sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal!!!!




Aos amigos leitores e autores de blogs que participam tanto e todos os dias por querer um Brasil melhor. Nossa indignação, apesar de tudo, não pode nos deixar esquecer um dia tão importante: o Aniversário daquele que nos moldou em caráter e moral ao longo de 2010 anos.
O Cristianismo se confunde com a cultura ocidental, de tão arraigados que são.
Viva a palavra de Jesus Cristo!
Feliz Natal à todos!!!!!!!!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dilma confirma 10 nomes para ministérios


Agência Estado

BRASÍLIA - A presidente eleita, Dilma Rousseff, acaba de anunciar mais ministros para seu governo. Em nota, ela confirmou dez novos nomes: a senadora Ideli Salvatti, que assumirá o Ministério da Pesca e Aquicultura; a deputada Maria do Rosário, que chefiará a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; a jornalista Helena Chagas, para a chefia da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que será o titular do Ministério das Comunicações; o senador Garibaldi Alves, que assumirá o Ministério da Previdência Social; o senador Edison Lobão, que retornará ao Ministério de Minas e Energia; o deputado Pedro Novais, para o Ministério do Turismo; o ex-deputado Wagner Rossi, que permanecerá à frente do Ministério da Agricultura; o senador Alfredo Nascimento, que voltará ao comando do Ministério dos Transportes; e o ex-governador Moreira Franco, na chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Na nota, Dilma "determinou a seus novos auxiliares que trabalhem de forma integrada com os demais setores do governo para dar cumprimento a seu programa de desenvolvimento com distribuição de renda e estabilidade econômica, assegurando a melhoria de vida de todos os brasileiros".

Até agora já foram confirmados no ministério de Dilma 16 titulares. Na semana passada, ela anunciou Antonio Palocci para a Casa Civil, Gilberto Carvalho para a Secretaria-Geral da Presidência da República e José Eduardo Cardozo para o Ministério da Justiça. Antes, ela já havia anunciado sua equipe econômica, formada por Guido Mantega, que permanecerá à frente da Fazenda; Miriam Belchior, para o Ministério do Planejamento, e o atual diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, para a presidência do Banco Central.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DEM reduz mandato de Rodrigo Maia para escolher nova direção em março


A executiva do DEM se reuniu nesta quarta-feira (8) em Brasília e decidiu convocar uma convenção para março de 2011 para eleger um novo presidente para o partido. Na prática, a convocação significa encurtar o mandato de Rodrigo Maia, que iria até dezembro de 2011. O pedido de convenção foi feito pelo próprio presidente do partido.

Maia afirmou que a decisão por encurtar seu mandato foi tomada para não “implodir” a legenda, que está envolvida em disputas internas. “Eu não poderia ser responsável pela implosão deste partido nem pela decisão dos filiados de deixar o partido.”

O presidente do DEM afirmou que não pretende disputar a eleição convocada para março. “A princípio eu não pretendo disputar porque acho que um rodízio na presidência vai ser salutar para o partido.” Maia afirmou que a decisão de antecipar as eleições pode ajudar a unir o partido.

Questionado se a decisão impediria uma eventual saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM, o presidente do partido afirmou que isso trará "conforto" para o colega. "Tenho certeza que esta decisão dá conforto ao nosso prefeito que governa muito bem a sua cidade, que dá conforto para ele permanecer no partido." Kassab esteve na reunião, mas saiu sem dar declarações.

Renovação
Segundo o deputado Indio da Costa (RJ), que disputou a vice-Presidência na chapa do tucano José Serra, a nova executiva, a ser eleita em março, terá a missão de marcar eleições para a troca de comando também nos estados e municípios.

O senador Demóstenes Torres (GO) já defendeu o nome de José Agripino (RN) para a presidência do partido. Na visão do senador, o partido precisa ter uma atuação de mais independência em relação ao PSDB. "O partido precisa deixar de ser um apêndice do PSDB, embora devamos trabalhar juntos."

Agripino adiantou que só será candidato se houver consenso. "Em minha vida inteira nunca rejeitei nenhuma missão, mas candidato para disputar eu não serei. Se houver consenso, aí sim", disse.

