 2005, o general Armando Félix teria dito que o governo pediu "que filhos de árabes, muitos deles empresários de sucesso, vigiem árabes que possam ser influenciados por extremistas ou grupos terroristas", diz o relato, também divulgado no site.

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Papéis vazados pelo Wikileaks revelam o que se fala a portas fechadas.
Hugo Chávez é chamado de 'louco', e Berlusconi, de 'irresponsável'.


Os diplomatas são conhecidos pelo tom politicamente correto de suas declarações públicas, mas documentos secretos americanos divulgados pelo site WikiLeaks revelam o que os funcionários de Washington falariam dos líderes mundiais a portas fechadas.

As centenas de milhares de documentos diplomáticos secretos, divulgados pelo WikiLeaks a vários jornais do mundo revelam descrições pouco amistosas de líderes mundiais.

Em seguida, as de maior destaque:

- Presidente da Argentina, Cristina Kirchner.
O jornal "El País", de Madri, anunciou este domingo que um dos documentos recebidos do site WikiLeaks diz que o Departamento de Estado americano pediu à embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da presidente.

- Presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Um vice-secretário americano, Philip Gordon, recompila uma conversação com um conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte, na qual o segundo disse que o presidente venezuelano está "louco" e disse que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo. Outro documento mostra que a diplomacia americana trabalhou para isolar o presidente venezuelano.

- Primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.
Um importante diplomata o descreve como "irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno". Outro documento o descreve como "frágil física e politicamente", que não descansa apropriadamente por causa das festas que dá até altas horas da madrugada.

- Presidente afegão, Hamid Karzai.
Um documento o descreve como "extremadamente frágil" e passível de acreditar em teorias conspiratórias. Karzai mantém uma relação difícil com o presidente americano, Barack Obama.

- Líder líbio, Muammar Kadhafi.
Um texto diz que Kadhafi é "quase obsessivamente dependente de um pequeno núcleo de funcionários de confiança" e aparentemente não pode viajar se não o fizer acompanhado de uma "voluptuosa" enfermeira ucraniana. Acredita-se que Kadhafi tenha medo de voar sobre o mar e de pernoitar em andares altos de edifícios.

- Presidente russo, Dimitri Medvedev.
Apesar de ser oficialmente o chefe de Estado e chefiar o primeiro-ministro, Vladimir Putin, a embaixada americana em Moscou diz que Medvedev "é o Robin do Batman, Putin".

- Chefe de governo alemã, Angela Merkel.
Um documento a considera "contrária à tomada de riscos e raramente criativa". Seu ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, teria uma "personalidade exuberante", mas pouco conhecimento de política externa.

- Presidente francês, Nicolas Sarkozy.
A embaixada dos Estados Unidos em Paris acredita que o presidente é "suscetível e autoritário", destacando suas críticas a colaboradores. O governo francês reiterou seu apoio aos EUA apesar do incidente.




G1



A culpa é do governo


João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo

A gente se acostuma a tudo. Os biólogos dizem que a repetição do estímulo inibe a resposta. Provocar continuadamente uma reação no organismo ou na mente acaba não surtindo mais efeito. Pode-se fazer uma analogia com a nossa desaparecida indignação, que, de tão cutucada, já não se manifesta e, em alguns de nós, parece ter-se convertido em resignação e cinismo amargo. É isso mesmo, os políticos são ladrões, os administradores são incompetentes, os serviços públicos são abomináveis, a educação é um desastre, a saúde é uma calamidade e a insegurança é geral - acabou-se, nada a fazer, o Brasil é assim mesmo.

É triste ver a amada cidade do Rio de Janeiro, orgulho de todos nós, transfigurada numa Bagdá à beira-mar, carros blindados conduzindo tropas de assalto e armamento pesado, soldados de fuzil em punho se esgueirando em ruelas, como víamos somente em filmes de guerra. Entre metralhadoras, granadas, carros e ônibus em chamas, repórteres usando coletes à prova de balas e gente espavorida, é como assistir à cobertura da Guerra do Golfo. Isto é, enquanto uma bala não estilhaçar o televisor, caso em que teremos também recebido, como tantos outros concidadãos, nosso batismo de fogo.

As causas para essa situação são conhecidas e vão desde desigualdades socioeconômicas a uma abordagem ultrapassada da questão das drogas ilegais. Ou seja, problemas que poderiam não mais existir ou ter sido muito minorados, se nossos governantes tivessem, desde sempre, formulado e posto em prática com seriedade políticas públicas integradas e subordinadas a um planejamento racional, de metas claramente definidas. Ou que, pelo menos, encetassem algumas das reformas de que todos sabem que precisamos. Ao ouvir falar em reformas, o governante costuma assentir, com ares graves de quem concorda. Todos concordam, só que ninguém faz nada. Nem nós, que já nos acostumamos a isso e logo nos acostumaremos também a ver tanques de guerra se abastecendo no posto da esquina. Nós somos um povo muito ordeiro.

domingo, 28 de novembro de 2010

O acordo, a ocupação pacífica do Complexo do Alemão e o futuro


Como vocês estão cansados de saber a esta altura, a polícia entrou no Complexo do Alemão praticamente sem resistência. Bandido é bandido, mas não é burro. Resistir ao aparato que reúne PM (Bope), PF e Forças Armadas seria suicídio coletivo. Muita droga foi apreendida. Não se sabe ao certo o número de presos até agora, mas não são muitos. Também é pequena a apreensão de armas, dado o arsenal já exibido pelos bandidos. A ocupação não rende um filme de ação, algo como Tropa de Elite 3. Acabou sendo chocha. Melhor assim em certo sentido. Do contrário, haveria muitas mortes: de bandidos, de militares e também de moradores. Depois de cantar o Hino Nacional, o Hino da Proclamação da República, o Hino à Bandeira e o Hino da Independência, a gente pode começar a pensar.