Agripino disse ter apresentado na reunião um plano de revitalização do partido e afirmou que o DEM não pode atuar como "linha auxiliar" do PSDB.

Desempenho real da poupança é o pior desde 2003


Levantamento divulgado nesta quarta-feira (8) pela consultoria Economatica aponta que, em novembro, a poupança teve o pior desempenho real (que desconta a perda da inflação na rentabilidade) desde março de 2003.

A rentabilidade de 0,535% observada na poupança no mês, quando descontados os efeitos da inflação (de 0,83%, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial), se transforma em perda de poder aquisitivo de - 0,29% para o poupador, estima a consultoria.

De acordo com a consultoria, que calcula a rentabilidade mensal da poupança desde janeiro de 2003, o resultado de novembro foi o quarto pior desempenho nesse período.

"Podemos afirmar que o poupador que no final de outubro de 2010 depositou, por exemplo, R$ 1000 no final do mês de Novembro de 2010 teria R$ 1.005,35. Mas da mesma maneira uma cesta básica que no final de outubro de 2010 que valia R$ 1000,00 no final do mês de Novembro de 2010 valia R$ 1008,30", diz comunicado da consultoria.

A maior perda da poupança para a inflação, informa a Economatica, foi observada em janeiro de 2003, de -1,23%. O mês de maior ganho da aplicação sobre a inflação foi em junho de 2003, com 1,07%.

desempenho real mensal da poupança,
descontada a inflação pelo ipca
Dezembro/2009 0,18%
Janeiro/2010 -0,25%
Fevereiro/2010 -0,28%
Março/2010 0,06%
Abril/2010 -0,07%
Maio/2010 0,12%
Junho/2010 0,56%
Julho/2010 0,61%
Agosto/2010 0,55%
Setembro/2010 0,12%
Outubro/2010 -0,20%
Novembro -0,29%
Fonte: Economatica





G1

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Paulo Bernardo anuncia que Orçamento 2011 teve erro de R$ 12 bilhões


Agência Estado

BRASÍLIA - O ministro do Planejamento disse nesta terça-feira, 7, que houve um erro em R$ 12 bilhões nas receitas brutas estimadas no projeto de Lei do orçamento de 2011. Isso significa que os parlamentares terão de promover um corte da ordem de R$ 7 bilhões para equilibrar o Orçamento do ano que vem. A diferença entre os R$ 12 bilhões e os R$ 7 bilhões corresponde a transferências constitucionais obrigatórias que a União faz a Estados e municípios.

Bernardo esteve há pouco na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional. Ele chegou no exato momento em que o senador Gim Argello (PTB/DF) anunciava a sua renúncia ao posto de relator. Após reunir-se com os parlamentares, o ministro informou que colocou os técnicos à disposição do Congresso para ajudar a resolver o problema de desequilíbrio do orçamento que, segundo reconheceu, é um "abacaxi".

Gim Argello renuncia à relatoria do Orçamento da União de 2011


O Estado de S.Paulo

O senador Gim Argello (PTB-DF) acaba de renunciar à relatoria do Orçamento da União de 2011. Ele caiu depois das denúncias do Estado de envolvimento dele com emendas parlamentares para entidades fantasmas e empresas de fachadas em nome de laranjas.

O Ministério Público no Tribunal de Contas da União decidiu na última segunda-feira, 6, investigar o esquema, revelado pelo Estado, de institutos fantasmas e empresas de fachadas envolvendo emendas orçamentárias de parlamentares de São Paulo, Bahia, Goiás, Distrito Federal, entre outros Estados. Entre os autores dessas emendas estão o senador Gim Argello (PTB-DF), ex-relator do Orçamento da União de 2011, e os deputados Luciana Costa (PR-SP), Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Sandro Mabel (PR-GO) e Rodovalho (PP-DF), entre outros. O dinheiro é destinado a eventos culturais bancados pelos ministérios do Turismo e da Cultura.

O procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no TCU, avisou que vai recomendar até quarta-feira, por escrito, que os ministérios do Turismo e da Cultura abram imediatamente uma apuração interna sobre as suspeitas apontadas. Ao mesmo tempo, vai solicitar todos os convênios suspeitos para realizar uma investigação dentro do próprio tribunal, além de oficiar o comando do TCU para que entre no caso. "Os ministérios deveriam se encarregar da lisura dos processos e se cercar para que não repasse dinheiro a entidades que não existem. É preciso, pelo menos, confrontar informações, CNPJs", afirmou. "Se comprovarmos as irregularidades publicadas pelo Estado, vamos pedir a suspensão dos repasses dos recursos e apontar os responsáveis", afirmou. O procurador avalia ainda que seria importante que o Ministério Público Federal entrasse no caso para investigar desvio de verbas e suposto pagamento de propinas.

Investigação feita pelo Estado mostra que ao menos R$ 1,4 milhão foi repassado para institutos fantasmas por meio de emendas individuais de Gim Argello no Orçamento. E, logo depois, o dinheiro foi repassado para a conta de uma empresa que tem um jardineiro e um mecânico como donos - tudo sem licitação. Os papéis revelam que essas entidades compram estatutos de associações comunitárias de periferia e viram "institutos" somente para intermediar sem licitação os convênios com o governo, em troca de uma comissão, conforme relatos de dirigentes em conversas gravadas.

Fundador do WikiLeaks é preso em Londres


O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, foi preso, informou nesta terça-feira (7) a Polícia Metropolitana de Londres.

A prisão ocorre por conta de uma ordem emitida na Suécia e válida na Europa. O australiano Assange, de 39 anos, é acusado de crimes de abuso sexuais, ocorridos em agosto naquele país. Ele nega as acusações.


Ele é o centro de uma polêmica mundial depois que seu site, especializado em vazar documentos secretos, começou a vazar mais de 250 mil correspondências diplomáticas norte-americanas, o que gerou críticas de governos de todo o mundo, liderados pelo norte-americano.

A polícia informou em comunicado que Assange entregou-se e foi preso por volta das 9h30 locais (7h30 do horário brasileiro de verão), em uma delegacia de Londres.

Um de seus advogados havia informado na véspera que Assange iria se apresentar às autoridades britânicas, após uma negociação.

Ele deve comparecer ao tribunal de primeira instância de Westminster ainda nesta terça para prestar depoimento. Assange deve ser extraditado para a Suécia para interrogatório. Ele recebeu das autoridades suecas recebeu das autoridades suecas uma acusação de coerção ilegal, duas acusações de assédio sexual e uma de estupro, todas elas supostamente cometidas em 20 de agosto.

Publicações mantidas
O WikiLeaks disse que vai manter suas operações apesar da prisão de Assange.

"O WikiLeaks está operacional. Continuamos no mesmo caminho planejado", disse Kristinn Hrafnsson, porta-voz da organização. "Qualquer desenvolvimento relacionando com Julian Assange não vão mudar os planos que temos em relação às publicações hoje e nos próximos dias."

Ele disse que o site está sendo mantido por um grupo de pessoas localizado em Londres e em outros locais.


G1

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mais de 40% dos beneficiários do Bolsa-Família continuam miseráveis

O Estado de São Paulo


BRASÍLIA - A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá dificuldade para encontrar a pobreza absoluta que ela prometeu erradicar até o fim do mandato, como um dos principais compromissos da campanha. Quase 5,3 milhões de famílias - a grande maioria dos brasileiros que permanecem na condição de miseráveis - já são beneficiárias do programa Bolsa-Família, de transferência de renda.

O valor pago mensalmente pelo Bolsa-Família, que varia de R$ 68 a R$ 200 para as famílias que vivem em pobreza mais aguda, não é suficiente para pouco mais de 40% dos atendidos pelo programa superarem a miséria. A condição de pobreza extrema é definida pela renda de até R$ 70 mensais por pessoa da família, segundo as regras do programa; miseráveis são pessoas que vivem com renda de até R$ 2,30 por dia.

O número de famílias que permanecem na extrema pobreza apesar de receberem o benefício do Bolsa-Família aparece em levantamento inédito do Ministério do Desenvolvimento Social, feito a pedido do Estado. Nos últimos anos, o ministério vinha se recusando a divulgar esse tipo de informação.

Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa.