Esse desdobramento não é acidental. Desde o cerco ao complexo, as forças de segurança negociam com a bandidagem. O, como é mesmo?, “mediador social” (ou coisa assim) José Júnior, da ONG AfroReggae, foi uma das pessoas que fizeram o meio-de-campo. A “ocupação” só foi decidida depois de um acordo. Ficou estabelecido que as forças de segurança “invadiriam” a área sem resistência. Os bandidos ofereceram a passividade, e o Estado lhes deu o direito de tentar fugir. A região é gigantesca. Bem poucos trazem estampado no corpo a marca “sou bandido”, a exemplo de um tal Leandro Sedano, 20 anos. Ele mandou tatuar três vezes o nome de “Fernandinho Bera Mar” (sic) nos braços; numa das mãos, um folha de maconha; nas costas, a expressão “eu cheiro”. Ou seja: Leandro é um Zé Mané. O tráfico não confiaria a ele um papelote de cocaína para vender - ele cheiraria o pó… A polícia não tem o retrato de todos os traficantes, e ninguém pode ser preso se estiver em casa, assistindo ao confronto Corinthians X Fluminense…

É claro que era preciso ocupar o Complexo do Alemão — aliás, é preciso levar Estado a todas as favelas do Rio. No que concerne à entrada no morro propriamente, o certo é isso que se vem fazendo agora, não o que se vinha fazendo antes. Essa política é, sim, desdobramento da anterior (aquela que não prendia ninguém), mas pelo avesso. As conseqüências negativas da escolha anterior forçaram a ação de emergência — embora esperada há pelo menos 20 anos pelos trabalhadores, que são reféns do narcotráfico, e pelo conjunto dos cariocas, que não suportavam mais ter sua rotina abalada pelos traficantes. Pensando a coisa toda só por suas conseqüências, talvez se possa dizer que há males que vêm para bem — se vierem. O que quero dizer?

Feita a ocupação, é preciso fazer o trabalho de investigação para prender os traficantes, O QUE NÃO FOI FEITO ATÉ AGORA NAS 13 FAVELAS PACIFICADAS. Em 11 delas, o tráfico opera normalmente. Mudou a logística, mudou o comportamento dos traficantes, direitos mínimos são garantidos pela Polícia, mas o comércio do bagulho segue normalmente. Soldados do tráfico, tornados desnecessários nas favelas aonde chegaram as UPPs, haviam se deslocado para as favelas nas quais a polícia ainda não está presente.

Pedem que, nos meus textos, eu dê tempo ao tempo. Ora, claro que sim! Só estou chamando a atenção para uma evidência: caso se repita no Alemão o que aconteceu nas 13 favelas já “pacificadas”, o tráfico será “civilizado”, e quase ninguém será preso, com uma apreensão de armas pequena, dado o arsenal da bandidagem. E a isso não se pode chamar exatamente “combater” o tráfico.

Fala-se na apreensão de até 20 toneladas de maconha só no Alemão! É um troço fabuloso! Dado o andar anterior da carruagem, toda essa mercadoria logo seria posta para circular, financiando esse ramo da economia que, estima-se, emprega 16 mil pessoas só no Rio de Janeiro. Como se nota, estavam certos todos aqueles que se perguntavam indignados: “Mas por que a polícia e as Forças Armadas não sobem os morros e tomam as fortalezas do tráfico?” Pois é… Por quê? Que bom que o tenham feito agora!

Os próximos dias e meses dirão até onde se preparou um espetáculo para turistas — como turística era a política anterior. Sem investigação, prisões em massa e o devido processo legal, nada feito!

Por Reinaldo Azevedo

Narcotráfico forever e a cilada para as Forças Armadas


Por Jorge Serrão

O narcotráfico no Rio de Janeiro não vai acabar. Nem sofrer um baque estrutural, apesar da “guerra” a ele declarada pela administração Serginho Cabral. É sério o risco de desmoralização da parceria do governo fluminense com as Forças Armadas e a Polícia Federal. A presente batalha campal no Complexo do Alemão é apenas mais uma encenação midiático-policial-militar, no pretenso combate do Poder do Estado ao Poder Paralelo das facções criminosas. Na verdade, nada acontecerá contra o Crime Organizado, porque ele só existe na interação entre a máquina estatal e os criminosos – incluindo os políticos que se beneficiam dos esquemas criminosos.

Não importa o resultado da “Batalha do Alemão”. Seus efeitos serão idênticos ao da famosa Batalha de Itararé – aquela que não ocorreu, na década de 30 do século passado. O gerenciamento do narcotráfico apenas vai mudar de mãos. Pouco munda, em essência, na previsível rotatividade da ilegal atividade comercial de venda de drogas e aluguel de armas pesadas. Os traficantes A, da facção X, serão trocados pelos traficantes B, da facção Y. Todos, claro, parceiros do crime estatalmente organizado. Enfim, o que as “Forças de Segurança” fazem agora, no Rio de Janeiro, tem o efeito prático de um profundo enxugamento de gelo.

O narcotráfico não vai ser extinto no Rio e alhures. Por vários motivos simples. Indagar não ofende. Por acaso, a cadeia de consumo das drogas sofreu ou vai sofrer alguma alteração significativa? A demanda pelas drogas diminuiu, para que o tráfico seja extinto pela simplória via do combate armado? A prisão de dezenas de operários do narcotráfico é realmente significativa para acabar com a atividade criminosa? Os verdadeiros sustentáculos da máquina do tráfico realmente foram (ou serão) presos ou tirados definitivamente de circulação? As parcerias internacionais dos vendedores de drogas no Brasil (com grupos guerrilheiros ideologicamente identificados com o Foro de São Paulo) serão combatidas pelo poder vigente?

O narcotráfico é uma atividade econômica altamente lucrativa. Os economistas Sergio Guimarães Ferreira e Luciana Velloso, da subsecretaria estadual de Fazenda, elaboraram, em abril de 2009, o estudo: “A Economia do Tráfico na Cidade do Rio de Janeiro: uma tentativa de calcular o valor do negócio”. Os números da estimativa de consumo anual apavoram: Maconha (90 toneladas). Cocaína (8,8 toneladas). Crack (4,3 toneladas). A Quantidade de delinquentes envolvidos no tráfico é de 16.387 pessoas (estimativa da Polícia Civil).


Faturamento anual do Tráfico (ajustando a subestimativa das pesquisas diretas): Maconha (108,1 milhões de reais). Cocaína (423,2 milhões de reais). Crack (102,1 milhões de reais). Total: 633,4 milhões de reais. Custo Anual Estimado: Pessoal (158,7 milhões de reais). Custo de compra das drogas (193,9 milhões de reais). Armas (24,8 milhões de reais). Perdas por apreensões (19,4 milhões de reais). Total: 396,8 milhões de reais. Lucro operacional: (236,6 milhões de reais). Estudo completo pode ser visto e baixado em: http://www.fazenda.rj.gov.br/portal/ShowBinary/BEA%20Repository/site_fazenda/transpFiscal/estudoseconomicos/pdf/NT_2008_35.pdf

Tudo nessa guerra exibida midiaticamente é um jogo de ilusão. Ontem, o chefão Luiz Inácio Lula da Silva deixou isto claro - em Georgetown, onde participou de uma cúpula de emergência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Avisou que as Forças Armadas mobilizadas nas operações contra a violência no Rio de Janeiro não fariam prisões. Com isto, Lula quis apenas ressaltar que as tropas de elite das Forças Armadas se tornaram meras coadjuvantes, sob comando do Governo e da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Ou seja, na bagunda institucional promovida por Lula e seu ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Exército e a Marinha viraram “forças auxiliares”.

As Forças Armadas caíram em uma cilada institucional. A atuação deles nesta operação de Garantia da Lei da Ordem não tem amparo legal. Os políticos não regulamentaram a ação constitucional do Exército, Marinha e da FAB nestas situações de emergência. Se a “batalha” do Alemão demorar demais, a chance de desgaste de imagem para as Forças Armadas é imensa. Se os militares forem obrigados a entram em combate, a vero, gerando “vítimas” no “meio civil” (aliado ou não do narcotráfico), acabarão atacados virulentamente pelos pretensos defensores dos “direitos humanos”, sempre háveis em relacionar as Forças Armadas com ações autoritárias.

Enquanto o pau canta na Cidade Maravilhosa – sendo visto no mundo inteiro -, a Presidenta eleita Dilma Rousseff toma uma decisão previsível. Decide dar continuidade à política internacional do governo Lula – alinhada ideologicamente com o radicalismo socialista na América Latina. Dilma manterá no cargo de Aspone Internacional o ilustre top-top Marco Aurélio Garcia – um dos principais dirigentes do Foro de São Paulo. Garcia fará o meio campo de Dilma com o PT e seus aliados externos. Por isto, tudo vai continuar como dantes, nas bocas de fumo do Abrantes.

Repetir conceitos corretos é preciso. Crime Organizado é a associação entre criminosos e servidores públicos. Sem a proteção do Estado o crime não se organiza. Cada vez mais organizado, o crime joga contra a Ordem Pública, que é o patrimônio jurídico mais importante para a sociedade, pois garante a vida e a liberdade dos cidadãos. Ou seja, agora, no Rio de Janeiro, o crime organizado não é combatido.

O crime organizado corrompe e destrói as instituições – que são a concretização da vontade da Nação (cristalizadora da vontade de um povo). A ação criminosa inviabiliza a Democracia, que é a segurança do direito natural. No Brasil, o sistema delitivo obedece, ideológica e politicamente, a esquemas externos que nos mantêm permanentemente colonizados, sem soberania efetiva. O crime não é um fim. É um meio.

O crime organizado emprega duas sofisticadas modalidades de violência radical. Tudo para minar as instituições e constranger o senso comum a não identificar o verdadeiro inimigo. A intenção é usar o medo como fator de contenção social. Isto dificulta ou impede uma reação efetiva da sociedade. E quem não reage rasteja. Perde qualquer guerra antecipadamente.

A organização criminosa promove a Guerra de 5ª geração. Também chamada de guerra assimétrica, é toda tentativa de origem externa, por quaisquer meios, que objetive minar o cenário político – econômico – tecnológico – psicossocial – ambiental – militar de um País, através de agentes internos ou externos. No teatro de operações carioca, o que se combate agora é o “operariado” do narcovarejo, cujos gerentes custam caro ao contribuinte nos Hotéis de Segurança Máxima. E os verdadeiros chefões dos gerentes, alguém vai combater? Jura que vai?

Ou seja, por todos estes conceitos objetivos, a “batalha” do Alemão vai dar em nada. No Brasil, como bem afirma o provérbio francês, tudo parece que muda para ficar sempre a mesma coisa. O próximo governo apenas dará continuidade a tudo que está aí. Certamente, com pequenas alterações na escalação do time do Crime Organizado. Tomara que os segmentos esclarecidos não caiam em mais uma armadilha do ilusionismo ideológico que comanda a verdadeira Organização Criminosa.

Por enquanto, a sociedade do espetáculo se aliena com uma pretensa guerra que se torna "real" com a colaboração da mídia amestrada tupiniquim. Aonde vamos parar? Nem o herói-fictício Coronel Nascimento saberá responder...

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A ocupação das Favelas do Alemão



Acompanhe passo a passo a megaoperação da polícia e das Forças Armadas para ocupar o Conjunto de Favelas do Alemão. Os pirmeiros tiros começaram as 6:51 da manhã.

14h20 - Polícia apreende no Conjunto de Favelas do Alemão armas de até 2km de precisão de tiro, como metralhadoras com lunetas

14h15 - Bandeira do Estado do Rio de Janeiro é hasteada ao lado da bandeira do Brasil no alto do teleférico do Alemão, ponto mais alto do conjunto de favelas

14h05 - Coronel Lima Castro, relações públicas da polícia, afirma que denúncias da população possibilitaram encontrar locais de funcionamento do tráfico dentro do Alemão

13h50 - A bandeira da Polícia Civil hasteada no alto do teleférico do Morro do Alemão será trocada por uma bandeira do Estado do Rio de Janeiro.

13h49 - A Secretaria Estadual de Saúde confirma que um menor de 16 anos deu entrada no Hospital Getúlio Vargas com ferimentos na coxa direita provocados por estilhaços. Segundo a assessoria de imprensa, o menor, que foi atingido no Morro da Grota, foi ferido pelos fragmentos e deve receber alta hoje.

13h47 - "Estamos virando uma página no Rio de Janeiro", disse o governador Sérgio Cabral. Afirmando estar emocionado com a ocupação do Alemão, ele agradece a todos os agentes envolvidos na megaoperação.

13h45 - Comandante-geral da PM dá entrevista coletiva e é aplaudido no final.

13h40 - Chegaram ao 16º BPM (Olaria) dois veículos da polícia levando parte do material apreendido no Conjunto de Favelas do Alemão.

13h32 - Bandeira do Brasil é hasteada no alto do teleférico do Morro do Alemão.

13h30 - Bandeira da Polícia Civil é hasteada no alto do teleférico do Morro do Alemão.