Gasto extra

Acabar com a extrema pobreza entre os beneficiários do Bolsa-Família significaria ter de mais do que dobrar o valor do benefício básico, de R$ 68, pago apenas às famílias que têm renda per capita de até R$ 70. “O piso do benefício teria de ir para R$ 138”, calcula Lúcia Modesto, secretária de Renda de Cidadania do ministério, responsável pelo programa.

A média dos pagamentos, hoje em R$ 96 mensais, também teria de aumentar. O impacto nas contas públicas seria um gasto extra de R$ 8 bilhões, segundo estimativa preliminar. “Está muito acima das nossas possibilidades”, disse a secretária. A presidente eleita recorrerá a uma medida provisória, no início do mandato, para fixar reajuste nos pagamentos do Bolsa-Família. Um reajuste acima da inflação acumulada, de cerca de 9%, está em estudo, conforme antecipou o Estado. Mas a possibilidade de pagar um benefício que elimine imediatamente a extrema pobreza entre os beneficiários nem sequer é considerada.

Política de reajuste

Uma das ideias em estudo é estabelecer uma política de reajustes para o Bolsa-Família, como acontece com o salário mínimo. Atualmente, eventuais reajustes dependem da vontade do presidente da República.

O último reajuste do Bolsa-Família se deu em maio de 2009. Desde então o programa paga entre R$ 22 e R$ 200. O valor varia de acordo com o grau de pobreza e o número de crianças e jovens em idade escolar das famílias. Nada recebem aquelas que não são consideradas extremamente pobres nem têm filhos até 17 anos. O Orçamento de 2011, enviado ao Congresso sem previsão de reajuste, autoriza gastos de R$ 13,4 bilhões com o programa.

Receita óbvia

Embora não sejam suficientes para fazer com que 40% dos beneficiários superem a extrema pobreza, os pagamentos do Bolsa-Família são responsáveis por um crescimento médio de 49% da renda das famílias atendidas. Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto é ainda maior, mas a renda média após o pagamento do benefício não alcança a linha que separa a extrema pobreza da pobreza.

Aumentar o valor do benefício do Bolsa-Família é uma receita óbvia para erradicar a extrema pobreza no País. Outra medida apontada como inevitável é garantir o acesso ao programa das cerca de 230 mil famílias pobres ainda não cadastradas, de acordo com estimativa do Desenvolvimento Social.

No documento lançado no segundo turno das eleições presidenciais, com os “compromissos programáticos”, a então candidata Dilma Rousseff prometeu erradicar a pobreza absoluta. Esse é o compromisso número 5, de uma lista de 13.

O texto petista não detalha a estratégia a ser adotada, mas destaca o crescimento econômico, a expansão do emprego e da renda e a valorização do salário mínimo, antes de falar do Bolsa-Família.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dilma anuncia Palocci, Carvalho e Cardozo no ministério


Agência Estado

A presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciou hoje três novos ministros para compor o seu governo. Ela confirmou Antonio Palocci na Casa Civil, Gilberto Carvalho na Secretaria Geral da Presidência e José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça. O anúncio foi feito por meio de comunicado, como ocorreu com a divulgação na semana passada da equipe econômica.

"A presidenta eleita orientou os futuros ministros a trabalhar de forma integrada com os demais setores do governo para dar cumprimento a seu programa de desenvolvimento com distribuição de renda e garantia da estabilidade econômica", informou o texto do comunicado da presidente eleita.

Justiça Federal considera fator previdenciário inconstitucional


O fator previdenciário foi considerado inconstitucional pelo juiz federal Marcus Orione Gonçalves Correia, da 1ª Vara Federal Previdenciária em São Paulo. A decisão ocorreu em ação movida por um segurado contra o INSS.

Na decisão, Correia afirma que o fator previdenciário, além de ser complexo e de difícil compreensão para o segurado, é inconstitucional por introduzir elementos de cálculo que influem no próprio direito ao benefício.

O juiz entende que uma coisa é requisito para a obtenção do benefício - que continuaria a ser apenas o tempo de contribuição - e outra é o cálculo do seu valor inicial, em que não se poderia levar em conta fatores como a expectativa de vida.

O juiz argumentou que, "somente é possível se obter o benefício a partir da utilização dos elementos indispensáveis para o cálculo da renda mensal inicial. Assim, utilizando-se para a obtenção desta de elementos não permitidos pela Constituição, obviamente que violado se encontra o próprio direito ao benefício em si".