13h24 - A Secretaria estadual de Saúde anuncia que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão foi reaberta neste domingo (28).

Rastreamento Mapa do rastreamento da polícia no Alemão
Rastreamento (Foto: Bernardo Tabak/G1)

13h20 - A Polícia Militar informou que o seu sistema de comunicações monitora todo o Conjunto de Favelas do Alemão. São 150 rádios monitorados pela internet.

13h05 - A polícia se prepara para hastear as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro no Conjunto de Favelas do Alemão. As informações são do delegado Rodrigo Oliveira.

13h03 - Policiais estão em localidades como Canitá, Areal, Largo do Lucas, Coqueiro, Fazendinha, Morro da Banana e Morro do Adeus, segundo o delegado Ronaldo Oliveira.

Soldados chegam ao 16º BPMFuzileiros navais chegam ao 16º BPM
(Foto: Bernardo Tabak/G1)

12h53 - Três caminhões e três jipes com fuzileiros navais chegam ao 16º BPM (Olaria) para reforçar as equipes que já ocupam o Conjunto de Favelas do Alemão.

12h52 - Segundo o delegado Ronaldo Oliveira, chefe do Departamento geral de Polícia da Capital, a operação no Alemão serviu para mostrar o modo de atuação das polícias cariocas: "Ficou claro nessa operação que a polícia não entra atirando nas favelas quando faz operações policiais".

12h28 - Somenste neste domingo (28), o Disque-Denúncia recebeu mais de 2.500 ligações sobre os ataques que contecem há uma semana no Rio. Entre elas, uma dava o endereço da mansão que seria do traficante Pezão.

TatuadoTatuado (Foto: Reprodução/TV Globo)

12h09 - Mais quatro detidos em Nova Brasília, no Conjunto de Favelas do Alemão. Um deles tinha tatuado Fernandinho Beira-Mar em um dos braços e, no outro, Maconha.

11h59 - Secretaria estadual de Saúde confirma um homem baleado, que chegou morto ao Hospital Getúlio Vargas. Segundo a polícia, ele trocou tiros com equipes de ocupação.

11h50 - Mais um suspeito foi detido no Largo da Mineira, no Conjunto de Favelas do Alemão.

11h43 - Polícia prende dois criminosos na Favela da Grota, no Conjunto de Favelas do Alemão. Um deles seria responsável pela falsificação de documentos da quadrilha e o outro seria identificado domo Metralha.

Soldado do Exército prestes a entrar em blindado durante operação no Complexo do AlemãoSoldado do Exército prestes a entrar em blindado
durante operação no Complexo do Alemão
(Foto: Bruno Domingos/Reuters)

11h30 - Três jipes do Exército entram no Conjunto de Favelas do Alemão. É a primeira vez que eles ultrapassam o cerco do entorno da comunidade.

11h19 - Segundo o Relações Públicas da PM, a varredura no Alemão pode durar dias. Isso porque, de acordo com o coronel Lima Castro, a polícia acredita que haja cerca de 5 mil moradias na região e que cerca de 200 criminosos ainda estejam no local.

11h17 - Polícia investiga se criminosos fazem uma família refém numa casa da comunidade.

10h54 - A polícia confirma que encontrou a mansão do traficante conhecido como “Pezão”, que seria o chefe de tráfico do Alemão. Segundo o delegado Marcos Vinícius Braga, trata-se de um imóvel triplex, com hidromassagem, discoteca, ar condicionado em todos os cômodos, assim como TV de LCD: “Eu nunca vi nada igual, é muito melhor do que muita casa no Leblon, nunca vi disso”, disse o delegado, que afirmou que o traficante destruiu todos os cômodos antes da chegada da polícia. A casa estava vazia.

10h50 - Polícia detém dois suspeitos no Morro do Adeus.

Polícia prende suspeito de ser traficante durante operação no Complexo do AlemãoPolícia prende suspeito de ser traficante durante
operação no Complexo do Alemão
(Foto: Bruno Domingos/Reuters)

10h46 - Estrada do Itararé é parcialmente liberada para o tráfego de veículos.

10h30 - Do alto do Alemão, o delegado Ronaldo Oliveira afirma que vários pontos da comunidade estão tomados, como o Coqueiro. "Já pegamos cerca de quatro toneladas de maconha", disse.

10h28 - Após descer a comunidade, o delegado Marcus Vinicius Braga chamou de "preocupantemente tranquila" a situação nas favelas do Alemão.

10h20 - A polícia prendeu um suspeito no final da Rua Joaquim de Queiroz, uma das entradas do Conjunto de Favelas do Alemão.

10h15 - Policiais chegam Estrada do Itararé, no Alemão, com uma nova leva de armas e drogas apreendidas no interior da comunidade. Entre elas está uma submetralhadora e uma mira à laser. O material está sendo levado para a Polinter.

10h - Polícia detém quatro suspeitos na favela do Grota, no Conjunto de Favelas do Alemão.

9h55 - O subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, afirma que já foram apreendidas mais de 2 toneladas de maconha. "A gente não tem hora para sair".

Polícia no topo do AlemãoPolícia chegam ao topo do Alemão
(Foto: Reprodução/TV Globo)

9h49 - Policiais chegam à parte mais alta do Conjunto de Favelas do Alemão.

9h45 - "O fato de não termos grandes confrontos até agora não significa que não haverá mais tarde. Moradores sabem que viemos libertá-los. Viemos trazer a paz para essa população. Eles pediram e sentiram isso", disse o Comandante da PM, Mário Sérgio Duarte.

9h43 - O Comandante da PM, Mário Sérgio Duarte, ordena que os batalhões se dividam em perímetros dentro do Alemão e façam uma revista minuciosa, usando, se necessário, o auxílio dao Companhia de Cães. "Vamos vasculhar casa por casa, beco por beco", disse ele.

Blindado da Marinha desce rua do Alemão.Blindado da Marinha desce rua do Alemão
(Foto: Thamine Leta / G1)

9h39 - Após a tomada, dois blindados da Marinha começam a descer o Alemão. Ao mesmo tempo, agentes da Polícia Civil, da Delegacia de Roubos e Furtos chegam ao local.

9h34 - Policiais do Batalhão Florestal chegam ao Alemão.

9h28 - Policiais do Batalhão Florestal deixam o 16º BPM (Olaria) para o Alemão. A expectativa é que eles se instalem em locais de mata no entorno da comunidade para evitar fugas de criminosos.

Apreensão feita na casa de Polegar, apontado como chefe do tráfico do Morro da Mangueira, neste domingo (28)Apreensão feita na casa de um traficante
(Foto: Thamine Leta/G1)

9h24 - Policiais apreenderam uma grande quantidade de drogas na casa de um traficante, num local próximo ao Centro Educacional Jornalista Tim Lopes, e descem à Estrada do Itararé com sacolas e bolsas. O transporte do material está sendo feito em motocicletas.

9h20 - "Vencemos", diz comandante-geral da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte.

9h18 - Imagens mostram policiais começando a se aproximar de casas de moradores da comunidade.

9h16 - Helicópteros com atiradores de elite e equipamentos para monitorar a favela sobrevoam o Conjunto de Favelas do Alemão.

Caveirão Bope camuflada - alemãoCaveirão é camuflado antes de entrar na favela
(Foto: Thamine Leta / G1)

9h15 - Mais agentes da polícia deixam o 16º BPM (Olaria), que está funcionando como Quartel General da operaçao, para reforçar a ocupação do Alemão.

9h10 - Um dos blindados teve que retornar à Rua Joaquim de Queiroz, na entrada de favela, por causa de um grande buraco cavado por criminosos no local.

9h06 - Megaoperação ganha reforço de policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo).

9h01 - Na Estrada do Itararé, policiais começam a camuflar um carro blindado da polícia, conhecido como caveirão.

8h56 - "O estado está dentro do Conjunto de Favelas do Alemão. O território jamais será dado de volta aos crimonosos. Já dominamos o Alemão", diz o subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira.

8h54 - Chegam ao entorno da favela dois carros do esquadrão antibombas.

8h52 - Ambulância do Exército entra no Alemão.

8h44 - Agentes da Polícia Civil chegam à Estrada do Itararé com maconha, cocaína, granadas, um facão e material para embalar entorpecentes apreendidos no Areal.

8h40 - A polícia se prepara para avançar em outros pontos da favela, depois que foi conquistada a área do Areal.

8h39 - O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, disse que vai usar a força máxima na invasão ao Complexo do Alemão. “Não vai haver revezamento. Já lançamos as primeiras equipes para a favela, e vamos lançar outras. A missão do Bope é tomar os pontos altos do complexo, como a Pedra do Sapo, o Morro da Fazendinha entre outros”, disse.

8h35 - Pelo menos seis blindados da Marinha e quatro picapes da Polícia Federal chegam ao local para reforçar a operação.

8h25 - O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski confirma a chegada dos agentes à localidade conhecida como Areal, na parte central da favela.

Homens presosHomens presos no Alemão (Foto: Reprodução)

8h22 - Dois homens são detidos e saem da favela escoltados por homens do Exército.

8h12 - Um carro do Corpo de Bombeiros transportando macas e suprimentos deixou o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte, em direção ao Alemão. Mais cedo, o secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Cortes, passou pelo Getúlio Vargas, onde fez uma visita de rotina.

8h - Policiais militares, federais, civis e agentes das Forças Armadas começaram a ocupar o Conjunto de Favelas do Alemão. A entrada das equipes, com blindados, apoio de helicópteros e atiradores de elite, foi marcada por uma grande troca de tiros.

Bope cara pintadaPolicial do Bope pinta o rosto para operação
(Foto: Reprodução/TV Globo)

7h22 - Policiais se preparam para entrar na comunidade. Antes de partir para a operação, eles se cumprimentam desejando boa sorte. "A gente está na expectativa. Estamos nos momentos finais, a qualquer momento vamos entrar", disse o subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira.

6h51 - Começa o tiroteio no Conjunto de Favelas do Alemão. Um blindado da Marinha, um caveirão, que é o blindado da polícia, além de veículos da Polícia Federal e da Polícia MIlitar reforçam o cerco no local.


Muito luxo e ostentação foram encontrados pela polícia na casa que, segundo a corporação, seria do traficante Pezão, um dos chefes do tráfico do Conjunto de Favelas do Alemão. O G1 teve acesso ao imóvel, de quatro andares, onde é possível ver aparelhos de ar-condicionado e TVs de LCD em todos os cômodos. De acordo com moradores, no entanto, a casa era do traficante conhecido como Polegar, que seria um dos chefes do tráfico no Morro da Mangueira.

Além de amplos sala e quartos, há uma piscina e um quarto com banheira da hidromassagem e TV. Em toda a casa, o piso é de porcelanato. Tudo aparentemente recém-comprado. No banheiro da piscina, por exemplo, é possível ver ainda selos na louça.

Na cozinha, eletrodomésticos de primeira linha, em aço escovado e mesas com tampo de vidro e passa pratos giratórios. Na sala, o teto é rebaixado e com luzes indiretas.

De acordo com a polícia, antes de deixar o local, o traficante quebrou parte do teto e paredes. Segundo os agentes, a desconfiança é que houvesse drogas, armas e dinheiro escondidos.

Do lado de fora, é possível ver os pontos do teleférico no alto do Morro do Adeus e do Alemão.


G1

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Polícia e Exército montam cerco no Morro do Alemão


O Estado de São Paulo


RIO - Durante entrevista coletiva nesta sexta-feira, 26, o General Fernando Sardenberg, da Brigada de Infantaria Paraquedista, afirmou que o Exército posicionou cerca de 800 homens para cercar o Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio. Também participaram da coletiva o governador do Estado, Sérgio Cabral e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

"O deslocamento começou por volta das 13h, e um trecho já foi ocupado. A tropa vai controlar o acesso e saída do local", explicou o responsável pelo Comando Militar do Leste (CML), general Adriano Pereira Junior, ressaltando que o trabalho do Exército é diferente das forças de segurança do Estado. "Nossa missão é de fazer a segurança de perímetro".

No início desta tarde, o subsecretário de planejamento e integração operacional do Rio, Roberto Sá, afirmou que o foco da ação ainda é a Vila Cruzeiro, mas não está descartada uma entrada no Alemão, caso a inteligência das forças policiais detectarem informações que indiquem a necessidade de agir antes.

Sá já tinha adiantado que os 800 homens do Exército atuariam no cerco ao Complexo com o apoio das polícias militar e civil, a fim de evitar que os criminosos fujam. "É apenas uma questão de estratégia entrar no Alemão", disse. "Não há lugar em que nossa polícia não entre, desde que tenhamos recursos logísticos para ultrapassar alguns obstáculos que os nossos recursos até então não permitiam", acrescentou.