A decisão determinou que o INSS promova o recálculo da renda mensal inicial do benefício do segurado sem levar em conta o fator previdenciário.

Fator previdenciário é um cálculo que leva em conta a idade, a expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar.



Estadão

A crise dos segredos abertos


O Estado de S.Paulo

Era apenas questão de tempo. Cedo ou tarde, a divulgação a conta-gotas de 251.287 despachos diplomáticos confidenciais americanos fatalmente criaria mais do que constrangimentos para os Estados Unidos e os governos com que se relacionam. Ontem, no quarto dia de publicação das mensagens obtidas pelo site WikiLeaks e repassadas a quatro jornais e uma revista semanal que as editam (New York Times, Guardian, Le Monde, El País e Der Spiegel), o constrangimento se transformou numa crise política de proporções consideráveis, envolvendo nada menos do que os EUA e a Rússia.

Já na segunda-feira vazou um documento no qual diplomatas americanos, avaliando a correlação de forças em Moscou, comparam o primeiro-ministro Vladimir Putin ao Batman das histórias em quadrinhos, relegando o presidente Dmitri Medvedev ao papel do coadjuvante Robin. A analogia destoa da boa linguagem diplomática, mas é pertinente. Pior foi o secretário de Defesa dos EUA, Robert Grave, ser citado como tendo dito que "a democracia russa desapareceu" e que Moscou está nas mãos de "uma oligarquia dirigida pelos serviços secretos".

Relatos sobre a situação de outros países, incluindo perfis de seus dirigentes, altos funcionários e opositores, bem como explicações e prognósticos sobre as suas políticas, são triviais em diplomacia. Entre os afazeres dos embaixadores no estrangeiro, espionar o anfitrião é tão importante como negociar com ele. Já o interlocutor que se abre com um diplomata sabe que as suas palavras alcançarão leitores mais bem situados na hierarquia da qual aquele faz parte. Nesse jogo, baseado no princípio da confiança recíproca, uma coisa é inadmissível: a quebra do sigilo.

Quando isso acontece, ainda mais como agora, em escala industrial, o desconforto é generalizado e trivialidades se transformam em fatos políticos - com risco de crise. O governo incapaz de guardar os seus segredos tem de dar conta do estrago produzido. Pois uma coisa é saber - e todos sabem -, por exemplo, que a Arábia Saudita abomina o Irã e está inquieta com o programa atômico de Teerã, e outra coisa é vir a público que o rei saudita Abdullah, por intermédio do seu embaixador em Washington, instou os EUA a atacar o país - "cortar a cabeça da serpente", teria mandado dizer.

Perto disso, importa menos do que um grão de areia se o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, de fato confidenciou ao então embaixador Clifford Sobel que o à época secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e que o presidente boliviano, Evo Morales, tem um tumor no nariz. Mas, perto do que vazou das análises dos principais diplomatas americanos acreditados em Moscou sobre a Rússia, o constrangimento em que a negligência dos EUA deixou o monarca saudita pode não durar mais do que redemoinho no deserto.

A Rússia de Putin é equiparada a uma cleptocracia autocrática, em que a elite dirigente, as agências de segurança, as oligarquias dos grandes conglomerados econômicos e o crime organizado se associaram para criar um "virtual Estado mafioso". Nada que já não se soubesse - embora sem tamanha profusão de detalhes. Mas, exposto ao mundo, o libelo leva às cordas o que o presidente Barack Obama tinha a apresentar como a sua mais promissora realização em política externa a reaproximação com a Rússia, o restart de que falou a secretária de Estado Hillary Clinton depois de seu primeiro encontro com Medvedev, no começo do ano passado.

Putin não perdoará em especial o despacho do então embaixador William Burns sobre o rumor de que o círculo íntimo do líder russo ordenou a eliminação do agente Alexander Litvinenko, envenenado em Londres há 4 anos. A naturalidade com que o boato foi recebido em Moscou "diz tudo do que se espera do Kremlin", escreveu o diplomata.