Segundo Sá, nove suspeitos presos recentemente serão transferidos para presídios de outros Estados. Ele afirmou que a transferência foi acertada entre o sistema penitenciário federal e a justiça estadual. O subsecretário não especificou para quais unidades da federação os presos serão levados. "Nossa prioridade nesse momento é fazer com que saiam do Rio de Janeiro", afirmou.

Tiroteio. Um policial militar do 16º batalhão (Olaria) ficou ferido na cabeça durante uma troca de tiros entre agentes federais, PMs e traficantes na entrada da favela da Grota, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Os criminosos se encontram se encontram em uma casamata na entrada da favela, a menos de 100 metros de onde estão posicionados os policiais.

Penha. A Polícia Civil também troca tiros com traficantes no Complexo da Penha, na zona norte. Dois helicópteros sobrevoam o complexo e dão rajadas de metralhadora. Os tiros aparentemente partem da favela da Chatuba, onde hoje pela manhã estiveram diversas equipes da Polícia Civil, em carros.

Vila Cruzeiro. Dez policiais do Bope junto com outros dez policiais militares fizeram na manhã de hoje uma varredura na parte baixa da região, onde as marcas da operação de ontem ainda são visíveis. A polícia está fazendo buscas em residências e também revista transeuntes. Na estrada José Lucas estão as carcaças de três caminhões incendiados.

Em consequência dos ataques, fios de energia elétrica foram queimados, deixando sem luz toda a região e prejudicando os comerciantes que ainda assim resolveram abrir suas portas.

Na Rua Jaques Maritaim, antiga Rua 14, há pelo menos 30 motos abandonadas, que foram apreendidas pela polícia. Na Rua 13, onde os traficantes se abrigavam em seu bunker, há restos de comida, abandonados provavelmente no momento do tiroteio. A polícia encontrou ainda no local "jacarés", que são canos com pedaços pontiagudos de ferro, usados para impedir a aproximação de carros.

"O que acontece é que há uma rota de fuga difícil de alcançar", explicou o subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, referindo-se às imagens do helicóptero da TV Globo que mostraram ao vivo a fuga em massa da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão pela Serra da Misericórdia. As imagens repercutiram na internet e motivaram críticas no Twitter - usado pelo governo para rebater boatos.

Exército. Depois de cinco dias de confrontos no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou 800 homens do Exército para a cidade, além de mobilizar Aeronáutica e Polícia Federal. Ontem, em operação policial sem precedentes, já com apoio de blindados da Marinha, a polícia ocupou a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (zona norte do Rio), após 40 horas de intenso tiroteio.

"Não é humanamente possível que 99% das pessoas sejam molestadas por gente que está na marginalidade. Portanto, o Rio pode ficar 100% tranquilo que o governo dará ajuda", disse Lula em Georgetown, capital da Guiana. Segundo ele, um pedido formal de auxílio para uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi feito anteontem pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

O Exército vai garantir a proteção dos perímetros das áreas ocupadas por policiais. Já a Aeronáutica vai enviar dois helicópteros. Ainda serão mandados mais dez blindados das Forças Armadas, além de equipamentos de comunicação e óculos de visão noturna. Pela primeira vez na história, homens da Polícia Federal, pelo menos 300, atuarão no Estado já a partir de hoje.

Pelo menos 35 pessoas já morreram no Rio desde domingo. O número não inclui os mortos de ontem na Vila Cruzeiro, quartel-general do Comando Vermelho - o total não foi revelado pelo governo. Ontem, os ataques continuaram e se espalharam pela cidade, atingindo até o Túnel Rebouças, que liga as zonas norte e sul. Nos cinco dias, pelo menos 61 veículos já foram incendiados.

Queixas. O apoio do Exército veio após queixas durante do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Ele agradeceu à Marinha por ceder os equipamentos, mas fez uma crítica velada ao Exército. "Não ofereceram nada." Horas depois, os Ministérios da Defesa e da Justiça anunciaram o reforço de Exército e Polícia Federal.

VIOLÊNCIA NO RIO: DOIS A ZERO PARA O ÓBVIO


Eu não sou especialista em segurança pública, como sabem. Aliás, até me orgulho de não ser especialista em nada. Sou apenas um escrevedor dedicado. E gosto um tantinho de lógica. Vinha escrevendo havia algum tempo, e a bandidagem ainda não estava botando pra quebrar no Rio, que não existe “pacificação” de favela sem prender bandido — assim como não existe comunidade em paz onde há milícias; é um mal diferente, mas mal ainda assim. O que a política de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame vinha fazendo era espalhar a bandidagem, sem prender ninguém.

Afirmei que não daria em boa coisa. Bem, eu estava certo. Uns 200 correram lá pro Complexo do Alemão, que já chamei aqui de “Complexo da Ideologia Alemã”, numa homenagem irônica aos nossos marxistas de salão. Convertidas as UPPs em votos, o “idealismo” não tardou a cobrar seu preço. Por que os traficantes foram à luta logo depois das eleições? Eis um dos mistérios a serem desvendados com mais investigação e menos “patriotismo”. Em áreas do Complexo do Alemão estão algumas obras do PAC. Se a marginália não vai em cana, torna-se a principal beneficiária da melhoria da infra-estrutura local. Isso também é lógica. Então ficamos assim: UM A ZERO PARA O ÓBVIO: BANDIDO TEM DE SER PRESO. Não prendiam antes; estão tentando fazê-lo agora.

Todos vimos os blindados da Marinha auxiliando a Polícia. Agora, 800 homens do Exército vão entrar na operação, além de dois helicópteros da Força Aérea, mais 10 veículos blindados, óculos para visão noturna etc. Huummm… DOIS A ZERO PARA O ÓBVIO. Defendo que as Forças Armadas colaborem para recuperar áreas do território brasileiro tomadas pelo narcotráfico há pelo menos 15 anos. Lembro alguns textos neste blog:

No dia 17 de junho de 2008, num post intitulado O Brasil sob o comando do CDC. O que é CDC? Explico já“, escrevi:
Quando é que o Brasil tomará a decisão de recuperar partes do território brasileiro que foram tomadas pelo Estado Multinacional do Tráfico? Se e quando isso for feito, a tarefa caberá, sim, às Forças Armadas. Não ignoro que muitos dos comandantes são contrários a que se atribua “ação de polícia” a homens que se preparam para a guerra. Não estou falando em ação de polícia, não. Que esta continue a fazer o seu trabalho. Mas, para tanto, é preciso que ela consiga primeiro chegar ao morro. E como isso será feito? Sim, estou falando de uma guerra - uma guerra bem particular, mas guerra.