É improvável que os EUA consigam estancar o aluvião de bisbilhotices explosivas que viajam da internet para alguns dos mais importantes órgãos da imprensa mundial. O fracasso das primeiras tentativas de bloquear o WikiLeaks é sintomático. Em nome do direito à informação, melhor assim.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Depois da batalha, os próximos passos



O antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança e co-autor dos livros "Elite da Tropa" 1 e 2, avalia quais devem ser os próximos passos no combate ao tráfico

Tiririca é absolvido pela Justiça Eleitoral em SP

G1


O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, absolveu nesta quarta-feira (1º) o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, na ação penal que apurava se ele teria inserido declaração falsa, afirmando saber ler e escrever, entregue no pedido de registro de candidatura para as eleições 2010.

Tiririca teve mais de 1,3 milhão de votos na eleições do dia 3 de outubro, sendo o deputado federal mais bem votado do país.

Silveira entendeu que basta o conhecimento rudimentar da leitura e da escrita para se afastar a condição de analfabeto. "A Justiça Eleitoral tem considerado inelegíveis apenas os analfabetos absolutos, e não os funcionais", considerou o juiz.

O juiz afirma na sentença que Tiririca não é um analfabeto absoluto e portanto tem todas as condições de exercer seus direitos políticos.

"O acusado submeteu-se por duas vezes ao exercício da leitura, seguido de compreensão de texto, a afastar qualquer dúvida quanto a não ser um analfabeto absoluto, pelo menos para fins de exercício de seus direitos políticos", diz o juiz na sentença.

De acordo com o juiz, "do conteúdo probatório trazido pela defesa e complementado pelo ditado simples, seguido de leitura e compreensão de texto, impõe-se a sua absolvição sumária quanto ao fato imputado no aditamento da denúncia, com fundamento no disposto no artigo 397, III do CPP (que o fato narrado evidentemente não constitui crime), tornando irrelevante a investigação sobre quem, como ou em que circunstâncias a declaração que continha a afirmação de que saber ler e escrever foi produzida".

Cotado para Agricultura, Maggi doa R$ 1 milhão para campanha de Dilma após a eleição


O Estado de São Paulo


Cotado para assumir o Ministério da Agricultura, o senador eleito Blairo Maggi (PR) ajudou em mais de uma maneira a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Através de suas empresas, o ex-governador de Mato Grosso doou R$ 1 milhão para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República, administrado pelo PT.

Foram duas doações, registradas na contabilidade oficial da campanha petista. O mais curioso é que elas ocorreram na semana passada, muito depois do término da eleição. Ao que tudo indica, o empresário, um dos maiores produtores de soja do mundo, estava ajudando a fechar a conta da campanha de Dilma.

A maior doação foi feita pela Amaggi Exportação e Importação Ltda: R$ 700 mil, na quinta-feira passada. No dia seguinte, a Agropecuária Maggi Ltda doou mais R$ 300 mil ao mesmo Comitê Financeiro Nacional.

Na terça-feira, Blairo foi convidado a acompanhar a presidente eleita em viagem a Tucuruí, no Pará, para inauguração de duas eclusas construídas por outro doador da campanha de Dilma, a Camargo Corrêa. Se emplacar mesmo no ministério, ele deverá entrar na cota do PR.

O Comitê Financeiro Nacional para Presidente, do PT, recebeu 46 doações de empresas com valores superiores a R$ 10 mil após o término da campanha. Elas somam R$ 12,741 milhões. A maior doação individual foi feita pela Construtora Queiroz Galvão S/A, no valor de R$ 2 milhões.

Mas o setor que mais contribuiu após o fechamento das urnas foi o sucroalcooleiro. Foram pelo menos R$ 3,5 milhões nas últimas semanas. Segundo usineiros ouvidos por este blog, o segmento foi convidado a ajudar a fechar a contabilidade da campanha de Dilma após o término da eleição.

A Cosan, maior empresa do setor, fez duas doações em novembro, somando R$ 1,5 milhão. A Copersucar também doou R$ 500 mil no dia 23 passado. E a Usina São Martinho fez dois aportes no dia seguinte que totalizaram também R$ 500 mil.

Um caso especialmente interessante é o da Açúcar Guarani S/A. A empresa, controlada pelo grupo francês Tereos, fez duas doações à campanha de Dilma, que totalizaram R$ 1 milhão, nos dias 19 e 22 de novembro. A Petrobras é sócia da empresa.

Em abril, a Guarani recebeu um aporte da Petrobras no valor de R$ 682 milhões, o que garantiu 26,3% das ações da companhia à Petrobras Biocombustível. A PBio, como é chamado o braço da estatal voltado ao etanol, deverá investir mais R$ 929 milhões na Açúcar Guarani ao longo dos próximos cinco anos, o que lhe valerá 45,7% do capital da empresa.

Encarnado


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Provoca espanto, suscita comentários, dá margem a piadas a insistência do presidente Luiz Inácio da Silva em afirmar que não tem ingerência sobre a formação do governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, em contraposição ao anúncio de um ministério quase idêntico ao de Lula.

O presidente já emplacou o ministro da Fazenda, a ministra do Planejamento, o chefe da Casa Civil, o secretário-geral da Presidência, o assessor para Assuntos Internacionais, o ministro das Relações Institucionais, o ministro da Defesa.

Abriu caminho para a indicação do secretário estadual do Rio na Saúde e está prestes a emplacar o titular da pasta da Educação; o mesmo Fernando Haddad que tão brilhantemente presidiu os trabalhos das últimas duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio.

A cada indicação anunciada e confirmada, Lula menciona um nome aqui e outro ali que gostaria de ver no ministério.

E não há razão para espanto nem para disse-me-disse. No enunciado da questão acertemos de vez: a coerência não é o forte do presidente Lula. Logo, quando ele diz uma coisa e faz outra não é surpresa alguma.

Na realidade parece mesmo é que ele quer acentuar sua ascendência sobre a sucessora fazendo de conta que a verdade é o oposto.

A rigor nem precisaria, já que a campanha eleitoral foi sustentada na simetria de procedimentos. Quando Lula demonstra que influi, nada faz que possa contrariar os eleitores de Dilma Rousseff, pois não por outro motivo votaram nela.

Lula também: não por outra razão, que não a certeza absoluta na fidelidade de Dilma, a escolheu como candidata a sucessora ungida pela vontade de um só e transferida por meios e modos que não cabe aqui discutir à maioria do eleitorado.

Se pretendesse realmente "desencarnar" da Presidência como discursa, Lula não teria tido a necessidade de impor ao PT uma candidata. Teria deixado que o partido escolhesse alguém entre os muitos quadros disponíveis entre parlamentares e governadores.

Uma falácia das boas é a que discorre sobre o deserto de possibilidades de candidaturas. O que não havia no partido era alguém que se encaixasse tão perfeitamente no perfil pretendido por Lula para derrubar a escrita das criaturas que se voltam contra os criadores na política.

Cota é cota. A direção do PMDB deixa patente: Sergio Côrtes na Saúde é crédito na conta do governador Sérgio Cabral.

Indicações partidárias legítimas só as que contemplarem quadros indicados por consenso.

Cenografia. Jader Barbalho fez um gesto político ao renunciar ao mandato de deputado que acaba em dois meses.

Não obstante inócuo. O argumento de que vive uma situação "extravagante" por ter mandato de deputado e ao mesmo tempo ser considerado inelegível para senador é um sofisma.

Em 2006, quando foi eleito deputado, não havia a Lei da Ficha Limpa.

Tampouco é verossímil a versão sobre a manobra para devolver processos que transitam no Supremo à primeira instância porque isso ocorrerá de qualquer modo a partir de fevereiro.

Colateral. O ex-prefeito do Rio Cesar Maia alerta para um problema já ocorrido em morros ocupados pela polícia em outras ocasiões: a população de início apoia, mas com o passar do tempo fica contra porque a ausência do tráfico reduz a circulação de dinheiro, afetando o comércio e o emprego locais.

Tem jeito? Tem: o poder público investir pesado na economia doméstica de cada uma das regiões ocupadas.

A boca pequeníssima corre que em várias favelas onde estão instaladas Unidades de Polícia Pacificadora o tráfico continua funcionando como comércio, embora não mais como meio de dominação do território e da população.

No Twitter. @maryzaidan: "Não se assustem se Dilma anunciar que vai manter Lula na Presidência da República."