Antes disso, no dia 10 de setembro de 2007, no texto Crime opta pelo terror; inerte, o governo federal sorri“:
Há quanto tempo se espera uma ação organizada - e não paliativa - das Forças Armadas para conter o crime organizado no Rio de Janeiro? É evidente que já se tornou um assunto de segurança nacional. O tráfico rouba território, como em qualquer guerra.

Mas posso recuar ainda mais no tempo, no dia 9 de abril de 2007, no post Cabral, as Forças Armadas e o lero de Tarso:
O crime recrudesceu no Rio no começo deste ano, o que o próprio governo admite oficialmente. E isso acontece apesar da presença, na cidade, da Força Nacional de Segurança, que evidencia, assim, a sua inutilidade - ao menos numa situação extrema como a que vive hoje o Rio.
Cabral promete dobrar o efetivo policial até o fim do seu mandato. Não é uma medida trivial. Isso supõe muito dinheiro, e é de se duvidar que o governador consiga os recursos. Por isso ele pediu a ajuda das Forças Armadas, e Tarso Genro, ministro da Justiça, já disse “não”. Ao pedido do governador, reagiu assim:

As Forças Armadas são treinadas para outro tipo de ação; são homens que fazem uma intervenção já no âmbito de guerra. Portanto não há adequação de seu treinamento para funções de policiamento (…) Temos uma visão de princípios sobre isso. É a visão da Constituição, não é a opinião do ministro (…) Hoje há uma situação de insegurança em todas as regiões metropolitanas muito séria. É necessário fazer um movimento em pinça, ou seja, um trabalho de policiamento de ataque às fontes que produzem a criminalidade e assim por diante“.

Vamos ver. Tarso me diga, então, onde está a guerra para que a gente possa ocupar os nossos soldados. Eu lhe respondo: está no próprio Brasil. O narcotráfico se estabelece ocupando território. No dia em que o sr. Genro puder subir algum morro do Rio e hastear lá a bandeira nacional, em vez da bandeira do crime, então a sua fala ganhará sentido. Até que um exército paralelo estiver impondo um outro Estado, que não o de Direito, a sua fala se perde no vazio. Quanto à questão constitucional, é óbvio que ele está fazendo uma leitura arrevesada da Carta. As Forças Armadas também respondem pela ordem interna. Se ela estiver ameaçada - e está: pelo crime -, convocá-las é ato absolutamente constitucional. Basta que o governador do Estado queira e declare a impossibilidade de garantir a segurança. É o que Cabral está fazendo. Não é preciso votar uma nova lei. A história do tal “movimento de pinça” é só um tarsismo a mais: não quer dizer absolutamente nada.

Voltei
A Polícia do Rio, com o auxílio das Forças Armadas, tem de ir lá buscar aqueles 200 que se acoitaram no Complexo do Alemão. Já sabemos que soluções mágicas não existem. E não custa lembrar: a Constituição reserva às Forças Armadas um papel na segurança interna. Neste blog, no dia 6 de novembro de 2009: AS FORÇAS ARMADAS E O PAPEL DE POLÍCIA:

E o novo texto da Lei Complementar 97, que confere poder de polícia às Forças Armadas quando a polícia propriamente dita não estiver presente ou não tiver capacidade para atuar? Contra ou a favor? Dos males, o menor: a favor. Mas é preciso detalhar a opinião.

Comecemos pelo princípio. O Artigo 142 da Constituição não deixa dúvidas sobre o papel das Forças Armadas:
“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Como se nota, as Forças Armadas podem participar ativamente da Segurança Pública. É rigorosamente isto o que quer dizer “garantia da lei e da ordem”. Um exemplo? Sabem o Complexo da Ideologia Alemã, no Rio, onde se executam as obras do PAC e a Polícia não entra? Ali, não se tem “garantia da lei e da ordem”. Adiante: o que há de ruim nesta história é que se está fazendo só um remendo. Eventualmente, as Forças Armadas vão atuar na fronteira, onde a polícia não estiver etc. É pouco. Uma decisão correta, na sua essência, já nasce sob o signo da fraqueza, da falta de determinação, da falta de vontade.

É preciso ter um plano consistente, organizado, com um comando definido - e não há nem haverá nada disso - para que as Forças Armadas passem a atuar efetivamente no combate ao tráfico internacional de drogas e de armas. E as áreas hoje dominadas pelo narcotráfico - onde o estado, por meio das polícias, não entra - têm de ser recuperadas. É uma tarefa das Forças Armadas.

Conheço os óbices a essa tese, vindos também de muita gente boa. O temor é que as próprias Forças Armadas acabem infiltradas pelo narcotráfico. No atual andar da carruagem, se quiserem saber, a infiltração acabará sendo fatal, atuem elas ou não com poder de polícia. Precisamos é de um serviço eficiente de Inteligência que combata e puna a contaminação.

Compreendo, sim, a restrição de muitos militares honestos a esse eventual papel das Forças Armadas. Afirmam que elas são treinadas para atuar em conflitos com forças estrangeiras. Sem apelar a qualquer licença poética, é preciso reconhecer que o narcotráfico é uma força estrangeira. Fernandinho Beira-Mar, que, comprovadamente, negociava com as Farc - aquela entidade que já dividiu o Foro de São Paulo com o PT - não é mais uma “força” apenas interna; o tal FB, que derruba helicóptero, é só a face nativa de uma questão de alcance mundial. Acho que é preciso uma abordagem menos convencional da questão sem deixar de lado a ortodoxia sobre qual é o papel das Forças Armadas.

Por Reinaldo Azevedo

Começa movimento para ocupar o Complexo do Alemão


da Veja.com

A movimentação de policiais nos acessos ao Complexo do Alemão, local onde estão concentrados os bandidos que fugiram da Vila Cruzeiro, começou pouco depois das 10 horas desta sexta-feira. O movimento é semelhante ao que precedeu, na quinta-feira, a fuga em massa dos bandidos, amedrontados com a presença de veículos blindados da Marinha e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Neste momento, homens do 16º BPM (Olaria), ocupam as entradas do Alemão.

A estimativa é de que entre 900 e 1.000 traficantes armados estejam entrincheirados no Alemão. Pela manhã, a movimentação de viaturas da Polícia Militar é intensa nas vias que dão acesso ao bairro da Penha.

No momento em que o helicóptero blindado da Polícia Civil sobrevoou o Alemão, foram ouvidos muitos disparos. Pouco antes do meio-dia, duas aeronaves faziam voos rasantes no local.

Cercar o Alemão vai exigir um efetivo bem maior que o que foi mobilizado para a quinta-feira, no Complexo da Penha – no qual está inserida a Vila Cruzeiro. Com grande variedade de acessos e saída para vários bairros, o Alemão é considerado, há pelo menos 10 anos, o local de maior dificuldade para a polícia.

A expectativa é de que os reforços de militares da Forças Armadas sirvam para cercar as áreas do entorno, enquanto os policiais do Bope, considerados os mais experientes em incursões em áreas urbanas, situações com reféns e confrontos em favelas, devem comandar a movimentação dentro das vielas.

À medida que avança a operação da polícia, aumenta a necessidade de policiais no local. Boa parte dos homens empregados ontem estão encarregados de mapear a Vila Cruzeiro e tomar pontos estratégicos – principalmente, para evitar um possível retorno de bandidos, a partir do momento em que as forças policiais entrarem no Complexo do Alemão.

Para decidir qual será a participação das forças federais na ação, a partir de agora, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai se reunir com o governador Sérgio Cabral à tarde.
O coronel Lima Castro, relações públicas da PM, informou agora há pouco que 21 mil policiais estão envolvidos na segurança só na região metropolitana. “Não há prejuízo para outras regiões. Todos os batalhões do estado estão com folgas suspensas e mobilizados para esta operação”, disse.

Espaço aéreo fechado – O festival de imagens ao vivo, promovido pelas redes Globo e Record ao longo da tarde de quinta-feira, dificilmente se repetirá hoje. O espaço aéreo de toda a zona norte foi fechado a pedido do governo do estado. Dentro do Bope e em setores da polícia civil, a transmissão em tempo real da movimentação da polícia e da fuga dos bandidos foi entendida como um “desserviço” das emissoras.

Outro ator importante entrará em cena nas operações de hoje. O helicóptero blindado da Polícia Civil, que estava em manutenção para substituição de uma peça, está liberado para operar. O ‘caveirão do ar’, como é chamado, é indispensável para operações desse tipo, pois mostra – mas só para os policiais – o que toda a população acompanhou ontem pela TV.

(Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

No blog VEJA Acompanha, outras notícias sobre a onda de terror no Rio.

Rio de Janeiro.....

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Com apoio da Marinha, polícia do Rio ocupa a Vila Cruzeiro

O Estado de São Paulo


RIO - Em operação policial sem precedentes, com apoio de veículos blindados da Marinha da Brasil, a Polícia do Rio ocupou nesta quinta-feira, 25, a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (zona norte). A favela é apontada como um dos principais refúgios de traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que fugiram após as ocupações da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nos morros da zona sul e zona norte da cidade. À tarde, incapazes de conter a invasão policial, traficantes fortemente armados fugiram - de carro, de moto e a maioria a pé - para o vizinho Complexo do Alemão, onde o CV mantém o seu maior reduto.

O subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, reconheceu que vários criminosos fugiram para a favela vizinha. "O que acontece é que há uma rota de fuga difícil de alcançar, pois está localizada no interior da favela", explicou Oliveira, referindo-se às imagens do helicóptero da TV Globo, que mostraram a fuga em massa da Vila Cruzeiro para o Alemão pela Serra da Misericórdia, divisa entre os dois conjuntos de favelas. Segundo ele, hoje a Polícia voltará à Vila Cruzeiro para checar "diversos objetivos" em busca de traficantes, armas e drogas.

De manhã, a chegada dos primeiros seis blindados da Marinha interrompeu o tráfego de veículos na Avenida Brás de Pina, umas das principais do bairro da Penha. Segundo a Marinha, seriam empregados na operação seis veículos blindados M-113, quatro carros-lagarta anfíbios e três viaturas Piranha, para transporte de tropas. Moradores e comerciantes tiravam fotos, mas algumas pessoas ficaram chocadas.

"Isso virou uma guerra civil, isso me assusta. Tenho um irmão da Aeronáutica, que volta para casa fardado, e não sei o que pode acontecer com ele", disse a recepcionista Monique Gama, de 30 anos.

Operação. A operação contou com 120 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), 70 fuzileiros navais, 200 policiais civis e 40 homens do 16º Batalhão da PM, além de policiais do Batalhão de Choque e outras duas unidades. No total, eram cerca de 600 homens. Apenas um furgão da Polícia Civil levava cerca de150 mil peças de munição. Uma equipe de doze homens do Bope embarcou em cada blindado da Marinha para entrar nas diversas favelas do Complexo da Penha.

Os blindados entraram no Complexo da Penha pela Rua Cajá, para acessar o Morro da Chatuba; pela Nossa Senhora da Penha para entrar na Vila Cruzeiro; e utilizaram o Parque Xangai para invadir a favela da Merendiba. Os blindados da Marinha foram recebidos a tiros pelos traficante. Barulhos de explosões e bombas foram seguidos de colunas de fumaça que emergiam no interior da favela. As ruas da Vila Cruzeiro ficaram vazias, e os traficantes se posicionaram para atirar. Nas primeiras incursões, os homens do Bope não saíram dos blindados e apenas fizeram o reconhecimento do terreno para o desembarque.

No asfalto, o comércio e os bancos fecharam as portas em todo centro comercial da Penha. Os tiroteios se estenderam por toda a tarde. Por volta das 16h30, um helicóptero da PM foi alvo de tiros de traficantes da Vila Cruzeiro. Pouco depois de a PM anunciar a tomada do morro, uma nova troca de tiros ocorreu dentro da favela. No fim da tarde, o Esquadrão Anti-Bombas detonou um explosivo jogado pelos traficantes contra policiais civis, mas não explodira. "Era um artefato caseiro feito com pólvora dentro de um extintor de incêndio, cujo poder de fogo desconhecemos", disse o inspetor Cassiano Martins.